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Tarifaço e barreiras comerciais: especialistas discutem riscos e caminhos para o Brasil em evento online

Especialistas em comércio exterior, economia e relações institucionais estarão reunidos no dia 18 de novembro para analisar o avanço do protecionismo global e debater alternativas para fortalecer a presença do Brasil nas cadeias internacionais de valor.

O Fórum Comércio Exterior – Desafios e Oportunidades, promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), será realizado em formato online, com transmissão ao vivo pelo canal CNC Play no YouTube, das 10h às 11h30. O encontro foi organizado em um momento decisivo: o aumento das barreiras comerciais ao redor do mundo e as novas sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos reacenderam o alerta sobre a competitividade do Brasil no mercado internacional.

Tarifaço dos EUA reacende alerta

O recente movimento de aumento tarifário pelos Estados Unidos — que pode chegar a até 50% sobre produtos brasileiros — já preocupa o setor exportador. Segmentos como o químico, metalúrgico e de transformação relatam perda de competitividade e redução das margens.

José Carlos Raposo Barbosa, presidente da Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros (Feaduaneiros), representará no Fórum a Câmara Brasileira do Comércio Exterior (CBCEX) da CNC. Ele destaca que o momento exige alinhamento institucional e estratégia. “O comércio exterior brasileiro precisa de previsibilidade e de uma estratégia nacional sólida. As empresas estão preparadas para competir, mas precisam de um ambiente que ofereça segurança jurídica e apoio governamental para enfrentar as barreiras externas”, afirma Raposo.

Brasil ainda enfrenta barreiras internas

Além das pressões externas, o país convive com entraves domésticos que dificultam a inserção de empresas nas cadeias globais. Estudos apontam que o Brasil é um dos países com maior número de barreiras não tarifárias, como exigências técnicas e licenças específicas, além da morosidade nos processos aduaneiros.

O economista Fabio Bentes, gerente-executivo de Análise e Desenvolvimento Econômico da CNC, reforça que o cenário internacional passa por transformações profundas. “A tendência mundial é de reindustrialização e regionalização de cadeias. Se o Brasil não reagir com acordos comerciais e políticas de incentivo, pode ver sua participação no comércio global cair ainda mais”, alerta Bentes.

Agenda de soluções no formato digital

O evento tem como objetivo propor caminhos práticos para que o setor privado e o poder público trabalhem de forma integrada na construção de uma política comercial mais competitiva.

Além de Raposo e Bentes, participarão:

  • Otávio Leite, consultor da Fecomércio-RJ e ex-deputado federal
  • Felipe Miranda, coordenador legislativo da Diretoria de Relações Institucionais da CNC

As discussões incluirão estratégias de diplomacia comercial, redução de custos logísticos, acordos regionais e mecanismos para ampliar a participação de pequenas e médias empresas no comércio exterior.

Felipe Miranda destaca a importância da aproximação entre o Congresso Nacional e as entidades empresariais. “O Brasil precisa atualizar sua política comercial com base em dados e previsões globais. O papel da CNC é justamente articular essa ponte entre o Legislativo e o setor produtivo”, afirma.

Liderança institucional

A abertura contará com a participação de José Roberto Tadros, presidente da CNC, além de:

  • Luiz Carlos Bohn (Fecomércio-RS)
  • Sergio Henrique Moreira de Sousa (AGR)
  • Andrea de Marins Esteves (ACBCS)

A iniciativa reforça o protagonismo da CNC na articulação de pautas estratégicas do comércio e serviços, com atuação em fóruns nacionais e internacionais.

Serviço – Evento Online

Fórum Comércio Exterior – Desafios e Oportunidades
📅 18 de novembro de 2025
🕙 10h às 11h30 (horário de Brasília)
💻 Transmissão ao vivo no YouTube – canal CNC Play
👥 Palestrantes: José Carlos Raposo, Otávio Leite, Fabio Bentes e Felipe Miranda


Inscrições gratuitas no link abaixo:
https://www.sympla.com.br/evento-online/forum-comercio-exterior-desafios-e-oportunidades/3149329?referrer=cnc.agidesk.com&referrer=cnc.agidesk.com&referrer=www.google.com&referrer=www.google.com

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Comércio Exterior

ApexBrasil aprimora Mapa de Oportunidades e amplia chances de exportação para 175 países

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil) lançou uma atualização do Mapa de Oportunidades de Exportações Brasileiras para o Mundo, plataforma de inteligência comercial que reúne dados estratégicos sobre exportações, tarifas e acesso a mercados. O objetivo é ajudar empresários a identificar novos destinos potenciais para seus produtos e planejar a inserção internacional de forma mais eficiente.

Criado em 2015, o Mapa de Oportunidades ganhou um design interativo e filtros inteligentes, permitindo análises detalhadas sobre mercados promissores e setores com maior demanda global. A nova versão destaca 45 mil oportunidades de exportação para 175 países, consolidando-se como uma ferramenta essencial para quem busca diversificar mercados e aumentar a competitividade no comércio exterior.

América do Sul e União Europeia concentram as principais oportunidades

Segundo a ApexBrasil, a América do Sul concentra cerca de 14 mil oportunidades, com importações totais de US$ 231 bilhões em 2024. Entre os principais destinos estão Argentina (1.960 oportunidades e US$ 44,6 bilhões), Paraguai (2.056 e US$ 13 bilhões) e Chile (1.731 e US$ 49,8 bilhões).

Na União Europeia, o estudo identificou 6.700 oportunidades, totalizando US$ 771 bilhões. Os destaques são Espanha (416 e US$ 77,2 bilhões), Alemanha (384 e US$ 151,8 bilhões) e França (374 e US$ 107,3 bilhões). Já a China reúne 385 oportunidades de exportação, com importações globais de US$ 811,7 bilhões.

Entre os setores mais promissores estão Máquinas e equipamentos de transporte (9.931 oportunidades e US$ 735,6 bilhões) e Produtos alimentícios e animais vivos (7.133 oportunidades e US$ 439,5 bilhões).

Ferramenta orienta exportadores na tomada de decisão

O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil permite ao usuário analisar o desempenho das exportações brasileiras e identificar mercados que já importam produtos similares, informando valores, fornecedores e nível de competitividade do Brasil. A ferramenta cruza dados de oferta e demanda para indicar mercados com potencial de abertura, consolidação, manutenção ou recuperação, conforme o histórico de importações.

