Comércio Exterior, Economia

Exportações brasileiras batem recorde histórico de janeiro a agosto com US$ 227,6 bilhões

Imagem: Porto de Itajaí

As exportações do Brasil somaram US$ 227,6 bilhões entre janeiro e agosto de 2025, o maior valor já registrado para o período. O resultado representa um crescimento de 0,5% em relação aos oito primeiros meses de 2024. No mesmo intervalo, as importações atingiram US$ 184,8 bilhões, o que levou a corrente de comércio a alcançar US$ 412,4 bilhões, também um recorde histórico.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (4/9) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), durante a apresentação da balança comercial referente a agosto.

Desempenho em agosto

No mês, as exportações brasileiras totalizaram US$ 29,9 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 23,8 bilhões. O saldo comercial ficou positivo em US$ 6,1 bilhões, com corrente de comércio de US$ 53,6 bilhões.

Na comparação com agosto de 2024, as exportações cresceram 3,9% (de US$ 28,7 bilhões para US$ 29,9 bilhões), enquanto as importações caíram 2% (de US$ 24,2 bilhões para US$ 23,7 bilhões). Dessa forma, a corrente de comércio subiu 1,2% no comparativo anual, somando US$ 53,6 bilhões, e o saldo positivo foi de US$ 6,1 bilhões.

Resultado acumulado do ano

Entre janeiro e agosto, as exportações avançaram de US$ 226,5 bilhões em 2024 para US$ 227,6 bilhões em 2025, alta de 0,5%. Já as importações cresceram 6,9%, passando de US$ 172,9 bilhões para US$ 184,8 bilhões. Com isso, a corrente de comércio acumulada atingiu US$ 412,4 bilhões, aumento de 3,2% frente ao mesmo período do ano anterior.

Exportações por setor

O desempenho setorial em agosto de 2025, em comparação com o mesmo mês de 2024, mostrou:

  • Agropecuária: alta de US$ 0,51 bilhão (8,3%);
  • Indústria Extrativa: crescimento de US$ 0,74 bilhão (11,3%);
  • Indústria de Transformação: queda de US$ 0,14 bilhão (0,9%).

No acumulado de janeiro a agosto, a comparação anual indicou:

  • Agropecuária: aumento de US$ 0,23 bilhão (0,4%);
  • Indústria de Transformação: alta de US$ 4,69 bilhões (4%);
  • Indústria Extrativa: retração de US$ 4,01 bilhões (7,2%).

Importações por setor

Em agosto de 2025, frente a agosto de 2024, as importações registraram:

  • Agropecuária: alta de US$ 1,7 milhão (0,4%);
  • Indústria Extrativa: crescimento de US$ 0,37 bilhão (26,5%);
  • Indústria de Transformação: queda de US$ 0,85 bilhão (3,8%).

No acumulado de janeiro a agosto, os resultados foram:

  • Agropecuária: crescimento de US$ 0,35 bilhão (9,2%);
  • Indústria de Transformação: alta de US$ 13,92 bilhões (8,9%);
  • Indústria Extrativa: queda de US$ 2,42 bilhões (21,6%).

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – Secretaria de Comércio Exterior (Secex)

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Tarifa de Trump obriga Brasil a acelerar busca por novos mercados de exportação

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, provocou uma reação em cadeia no comércio exterior do Brasil. Com os EUA respondendo por uma fatia expressiva das exportações brasileiras — 40% do total no primeiro semestre deste ano, somando-se à China —, setores estratégicos, como agronegócio e aviação, estão em alerta.

O tarifaço obriga empresas brasileiras a repensarem suas rotas comerciais. Produtos como carne bovina, suco de laranja, café e pescado são alguns dos mais afetados. De acordo com dados do comércio exterior, só no primeiro semestre de 2025, os americanos compraram quase 8% da carne exportada pelo Brasil, 56% do pescado e 16% do café. “Redirecionar esses produtos não é uma tarefa simples. São décadas de negociações e avaliações técnicas para conquistar a confiança de novos mercados”, explicou o economista André Galhardo, em entrevista à Rede Globo.

Além das barreiras comerciais, o Brasil também precisa lidar com obstáculos culturais na busca por novos mercados. Países como a Índia, por exemplo, não consomem determinados produtos por motivos religiosos, o que impede a exportação de itens como carne bovina. Adaptar-se a esses novos destinos exige mais do que estratégia comercial — é necessário compreender profundamente os hábitos e preferências de consumo de cada população.

A resposta do governo brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou uma ofensiva diplomática para minimizar os impactos das sanções americanas. O ministro Carlos Fávaro declarou que o foco agora será abrir novas frentes no Oriente Médio, no Sul Asiático e no Sul Global — regiões com grande potencial consumidor. “Vamos reforçar as ações diplomáticas e buscar mercados alternativos. Já estamos em diálogo com entidades dos setores mais afetados para diversificar as exportações e reduzir os impactos internos, como a queda dos preços das commodities”, afirmou o ministro em pronunciamento oficial.

As medidas vêm sendo articuladas em parceria com os adidos agrícolas, que atuam como pontes entre o Brasil e outros países, levantando dados sobre demanda, legislações sanitárias e oportunidades comerciais.

Entre as novas apostas, destaca-se o mercado de carne caprina na Nigéria, país com mais de 220 milhões de habitantes e grande consumo dessa proteína. Outro exemplo está nas mangas: mesmo com produção limitada, os EUA importaram mais de US$ 570 milhões em mangas frescas em 2023, sendo o Brasil um dos principais fornecedores.

Dependência crítica do setor aéreo

Mesmo com alguma diversificação, o setor aeronáutico ainda depende fortemente dos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2025, 65% das exportações do setor tiveram como destino o mercado americano. Trata-se de um segmento técnico, com ciclos longos de negociação e alto valor agregado.

Diversificação é palavra de ordem

Com o comércio exterior brasileiro pressionado, o governo e especialistas avaliam que o momento é propício para repensar a pauta exportadora e investir em produtos estratégicos para a economia do século 21. O Mapa tem incentivado a exportação de novos produtos e a entrada em mercados menos tradicionais, com base em relatórios detalhados que consideram hábitos de consumo, conjuntura política e ambiente regulatório. “Temos uma estratégia clara de diversificação. Estamos mapeando oportunidades que muitas vezes o setor produtivo ainda não enxergou, e que podem garantir mais resiliência ao agro exportador brasileiro”, explicou um porta-voz do Ministério da Agricultura.

FONTES: G1 / CNN / AGÊNCIA BRASIL

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: PORTO DE SANTOS / DIVULGAÇÃO

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