Exportação

Exportações para a China crescem 28,6% e neutralizam impacto do tarifaço dos EUA

O crescimento das exportações brasileiras para a China ajudou a compensar a forte retração nas vendas ao mercado americano após a entrada em vigor do tarifaço dos Estados Unidos, iniciado em agosto. No período entre agosto e novembro, o Brasil conseguiu equilibrar sua balança externa ao ampliar o fluxo comercial com o principal parceiro asiático.

Dados mostram que o valor exportado para a China avançou 28,6% em comparação com o mesmo intervalo de 2024. No sentido oposto, as exportações destinadas aos Estados Unidos recuaram 25,1% no mesmo período.

Volume exportado segue tendência semelhante

O comportamento se repete quando analisado o volume das exportações. As vendas brasileiras para portos e aeroportos chineses registraram alta de 30%, enquanto os embarques para os Estados Unidos caíram 23,5%. A diferença entre valor e volume está relacionada, sobretudo, à variação dos preços dos produtos exportados.

As informações constam no Indicador de Comércio Exterior (Icomex), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

China consolida liderança como principal destino das exportações

A China, responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras, manteve a posição de principal parceiro comercial do Brasil, à frente dos Estados Unidos. Segundo o Icomex, esse peso foi decisivo para mitigar os efeitos negativos do tarifaço americano.

O relatório aponta que o governo dos EUA superestimou sua capacidade de provocar danos amplos às exportações brasileiras, ao considerar que o país possui elevada diversificação de mercados.

Setores mais afetados pelas tarifas americanas

Entre agosto e novembro, alguns segmentos registraram quedas expressivas nas vendas aos Estados Unidos, com destaque para:

Extração de minerais não metálicos, com retração de 72,9%
Fabricação de bebidas, queda de 65,7%
Fabricação de produtos do fumo, recuo de 65,7%
Extração de minerais metálicos, redução de 65,3%
Produção florestal, baixa de 60,2%
Produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, queda de 51,2%
Produtos de madeira, recuo de 49,4%

Evolução mensal das exportações em 2025

O levantamento da FGV mostra que as exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram de abril a julho, sempre na comparação anual. No entanto, após a adoção das tarifas, o país acumulou quatro meses consecutivos de retração.

Já as exportações para a China aceleraram de forma significativa a partir de agosto, com taxas mensais expressivas, impulsionadas principalmente pelo embarque de soja, concentrado no segundo semestre.

Segundo a pesquisadora do Ibre/FGV Lia Valls, o redirecionamento dos embarques teve papel relevante no desempenho global do comércio exterior brasileiro. Ela explica que o aumento das vendas à China ocorreu justamente quando as exportações aos Estados Unidos começaram a cair.

No acumulado até novembro, as exportações totais do Brasil cresceram 4,3% em relação aos mesmos 11 meses de 2024.

Argentina tem crescimento, mas impacto limitado

O Icomex também analisou o desempenho das exportações para a Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil. Entre agosto e novembro, houve crescimento de 5% em valor e 7,8% em volume.

Apesar do avanço, Lia Valls ressalta que o peso da Argentina na pauta exportadora brasileira é reduzido e não tem capacidade de compensar perdas geradas pelo tarifaço americano, sobretudo porque o comércio bilateral é concentrado no setor automotivo.

Entenda o tarifaço imposto pelos Estados Unidos

O tarifaço de Donald Trump entrou em vigor em agosto de 2025, elevando impostos sobre produtos importados com o objetivo declarado de estimular a produção interna americana. No caso do Brasil, a medida incluiu sobretaxas de até 50%, uma das mais elevadas aplicadas pelo governo dos EUA.

Além de razões econômicas, Trump chegou a justificar a medida como retaliação política ao Brasil, em meio às críticas ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, posteriormente condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Desde então, os dois países negociam ajustes no acordo comercial. No último dia 20, o governo americano retirou uma sobretaxa adicional de 40% sobre 269 produtos, principalmente do setor agropecuário, como carnes e café. Segundo o Icomex, os efeitos dessa decisão devem ser percebidos apenas a partir de dezembro e janeiro.

O vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin, estima que 22% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ainda seguem sujeitas às tarifas adicionais.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Economia

Clima Econômico da América Latina avança no 3º trimestre de 2025

O Indicador de Clima Econômico (ICE) na América Latina apresentou alta de 8,7 pontos entre o segundo e o terceiro trimestre de 2025, alcançando 86,8 pontos, segundo levantamento do Ibre/FGV. O movimento reflete um comportamento mais alinhado entre as principais economias latino-americanas, que exibiram tendência positiva no período.

Recuperação ligada ao cenário dos EUA

De acordo com a FGV, a retomada nas economias onde o ICE melhorou está fortemente associada ao ciclo econômico dos Estados Unidos. Uma agenda comercial menos rígida e um desempenho norte-americano menos negativo contribuíram para a recuperação do clima econômico na região.

Situação atual e expectativas sobem

O Índice de Situação Atual (ISA) registrou crescimento de 7,6 pontos, chegando a 81,0 pontos no trimestre. Já o Índice de Expectativas (IE) avançou 9,8 pontos e atingiu 92,7 pontos.

Embora os indicadores tenham melhorado, todos permanecem abaixo de 100 pontos, nível considerado favorável. A FGV destaca ainda que a diferença histórica entre IE e ISA vem diminuindo desde 2022, sinalizando menor otimismo com o futuro econômico latino-americano.

Brasil vai na direção contrária

Entre os países avaliados, o Brasil foi o único a apresentar queda no trimestre. O ICE brasileiro recuou 3,6 pontos, ficando em 66,1 pontos. O ISA caiu para 83,3 pontos, enquanto o IE desceu para 50,0 pontos, refletindo maior incerteza econômica no curto prazo.

Ambiente internacional segue instável

O estudo ressalta que o cenário global continua marcado por volatilidade, incluindo pressões geopolíticas dos Estados Unidos sobre Venezuela, Colômbia e México. A maior aproximação da América Latina com a China e as eleições previstas na região em 2026 podem intensificar tensões.

A FGV recomenda cautela: apesar do avanço do ICE, o momento exige prudência diante das incertezas internacionais.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Economia

Economia brasileira cresce 0,1% no 3º trimestre de 2025, aponta FGV

A economia brasileira registrou crescimento de 0,1% no terceiro trimestre de 2025 em comparação com o trimestre anterior, acumulando avanço de 2,5% nos últimos 12 meses. Na passagem de agosto para setembro, o desempenho foi estável, sem variação significativa, segundo o Monitor do PIB, estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV divulgado nesta terça-feira (18).

O levantamento estima o Produto Interno Bruto (PIB) do país em R$ 9,370 trilhões até o terceiro trimestre. As comparações entre trimestres e meses foram dessazonalizadas, eliminando efeitos temporários e sazonais para permitir análises consistentes ao longo do tempo.

Serviços e consumo das famílias estagnados

Segundo a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, o desempenho tímido do trimestre se deve principalmente à estagnação do setor de serviços e do consumo das famílias, que são os maiores componentes do PIB. Outros setores pouco contribuíram para um crescimento mais expressivo.

No comparativo interanual, o consumo das famílias, que vinha crescendo acima de 3% ao ano desde 2021, desacelerou significativamente em 2025, registrando apenas 0,2% de expansão em relação ao mesmo período de 2024. O consumo de bens duráveis e não duráveis apresentou resultados negativos, enquanto o consumo de serviços, embora positivo, perdeu ritmo.

Formação de capital e exportações

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede investimentos em capacidade produtiva, recuou 0,4% em comparação interanual, impactada principalmente pelo desempenho fraco de máquinas e equipamentos. Esta é a primeira queda do indicador desde o trimestre móvel encerrado em janeiro de 2023.

Por outro lado, as exportações brasileiras cresceram 7% no mesmo período, a maior alta desde maio de 2024. Todos os grupos de produtos exportados apresentaram expansão, com destaque para a indústria extrativa, responsável por cerca de 44% do crescimento total.

Monitoramento e próximos dados oficiais

O Monitor do PIB serve como termômetro da economia brasileira, mas outros indicadores também são acompanhados de perto. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) apontou queda de 0,2% entre agosto e setembro e recuo de 0,9% no trimestre frente ao anterior, com expansão de 3% no acumulado anual.