O sistema também aponta os principais concorrentes internacionais e a participação brasileira nas importações de cada país, facilitando o planejamento estratégico das empresas exportadoras.

Diversificação de mercados: estratégia essencial para o crescimento sustentável

A diversificação de mercados é considerada fundamental para reduzir riscos e fortalecer a competitividade das empresas brasileiras. Em um cenário global marcado por instabilidades geopolíticas, variações cambiais e mudanças nos padrões de consumo, depender de poucos parceiros comerciais pode comprometer o crescimento sustentável.

Por isso, a Gerência de Inteligência de Mercado da ApexBrasil investe em estudos e ferramentas de apoio estratégico. O Mapa de Oportunidades se destaca como um instrumento acessível e atualizado, disponível no portal da ApexBrasil, permitindo análises por grupos de produtos e países.

Em complemento, a agência lançou em 2025 o Estudo de Diversificação por Estados, que avalia o grau de concentração das exportações estaduais para os Estados Unidos e propõe ações para ampliar a presença internacional dos setores produtivos locais.

FONTE: ApexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ApexBrasil

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Comércio Exterior, Exportação, Tributação

Receita orienta exportadores atingidos por tarifas dos EUA sobre como se beneficiar do Plano Brasil Soberano

Medidas já regulamentadas trouxeram alívio tributário e prioridade em restituições

Ministério da Fazenda anunciou, em agosto, por meio da Portaria MF nº 1.862/2025, um conjunto de medidas de apoio a pessoas jurídicas exportadoras de bens que forem impactadas pela imposição de novas tarifas adicionais sobre exportações aos Estados Unidos da América.

As ações incluem o diferimento (prorrogação) do prazo de vencimento de tributos federais e de prestações de dívida ativa da União, além da priorização na análise de restituição de créditos tributários.

São consideradas elegíveis as pessoas jurídicas de direito privado que se enquadrem cumulativamente nos seguintes requisitos:

Afetadas pelas Novas Tarifas: Empresas cujas exportações para os Estados Unidos da América sejam atingidas pela ordem executiva de 30 de julho de 2025, conforme a tabela de produtos específicos a ser publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Isso inclui tanto exportadores diretos quanto aqueles que fornecem seus produtos a empresas comerciais exportadoras por conta e ordem.

Dependência de Exportação: Empresas cujo percentual de faturamento bruto decorrente das exportações mencionadas no item 1, apurado no período de 12 meses (julho de 2024 a junho de 2025), seja igual ou superior a 5% (cinco por cento) do faturamento total no mesmo período.

A Receita Federal informa que a implementação dessas medidas será totalmente automática. A priorização da análise dos pedidos eletrônicos de restituição e ressarcimento de tributos, bem como a prorrogação dos prazos para o recolhimento de tributos federais e de parcelamentos ou transações tributárias, ocorrerá sem a necessidade de qualquer petição ou solicitação por parte dos contribuintes.

Prazos para o Diferimento (Prorrogação)

Conforme estabelecido no Art. 4º da Portaria MF 1.862, de 2025, os prazos para o recolhimento de tributos federais administrados pela RFB e de prestações de parcelamentos ou transações tributárias celebrados com a Receita Federal ou com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) serão prorrogados para as pessoas jurídicas elegíveis da seguinte forma:

– Vencimentos de 22 a 31 de agosto de 2025: Prorrogados para o último dia útil de outubro de 2025.

– Vencimentos em setembro de 2025: Prorrogados para o último dia útil de novembro de 2025.

Esta iniciativa visa mitigar os impactos financeiros diretos sobre os exportadores brasileiros, garantindo um fôlego no fluxo de caixa e contribuindo para a manutenção da competitividade no mercado internacional.

Para emissão de DARF com prorrogação automática do prazo de recolhimento, após a transmissão da DCTFWeb, o contribuinte elegível ao benefício deverá utilizar o Portal e-CAC da RFB, em consulta à sua situação fiscal, conforme roteiro abaixo.

Passo 1. Acessar o portal e-CAC no site da Receita Federal do Brasil.

Passo 2. Após logar com a conta gov.br, selecionar a opção “Certidões e Situação Fiscal”.

Passo 3. Na próxima tela, selecionar a opção “Consulta Pendências – Situação Fiscal”.

Passo 4. Na próxima tela, expandir a opção “Diagnóstico Fiscal” até a opção “Conta Corrente”, selecionar os débitos que pretende pagar e clicar no botão “Emitir Daf”.

Figura 4

Exemplo de DARF gerado com vencimento prorrogado.

Alternativamente, o contribuinte poderá utilizar o sistema SicalcWeb para geração manual de um DARF para cada débito (código de receita) que pretende pagar.

Ressalta-se que, por limitações operacionais e em razão do reduzido espaço de tempo, a DCTFWeb não será atualizada para gerar DARF/DAE com prorrogação automática. Assim, caso o contribuinte seja elegível à prorrogação do prazo de vencimento, deve utilizar uma das opções citadas acima (Situação Fiscal ou SicalcWeb).

Fonte: Ministério da Fazenda gov.br

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Comércio Exterior

Tarifaço: Governo muda regra de linhas emergenciais para reduzir penalização a exportadores

O Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou resolução de agosto de 2025 que regulamentava as linhas de financiamento emergenciais com recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), voltadas a socorrer as empresas afetadas pelo tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

As mudanças foram aprovadas em reunião extraordinária do CMN realizada nesta sexta-feira, 19, e, segundo comunicado do Ministério da Fazenda, têm como objetivo “corrigir imprecisões normativas”.

A Pasta disse que as alterações evitam dupla penalização de empresas beneficiadas em caso de descumprimento simultâneo dos compromissos de manutenção de empregos e de exportação, “o que poderia gerar penalização excessiva e desproporcional, além de riscos de judicialização”.

Após a alteração na resolução, foi mantida a penalidade de 2% ao ano sobre a diferença entre o valor financiado e o efetivamente exportado para mutuários com faturamento atingido em mais de 20% pelas tarifas adicionais. Por outro lado, a penalidade para mutuários com 5% a 20% do faturamento atingido pelas tarifas foi reduzida de Selic (15% ao ano) para 8% ao ano.

De acordo com a Fazenda, as penalidades definidas na resolução são pouco inferiores à praticada pelo BNDES em linhas de financiamentos de pré-embarque em caso de não comprovado o compromisso de exportação.

