Exportação

Exportações de vinho argentino caem a níveis históricos e pressionam vinícolas

As exportações de vinho argentino fecharam o último ano em forte retração, alcançando o menor volume desde 2004 e o menor valor desde 2009. O desempenho negativo acendeu um alerta entre as principais vinícolas da Argentina, que enfrentam um cenário marcado por custos elevados, perda de competitividade e mudanças no perfil de consumo global.

Exportações registram queda anual de 7%

Dados do Instituto Nacional de Vitivinicultura (INV) mostram que as exportações recuaram 7% entre janeiro e dezembro do ano passado na comparação com o mesmo período anterior. Ao todo, foram embarcados 1,9 milhão de hectolitros de vinhos tintos e brancos, abaixo dos 2 milhões de hectolitros registrados no ano precedente.

Menor fluxo marítimo de vinhos em 2025

No transporte marítimo, os números também refletem a desaceleração. Informações da plataforma DataLiner indicam que a Argentina exportou apenas 1.253 TEUs de vinhos entre janeiro e novembro de 2025, reforçando a queda no ritmo dos embarques internacionais.

Custos internos e logística pesam sobre o setor

Segundo a CEO da Wines of Argentina (WofA), Magdalena Pesce, o desempenho fraco está diretamente relacionado ao ambiente econômico interno. Ela aponta o aumento dos custos de produção como um dos principais entraves, mesmo com a inflação sob maior controle.

Além disso, Pesce destaca desafios estruturais históricos, como logística cara, dificuldade de competir com preços internacionais e instabilidade nos mercados externos, fatores que continuam limitando o crescimento das exportações.

Estados Unidos e China desaceleram demanda

Entre os principais destinos do vinho argentino, dois mercados estratégicos apresentaram desaceleração: Estados Unidos e China. No caso norte-americano, Pesce observa que o impacto da conjuntura econômica reduziu o consumo, movimento que afeta não apenas a Argentina, mas o setor vitivinícola global.

Ainda assim, os EUA seguem como mercado-chave. Entre 25% e 28% da produção argentina é exportada, sendo que cerca de metade desse volume tem como destino o mercado norte-americano.

Exceções em meio ao cenário negativo

Apesar do quadro adverso, algumas empresas conseguiram resultados positivos. A Trivento, maior exportadora de vinhos argentinos, registrou crescimento mesmo após um aumento de 10% nas tarifas. Segundo Marcos Jofré, CEO da empresa na Argentina, houve avanço tanto nos embarques quanto nas vendas efetivas nos Estados Unidos, com base em dados da Circana Trends.

Mudança de hábitos limita recuperação

A queda nas exportações não foi ainda mais profunda porque, em determinados meses, como julho e agosto, a retração interanual chegou a superar 15%. Para Pesce, a mudança no comportamento do consumidor é um fator decisivo.

Ela ressalta que a geração Z consome menos álcool e busca bebidas mais leves, o que exige adaptação das vinícolas. O diretor executivo da Bodegas de Argentina, Milton Kuret, reforça que a redução do consumo de vinho é um fenômeno global, somado à perda de competitividade internacional do setor argentino.

Vinhos premium mostram maior resiliência

Nesse contexto, os vinhos de maior valor agregado têm apresentado desempenho mais estável. A Trivento aposta em uma estratégia voltada ao público gourmet, com diversificação do portfólio, incluindo varietais como Cabernet Sauvignon e investimentos no White Malbec, considerado um produto inovador para atrair novos consumidores e ampliar as ocasiões de consumo.

FONTE: Forbes Argentina
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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