O resultado oficial do PIB é divulgado trimestralmente pelo IBGE, e a próxima publicação referente ao terceiro trimestre de 2025 está prevista para 4 de dezembro.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA altera destinos e estrutura das exportações brasileiras, aponta FGV

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros está reconfigurando os mercados de destino e a pauta de exportações do Brasil, segundo o relatório do Icomex (Indicador de Comércio Exterior) divulgado nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O estudo mostra que exportadores de carne e café conseguiram compensar parte das perdas no mercado norte-americano com aumento das vendas para outros países. Em setembro, produtos como madeira e fumo também registraram crescimento nas exportações para novos destinos.

Mudanças na pauta e desafios nas negociações

De acordo com o relatório, os efeitos do tarifaço ainda estão em fase de transição. A situação pode mudar caso as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos avancem positivamente.

“Cada lado tenta demonstrar ganhos e justificar concessões com benefícios. Dada a assimetria entre os países, o maior desafio recai sobre o Brasil”, destacou o Icomex.

Exportações e importações em alta

Em setembro de 2025, as exportações brasileiras cresceram 7,2% em valor e 9,6% em volume em relação ao mesmo mês de 2024. Já as importações tiveram avanço de 17,7% em valor e 16,2% em volume no mesmo período.

No acumulado de janeiro a setembro de 2025, o país exportou 3,5% mais do que no mesmo intervalo do ano anterior, enquanto as importações aumentaram 9,4%.

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3 bilhões em setembro e US$ 45,5 bilhões no acumulado do ano, resultado US$ 13,2 bilhões menor do que em 2024.

Destinos das exportações: China e Argentina ganham espaço

O crescimento das exportações em setembro foi impulsionado pelos aumentos nas vendas para Argentina (+22%), China (+15%) e União Europeia (+5,7%). No acumulado até setembro, o volume exportado subiu 48,9% para a Argentina e 5,8% para a China.

A China respondeu por 28% das exportações brasileiras, enquanto a Argentina representou 5,9%. Já os Estados Unidos, com 8,4% de participação, apresentaram queda de 19,1% no volume mensal exportado e 0,8% no acumulado do ano, segundo a FGV.

“A retração das exportações para os Estados Unidos foi parcialmente compensada pelo aumento das vendas à China”, ressalta o documento.

Diversificação de mercados

O relatório indica que, a partir de julho, houve crescimento das remessas para a Ásia (excluindo a China), América do Sul (sem a Argentina) e México, o que sugere diversificação dos destinos e redução da dependência dos EUA.

Mesmo com destaque para a Argentina, o estudo aponta sinais de desaceleração: após crescer acima de 40% no início do ano, as exportações para o país vizinho subiram 22% em setembro, reflexo da piora econômica local.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Importação

Importações de bens duráveis caem e revelam desaceleração da economia brasileira

O ritmo de importações de bens duráveis pelo Brasil — como eletrodomésticos, eletrônicos e móveis — vem diminuindo nos últimos meses, evidenciando a desaceleração da economia brasileira em meio aos juros elevados. Após registrar altas expressivas até o início de 2025, o volume de compras externas desses produtos caiu pela primeira vez em julho e manteve desempenho fraco até setembro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

China lidera queda nas exportações de bens duráveis ao Brasil

A China, responsável por mais da metade das importações brasileiras de bens duráveis, foi o principal vetor dessa retração. Entre julho e setembro, o Brasil importou US$ 423,9 milhões em produtos chineses — uma queda de 11,1% em relação ao mesmo período de 2024. Mesmo com as tarifas de 30% impostas pelos Estados Unidos ao país asiático, o temor de que isso redirecionasse produtos ao mercado brasileiro não se confirmou.
Entre os itens mais afetados estão os smartphones, com redução de 2,9% nas compras (US$ 135,8 milhões), e os refrigeradores, que despencaram 18,8%, totalizando US$ 44,6 milhões.

Alta dos juros freia consumo e atividade econômica

Para Lia Valls, pesquisadora do FGV/Ibre e coordenadora do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), a desaceleração é reflexo direto da política monetária restritiva.