“A menor penalidade se justifica pelo contexto emergencial dos exportadores afetados pelas tarifas de 50%, que ainda terão incentivo ao cumprimento das metas de exportação, porém sem arcar com custos desproporcionais”, informou a Fazenda.

O texto também deixa explícito que as penalidades incidem desde a contratação do financiamento até a data da última amortização prevista ou da liquidação antecipada, o que seria um alinhamento às boas práticas do BNDES em linhas de pré-embarque.

Por fim, o governo sustentou que as alterações trazem maior proporcionalidade e segurança jurídica às regras das linhas emergenciais do FGE, incentivando a adesão das empresas atingidas pelas tarifas adicionais às linhas de crédito e estimulando a diversificação de mercados.

A resolução entra em vigor na data de sua publicação.

O socorro às companhias brasileiras afetadas pelas tarifas americanas soma R$ 40 bilhões em crédito, sendo R$ 30 bilhões com recursos do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões do próprio BNDES.

Os recursos estão disponíveis em linhas para financiamento a capital de giro e a investimentos em adaptação da atividade produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados.

Fonte: Estadão

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Comércio Exterior

Índia fornecerá pacotes de ajuda para exportadores afetados por tarifas dos EUA

A Índia planeja introduzir pacotes de apoio para exportadores afetados pelas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos indianos, anunciou a Ministra das Finanças Nirmala Sitharaman na sexta-feira.

Sitharaman revelou as intenções do governo durante uma entrevista ao canal de notícias India Today, reconhecendo o impacto significativo que essas tarifas tiveram no setor de exportação da Índia.

A ministra das finanças não forneceu detalhes específicos sobre a natureza ou o cronograma dos pacotes de ajuda.

Fonte: Investing

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Exportação, Internacional

Nos EUA, exportadores se reúnem com congressistas e integram audiência sobre a Seção 301

1º Vice-presidente da FIESC, André Odebrecht, destaca importância de sensibilizar parceiros comerciais sobre os impactos da ausência de produtos brasileiros no mercado consumidor norte-americano

A missão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) a Washington esteve nesta quarta-feira (3) no Capitólio, sede do Congresso norte-americano, para encontros com parlamentares dos Estados Unidos, com a finalidade de apresentar dados do comércio entre o Brasil e os EUA. O 1º vice-presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), André Odebrecht, que participa da missão, destacou a relevância de sensibilizar os congressistas sobre a importância dos produtos brasileiros para a economia dos EUA e de avançar na retomada do comércio entre os dois países de forma saudável.

Também nesta quarta-feira, o embaixador Roberto Azevêdo, que representa a Confederação na audiência pública sobre a Seção 301, afirmou que o objetivo é demonstrar que as práticas comerciais brasileiras são razoáveis, não são discriminatórias e não têm arbitrariedade, e não deveriam ser consideradas prejudiciais às empresas norte-americanas. O Brasil está sendo investigado com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

“A noção de que o Brasil está agindo deliberadamente de forma a prejudicar os Estados Unidos é totalmente infundada. Ao contrário, os fatos mostram que as empresas americanas, em geral, se beneficiaram das políticas brasileiras. O Brasil tem sido um destino antigo e atraente para investimentos americanos, e o país também é o principal destino dos fluxos de investimento brasileiros”, afirmou durante a audiência.

A missão também tem agendadas reuniões com empresários dos EUA e representantes de setores prejudicados pelas tarifas. Na terça-feira (2), o grupo participou de reunião com a embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. Odebrecht, que representa a FIESC na missão, destacou ainda a relevância das reuniões com agentes de comércio exterior, como a Câmara Americana de Comércio, para destacar a importância dos produtos brasileiros para as cadeias produtivas dos Estados Unidos e para os consumidores norte-americanos.

A comitiva também esteve reunida com o escritório de advocacia norte-americano que representa os interesses da CNI e da indústria brasileira na investigação sobre a seção 301. “Esses encontros são essenciais para estreitar as relações, para convencer os norte-americanos da qualidade dos nossos produtos e para mostrar as dificuldades que o mercado consumidor dos EUA pode enfrentar sem os produtos brasileiros à disposição”, explicou Odebrecht.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que o objetivo da missão é marcar uma posição firme e contundente, mostrando a versão do setor privado sobre a importância de uma negociação que leve à reversão das tarifas. “Queremos um diálogo feito nos termos comerciais e econômicos e de forma racional e técnica, para que possamos realmente começar a ter reuniões objetivas”, completou.

O encontro com a embaixadora foi a primeira de uma série de agendas que a comitiva empresarial liderada pela CNI terá até a próxima quinta-feira (4) na capital dos EUA. Além do 1º vice-presidente da FIESC, participaram da reunião dirigentes das federações das indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Paraná (FIEP), Paraíba (FIEPB), Rio de Janeiro (FIRJAN), Rio Grande do Norte (FIERN) e São Paulo (FIESP).  

Fonte:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Exportação

MP libera R$ 30 bilhões para apoio a exportadores afetados por tarifas dos EUA

A Presidência da República publicou nesta terça-feira (2) uma medida provisória que libera R$ 30 bilhões para o Plano Brasil Soberano, um conjunto de ações lançado pelo governo em agosto para mitigar os impactos econômicos da elevação das tarifas de importação sobre produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos. O crédito extraordinário foi aberto por meio da MP 1.310/2025, publicada no Diário Oficial da União (DOU).

De acordo com o governo, além de proteger os exportadores brasileiros, o plano tem o objetivo de preservar empregos, incentivar investimentos em setores estratégicos e assegurar a continuidade do desenvolvimento econômico do país.

A MP garante R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para crédito com taxas acessíveis, com ampliação das linhas de financiamento às exportações. Também prorroga a suspensão de tributos para empresas exportadoras; aumenta o percentual de restituição de tributos federais via Reintegra; e facilita a compra de gêneros alimentícios por órgãos públicos.

Medidas provisórias têm força de lei e são editadas pelo presidente da República em situações de relevância e urgência. As MPs têm efeitos jurídicos imediatos, mas precisam ser votadas pelas Casas do Congresso Nacional (Câmara e Senado) para se converterem definitivamente em leis ordinárias. 

O prazo inicial de vigência é de 60 dias e será prorrogado automaticamente por igual período, caso o texto não tenha sua votação concluída. Se a análise não for feita em 120 dias, a MP perde sua vigência. 

