Comércio Internacional

Parlamento Europeu avalia congelar acordo comercial com EUA após ameaças de Trump

O Parlamento Europeu deve avançar para o congelamento do acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos, firmado no ano passado. A sinalização foi feita por líderes parlamentares europeus nesta terça-feira (20), como resposta direta às recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, envolvendo a possível anexação da Groenlândia.

Consenso político para suspender acordo UE–EUA

De acordo com a presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento Europeu, Iratxe García Pérez, há um entendimento majoritário entre os grupos políticos da Casa para levar adiante a suspensão do tratado. A expectativa é que a votação formal ocorra na quarta-feira (21).

A medida é tratada como uma retaliação às ameaças feitas por Trump, que associou o tema da Groenlândia à imposição de tarifas comerciais contra países europeus.

Ameaças tarifárias e reação europeia

Nesta semana, Trump afirmou que pretende aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países da Europa caso haja oposição ao plano dos Estados Unidos de adquirir o território autônomo ligado à Dinamarca.

A reação foi imediata. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou a estratégia americana como “chantagem”, afirmando que Washington estaria usando ameaças econômicas para impor “concessões injustificáveis”. Segundo ele, a Comissão Europeia dispõe de instrumentos robustos para responder a esse tipo de pressão.

Termos do acordo e riscos da suspensão

O acordo comercial UE–EUA, assinado em julho do ano passado, previa a aplicação de tarifas de 15% pelos Estados Unidos sobre a maioria dos produtos europeus, enquanto a União Europeia concordou em reduzir parte das taxas sobre importações americanas.

O tratado, no entanto, ainda não havia entrado em vigor. A implementação estava prevista para os meses de março e abril deste ano, condicionada à aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos nacionais do bloco.

Com o congelamento, a UE volta a considerar a adoção de tarifas retaliatórias, que podem chegar a 93 bilhões de euros (aproximadamente R$ 580 bilhões), além da possibilidade de restringir o acesso de empresas americanas ao mercado europeu.

Groenlândia no centro da crise diplomática

Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que pressões comerciais entre aliados estratégicos representam um erro grave.

Trump tem intensificado declarações sobre a Groenlândia nas últimas semanas, alegando que a ilha é essencial para a segurança nacional dos EUA. Além de ser uma rota estratégica no Ártico e uma área rica em matérias-primas críticas, o território é considerado central para o chamado Domo de Ouro, um sistema de defesa antimísseis que o presidente norte-americano pretende construir.

Europa reforça segurança no Ártico

Em resposta, países europeus anunciaram o reforço da segurança no Ártico, incluindo o envio de contingentes militares à Groenlândia a pedido da Dinamarca. Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda reafirmaram o compromisso com a defesa do território no âmbito da Otan.

O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio. A crise também gerou protestos populares, com manifestações registradas no último fim de semana tanto na ilha quanto em Copenhague contra a intenção de anexação anunciada por Trump.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Evelyn Hockstein

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Tarifas dos EUA sobre a Groenlândia impulsionam acordo Mercosul-União Europeia

As novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra países europeus contrários à anexação da Groenlândia por Washington voltaram a acirrar as tensões comerciais globais. A medida, divulgada no sábado (17), ocorre às vésperas de Trump completar um ano de seu segundo mandato e carrega forte componente geopolítico.

Embora tenha caráter político, a decisão pode gerar um efeito indireto relevante: ampliar o apoio ao acordo Mercosul-União Europeia, justamente no momento em que o texto entra na etapa mais delicada de tramitação no Parlamento Europeu.

Europa reage a tarifas e busca novos parceiros comerciais

Ao recorrer às tarifas como instrumento de pressão internacional, os Estados Unidos empurram a Europa para uma postura defensiva no comércio exterior. Parlamentares europeus já discutem abertamente a revisão — ou até a suspensão — do acordo comercial com Washington.

Paralelamente, a Comissão Europeia prepara medidas de retaliação tarifária a partir de fevereiro, caso não haja recuo por parte do governo americano.

Nesse ambiente, o acordo Mercosul-UE deixa de ser apenas uma negociação de longo prazo e passa a ser visto como uma alternativa estratégica concreta. As novas tarifas anunciadas por Trump se somam às já existentes, podendo elevar o custo de acesso dos produtos europeus ao mercado dos EUA para patamares próximos de 40% a partir de junho.

O impacto tende a ser significativo, com redução das exportações, pressão sobre cadeias produtivas e efeitos diretos sobre setores industriais e agrícolas da União Europeia.

Especialistas veem relação direta com fortalecimento do Mercosul-UE

Para o professor de Relações Internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, a conexão entre a escalada tarifária americana e o fortalecimento do acordo com o Mercosul é evidente. “É impossível não associar uma coisa à outra. Tarifas de até 25% travam a saída de produtos europeus para os Estados Unidos, e a Europa precisa de novos mercados. Nesse cenário, o acordo Mercosul-UE ganha uma força inédita”, afirma.

Segundo Trevisan, ao dificultar o acesso ao mercado americano, os EUA aceleram a busca europeia por parceiros alternativos, e a América Latina surge como destino natural. “O episódio da Groenlândia, da forma como foi colocado, favorece uma aproximação da Europa com outros mercados, e a América Latina é candidata preferencial”, avalia.

Resistências políticas e risco jurídico ainda preocupam

Apesar do ambiente econômico mais favorável ao acordo, as tensões políticas internas na Europa permanecem. Parte do Parlamento Europeu, especialmente parlamentares ligados ao setor agrícola francês, tenta judicializar o tratado, encaminhando o texto à Corte de Justiça da União Europeia.

