Tecnologia

Tecnologia redefine o comércio exterior na América Latina

O comércio exterior latino-americano vive um momento de transformação impulsionado pela tecnologia. Soluções baseadas em inteligência artificial, digital twins e plataformas integradas de gestão estão mudando a lógica da cadeia logística e das operações portuárias, tornando-as mais preditivas e conectadas.

Empresas de transporte e operadores portuários vêm adotando modelos digitais capazes de simular cenários logísticos, prever impactos cambiais, medir desempenho de rotas e identificar riscos operacionais. Com a aplicação dos digital twins — réplicas virtuais de portos, terminais e cadeias de suprimento —, é possível realizar ajustes em tempo real e tomar decisões baseadas em evidências. O resultado é um comércio exterior mais previsível, com menor exposição a custos variáveis e interrupções.

A América Latina também acompanha o avanço de tendências como nearshoring e friendshoring, impulsionadas pela reorganização das cadeias globais. A aproximação entre centros produtivos e consumidores regionais reduz prazos e custos logísticos, fortalecendo os portos locais como plataformas estratégicas. No Brasil, o aumento das movimentações internas vem substituindo rotas mais longas e caras, especialmente as que envolvem a Ásia.

Essas transformações ocorrem em um cenário de modernização portuária e investimento em automação. Portos como Santos, Itapoá e Pecém já utilizam sistemas integrados de rastreamento e plataformas de análise de dados, alinhando suas operações a padrões internacionais de eficiência. A digitalização, antes vista como tendência, tornou-se um requisito competitivo para operadores logísticos e exportadores em mercados de alta complexidade regulatória.

Dados no centro das decisões

O uso de dados deixou de ser um diferencial e passou a ser o eixo das decisões no comércio exterior. Ferramentas de IA aplicadas à previsão de demanda, gestão de estoques e alocação de frota reduzem desperdícios e aumentam a previsibilidade. Plataformas digitais integram agentes de carga, despachantes e armadores em um mesmo ambiente, substituindo o papel e reduzindo erros em documentação.

De acordo com a Maersk, as cadeias de suprimento latino-americanas estão em fase de consolidação digital, com ganhos expressivos de eficiência operacional. O desafio atual está em ampliar a interoperabilidade entre sistemas públicos e privados e consolidar padrões de dados entre portos, terminais e autoridades aduaneiras — um passo essencial para o avanço de um comércio exterior mais ágil e previsível.

A presença da Process nesse movimento

Entre as empresas que acompanham de perto essa evolução está a Process, que tem integrado tecnologia e estratégia para tornar a logística mais eficiente e conectada. 

“Na Process, acreditamos que tecnologia sozinha não resolve, pois o resultado vem quando dados, estratégia e operação trabalham juntos. Nosso foco é fazer com que o cliente enxergue o cenário completo, consiga antecipar riscos e tome decisões baseadas em fatos. Hoje, a tecnologia não está mais ao redor da operação, ela é parte dela. Acompanhar de perto o que acontece entre o porto e o cliente é o que nos permite usar a inovação de forma prática, para manter o fluxo em movimento e tornar a logística mais previsível e conectada às novas dinâmicas globais”, destacou Lúcio Lage, CEO do Process Group. 

A tecnologia redefine o ritmo das trocas internacionais na América Latina. O que antes dependia apenas de infraestrutura física agora depende também da capacidade de processar, interpretar e agir sobre dados — um caminho que consolida uma nova fase de maturidade logística, onde inovação e eficiência caminham lado a lado.

TEXTO E IMAGEM: DIVULGAÇÃO PROCESS

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Comércio Exterior, Logística, Notícias

O comércio global começou 2025 com estabilidade

O comércio global começou 2025 com sinais de estabilidade, embora ainda existam desafios. Em segundo lugar atrás da UNCTAD, chegará a US$ 33 trilhões em 2024, com um crescimento de 3,7%.

Esse crescimento foi impulsionado pelo desenvolvimento de economias e pelo comércio de serviços. Entretanto, tensões geopolíticas e políticas comerciais podem afetar seu desenvolvimento.

O relatório destaca uma lacuna crescente entre economias avançadas e em desenvolvimento. Quanto à Ásia e à América Latina, está consolidando sua posição como promotores do comércio, a Europa e a América do Norte enfrentam uma desaceleração. O comércio Sul-Sul queda estável, mas a África sofre uma contração.

As estratégias de nearshoring e friendshoring evoluíram em 2024. As empresas estão diversificando suas redes de negócios para reduzir riscos, em vez de se concentrarem apenas em aliados estratégicos. A Rússia, o Vietname e a Índia estão a reforçar relações comerciais específicas, enquanto a UE e a Áustria procuram reduzir a dependência dos mercados tradicionais.

As políticas comerciais estão em transformação. Os EUA e a UE aumentarão as taxas e os subsídios, integrando critérios de segurança e sustentabilidade. Para a China, pela primeira vez, mantive incentivos para sua capacidade de exportação. Essas medidas aumentaram o protecionismo e geraram retaliações comerciais.

Os negócios desequilibrados voltarão aos níveis de 2022. Os EUA ampliaram seu déficit, a China fortaleceu seu superávit e a UE passou de déficit em superávit devido às flutuações de energia.

O comércio global frente um 2025 cheio de oportunidades e riscos. A desaceleração da inflação e o estímulo econômico podem impulsionar a atividade, mas o protecionismo e a incerteza continuam a surpreender o crescimento. A chave será evitar uma fragmentação comercial que divida o mundo em blocos isolados.