Ações

As medidas são destinadas a pessoas jurídicas de direito privado que exportam aos Estados Unidos bens que foram afetados pelas tarifas e que sejam registradas nos sistemas oficiais de comércio exterior. Também podem aderir as pessoas físicas que exportam bens em caráter empresarial ou profissional, devidamente registradas como exportadoras nos órgãos competentes, na categoria de empresas individuais, microempreendedores individuais (MEI) e produtores rurais com CNPJ.

Para ter acesso às ações de crédito e garantia previstas, é necessário estar em situação regular na Receita Federal e na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) quanto a tributos e contribuições federais. Não poderá se beneficiar das medidas quem estiver sob regime de recuperação judicial ou extrajudicial, falência ou liquidação, exceto se demonstrado plano de recuperação aprovado judicialmente.

Terão prioridade as empresas que tenham registrado, entre julho de 2024 e junho de 2025, no mínimo 5% do faturamento total proveniente de exportações de produtos impactados pelas tarifas adicionais dos Estados Unidos.

Aquelas empresas cujo percentual do faturamento bruto decorrente de exportações de produtos impactados seja igual ou superior a 20% do faturamento total apurado no mesmo período poderão acessar linhas de financiamento em condições mais favoráveis. No caso das garantias do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (PEAC-FGI Solidário), apenas as empresas com faturamento bruto anual de até R$ 300 milhões no ano anterior à contratação (MPMEs) terão acesso.

O Plano Brasil Soberano visa, ainda, fortalecer o sistema nacional de financiamento e seguro à exportação, de modo a tornar o país mais competitivo e menos vulnerável a ações externas no futuro.

Linhas de crédito

O uso dos R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações para concessão de crédito com taxas menores vai priorizar os setores mais afetados. As prioridades serão: dependência do faturamento em relação às exportações para os EUA; tipo de produto; e porte de empresa. 

As pequenas e médias empresas também poderão recorrer a fundos garantidores para acessar o crédito.

O crédito estará condicionado à manutenção do número de empregos.

Prorrogação de prazos

A medida permite a extensão excepcional do prazo para comprovação da exportação de produtos fabricados a partir de insumos importados ou adquiridos no Brasil com suspensão tributária. 

Será prorrogado, por um ano, o prazo para que as empresas consigam exportar mercadorias que tiveram insumos beneficiados pelo regime. Esses produtos poderão ser exportados para os EUA ou outros destinos. Com isso, elas não terão que pagar multa e juros se não conseguirem exportar aos EUA no prazo originalmente previsto.

A medida vale para as empresas que contrataram exportações para os Estados Unidos que seriam realizadas até o final deste ano. Dos US$ 40 bilhões exportados em 2024 para os Estados Unidos, US$ 10,5 bilhões foram realizados via regime de drawback (regime aduaneiro especial que isenta tributos incidentes sobre insumos importados usados na para industrialização de produto exportado).

A prorrogação não tem impacto fiscal, pois apenas posterga o prazo para cumprimento dos compromissos de exportação assumidos pelas empresas brasileiras.

A Receita Federal fica autorizada a fazer diferimento (adiamento) de cobrança de impostos para as empresas mais afetadas pelo tarifaço. O pagamento dos próximos dois meses será adiado para empresas mais afetadas.

Compras públicas

De forma extraordinária, União, estados e municípios poderão fazer compras para seus programas de alimentação (para merenda escolar, hospitais etc.) por meio de procedimento simplificado e média de preço de mercado, garantidos a transparência e o controle dos processos.

A medida vale apenas para produtos afetados pelas sobretaxas unilaterais.

Modernização do sistema de exportação

A MP amplia as regras da garantia à exportação, instrumento que protege o exportador contra riscos como inadimplência ou cancelamento de contratos.

As mudanças visam fortalecer empresas exportadoras de média e alta intensidade tecnológica e investimentos produtivos em economia verde. Bancos e seguradoras poderão usar essa garantia em mais tipos de operações.

A medida prevê mecanismos de compartilhamento de risco entre governo e setor privado, utilizando o Fundo Garantidor do Comércio Exterior (FGCE) como mecanismo de primeiras perdas, aumentando o acesso a crédito e reduzindo custos.

Fundos garantidores

Haverá aportes adicionais de R$ 1,5 bilhão no Fundo Garantidor do Comércio Exterior (FGCE); de R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), do BNDES; e R$ 1 bilhão no Fundo de Garantia de Operações (FGO), do Banco do Brasil, voltados prioritariamente ao acesso de pequenos e médios exportadores.

Novo Reintegra

O Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários (Reintegra) para as Empresas Exportadoras devolve aos exportadores brasileiros parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva, na forma de crédito tributário, ajudando a reduzir custos e aumentar a competitividade no mercado externo.

A medida antecipa os efeitos da Reforma Tributária, desonerando a atividade exportadora.

Atualmente, empresas de grande e médio porte de produtos industrializados têm alíquota fixada em 0,1%; enquanto micro e pequenas, por meio do programa Acredita Exportação, recebem de volta 3% de alíquota.

A medida aumenta em até 3 pontos percentuais o benefício para empresas cujas exportações de produtos industrializados foram prejudicadas por medidas tarifárias unilaterais. Ou seja, para continuarem competitivas no mercado norte-americano, grandes e médias empresas passam a contar com até 3,1% de alíquota, e as micro e pequenas, com até 6%.

As novas condições do Reintegra valerão até dezembro de 2026 e terão impacto de até R$ 5 bilhões.

Empregos

O Plano Brasil Soberano cria a Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego para monitorar o nível de emprego nas empresas e suas cadeias produtivas; fiscalizar obrigações, benefícios e acordos trabalhistas; e propor ações voltadas à preservação e manutenção dos postos de trabalho. A atuação será coordenada em nível nacional e regional via Câmaras Regionais nas Superintendências Regionais do Trabalho.

Entre as atribuições previstas, estão:

  • acompanhar diagnósticos, estudos e informações relativas ao nível de emprego nas empresas e subsetores diretamente afetados pelas tarifas dos EUA;
  • ampliar a análise para identificar impactos indiretos na geração e manutenção de empregos em empresas da cadeia produtiva;
  • monitorar obrigações, benefícios e repercussões nas folhas de pagamento decorrentes de acordos para preservar empregos e mitigar os efeitos das tarifas dos EUA;
  • promover negociação coletiva e mediação de conflitos para manter o emprego;
  • aplicar mecanismos relacionados a situações emergenciais, como lay-off e suspensão temporária de contratos, dentro da lei;
  • fiscalizar o cumprimento das obrigações acordadas e a manutenção dos empregos por meio da Inspeção do Trabalho;
  • utilizar a estrutura regional das Superintendências do Trabalho para engajar trabalhadores e empregadores em negociações para atender às necessidades das empresas afetadas;
  • monitorar a concessão e o pagamento de benefícios trabalhistas aos empregados das empresas diretamente afetadas.

