Comércio Internacional

FecomercioSP apoia acordo Mercosul–União Europeia e cobra rapidez do Congresso para ratificação

A FecomercioSP avaliou como um avanço relevante a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, especialmente em um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas, tensões comerciais entre Estados Unidos e China e mudanças estruturais no comércio global. Para a Federação, o tratado fortalece o Brasil e o bloco sul-americano ao ampliar o acesso a mercados e estimular a competitividade.

A União Europeia é atualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com uma corrente de comércio em torno de US$ 100 bilhões e responsável por cerca de 50% do estoque de investimento estrangeiro direto no País. Na avaliação da entidade, o contexto global apenas reforça uma posição defendida há anos: uma abertura comercial consistente é fundamental para elevar a produtividade e a competitividade da economia brasileira.

Defesa histórica da abertura comercial
As negociações do acordo se estenderam por mais de duas décadas, atravessando diferentes governos e transformações econômicas nos dois lados do Atlântico. Ao longo desse período, a FecomercioSP manteve atuação ativa em defesa de uma abertura ampla e da consolidação do tratado como um projeto de desenvolvimento nacional.

Segundo Rubens Medrano, vice-presidente da Federação e presidente do Conselho de Relações Internacionais da entidade, a prioridade agora é acompanhar os próximos passos. “A abertura comercial racional e gradual é inegociável. Esperamos que a ratificação ocorra de forma célere, pois o acordo pode impulsionar a competitividade brasileira e destravar outras negociações internacionais”, afirmou.

Brasil segue com baixa presença no comércio global
Apesar de ter o nono maior PIB do mundo, a participação brasileira no comércio internacional permanece limitada. Há cerca de seis décadas, o País responde por aproximadamente 1,5% da corrente global de comércio. Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que, em 2023, o Brasil ocupava apenas a 24ª posição entre os exportadores e a 27ª entre os importadores.

Para a FecomercioSP, esse desempenho está ligado à opção histórica por um modelo protecionista, que manteve tarifas elevadas sobre bens intermediários e de capital, enquanto outros países avançaram na integração às cadeias globais de valor. O resultado foi o chamado “adensamento de cadeias domésticas”, com produção concentrada internamente e menor inserção internacional.

Lições do protecionismo e impactos globais
A recente política tarifária adotada pelos Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump reforçou os efeitos negativos do protecionismo. O aumento de tarifas atingiu inclusive aliados, como a União Europeia e o Japão, e foi ainda mais severo para países considerados rivais estratégicos, como China e Brasil, que segue enfrentando tarifas elevadas.

Nesse contexto, o acordo Mercosul–UE prevê uma liberalização tarifária gradual, ao longo de até 15 anos, abrangendo cerca de 90% dos produtos comercializados entre os blocos. Alguns itens, como frutas, bebidas e bens manufaturados, terão acesso facilitado ou isenção de tarifas no mercado europeu.

Pontos de crítica e ajustes pendentes
Embora reconheça os ganhos do acordo, a FecomercioSP aponta que o governo brasileiro retomou negociações sobre temas já concluídos em 2019, como o capítulo de compras governamentais, adotando uma postura considerada protecionista. A exclusão de aquisições do Sistema Único de Saúde (SUS) também é vista com ressalvas.

Para a entidade, acordos internacionais nessa área aumentam a transparência, reduzem custos, estimulam ganhos de produtividade e funcionam como instrumento de prevenção à corrupção. Outro ponto criticado é o tratamento diferenciado ao setor automotivo, que terá prazo maior de adaptação e possibilidade de reintrodução de tarifas, hoje em torno de 35%. Segundo a Federação, após décadas de proteção, o setor não apresentou ganhos relevantes de competitividade, e o consumidor segue com acesso limitado a melhores modelos.

Próximos passos para entrada em vigor
Com a assinatura formalizada, o acordo entra agora na fase de internalização, com trâmites de aprovação nos dois blocos. No Brasil, o texto será encaminhado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional. Já na União Europeia, será necessária a aprovação de 65% do Conselho Europeu, representando 55% da população do bloco, além de maioria simples no Parlamento Europeu. A expectativa é que esse processo seja concluído até abril.