FONTE: Todo Logística News
Comércio global entra em 2025 com estabilidade – TodoLOGISTICA NEWS

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Agronegócio, Comércio Exterior, Exportação, Informação, Mercado Internacional, Notícias

Agenda protecionista de Trump representa um desafio para o agronegócio brasileiro

A eleição de Donald Trump levanta a possibilidade de uma “espiral protecionista” global e uma mudança para relações comerciais bilaterais, o que representa desafios para o agronegócio brasileiro no cenário internacional, afirmam especialistas.

Durante o primeiro mandato de Trump, sua guerra comercial com a China impulsionou as exportações agrícolas brasileiras, já que importadores chineses passaram a procurar o Brasil por suprimentos. No entanto, os analistas acreditam que o espaço para essa dinâmica se repetir é limitado.

“Já estamos exportando 37% de nossos produtos para a China. Qualquer aumento nas exportações para a China provavelmente seria marginal, pois outros países também se beneficiariam”, afirmou o embaixador Rubens Barbosa, ex-representante brasileiro em Londres e Washington e atual presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

O gráfico abaixo revela os produtos mais exportados em contêineres marítimos do Brasil para os Estados Unidos entre janeiro e agosto de 2024. Os dados, extraídos da plataforma DataLiner da Datamar, compreendem apenas embarques marítimos de longo curso.

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

As exportações do agronegócio brasileiro cresceram 20% ao ano durante a presidência de Trump, de 2017 a 2021, preenchendo o vazio deixado pela redução das exportações americanas devido às tarifas retaliatórias chinesas.

Marcos Jank, coordenador do Agro Global Center do Insper, observou que o Brasil hoje exporta mais para a China do que os Estados Unidos, com receitas totais de US$ 63 bilhões anuais, em comparação aos US$ 35 bilhões das exportações americanas para o mercado chinês. “Tomamos a posição dos EUA em soja, milho, carne e outros produtos”, disse ele.

Jank acrescentou que, se Donald Trump reimpor tarifas sobre produtos chineses, o Brasil poderá ganhar “mercados adicionais” na China, mas perdas em outros mercados também são prováveis. “Podemos perder mercados em outros lugares porque o comércio internacional opera como vasos interconectados. Se os EUA não puderem vender para a China, vão buscar outros mercados, o que nos afetará indiretamente”, explicou.

Segundo Jank, o risco mais significativo é o ressurgimento de “uma espiral protecionista e políticas mercantilistas, com foco mais em relações bilaterais do que multilaterais. Uma tendência como essa prejudicaria o comércio global”, destacou.

Em resposta a essas possíveis mudanças na política comercial dos EUA, o Brasil deve enfatizar alianças com o Sul Global, aconselhou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Falando com jornalistas no Uruguai, ele destacou que “fortalecer os BRICS e as relações Sul-Sul é fundamental para expandir nossas negociações”, sublinhando a alta densidade populacional e a riqueza de recursos dessas regiões.

O retorno de Trump à Casa Branca provavelmente intensificaria uma estratégia geopolítica centrada no friendshoring (modelos de relações bilaterais baseadas em valores e visões de mundo compartilhadas, em vez de puro pragmatismo comercial). Segundo Jank, os americanos estão cada vez mais analisando os laços de outros países com a China.

“[O friendshoring] terá um impacto forte e nos desafiará a engajar ambos os lados”, observou, destacando que o agronegócio brasileiro inclui muitas empresas americanas nos setores de agronegócio, insumos e comércio, enquanto a China continua sendo o principal cliente do Brasil. “Precisamos manter uma equidistância prudente”, acrescentou.

Na esfera geopolítica, a promessa do republicano de interromper o apoio à Ucrânia contra a Rússia pode ter implicações limitadas para o Brasil, segundo Rubens Barbosa. “Se houver paz, isso facilitará as exportações de agronegócio da Rússia. O Brasil é um grande importador de petróleo, gás natural, diesel e trigo da Rússia, portanto, o comércio deve se tornar mais fácil”, afirmou. No entanto, ele não espera que Trump cesse imediatamente o apoio à Ucrânia ou que essa mudança tenha efeitos imediatos.

No campo macroeconômico, o novo mandato de Trump continua imprevisível. “Se ele cumprir sua promessa de aumentar as tarifas de importação, isso criaria desafios globais. Isso elevaria a inflação e as taxas de juros nos Estados Unidos devido ao déficit público, impactando a política econômica do Brasil. O dólar se fortaleceria, forçando o aumento das taxas de juros no Brasil e afetando a inflação”, disse Barbosa.

Ao mesmo tempo, embora promovendo uma política fiscal expansionista, Trump também se comprometeu a cortar impostos para combater a inflação. “Se ele adotar uma política de estímulo, uma abordagem poderia ser reduzir as taxas de juros, o que aumentaria o apetite dos investidores por outros mercados, como as empresas agrícolas brasileiras”, afirmou Rafael Gaspar, sócio da área de mercados de capitais e bancário no Pinheiro Neto Advogados.

Gaspar acrescentou que isso poderia favorecer a emissão de títulos de dívida por parte do agronegócio brasileiro no exterior. No entanto, ele duvida que Trump inicie sua administração com políticas de estímulo, acreditando que ele priorizaria inicialmente o controle da inflação. Para Gaspar, uma guerra comercial “não é necessariamente ruim” e pode criar oportunidades para o Brasil expandir suas exportações.

(Rafael Walendorff contribuiu com a reportagem de Brasília.)

Tradução: Todd Harkin

Fonte: Valor Internacional

Clique aqui para ler o texto original: https://valorinternational.globo.com/agribusiness/news/2024/11/07/trumps-protectionist-push-poses-challenge-for-brazils-agribusiness.ghtml

 

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