“O Brasil vinha em um ritmo elevado de importações, mas a desaceleração da atividade econômica freou o movimento”, explica Valls.
A queda nas importações atingiu também outros parceiros comerciais. No caso dos Estados Unidos, segunda principal origem dos duráveis comprados pelo país, houve recuo de 27,8% em setembro, totalizando US$ 20,8 bilhões.

Máquinas e equipamentos seguem o mesmo caminho

O setor de máquinas e equipamentos apresenta comportamento semelhante. Após crescer mais de 20% em 2024, o avanço caiu para 3% no segundo trimestre de 2025 e chegou a registrar retração em agosto. Em setembro, o crescimento só ocorreu por conta da importação pontual de uma plataforma de US$ 2,4 bilhões vinda de Singapura.
De acordo com José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o alto custo do crédito tem limitado novos investimentos:

“Os juros altos estão freando o consumo e os investimentos. Isso explica a queda nas compras de duráveis e equipamentos”, avalia.

Estoques elevados e desaceleração global também pesam

Castro acrescenta que o país acumulou grandes estoques de produtos importados da China no ano passado, o que reduz a necessidade de novas compras neste momento de atividade econômica mais fraca.

“O Brasil importou muito quando a economia estava aquecida. Agora, com a desaceleração, o consumo diminuiu e os estoques permanecem altos”, afirma.
Além disso, a leve desaceleração da economia mundial contribui para o quadro. “Há dois anos, a China vendia a preços altos; hoje, vende mais barato e em menor volume”, observa o presidente da AEB.

Indicadores reforçam cenário de enfraquecimento

O Banco Central também vem registrando sinais de enfraquecimento da atividade econômica. O IBC-Br, índice que antecipa o PIB, caiu 0,5% em julho, na terceira queda consecutiva.
No mercado de trabalho, o Caged mostrou a criação de 147 mil vagas formais em agosto, o pior resultado histórico para o mês, reforçando a perda de fôlego do crescimento.
Enquanto isso, as importações de bens não duráveis e semiduráveis, menos dependentes de crédito, avançaram 46,7% e 9,3%, respectivamente, em setembro — mostrando que o consumo tem se mantido apenas em produtos de menor valor e pagamento à vista.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Eduardo Anizelli/Folhapress

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Finanças, Gestão, Importação, Informação, Negócios, Notícias

Como o Brasil pode ser afetado pelas tarifas recíprocas de Trump?

Analistas ponderam taxação real dos produtos americanos no Brasil, entre alíquota zero de alguns produtos e barreiras não-tarifárias que podem ser consideradas pelos EUA

A semana começa com forte aversão a risco no mercado, em meio à repercussão sobre as afirmações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que as tarifas recíprocas a serem anunciadas nesta semana cobrirão todos os países, não apenas um grupo menor de 10 a 15 países. Isso provocou temores de que uma guerra comercial global possa levar a uma recessão.

Trump prometeu revelar um enorme plano tarifário na quarta-feira, que ele apelidou de “Dia da Libertação”. Ele já impôs tarifas sobre alumínio, aço e automóveis, além de taxas maiores sobre todos os produtos da China. “Começaria com todos os países”, disse ele a repórteres a bordo do Air Force One. “Essencialmente todos os países dos quais estamos falando.”

As declarações de Trump a repórteres a bordo do Força Aérea Um parecem acabar com as expectativas de que as taxas seriam limitadas a um grupo menor de países com os maiores desequilíbrios comerciais. Trump deve receber recomendações sobre as tarifas na terça-feira e fazer um anúncio na quarta, com a entrada em vigor no dia seguinte de tarifas sobre automóveis.

Neste cenário, as visões de como o Brasil pode ser afetado na prática são diversas. À época dos primeiros anúncios, o Brasil foi citado pelo presidente americano quando ele tratou sobre esse tema como um dos países-alvo.

Segundo Trump, “União Europeia, China, Brasil, México e Canadá nos cobram tarifas injustas [dos EUA]” no comércio exterior. “No dia 2 de abril, tarifas recíprocas serão adotadas. Não deixaremos mais que os Estados Unidos sejam roubados por outros países. Não pagaremos mais subsídios de centenas de bilhões de dólares ao Canadá e México.”