Negociações

O plano também atua na frente externa para ampliar e diversificar mercados, reduzindo a dependência das exportações brasileiras em relação aos Estados Unidos.

No eixo de diplomacia comercial e multilateralismo, o Brasil tem avançado nas negociações de acordos que abrem novas oportunidades para empresas nacionais:

  • negociações concluídas: União Europeia; EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio)
  • em negociação: Emirados Árabes Unidos e Canadá
  • em processo de diálogo: Índia; Vietnã.

Com informações da Presidência da República

Fonte: Agência Senado

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Comércio Exterior, Exportação

Brasil vai ampliar alívio tarifário para fornecedores de exportadores afetados

A segunda fase do plano Brasil Soberano incluirá linhas de crédito, garantias e incentivos fiscais para apoiar uma cadeia de exportação mais ampla

Uma segunda fase do plano Brasil Soberano apoiará empresas afetadas pela tarifa de 50% imposta pelo presidente dos EUA, Donald Trump, disse Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Nesta nova fase, as linhas de crédito, garantias e mecanismos de seguro do plano serão estendidas aos fornecedores das empresas diretamente impactadas.

O decreto presidencial provisório (MP) que criou o programa Brasil Soberano já vai além de ajudar empresas que exportam para os Estados Unidos, explicou Mello. Em sua visão, as medidas complementam a reforma do imposto sobre o consumo ao dar aos exportadores brasileiros uma vantagem competitiva que nunca tiveram antes. Até agora, as estruturas fiscais e de crédito do Brasil não favoreciam a atividade exportadora, disse ele.

A MP altera as regras de acesso ao Fundo de Garantia à Exportação (FGE), anteriormente limitado a grandes empresas. Ele agora estará disponível para micro e pequenas empresas, que são mais vulneráveis, mas também geram mais empregos. Além disso, o Fundo de Garantia de Comércio Exterior (FGCE), gerido de forma privada, receberá uma injeção de capital para cobrir possíveis inadimplências em operações de exportação. Apoio adicional virá das garantias oferecidas pelo Fundo de Garantia de Operações (FGO) e pelo Fundo de Garantia de Investimentos (FGI).

“Esse pacote é um verdadeiro divisor de águas para os exportadores brasileiros”, disse Mello. Ele acrescentou que a nova estrutura permanecerá em vigor mesmo após os efeitos das tarifas passarem.

As contribuições aos fundos de garantia dependem da aprovação do Projeto de Lei Complementar 168/2025, que ainda não teve um relator designado. Mello acredita que o projeto pode avançar rapidamente assim que um acordo político for alcançado. “Acredito que o Congresso também veja isso como prioridade”, afirmou.

Mello também disse que há espaço para o PIB do Brasil crescer cerca de 2,5% este ano. Embora a desaceleração econômica no segundo trimestre possa ser um pouco mais acentuada do que o esperado, ele observou que o crescimento pode se estabilizar — ou até se tornar levemente positivo — na segunda metade do ano. Essa perspectiva dependerá do equilíbrio entre o impacto das tarifas e a eficácia da resposta política do governo.

Principais trechos da entrevista ao Valor:

Valor: Quais são as medidas estruturais que o plano Brasil Soberano traz para o setor exportador?

Guilherme Mello: A parte mais estrutural é a mudança no modelo de crédito à exportação. Até agora, o FGE era acessível apenas a um pequeno grupo de grandes empresas. Após a investigação da Lava Jato, em particular, o financiamento à exportação entrou em uma espécie de limbo, houve até uma campanha ideológica contra ele. Foi retratado como prejudicial, quando na verdade ocorre o contrário. O financiamento à exportação é parte fundamental da estratégia de desenvolvimento de qualquer país. Então, o que fizemos foi aprovar uma reforma tributária que isenta investimentos e exportações, e agora estamos reconstruindo, modernizando e fortalecendo nosso sistema de financiamento à exportação, removendo barreiras para o uso do FGE.

Valor: Quais eram essas barreiras?

Mello: O acesso ao fundo era restrito a grandes empresas. Realocamos R$ 30 bilhões para apoiar a diversificação e as linhas de crédito à exportação que estamos oferecendo no plano Brasil Soberano. Isso aumentará o acesso ao FGE com linhas de crédito mais baratas, porque estamos usando esse superávit financeiro como financiamento. Também estamos transformando o Fundo de Garantia de Comércio Exterior (FGCE).

Valor: Que mudanças estão sendo feitas no FGCE?

Mello: O FGE atualmente é um fundo público em que 100% do risco é assumido pelo governo federal. Quando uma empresa compra seguro, paga um prêmio. Se a empresa inadimplir, o FGE entra. Como é um fundo público, quando paga ao exportador, isso impacta o saldo primário do orçamento. O que estamos fazendo é transformar o FGCE em um fundo de cobertura de primeira perda. Nesse modelo, o capital do FGE não é tocado, ele fica protegido. Dependendo do contrato, o FGCE pode cobrir até 40% das perdas, por exemplo. E, como o FGCE é privado, ele pode agir muito mais rápido para apoiar pequenas empresas. Também estamos permitindo o uso de outras opções de seguro privadas por meio do FGCE. Estamos trabalhando com a CAMEX [Câmara de Comércio Exterior do Brasil] para acelerar a análise dos casos, já que medidas antidumping não são permitidas pelas regras internacionais.

Valor: Então isso é uma reformulação completa do sistema de crédito e seguro à exportação?

Mello: Sim, estamos reformulando todo o modelo de seguro, fornecendo financiamento total e eliminando impostos relacionados à exportação por meio da reforma tributária. Esse pacote é um verdadeiro divisor de águas para os exportadores brasileiros.

Valor: As mudanças no FGCE e no FGE vão além do plano Brasil Soberano e se tornarão permanentes?

Mello: Sim, são estruturais. Claro, os fundos que alocamos ao FGCE dentro do Brasil Soberano devem ser usados para esse plano. Mas nada impede que o governo injete novos recursos no futuro para uso em outras áreas ou iniciativas.

Valor: Então a estrutura permanecerá disponível para programas futuros?

