Comércio Exterior

Argentina vê oportunidade geopolítica inédita para fortalecer o comércio exterior

O comércio exterior argentino voltou ao centro do debate econômico, não como um tema isolado, mas como um pilar estrutural do modelo de crescimento do país. Em um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas, reconfiguração das cadeias globais de valor e disputa entre grandes potências, a inserção internacional da Argentina surge simultaneamente como desafio e oportunidade.

Para Martín Tanco, especialista em comércio internacional com mais de 40 anos de experiência no assessoramento a empresas, o setor externo é hoje um dos poucos espaços capazes de gerar um círculo virtuoso sustentável para a economia argentina.

“O comércio exterior é central em qualquer plano econômico, tanto pela geração de divisas quanto pelo impacto positivo sobre o emprego, a produtividade e o crescimento das exportações”, avalia.

Reconfiguração global abre janela estratégica para a Argentina

Segundo Tanco, o país vive uma oportunidade geopolítica única, impulsionada, entre outros fatores, pela política de tarifas elevadas dos Estados Unidos, que acelerou o redesenho das cadeias produtivas globais e abriu espaço para novos fornecedores internacionais.

No entanto, o especialista ressalta que essa oportunidade não é automática. Para aproveitá-la, as empresas argentinas precisam agir rapidamente, investindo em planejamento estratégico, financiamento, inovação tecnológica e, sobretudo, em certificações internacionais, exigidas pelos mercados desenvolvidos.

Superávit comercial e mudança na matriz produtiva

Os números recentes reforçam o peso do setor externo. Em 2024, a Argentina registrou um superávit comercial recorde, impulsionado principalmente pelas exportações agroindustriais e energéticas. Em 2025, o saldo positivo foi mantido, com crescimento de 24% nas exportações, puxado por soja, trigo e petróleo.

Apesar do avanço em volume, os preços internacionais seguem limitados. “Os preços não são os melhores, mas cresce o potencial da energia, do lítio e da mineração”, observa Tanco, destacando uma transformação gradual na fonte de geração de dólares da economia.

Atualmente, cerca de 73% das divisas ainda vêm da agroindústria, concentrada no corredor central do país, enquanto 27% têm origem na energia e na mineração. As projeções para 2030, no entanto, indicam uma virada histórica: energia e mineração devem responder por 53%, superando o agro, com 47%.

Impacto regional e desafios logísticos

Essa transformação não é apenas setorial, mas também territorial. O deslocamento do eixo produtivo para as regiões andina e patagônica redesenha o mapa econômico argentino e impõe novos desafios em infraestrutura, logística e acesso a mercados internacionais.

Apesar dos avanços, a concentração das exportações em poucos complexos produtivos segue sendo uma limitação estrutural.

Importações, normalização e risco da restrição externa

Do lado das importações, o crescimento recente gera leituras distintas. Para Tanco, o aumento das compras externas reflete, em parte, a normalização da economia após um período de forte controle cambial.

“Viemos de um regime extremamente restritivo. A liberação elevou as importações, que agora tendem a se estabilizar”, explica. Segundo ele, há hoje uma relação mais saudável entre importações e exportações, com as compras externas acompanhando a expansão das vendas ao exterior.

A dúvida histórica permanece: a Argentina conseguirá crescer sem esbarrar na restrição externa? Para o especialista, o contexto global pode favorecer uma ruptura desse padrão.

Geopolítica, acordos e competitividade internacional

Em um mundo polarizado entre Estados Unidos, União Europeia e o eixo Rússia–China, a Argentina tem a vantagem de estar fora dos principais focos de conflito. Ainda assim, precisa avançar na integração às regras do comércio internacional.

Entre as prioridades estão o fortalecimento da presença no G20, o cumprimento do Acordo de Paris e a busca pela adesão à OCDE. No mapa comercial, Brasil, China, Estados Unidos e União Europeia seguem como principais parceiros.

Enquanto os EUA se destacam como fonte de investimentos, a China é vista como um parceiro mais previsível, avançando de forma silenciosa na aquisição de ativos estratégicos.

Infraestrutura, logística e decisões-chave para o futuro

Para consolidar o comércio exterior como motor de desenvolvimento, Tanco aponta uma dívida histórica em logística internacional. Projetos como o dragagem da Hidrovia Paraná–Paraguai, o Canal Magdalena, a melhoria das rodovias e dos acessos portuários são fundamentais para reduzir custos e elevar a competitividade.

O debate sobre as retenções às exportações também segue no radar, já que sua eliminação costuma gerar aumento imediato dos embarques. Além disso, a nova geografia produtiva exige repensar a estratégia portuária diante da concorrência dos portos chilenos.

Nesse cruzamento entre infraestrutura, política comercial e estratégia empresarial, está em jogo o futuro do comércio exterior argentino. Para Tanco, a chave será “fortalecer a competitividade e a resiliência para enfrentar riscos políticos e econômicos em um cenário global cada vez mais fragmentado”.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Exportação

Exportações do setor lácteo argentino superam 425 mil toneladas em 2025 e atingem recorde histórico

As exportações do setor lácteo argentino registraram um desempenho histórico em 2025, ultrapassando a marca de 425 mil toneladas e alcançando o maior volume dos últimos 12 anos. Os dados são da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca, vinculada ao Ministério da Economia da Argentina.

Crescimento expressivo em volume e valor

De acordo com números da Direção Nacional de Lácteos, elaborados com base em informações do Indec, as exportações totalizaram 425.042 toneladas, gerando uma receita de USD 1,69 bilhão. O resultado representa um avanço de 11% em volume e de 20% em valor na comparação anual, reforçando o bom momento do mercado de lácteos da Argentina.

Exportações equivalem a 27% da produção nacional

Quando convertidas em litros equivalentes, as vendas externas somaram 3,129 bilhões de litros, um crescimento de 18% em relação ao período anterior. Esse volume corresponde a 27% da produção nacional de leite, evidenciando o peso das exportações de lácteos na cadeia produtiva do país.

Principais produtos exportados

Entre os itens mais comercializados no mercado internacional, a leite em pó integral liderou com 35% do total exportado. Na sequência aparecem soro de leite (17%), muçarela (13%), leite em pó desnatado (7%) e queijos de massa semidura (6%). Esses produtos concentram grande parte da demanda externa por lácteos argentinos.

Brasil lidera destinos das exportações

O Brasil foi o principal destino das exportações, respondendo por 41% das toneladas embarcadas. Em seguida, destacam-se Argélia (19%), Chile (7%) e China (7%). Uruguai e Rússia também aparecem entre os compradores, cada um com cerca de 3% de participação.

Tecnologia e boas práticas impulsionam o setor

Segundo o Ministério da Economia, o desempenho positivo do setor está diretamente relacionado à incorporação de tecnologia, à melhoria nos sistemas de manejo e à adoção de boas práticas produtivas, resultado do esforço conjunto de produtores e da indústria láctea argentina.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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