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Antidumping sobre aço importado fortalece siderúrgicas e muda cenário do setor no Brasil

O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) tornou públicas as deliberações da 233ª reunião ordinária. Entre as principais decisões, está a aprovação de medidas antidumping definitivas sobre as importações de aço pré-pintado originárias da China e da Índia, com vigência de até cinco anos.

Embora os percentuais finais ainda não tenham sido oficialmente divulgados, um relatório técnico preliminar indicou margens antidumping de 21,7% (ou US$ 210,85 por tonelada) para produtos indianos e entre 31,9% e 46,9% (US$ 252,53 a US$ 329,87 por tonelada) para os chineses.

Além disso, o comitê autorizou a elevação das tarifas de importação de aço de 10,8% (e 12,6% em alguns casos) para 25% sobre uma série de produtos siderúrgicos, como laminados a quente, chapas para embalagens, chapas e bobinas de aço inoxidável e silício, além de fio-máquina.

Impacto das tarifas no mercado de aço brasileiro

Na avaliação do Bradesco BBI, as medidas representam um sinal positivo para as siderúrgicas brasileiras. Segundo o banco, os produtos afetados pelos aumentos tarifários somaram cerca de 623 mil toneladas importadas em 2025, o equivalente a aproximadamente 10% do total das importações de aço no período.

Com a tarifa de 25%, a expectativa é de que os preços domésticos do aço se aproximem da paridade com o material importado, reduzindo a diferença atual de cerca de 21% para algo próximo de 8%. Esse movimento tende a reduzir a viabilidade econômica das importações e a sustentar os preços no mercado interno.

Efeitos diretos nas siderúrgicas listadas

No caso específico do aço pré-pintado, apenas a CSN (CSNA3) apresenta exposição relevante, com esse produto representando cerca de 10% de suas vendas, segundo o Bradesco BBI. Ainda assim, o banco destaca que a decisão amplia a probabilidade de novas medidas de defesa comercial para CRC, galvanizados e HRC ao longo de 2026.

O impacto nos preços domésticos deve ser limitado para CRC e HRC, já que os volumes importados desses produtos são baixos e a participação chinesa vem caindo. O segmento de aços galvanizados, porém, pode sentir efeitos mais significativos, uma vez que cerca de 30% da demanda interna é atendida por importações, quase todas vindas da China.

Sensibilidade do Ebitda e postura cautelosa

De acordo com estimativas do banco, uma variação de 1% nos preços domésticos pode gerar impacto aproximado de 9% no Ebitda da Usiminas (USIM5), 2% no da Gerdau (GGBR4) e 1% no da CSN.

Apesar do viés positivo, o Bradesco BBI mantém uma visão mais conservadora. A instituição ressalta que a penetração das importações de aço já vem diminuindo nos últimos meses, reflexo da redução ou redirecionamento dos volumes chineses para outros mercados. Além disso, a combinação de demanda enfraquecida e estoques elevados deve limitar uma recuperação mais expressiva dos preços no curto prazo.

Próximos passos e visão dos bancos internacionais

O Morgan Stanley chama atenção para a próxima reunião ordinária do Gecex, marcada para 12 de fevereiro de 2026. O banco avalia a possibilidade de inclusão, na pauta, das investigações antidumping sobre bobinas ou chapas laminadas a frio, com decisão final prevista para 19 de fevereiro de 2026, e sobre produtos laminados planos revestidos, com desfecho esperado para 2 de março de 2026.

Os produtos de aço pré-pintado atingidos pelas novas tarifas representam cerca de 5% das importações totais de aço do Brasil. Entre as empresas acompanhadas pelo Morgan Stanley, apenas a CSN possui exposição direta.

Para o banco americano, a decisão tende a melhorar o sentimento do mercado, ao reduzir a percepção de inação do governo em relação ao setor. Ainda assim, a instituição demonstra ceticismo quanto à eficácia de longo prazo das medidas, citando o histórico de práticas de evasão. A projeção é de que as importações sigam elevadas em 2026, enquanto as ações do setor podem reagir positivamente no curto prazo.

Perspectiva mais construtiva para o setor

Na visão do Itaú BBA, o avanço das medidas de defesa comercial torna o cenário mais favorável para a indústria siderúrgica brasileira, com destaque para Usiminas e CSN como as principais beneficiárias do novo ambiente regulatório.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Aly Song

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Importações de aço pressionam siderurgia brasileira e setor fecha 2025 em alerta

A siderurgia brasileira chega ao fim de 2025 sob forte pressão do avanço das importações de aço, cenário que compromete margens, paralisa operações, reduz investimentos e resulta em demissões. O setor inicia 2026 na expectativa de novas medidas de defesa comercial capazes de conter um problema que se intensifica há vários anos.