Mello: Exatamente. E o Brasil Soberano foi desenhado de maneira importante. Ele não apenas prioriza o apoio às empresas mais afetadas, com taxas de juros mais baixas, como também fornece linhas de crédito para ajudá-las a diversificar mercados e adaptar sua produção.

Valor: E quanto às empresas indiretamente afetadas pelas tarifas?

Mello: Nesta primeira fase, focamos nas empresas diretamente afetadas. Mas avançaremos com uma segunda fase para incluir empresas indiretamente afetadas, que também estão registrando quedas significativas de receita.

Valor: Então a segunda fase vai acontecer com certeza, ou ainda está em avaliação?

Mello: Vai acontecer. O cronograma ainda está em avaliação, assim como o desenvolvimento tecnológico necessário. Por enquanto, nossa prioridade é operacionalizar as medidas já anunciadas. Há uma tarefa urgente de construir a capacidade tecnológica para que o BNDES e os bancos tenham os dados necessários — como os CNPJs das empresas — para os elegíveis.

Esperamos que esse desenvolvimento tecnológico esteja pronto até 7 ou 8 de setembro. A partir daí, o banco poderá começar a operar a nova linha de crédito. É importante destacar: as linhas de crédito vão operar, mas para que pequenas e médias empresas tenham acesso, elas precisarão de garantias. Os bancos não concederão empréstimos sem essas garantias para empresas fortemente impactadas. Por isso, propusemos o projeto de lei complementar para alocar recursos aos mecanismos de garantia.

Valor: Então é crucial que o Congresso aprove o projeto logo, para evitar que pequenas e médias empresas fiquem sem empréstimos?

Mello: Seria muito importante que o Congresso aprovasse o projeto até o início de setembro, para que, quando a linha de crédito entrar em operação, alcance todas as empresas afetadas, e não apenas as maiores.

Valor: E como está o andamento do processo legislativo?

Mello: Essas coisas podem avançar muito rapidamente assim que um acordo for alcançado.

Valor: Ainda não há relator, e não se espera votação nesta semana. O atraso é preocupante?

Mello: Eu não diria que é preocupante, mas é um tema já em discussão, e vamos pressionar para acelerar. Acho que o Congresso também vê isso como prioridade. Obviamente, ninguém quer deixar ninguém para trás. Não apoiar empresas — especialmente pequenas e médias, que são mais vulneráveis financeiramente, mas representam grande parte dos empregos — custaria muito caro. Ainda acreditamos que há espaço para a economia manter o ritmo de crescimento de 2,5%, mas precisamos acompanhar de perto os desdobramentos.

Valor: Uma vez aprovado o projeto, o governo emitirá um decreto presidencial provisório para crédito extraordinário e injetará recursos nos mecanismos de garantia? E os fundos serão liberados rapidamente após isso?

Mello: Muito rapidamente. Talvez precisemos fazer alguns ajustes nas regras do fundo, mas os bancos já trabalham com esses fundos.

Valor: Serão necessários recursos adicionais na segunda fase, quando o plano for estendido aos fornecedores?

Mello: Não. Planejamos o plano dentro dos recursos previstos no projeto: R$ 4,5 bilhões em contribuições para fundos de garantia e até R$ 5 bilhões do Reintegra [programa de ressarcimento tributário para exportadores]. O Reintegra também é uma forma de apoiar exportadores que ainda operam sob um regime tributário que gera créditos acumulados. Quando dizemos “até” [R$ 5 bilhões], é com base em uma estimativa preliminar assumindo que todas as empresas afetadas teriam acesso. Mas o Reintegra seguirá critérios de priorização, então é provável que o valor final seja menor.

Valor: Esse pacote é suficiente para entregar as reformas estruturais, ou há mais a vir além da questão dos fornecedores?

Mello: Do ponto de vista estrutural, acredito que é suficiente. Ele resolve os principais gargalos: acesso ao FGE, um segundo fundo privado mais rápido e simples (FGCE) que cobre primeiras perdas, e financiamento de baixo custo para o processo. A combinação da reforma do crédito à exportação com a reforma tributária — que remove a carga de impostos sobre exportações — dará ao setor exportador brasileiro um nível de competitividade que ele nunca teve.

O agronegócio é um grande exportador, mas possui vantagens distintas que foram construídas ao longo do tempo: por meio da Embrapa, do desenvolvimento tecnológico e de investimentos dos próprios empresários. Mas esse tipo de apoio estruturado nunca existiu para a indústria. Apenas alguns setores industriais específicos conseguiram se integrar às cadeias globais de exportação. As medidas que estamos tomando agora são essenciais para reverter essa tendência.

Valor: O novo Reintegra incluirá critérios de priorização?

Mello: Sim. Iremos emitir regulamentos definindo como o Reintegra priorizará as empresas, o que também dependerá da aprovação do projeto de lei.

Valor: Alguns setores industriais estão pedindo medidas antidumping mais rápidas para evitar uma inundação de produtos estrangeiros no Brasil. Você concorda?

Mello: Alguns setores enfrentaram uma concorrência muito dura que prejudica severamente seus planos de investimento. Estamos trabalhando com a CAMEX para acelerar a análise dos casos, já que ações antidumping devem seguir as regras internacionais. Isso é diferente do que os EUA estão fazendo com suas tarifas, que não têm justificativa econômica ou comercial e estão completamente fora das regras comerciais internacionais estabelecidas. O dumping é outro assunto. Já estamos em contato com vários setores e trabalhando para agilizar todos os procedimentos necessários para casos em que há impacto claro na produção doméstica.

Valor: E quanto às medidas de salvaguarda?

Mello: As salvaguardas também podem ser usadas se dumping ou outras práticas desleais forem confirmadas. Mas, novamente, tudo deve seguir as convenções internacionais de comércio.

Valor: Agora, voltando à perspectiva macroeconômica. O índice de inflação IPCA-15 de agosto mostrou deflação, e os números do PIB serão divulgados na próxima semana. O que devemos esperar?

Mello: Quando o aumento das tarifas começou, alguns economistas disseram que poderia ser inflacionário. Eu disse que o impacto sobre a inflação seria pequeno e, se houvesse algum efeito, tenderia a ser desinflacionário. E acredito que essa visão está se confirmando. Uma combinação de fatores explica isso: a valorização do real, que está estável em torno de R$ 5,40; a queda nos preços dos alimentos; e o fato de que a economia brasileira claramente está desacelerando em relação ao primeiro trimestre, como esperado.