Após a ratificação, o acordo poderá ter vigência bilateral, permitindo que países que já concluíram seus processos internos passem a aplicar imediatamente os termos do tratado. Assim, o Brasil não precisará aguardar os demais membros do Mercosul para iniciar a implementação. A entrada em vigor ocorrerá no primeiro dia do mês seguinte à ratificação.

FONTE: Fecomercio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Fecomercio

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Comércio Exterior

FecomercioSP defende novo marco do comércio exterior com menos burocracia para Micro e Pequenas Empresas

A FecomercioSP apresentou ao Senado Federal um conjunto de contribuições ao Projeto de Lei nº 4.423/2024, que propõe a criação de um novo marco legal do comércio exterior brasileiro. Para a entidade, o texto representa um avanço importante para aumentar a competitividade do Brasil e ampliar a participação do País nas cadeias globais de valor, mas ainda necessita de ajustes para garantir segurança jurídica, redução de entraves administrativos e inclusão efetiva de empresas de todos os portes.

As sugestões foram desenvolvidas por Augusto Oliveira, especialista em Direito Aduaneiro e integrante do Conselho de Relações Internacionais da Federação.

Princípios e direitos no comércio exterior

Entre os pontos centrais, a FecomercioSP propõe maior clareza na separação entre normas de comércio exterior e regras de natureza tributária, que devem permanecer em legislações específicas. A entidade também defende a incorporação de princípios como a continuidade dos serviços aduaneiros, o tratamento diferenciado para Micro e Pequenas Empresas (MPEs) e o reconhecimento do papel dos despachantes aduaneiros.

Outro destaque é a sugestão de um capítulo exclusivo para definir, de forma objetiva, os direitos dos operadores e os deveres da administração pública. A proposta prevê prazos razoáveis, tratamento isonômico e aplicação de sanções ao próprio Estado em casos de descumprimento de obrigações administrativas.

Regimes aduaneiros e Zonas de Processamento de Exportação

No campo das estruturas aduaneiras, a Federação recomenda a revisão das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), com critérios técnicos mais bem definidos para criação e manutenção dessas áreas. O uso de novas tecnologias de controle e monitoramento também é apontado como essencial para aumentar a eficiência e a transparência dos processos.

Destinação de mercadorias e penalidades

A FecomercioSP sugere regras claras para a destinação de mercadorias importadas com defeito ou fora das especificações, permitindo reexportação, substituição ou destruição, com isenção ou restituição de tributos quando aplicável.

Em relação às penalidades, a entidade defende o fim do perdimento de mercadorias em infrações tributárias, substituindo-o por multas proporcionais. O texto também propõe o reconhecimento do erro escusável e a adoção do princípio da segunda chance, possibilitando a regularização de falhas de baixo impacto antes da aplicação de sanções mais severas.

Tratamento diferenciado para Micro e Pequenas Empresas

A Federação reforça que o projeto deve estar alinhado aos artigos 170 e 179 da Constituição Federal, assegurando tratamento especial às MPEs e incentivando sua inserção no comércio internacional.

Entre as propostas estão a simplificação das habilitações, regras específicas para empresas comerciais exportadoras e despachantes, além da criação de um regime simplificado de importação indireta, centralizado na Declaração Única de Importação (Duimp). A medida busca unificar procedimentos, reduzir burocracias e esclarecer responsabilidades entre importadores e adquirentes finais.

Desburocratização e uso de tecnologia

Sob o lema “menos burocracia, mais Brasil no mundo”, a FecomercioSP recomenda a adoção de soluções como Inteligência Artificial, blockchain e Internet das Coisas para modernizar o comércio exterior e reduzir a morosidade dos processos.

A entidade também propõe a criação de um comitê de desburocratização, com participação equilibrada entre governo e iniciativa privada, além de um ranking de eficiência dos órgãos públicos e a exigência de análises de impacto regulatório.

Por fim, a Federação destaca a importância de que o debate no Senado inclua audiências públicas e consultas estruturadas ao setor produtivo, garantindo que a experiência prática de quem atua diariamente no comércio exterior contribua para a construção de um marco legal mais moderno, simples e eficiente.

FONTE: Fecomercio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Fecomercio

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