Trevisan alerta que nem toda oposição tem motivação econômica. “Há grupos radicalizados, de extrema direita, que defendem o rompimento com os Estados Unidos. Isso tem menos a ver com a Groenlândia e mais com disputas eleitorais”, analisa.

Ele lembra que a União Europeia exportou US$ 642 bilhões para os EUA no ano passado, sustentando empregos em economias centrais como Alemanha e França. Um rompimento abrupto poderia gerar desemprego — cenário que tende a fortalecer movimentos extremistas no continente.

Ambiente geopolítico favorece acordo, mas ritmo é incerto

Na avaliação de Carlos Primo Braga, ex-diretor de Política Econômica e Dívida do Banco Mundial e professor associado da Fundação Dom Cabral, o contexto internacional joga a favor do acordo com o Mercosul, embora obstáculos ainda persistam. “As medidas da administração Trump criam apoio adicional à aprovação do acordo Mercosul-UE, mas ainda existem pedregulhos no caminho”, destaca.

Segundo Braga, a resistência histórica veio de países preocupados com o impacto sobre o setor agrícola, como França e Polônia. No entanto, ajustes recentes — como o apoio da Itália após negociações envolvendo subsídios — reduziram o risco de bloqueio por critério populacional dentro da UE. “Hoje, não há mais os 35% da população europeia necessários para barrar o acordo”, explica.

O principal risco agora é jurídico. A votação no Parlamento Europeu sobre o envio do acordo à Corte de Justiça da UE está marcada para quarta-feira (21). Caso aprovada, a análise pode atrasar o processo entre 12 e 18 meses. “O acordo deve avançar, mas o ritmo ainda é incerto”, resume Braga.

Mercosul-UE ganha peso geopolítico em cenário global instável

O novo capítulo da tensão comercial liderada pelos Estados Unidos reforça a necessidade de reorganização do comércio global. Países e blocos buscam diversificar parceiros, reduzir dependência de Washington e garantir maior previsibilidade regulatória.

Nesse cenário, o acordo Mercosul-União Europeia assume um papel estratégico, deixando de ser apenas um pacto comercial para se tornar um instrumento de equilíbrio geopolítico.

Para a Europa, representa acesso a mercados e recursos naturais em meio ao atrito com os EUA. Para o Brasil e os demais países do Mercosul, é a oportunidade de se consolidar como parceiro confiável em um mundo cada vez mais fragmentado.

De forma quase paradoxal, ao usar tarifas como arma política, Donald Trump pode acabar fortalecendo justamente o acordo que enfrentava maior resistência dentro da própria Europa.

FONTE: CNN / Com informações de análises de especialistas em comércio internacional e relações exteriores.

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO IPEA

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Trump anuncia tarifas de 10% contra países da Europa a partir de fevereiro de 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (17) a imposição de tarifas de 10% sobre produtos importados de países da Europa a partir de 1º de fevereiro de 2026. A medida, segundo o republicano, será aplicada caso essas nações se posicionem contra o plano norte-americano de comprar a Groenlândia, território localizado no Ártico e pertencente à Dinamarca.

De acordo com Trump, a taxação permanecerá em vigor até que seja firmado um acordo para a aquisição total da Groenlândia. Desde o início de seu segundo mandato, há um ano, o presidente vem reiterando a intenção de anexar o território aos Estados Unidos.

Groenlândia é considerada estratégica para defesa dos EUA
Trump classificou a Groenlândia como um território “vital” para o projeto do Domo de Ouro, um escudo antimísseis que pretende implementar como parte da estratégia de defesa nacional dos Estados Unidos.

Segundo o presidente, a região teria importância central para o funcionamento do sistema, especialmente por questões geográficas e de posicionamento estratégico frente a ameaças globais.

Lista de países europeus que serão taxados
A tarifa anunciada por Trump deve atingir os seguintes países:
Dinamarca
Noruega
Suécia
França
Alemanha
Reino Unido
Países Baixos
Finlândia

Possível aumento da tarifa em junho
No comunicado, Trump afirmou ainda que a tarifa de 10% será elevada para 25% a partir de 1º de junho de 2026, caso não haja avanço nas negociações para a compra da Groenlândia. A cobrança incidirá sobre quaisquer bens enviados aos Estados Unidos pelos países listados.

O presidente argumenta que os EUA subsidiam há décadas países europeus ao não impor tarifas equivalentes e que a situação precisa ser revista diante do que classificou como riscos à segurança nacional e à segurança global.

Justificativas e discurso presidencial
Trump afirmou que China e Rússia demonstram interesse estratégico na Groenlândia e que a Dinamarca não teria capacidade de proteger o território de forma adequada. Segundo ele, apenas os Estados Unidos teriam condições militares e tecnológicas para garantir a segurança da região.

O republicano também criticou visitas recentes de países europeus à Groenlândia, classificando-as como uma atitude perigosa e potencialmente desestabilizadora para a ordem internacional.

Compra da Groenlândia volta ao centro da política externa dos EUA
O presidente ressaltou que os Estados Unidos tentam adquirir a Groenlândia há mais de 150 anos, mas enfrentam resistência histórica da Dinamarca. Agora, segundo Trump, o avanço de sistemas modernos de armamento e a implementação do Domo de Ouro tornariam a aquisição ainda mais estratégica.

Ele acrescentou que bilhões de dólares já estão sendo investidos em programas de segurança ligados ao projeto, que poderia incluir até mesmo a proteção do Canadá, dependendo da configuração territorial.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC Total

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