Conforme destacou a equipe econômica do Bradesco em meados de fevereiro, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2024, foi o destino de 12% das exportações brasileiras, totalizando US$ 40,4 bilhões, e origem de 15,5% das importações nacionais (US$ 40,7 bilhões). Sendo assim, o saldo comercial com os Estados Unidos foi praticamente nulo, enquanto a corrente de comércio alcançou 3,6% do PIB brasileiro no ano passado.

Dentre os principais produtos exportados, os economistas do Bradesco destacaram óleos brutos e combustíveis de petróleo, produtos de ferro e aço, aeronaves, café e celulose.

“Ainda não se pode dizer que a batalha contra a inflação terminou”, complementou o membro do conselho do BCE, Fabio Panetta, em discurso em Roma.

Quando analisada a participação dos Estados Unidos na pauta exportadora por produto, os mais dependentes dessa parceria são produtos de ferro e aço, aeronaves, materiais de construção e manufaturas de madeira. Pelo lado das importações, o Brasil é dependente de motores e máquinas não elétricos, óleos combustíveis e brutos de petróleo, aeronaves e gás natural norte-americanos.

As tabelas abaixo trazem um resumo dos 20 principais produtos exportados e importados e seu grau de dependência dos Estados Unidos:

Comércio com os Estados Unidos, pauta exportadora e importadora em 2024 (Fonte: MDIC, Bradesco)

 

Apesar de ser um importante parceiro comercial, o Brasil sempre taxou as importações vindas dos Estados Unidos, ressalta o banco. Utilizando dados do Banco Mundial, o Bradesco observou que a tarifa média atual é de 11,3% (2022, último dado disponível), sendo maior para bens de consumo e quase zerada para combustíveis. Por outro lado, as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros são consideravelmente inferiores (em média 2,2%). Com uma tarifa um pouco mais elevada para bens de consumo e quase zerada para bens de capital e combustíveis.

Assim, com as tarifas recíprocas, dada a diferença de tarifas, o Brasil poderia sofrer elevação das taxas.

Para medir eventuais impactos na balança comercial, no câmbio e na inflação, o banco fez três cenários hipotéticos de tarifas: (i) os Estados Unidos adotam a reciprocidade; (ii) os Estados Unidos aumentam as tarifas de importação de produtos brasileiros para 25%, em um movimento similar ao feito contra o México e Canadá; e (iii) o Brasil retalia tais medidas, ampliando as tarifas para produtos norte-americanos para os mesmos 25%.

No primeiro cenário, a tarifa média imposta pelos Estados Unidos passaria dos atuais 2,2% para 11,3%, com todas as aberturas se igualando às tarifas de importação cobradas pelo Brasil. Nesse exercício, o banco encontra uma redução de cerca de US$ 2,0 bilhões nas exportações (5% do total embarcado).

Em um exercício hipotético, a depreciação equivalente do real, necessária para compensar essa perda, seria da ordem de 1,5%, com um impacto potencial estimado ligeiramente inferior a 0,1 ponto percentual no IPCA, como resposta direta à depreciação cambial.

O segundo cenário contempla um aumento das tarifas atuais para 25%. O Bradesco estima que tais medidas reduziriam em US$ 6,5 bilhões as exportações brasileiras, com maior impacto em bens intermediários (principal categoria dos produtos exportados para os Estados Unidos) e em combustíveis, dada a diferença entre os 25% e a tarifa atual, de apenas 0,2%.

Para hipoteticamente compensar essa perda, este cenário demandaria uma depreciação equivalente de 4%, elevando a inflação doméstica em até 0,25 ponto percentual.

Já o terceiro exercício contempla um aumento das tarifas atuais brasileiras sobre os produtos norte-americanos para 25%. Neste cenário, as importações recuariam cerca de US$ 4,5 bilhões e o repasse para a inflação ocorreria em dois estágios.

Inicialmente com impactos diretos oriundos apenas da elevação dos preços de importação e posteriormente via repasse dado o aumento do IPA. “Estimamos que o impacto máximo potencial seria de 0,3 ponto percentual, sendo 1/3 direto e 2/3 indireto”, aponta o banco.