Importações atingem maior nível em mais de uma década

Levantamento do Instituto Aço Brasil indica que, após recuo entre 2021 e 2022 — quando os desembarques de laminados caíram de 4 milhões para 3,1 milhões de toneladas —, o movimento voltou a ganhar força. A projeção para 2025 é de 5,7 milhões de toneladas importadas, volume próximo ao recorde histórico de 2010 e 20,5% superior ao registrado em 2024.

Considerando o período de janeiro a novembro de 2025, o Brasil importou 5,4 milhões de toneladas de aço laminado, crescimento de 20,2% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. O impacto desse avanço já se reflete na estrutura produtiva do setor.

Cortes de investimentos e paralisações marcam o ano

Diante do aumento das importações, as siderúrgicas cancelaram cerca de R$ 2,5 bilhões em investimentos no mercado doméstico. Além disso, foram desligados aproximadamente 5.100 trabalhadores e interrompidas as atividades de quatro altos-fornos, uma aciaria e cinco usinas semi-integradas, conhecidas como mini mills.

Os resultados financeiros também sentiram o efeito. O Ebitda trimestral das empresas associadas ao Instituto Aço Brasil caiu 51,7% no terceiro trimestre de 2025 em comparação ao quarto trimestre do ano anterior. No mesmo período, a margem Ebitda recuou 7,7 pontos percentuais.

Empresas mais expostas ao aço importado

Segundo Lucas Sharau, economista e sócio da iHUB Investimentos, Usiminas e CSN estão entre as companhias mais afetadas, uma vez que os aços planos laminados concentram a maior parte das importações. A Gerdau, por sua vez, sofre impacto menor, devido à maior presença no segmento de aços longos e menor dependência dos produtos mais importados.

Medidas de defesa comercial ainda insuficientes

Em 2024, o governo federal adotou o sistema de cota-tarifa para tentar conter as importações de aço. A política foi renovada em 2025, com ampliação da lista de produtos, mas teve efeito limitado. A manutenção de acordos comerciais, regimes aduaneiros especiais e incentivos fiscais estaduais continua favorecendo a entrada do aço estrangeiro.

Em negociações com o governo, o Instituto Aço Brasil aposta na adoção de novas medidas de defesa comercial em 2026. Para o analista Pedro Galdi, da plataforma AGF, há expectativa de que, já em fevereiro, sejam ampliadas as tarifas de importação para determinados tipos de aço, sobretudo de origem chinesa, o que poderia aliviar a pressão sobre as siderúrgicas nacionais.

Fatores externos e cenário macroeconômico

Galdi destaca ainda rumores de que a China possa impor maior controle sobre a exportação de excedentes, o que ajudaria a reduzir a oferta global. No entanto, ele pondera que a medida é complexa, já que o país asiático é o maior produtor mundial de aço e enfrenta desaceleração econômica.

Na avaliação do analista, a recuperação do setor depende da elevação das alíquotas de importação, da retomada da economia brasileira e da continuidade da política tarifária dos Estados Unidos, que intensifica a disputa global e o desvio de comércio.

Sharau acrescenta outros fatores considerados decisivos: crescimento da demanda interna, redução da taxa de juros — que diminui o custo de capital — e um real mais desvalorizado frente ao dólar, o que reduz a competitividade do aço importado em relação ao produto nacional.

Retomada deve ocorrer de forma gradual

Caso esses gatilhos se confirmem, a tendência é de uma recuperação progressiva da siderurgia brasileira. O movimento começaria com a reativação da capacidade produtiva existente, seguido por projetos de menor porte e, apenas em uma etapa posterior, por investimentos mais robustos.

Enquanto isso não ocorre, o setor permanece cauteloso. Galdi lembra que empresas como a Gerdau já vinham alertando para o risco do ambiente adverso e, diante da falta de previsibilidade, optaram por reduzir investimentos, fechar unidades e ajustar quadros de pessoal. Usiminas e CSN também seguem focadas em estratégias de corte de custos.

Segundo o analista, uma mudança mais significativa de estratégia só deve ocorrer quando houver sinais claros de retorno da demanda retirada pelo aço importado. Atualmente, esse produto já responde por cerca de 25% do aço consumido no Brasil.

FONTE: Diário do Comércio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução Adobe Stock

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