Tecnologia

Crise global de chips pode paralisar montadoras no Brasil nas próximas semanas, alerta MDIC

A escassez de chips volta a preocupar a indústria automotiva brasileira. O secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, alertou nesta terça-feira (29) que algumas montadoras de automóveis podem ser obrigadas a suspender a produção nas próximas duas a três semanas, caso a crise internacional de fornecimento de semicondutores não seja solucionada.

“Se não houver uma solução nesse curto espaço de tempo, pode haver um processo de paralisação em algumas montadoras”, afirmou Moreira.

Impasse entre China e Holanda agrava crise

O problema decorre de uma disputa entre China e Holanda pelo controle da fabricante de microprocessadores Nexperia, responsável por cerca de 40% do mercado global de semicondutores básicos. A tensão se intensificou após o governo holandês assumir o controle da empresa, alegando preocupações de propriedade intelectual e segurança nacional, já que a controladora chinesa Wingtech está sob sanções dos Estados Unidos.

As restrições impostas por Pequim impactaram diretamente o fornecimento global. Embora os chips da Nexperia não sejam considerados de alta complexidade, eles são essenciais para o setor automotivo, utilizado em larga escala na fabricação de veículos e produtos eletrônicos.

Governo busca diálogo com a China

Segundo o MDIC, o ministro Geraldo Alckmin e o secretário Moreira se reuniram com o presidente da Anfavea, Igor Calvet, para discutir soluções. O governo brasileiro tenta abrir canal diplomático com a China, buscando garantir que o país não sofra os efeitos colaterais da disputa geopolítica.

“Nosso objetivo é deixar claro que o Brasil está fora desse conflito e não pode ser penalizado por ele”, destacou Moreira.

O ministro Alckmin já entrou em contato com o embaixador brasileiro em Pequim e com o embaixador chinês em Brasília, solicitando o início de negociações bilaterais. O representante chinês teria se comprometido a dialogar com autoridades locais, enquanto o diplomata brasileiro fará a mediação com a Nexperia.

Indústria em alerta com possível paralisação

A Anfavea reforçou a preocupação com a escassez de chips, lembrando que situação semelhante durante a pandemia provocou paralisações e queda na produção. Estimativas da entidade indicam que um carro moderno utiliza entre 1.000 e 3.000 chips, o que torna qualquer interrupção no fornecimento um risco imediato.

Apesar de fontes do setor apontarem possíveis substitutos — como Infineon, NXP e Texas Instruments —, a troca de fornecedores exige tempo, já que os componentes precisam passar por processos rigorosos de aprovação técnica antes de serem usados nas linhas de montagem.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Acervo Volkswagen do Brasil

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Portos, Sustentabilidade

Brasil e Holanda assinam plano para portos sustentáveis

Acordo estabelece capacitações, energia renovável e corredores verdes; país é referência em gestão portuária, como a do Porto de Rotterdam, o maior da Europa

O governo brasileiro e a Holanda formalizaram nesta 4ª feira (18.jun.2025) um novo Plano de Ação para o programa GPP (Green Ports Partnership), voltado ao desenvolvimento sustentável da infraestrutura portuária. O acordo foi assinado durante o evento “Desenvolvimento sustentável e inovação nos portos”, realizado em Brasília e promovido pela Embaixada da Holanda no Brasil.

O plano prevê uma série de iniciativas ao longo dos próximos 15 meses. Entre as ações estão capacitações sobre portos e corredores verdes, a realização de estudos para o planejamento de um corredor verde intermodal no Brasil e visitas técnicas binacionais a terminais estratégicos. No Brasil, os portos de Santos (SP), Pecém (CE), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS) receberão as delegações. Na Holanda, as visitas incluem os portos de Rotterdam, Harlingen e Nijmegen.

EXPANSÃO E INVESTIMENTOS

O encontro ocorreu em um momento de expansão do setor portuário brasileiro. Segundo a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), os portos do país movimentaram um recorde de 1,32 bilhão de toneladas em 2024. Só o Porto de Santos operou 162,4 milhões de toneladas em 2022 e registrou em janeiro de 2025 o maior volume mensal de contêineres da série histórica: 460,8 mil TEUs (Unidade Equivalente a Vinte Pés, em português).

O crescimento é acompanhado por uma série de projetos para ampliação da capacidade logística nacional. Estão previstos mais de R$ 50 bilhões em investimentos privados no setor até 2026, por meio de novos arrendamentos e concessões.

Destaque para o novo mega terminal de contêineres de Santos, o STS-10(Teccon 10), que poderá aumentar em até 50% a capacidade operacional do porto. A obra faz parte de um pacote de iniciativas que também inclui o túnel subaquático Santos–Guarujá, com o objetivo de transformar o complexo em um hub logístico regional.

MODELO HOLANDÊS

A parceria também traz como referência a experiência holandesa no desenvolvimento portuário. O Porto de Rotterdam, maior da Europa, movimentou 467,4 milhões de toneladas e 15,3 milhões de TEUs em 2022, consolidando-se como um dos principais hubs logísticos globais. O modelo de gestão adotado alia planejamento público, operação privada e integração com as principais cadeias logísticas internacionais, além de estabelecer metas ambientais, como a descarbonização total dos terminais até 2050.

“O programa atua em duas frentes: odesenvolvimento sustentável e inovador dos portos e terminais brasileiros e logística, e segundo, projetos de energia renovável relacionados aos portos, especificamente energia eólica, offshore e nearshore, hidrogênio verde”, disse o embaixador André Driessen.

Driessen destacou que o GPP já reúne 40 instituições brasileiras e neerlandesas, incluindo os portos de Rotterdam, Itajaí, Paranaguá e Rio Grande. O embaixador sinalizou ainda a expectativa de que o Porto de Santos passe a integrar o grupo em breve, ampliando o alcance da parceria.

Fonte: Poder 360

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