Agora vemos que a desaceleração do segundo trimestre é um pouco mais acentuada do que o inicialmente previsto, principalmente devido aos efeitos acumulados e defasados da política monetária. Ainda esperamos um crescimento leve no segundo trimestre e quase estabilidade nos dois últimos trimestres do ano.

Valor: O que poderia mudar essa perspectiva?

Mello: Muitos fatores, além da política monetária, podem elevar ou reduzir o nível de atividade. Por exemplo, em julho, o governo federal pagou dívidas judiciais [precatórios]. Então, embora as taxas de juros pesem sobre a economia, os precatórios podem fornecer algum suporte. O crédito ainda está crescendo, e agora, com as novas políticas anunciadas, mais crédito poderá se tornar disponível. O balanço final dessas forças determinará o ritmo de crescimento, se mais próximo de 2% ou 2,5%.

Valor: Qual é sua aposta?

Mello: Acreditamos que ainda há espaço para a economia manter crescimento de 2,5%, mas precisamos acompanhar de perto. Obviamente, uma taxa de juros de 15% sustentada por meses impacta a atividade, é para isso que ela serve. Com base nos dados que temos, a desaceleração do segundo trimestre foi mais pronunciada do que o esperado. Mas ainda vemos perspectivas de crescimento leve ou estabilidade nos trimestres finais, com base no equilíbrio geral dos fatores. E ainda não conhecemos o efeito líquido total das tarifas.

Valor: E as perspectivas para 2026?

Mello: A política fiscal provavelmente estará mais próxima da neutralidade, enquanto a política monetária deve permanecer rígida, embora provavelmente menos do que este ano. A queda nas taxas de juros poderia dar um impulso maior ao crédito, e o conjunto de políticas adotadas incentivará as empresas a adotarem uma abordagem mais voltada à exportação, o que exige investimento. Então, ainda vemos potencial de crescimento próximo à nossa tendência de longo prazo em 2026. Claro, isso dependerá de como a economia se comportar até o final deste ano, do carryover estatístico e da evolução da política monetária.

Valor: Você está preocupado que a compensação pela reforma do imposto de renda possa não ser aprovada?

Mello: Acredito que os líderes do Congresso entendem a importância de manter a neutralidade. O relator incluiu isso em seu relatório. Eu diria que isso não é apenas uma questão fiscal, é uma questão de justiça tributária. Quem se opõe à compensação não está apenas contra o governo ou prejudicando as finanças públicas e a estabilidade macroeconômica. Está defendendo a manutenção da atual desigualdade de renda no Brasil.

Fonte: Valor International

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Comércio Exterior, Exportação

BNDES injeta R$ 10 bi para exportadores afetados pelo tarifaço

Valor, que se soma aos R$ 30 bi no plano Brasil Soberano, será destinado a empresas taxadas em menos de 50%

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) detalhou as linhas de crédito destinadas a empresas atingidas pelas tarifas de importação de 50% aplicadas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. De acordo com o presidente do banco, Aloizio Mercadante, empresas que tiverem perdas acima de 5% do faturamento entre junho e julho serão priorizadas em um primeiro momento.

“A prioridade, nesse momento, é crédito incentivado para todas as empresas que tiveram um prejuízo, a perda dessa capacidade de exportação, que foi abrupta, sem nenhum tipo de negociação ou previsibilidade, e perderam acima de 5% do seu faturamento”, disse Mercadante, em entrevista coletiva.

O crédito corresponde a uma das iniciativas incluídas na medida provisória que criou o Programa Brasil Soberano, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada. Além da linha de estímulo para empresas afetadas, a MP prevê cláusulas para manutenção de emprego e compra de produtos que seriam destinados à exportação.

As linhas de crédito previstas na MP destinam R$ 30 bilhões, em um primeiro momento, para o socorro das empresas afetadas. Nesta sexta-feira, representantes do governo federal e do banco de desenvolvimento explicaram que as empresas que tiverem um impacto maior ou igual a 5% do faturamento terão acesso à linha Giro Diversificação, destinada à busca de novos mercados.

Além da linha de diversificação, há a linha Capital de Giro, destinada ao financiamento de gastos operacionais gerais pelas empresas. Ambas as opções oferecem taxas de juros de até 0,66% ao mês. No caso da linha de Capital de Giro, a taxa tem o limite de 0,82% mensais, ou 10,31% ao ano, para as grandes empresas. O valor máximo por empresa somadas as duas linhas é de R$ 35 milhões para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e de R$ 200 milhões para as grandes.

Ambas as linhas têm como garantia o Fundo Garantidor para Investimentos e Programa Emergencial de Acesso a Crédito (FGI-Peac), controlado pelo BNDES, no caso das MPMEs. Caso a empresa que se encaixe dentro deste perfil tenha impacto igual ou maior a 20% do faturamento nos 12 meses até junho de 2025, também haverá garantia pelo Fundo de Garantia de Operações (FGO).

Além da comprovação de impacto, as empresas também terão que honrar uma cláusula de manutenção de empregos, definida pelo Ministério da Fazenda (MF), comprovando que o número de empregados não diminuiu após a adoção do crédito. A análise será feita pelo e-Social e a referência aplicada será a média entre julho de 2024 e junho de 2025, com a média apurada no período entre o último dia útil do 5º mês e o último dia útil do 16º mês após a contratação do benefício.

“Isso é um quantitativo. Não quer dizer que a empresa não possa trocar, eventualmente, os seus trabalhadores, ou que ela não possa, em algum momento, ter um quantitativo menor e, posteriormente, um quantitativo maior. Mas nós trabalhamos com o seguinte desenho: a referência inicial do quantitativo de empregos vai ser a média dos valores apurados entre o último dia útil de julho de 2024 e o último dia útil de junho de 2025”, explicou o secretário de Política Econômica do MF, Guilherme Mello. 

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que a partir do dia 1º de setembro, vai se reunir diretamente com os bancos de todo o país para explicar como serão aplicadas as novas linhas em cada instituição. A partir do dia 4 de setembro, os empresários já podem começar a procurar, preferencialmente, os bancos nos quais eles já são clientes. 

“A nossa avaliação é que o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), junto com a Receita Federal, entreguem a lista completa, CNPJ por CNPJ, de quanto (a empresa) exportava, para a gente poder confrontar com o quanto fatura, e calibrar essas linhas de crédito no dia 8 de setembro, logo após o dia da pátria, para a gente poder orientar toda a rede bancária”, disse Mercadante. 

