Comércio Exterior

Relação comercial do Brasil com Irã e Oriente Médio: veja os principais impactos no comércio exterior

A relação comercial do Brasil com o Oriente Médio e o Irã ganhou atenção após alertas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) sobre possíveis impactos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Durante a divulgação da balança comercial de fevereiro, o governo indicou que tensões na região podem afetar o fluxo de commodities agrícolas brasileiras, já que o Oriente Médio é um importante destino para produtos do agronegócio nacional.

A seguir, entenda os principais pontos da relação comercial entre Brasil, Oriente Médio e Irã, e como ela pode influenciar setores estratégicos da economia.

Oriente Médio é destino relevante para commodities brasileiras

O Oriente Médio representa cerca de 4,2% das exportações totais do Brasil, mas exerce papel estratégico para alguns produtos-chave da pauta exportadora.

Entre os principais itens enviados pelo Brasil à região estão:

  • carne de aves
  • açúcar e melaços
  • milho

Além desses produtos, também fazem parte da pauta exportadora brasileira para o Oriente Médio:

  • minério de ferro
  • soja
  • ouro
  • óleos brutos de petróleo
  • café

Mesmo representando uma parcela relativamente pequena das exportações totais, a região é responsável por uma fatia relevante da demanda mundial de determinados produtos brasileiros.

Região concentra grande parte das exportações de alguns produtos

Dados do MDIC mostram que o Oriente Médio absorve parcelas significativas das exportações brasileiras de determinadas commodities.

Em 2025, por exemplo:

  • 32% das exportações de milho do Brasil tiveram como destino a região
  • 30% das exportações de carne de aves foram enviadas ao Oriente Médio
  • 17% das vendas externas de açúcar tiveram o mesmo destino
  • 7% das exportações de carne bovina também foram direcionadas à região

Apesar das tensões geopolíticas, especialistas apontam que o impacto tende a ser limitado no curto prazo, já que esses produtos são considerados bens essenciais de consumo, o que reduz a variação na demanda.

Petróleo é preocupação global em caso de escalada do conflito

Outro ponto de atenção relacionado ao Oriente Médio envolve o fornecimento mundial de petróleo e combustíveis.

A possibilidade de restrições no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de energia do mundo, pode gerar instabilidade no mercado internacional.

Embora seja um grande produtor de petróleo, o Brasil também depende de importações de derivados. Entre os produtos comprados da região, destacam-se os óleos combustíveis de petróleo ou minerais betuminosos, que representam 43,5% das importações brasileiras vindas do Oriente Médio.

Irã é um dos principais parceiros comerciais da região

Dentro do comércio brasileiro com o Oriente Médio, o Irã ocupa posição relevante.

Em 2025, o país foi o terceiro maior parceiro comercial do Brasil na região, posição mantida no acumulado entre janeiro e fevereiro de 2026.

Apesar disso, no ranking global o Irã aparece como:

  • 28º destino das exportações brasileiras
  • 72º origem das importações do Brasil

Mesmo assim, alguns produtos específicos tornam essa relação estratégica.

Irã é grande comprador de milho brasileiro

O milho brasileiro é o principal destaque da relação comercial entre os dois países.

Em 2025, o Irã foi o maior importador de milho do Brasil, responsável por 23,1% das compras externas do grão.

Já em 2026, considerando os dois primeiros meses do ano, o país ocupa a segunda posição, com 24,1% das importações, ficando atrás apenas do Vietnã, que concentra 24,3% das compras.

Mesmo com o cenário de tensão no Oriente Médio, especialistas indicam que o impacto sobre as exportações de milho deve ser limitado, já que o pico de embarques brasileiros do grão ocorre a partir de maio, período posterior ao atual ciclo de colheita.

Além do milho, o Irã também importa do Brasil:

  • soja
  • açúcar e melaços

Fertilizantes iranianos são importantes para o agronegócio

No sentido inverso do comércio, o principal produto exportado pelo Irã para o Brasil são os fertilizantes, insumo essencial para o agronegócio brasileiro.

Em 2025, o Brasil importou US$ 66,8 milhões em fertilizantes iranianos, segundo dados do MDIC.

Já entre janeiro e fevereiro de 2026, as compras somaram cerca de R$ 21,6 milhões, o que representa quase um terço de todo o volume importado no ano anterior.

Esse valor também representa um crescimento expressivo de 9.720,8% em relação ao mesmo período de 2025.

Apesar de representar 1,2% das importações brasileiras de fertilizantes químicos, economistas alertam que instabilidades na região podem afetar a logística global e os preços do insumo.

Segundo a economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, eventuais aumentos no preço internacional dos fertilizantes podem impactar diretamente o custo de produção agrícola.

Com o aumento do custo desse insumo, há risco de encarecimento da produção no campo e, posteriormente, dos preços de alimentos in natura e industrializados.

Atualmente, os fertilizantes representam 90,4% de tudo que o Brasil importa do Irã, reforçando a importância desse insumo para a economia agrícola brasileira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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