Exportação

Exportações de arroz da Índia crescem 19% e pressionam preços no mercado asiático

As exportações de arroz da Índia registraram forte avanço no último ano, com crescimento de 19,4%, totalizando 21,55 milhões de toneladas, após o governo indiano suspender todas as restrições remanescentes às vendas externas. As informações foram confirmadas por autoridades governamentais.

Com esse desempenho, os embarques se aproximaram do recorde histórico de 22,3 milhões de toneladas, alcançado em 2022, e consolidaram a Índia como maior exportador mundial de arroz.

Recuperação rápida após medidas para conter inflação

Segundo representantes do governo, a retomada das exportações ocorreu logo após Nova Déli retirar as limitações impostas entre 2022 e 2023, quando o objetivo era proteger o abastecimento interno e conter a inflação dos alimentos.

De acordo com um funcionário que falou sob condição de anonimato, as remessas ganharam força imediatamente após a suspensão das restrições, anunciada em março, refletindo a elevada competitividade do arroz indiano no mercado global.

Impacto nos preços e no comércio internacional

O retorno expressivo do arroz indiano aos mercados internacionais alterou o fluxo comercial na Ásia e na África. A maior oferta reduziu o espaço de exportadores concorrentes, como Tailândia e Vietnã, e contribuiu para que os preços do arroz asiático atingissem os níveis mais baixos em quase dez anos.

A queda dos preços trouxe alívio para consumidores de regiões sensíveis ao custo dos alimentos, especialmente na África e em partes da Ásia, onde o arroz segue como item essencial da dieta.

Crescimento liderado pelo arroz não basmati

Dados oficiais indicam que as exportações de arroz não basmati avançaram 25%, somando 15,15 milhões de toneladas, impulsionadas pela forte demanda por produtos mais acessíveis. Já as vendas externas de arroz basmati cresceram 8%, alcançando o recorde de 6,4 milhões de toneladas, sustentadas pelo interesse contínuo de mercados considerados premium.

Os embarques de arroz não basmati aumentaram de forma significativa para Bangladesh e para países africanos como Benim, Camarões, Costa do Marfim e Djibuti. No segmento basmati, houve maior demanda de destinos como Irã, Emirados Árabes Unidos e Grã-Bretanha.

África mantém papel estratégico para a Índia

A África segue como um dos principais destinos do arroz indiano, favorecida pelo crescimento populacional, pela urbanização acelerada e pela capacidade limitada de produção local em diversos países importadores.

Tradicionalmente, a Índia exporta mais arroz do que a soma de Tailândia, Vietnã e Paquistão, o que lhe garante forte influência sobre os preços globais do arroz.

“O arroz indiano é altamente competitivo frente ao fornecimento de outros exportadores, e os preços mais baixos estão ajudando o país a recuperar participação de mercado”, afirmou Nitin Gupta, vice-presidente sênior da Olam Agri India, durante a Cúpula Internacional do Arroz da Índia.

Tailândia sente efeitos da concorrência indiana

O impacto da maior presença indiana foi mais evidente na Tailândia, tradicionalmente entre os maiores exportadores globais. O Ministério do Comércio tailandês projeta que as exportações do país recuem para cerca de 7 milhões de toneladas neste ano, frente à estimativa de 8 milhões de toneladas em 2025.

Nos primeiros 11 meses de 2025, as exportações tailandesas de arroz caíram 21% em volume, totalizando 7,3 milhões de toneladas, enquanto o valor exportado recuou 30,3%. Em 2024, o país havia embarcado quase 10 milhões de toneladas.

FONTE: Planeta Arroz
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Planeta Arroz

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Exportação

Venezuela em crise política pode impactar exportações de arroz gaúcho.

A atual instabilidade política na Venezuela acende um sinal de alerta para o agronegócio do Rio Grande do Sul, especialmente para a cadeia produtiva do arroz, produto no qual o Estado lidera a produção nacional. O país vizinho figura entre os principais destinos do cereal brasileiro, tornando qualquer turbulência institucional um fator de risco para o escoamento da safra.

Venezuela é mercado estratégico para o arroz brasileiro

Dados da Câmara de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio indicam que, entre janeiro e novembro do último ano, a Venezuela ocupou a segunda posição entre os maiores compradores de arroz do Brasil. A maior parte desse volume teve origem no Rio Grande do Sul, principal polo produtor do grão no país.

Segundo Renan Hein dos Santos, assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o mercado venezuelano exerce papel relevante no equilíbrio do setor.
“Trata-se de um cliente fundamental para o arroz gaúcho, sobretudo diante da necessidade de escoamento da produção em função dos preços internos. O cenário venezuelano merece acompanhamento atento”, avalia.

Safra maior pressiona preços internos

Com uma safra 22% superior em 2025, o Brasil enfrentou um cenário de queda expressiva nos preços do arroz. Nesse contexto, as exportações passaram a ser consideradas decisivas para evitar excesso de oferta no mercado doméstico e garantir sustentação aos produtores.

Nos últimos cinco anos, mesmo com oscilações no ranking, a Venezuela manteve-se de forma consistente entre os quatro maiores importadores de arroz brasileiro, reforçando sua importância estratégica para o setor.

Evolução das exportações de arroz para a Venezuela

Brasil – janeiro a novembro (em mil toneladas)

  • 2021: 98,9
  • 2022: 190,97
  • 2023: 208,74
  • 2024: 106,19
  • 2025: 165,72

Rio Grande do Sul – janeiro a novembro (em mil toneladas)

  • 2021: 75,25
  • 2022: 180,22
  • 2023: 180,57
  • 2024: 106,19
  • 2025: 165,72

Os números evidenciam a dependência do mercado externo, especialmente da Venezuela, para a sustentabilidade econômica do arroz produzido no RS, em um momento de elevada oferta e margens pressionadas.

Fonte: Câmara de Comércio Exterior e Farsul
Texto: Redação

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