Diante disso, o governo trabalha com a expectativa de que os primeiros financiamentos sejam liberados a partir da segunda quinzena de setembro. “Então, nós vamos orientar, se esse calendário for cumprido, a nossa avaliação é que, a partir da semana do dia 15 de setembro, a gente começa a ter as primeiras aprovações”, completou o presidente.

Então, a nossa recomendação é que a partir do dia 4 de setembro, na outra quinta-feira, os empresários comecem a procurar, em primeiro lugar, preferencialmente, os bancos que eles já trabalham. Porque o banco já tem um rendimento da empresa, já tem o histórico da empresa, já tem todas as informações necessárias para poder complementar com essas linhas de crédito. Então ele começa a procurar para verificar a situação da empresa e, se precisar de alguma documentação adicional, etc., começar a preparar o processo. 

A nossa avaliação é que o Mdic, junto com a Receita Federal, entreguem a lista completa, CNPJ por CNPJ, de quanto exportava, para a gente poder confrontar com o quanto fatura, e calibrar essas linhas de crédito no dia 8 de setembro, logo após o dia da pátria, para a gente poder orientar toda a rede bancária. Então, nós vamos orientar, se esse calendário for cumprido, a nossa avaliação é que, a partir da semana do dia 15 de setembro, a gente começa a ter as primeiras aprovações.

As primeiras serão as empresas que têm um bom rating, que têm um bom histórico com os bancos, que têm a sua proposta pronta, que as informações são mais seguras, que já temos a listagem para confrontar, então a gente acha que a partir da segunda quinzena de setembro as aprovações de crédito possam se iniciar.

Nós estamos colocando toda a nossa captação de LCD deste ano, que coloca um pequeno incentivo fiscal, portanto é uma linha um pouco abaixo da Selic, para esse programa. Estamos canalizando todo esforço que a gente pode, isso não estava planejado, para a gente colocar tudo para atender essas empresas. Então, é um pacote de crédito importante, com linhas incentivadas, para poder amenizar o impacto e, também, com prazos mais dilatados, dependendo da linha de crédito que está sendo feita. 

Linha complementar

O BNDES também anunciou ontem a liberação de R$ 10 bilhões para duas outras linhas de crédito complementares para auxiliar, também, os setores afetados com o tarifaço. A linha Giro Emergencial Complementar será destinada para cobrir gastos operacionais gerais, enquanto que a modalidade Giro Diversificação Complementar servirá para financiar a busca por novos mercados. Em ambas as linhas, empresas com produtos tarifados pelos EUA (por qualquer alíquota) e de qualquer porte, mesmo que atendidas por outras modalidades, terão acesso aos produtos. 

Mercadante explicou que a abertura da nova linha tem o objetivo de ser um complemento para as outras modalidades anunciadas pelo governo federal, que vão destinar R$ 30 bilhões ao todo para essas empresas. Além disso, ele destacou a possibilidade de que empresas atingidas por outras tarifas, além da máxima de 50%, possam adquirir o crédito. 

“Elas também foram atingidas com alíquotas menores. Então nós vamos colocar R$ 10 bilhões a mais, um pouco abaixo da Selic, não são as mesmas condições das outras empresas, porque o impacto é menos severo, mas ainda assim com taxas abaixo da Selic e vamos mostrar como essa operação vai ser feita”, justificou Mercadante, em entrevista coletiva na sede do banco, no Rio de Janeiro. 

De acordo com o Ministério da Fazenda, 35,9% dos produtos brasileiros comercializados com os EUA são tarifados com 50%. Outros 44,6% de itens são taxados com 10%, de acordo com as alíquotas anunciadas no dia 5 de abril de 2025, chamado “Dia da Libertação”, pelo presidente Donald Trump. O restante (19,5%) está sujeito às tarifas da Seção 232, que variam de acordo com o produto (5% para autopeças, automóveis; 50% para aço, alumínio e cobre, por exemplo. 

A linha Giro Emergencial Complementar prevê taxa de juros de 1,15% ao mês, mais spread bancário. O prazo nesta modalidade é de cinco anos, incluso o limite de até um ano de carência. Já a linha Giro Diversificação Complementar cobrará taxa de juros de 0,29% ao mês, acrescidos da variação do dólar e spread bancário. O limite, neste caso, será de sete anos, com um ano de carência adicional. 

“Então, é um programa que nós vamos continuar avaliando e ajustando ao longo do processo, como foi com a experiência do Rio Grande do Sul, mas a orientação do presidente Lula é “ninguém fica para trás”. E é um programa de apoio às empresas e ao emprego”, acrescentou o presidente do BNDES.

Fonte: Correio Braziliense

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Exportação

Exporta para os EUA? ✈️ Confira passo a passo para entender produtos, tarifas extras e exceções

Desenhamos esse processo do início ao fim para esclarecer como os EUA dividiram os produtos, quais as tarifas por setores e quais são as exceções dessa taxação

Se você exporta para os Estados Unidos (EUA) e ainda está confuso sobre como as tarifas adicionais de 50% sobre os produtos brasileiros vão funcionar, a gente te entende! Com a quantidade de medidas em vigor, de listas de produtos, de especificações e ainda de exceções, fica fácil se perder. 

Nós preparamos um fluxograma que desenha esse processo e te ajuda a entender quais são as tarifas e como elas se aplicam aos diferentes produtos.

Vamos a um exemplo: o café. Ele não se encaixa nos setores com tarifas específicas, como aço, alumínio, automóveis, autopeças ou cobre.

O café também não consta na lista de exceções da Ordem Executiva 14323, o que significa que ele parte de uma tarifa base de 10% que já existia. Além disso, o café também não consta na lista de exceções da Ordem Executiva 14323, somando outra tarifa adicional de 40%.

Por isso, o café, assim como outros produtos, está sujeito diretamente à nova tarifa de 50%.

A depender de qual lista o seu produto está, ele tem a possibilidade de não receber nenhuma tarifa adicional ou receber tarifa adicional de 10%, 40% ou 50%.

 Com o café, a conta é a seguinte:

Tarifa Base: 10%

Tarifa Adicional: +40%

Total: 50%

E é assim que vários produtos chegam nos 50% de tarifas extras anunciadas pelo presidente dos EUA. 
 

Dá uma olhada como fica essa história desenhadinha 👇🏾

Fonte: Portal da Indústria

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