Resumo dos cenários de tarifas (Fonte: Bradesco)

 

Por outro lado, há ponderações sobre o tema. Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) feito a partir dos dados do Banco Mundial reitera que a tarifa média simples aplicada pelo Brasil às importações dos EUA foi realmente de 11,3% em 2022 ante 2,2% da tarifa média simples cobrada dos EUA sobre as importações brasileiras.

Contudo, quando se calcula uma média ponderada pelo volume das importações, a taxa brasileira continua maior, mas a diferença cai. Isso ocorre porque a tarifa média paga pelos exportadores na prática é menor, já que produtos com maior volume de importação dos dois lados contam com tarifas mais baixas ouaté mesmo zeradas.

Levando em conta a tarifa efetiva, o Brasil cobrou em média 4,7% sobre importações vindas dos EUA naquele ano, aponta o FGV Ibre, enquanto os produtos brasileiros sofreram taxação efetiva média de 1,3% ao entrarem nos EUA.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), por sua vez, estima que o Brasil cobrou uma tarifa média ponderada de 2,7% em 2024, um valor ainda menor.

“Essa diferença ocorre devido à alta participação de produtos americanos com alíquota zero nas importações brasileiras, como aeronaves e suas partes, petróleo bruto e gás natural, além do uso de regimes aduaneiros especiais – como drawback, ex-tarifário e Recof – que reduzem ou eliminam impostos sobre importações dos Estados Unidos”, apontou a nota.

Assim, como resultado, mais de 48% das exportações americanas para o Brasil entram sem tarifas, e outros 15% estão sujeitos a alíquotas de no máximo 2%, aponta a Amcham.

A nota aponta que os regimes especiais de tributação citados na nota permitem, sob algumas condições, que empresas importem máquinas e equipamentos para melhorar sua produção tendo desconto nas tarifas de importação. Assim, os produtos, em geral, têm tarifas mais altas, com o objetivo de proteger a indústria de máquinas brasileira.

Em meados de março, a Amcham, em carta obtida pela CNN, escreveu uma carta de 15 páginas ao USTR, escritório de representação comercial da Casa Branca, alertando o governo de Donald Trump sobre o risco de prejudicar o interesse das próprias empresas dos Estados Unidos com a imposição de tarifas adicionais ao Brasil.

Na carta, aponta que o Brasil foi responsável pelo terceiro maior superávit comercial dos Estados Unidos com as economias do G20 e lembra que o saldo positivo não se limita ao comércio de bens. Em serviços, os Estados Unidos acumulam superávit de US$ 165,4 bilhões com o Brasil no período de 2015 a 2024, aponta a Câmara.

Barreiras não-tarifárias no foco dos EUA?

Enquanto isso, estudo feito pelo BTG Pactual avalia que mais de 86% das importações brasileiras são submetidas a algum tipo de barreira não tarifária, o que poderia ser levado em conta pelos EUA ao aplicarem sua nova política comercial. Entre as barreiras, estão  normas sanitárias e fitossanitárias, cotas ou restrições quantitativas para determinados produtos, além de licenças e inspeções de órgãos como o Inmetro ou a Anvisa.

O BTG fez a seleção de 12 países e traçou o “índice de cobertura” das barreiras não tarifárias, que é a medição do valor das importações de cada país sobre as quais existe algum tipo de medida potencialmente restritiva. No caso do Brasil, esse índice alcança 86,4% das compras do exterior enquanto que, na América Latina, perde apenas para a Argentina (94,6% das importações).

Em meados de fevereiro, o economista-chefe da XP, Caio Megale, ressaltou no programa Morning Call que o Brasil está “mal posicionado” sobre a tarifa recíproca.

“O país possui tarifas de importação relativamente elevadas para diversos produtos, enquanto as taxas de exportação para os Estados Unidos não são tão altas. Sob essa perspectiva, o Brasil tende a estar no foco da política comercial dos Estados Unidos”, ressaltou.

Entretanto, o economista-chefe da XP ressalta que o Brasil exporta pouco para os Estados Unidos quando se contabilizam os produtos individualmente. “É um parceiro comercial significativo, mas as exportações do Brasil são relativamente diversificadas”, destacou.

FONTE: InfoMoney
Como o Brasil pode ser afetado pelas tarifas recíprocas de Trump?

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