Comércio Internacional

Argentina e EUA firmam acordo comercial e de investimentos com foco em acesso a mercados e cooperação estratégica

A Argentina e os Estados Unidos assinaram um acordo recíproco de comércio e investimentos que prevê acesso preferencial ao mercado argentino para produtos norte-americanos, além de regras que vedam barreiras ao comércio digital e fortalecem a cooperação econômica e em segurança nacional. A informação foi divulgada na última quinta-feira, 5 de fevereiro, pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

O documento foi assinado pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e pelo ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno. O texto formaliza um acordo-quadro que já havia sido definido preliminarmente em novembro do ano passado.

Redução de tarifas e padronização regulatória

Segundo o USTR, o acordo prevê a redução ou eliminação de tarifas sobre uma ampla lista de produtos dos Estados Unidos, incluindo medicamentos, dispositivos médicos, produtos químicos, máquinas, veículos automotores, tecnologia da informação e diversos produtos agrícolas.

A Argentina também se comprometeu a reconhecer padrões regulatórios e de segurança dos EUA para bens importados, como automóveis e equipamentos médicos. No setor alimentício, o país adotará os padrões de segurança do USDA para carnes bovinas e de aves.

No ambiente digital, o acordo estabelece que não haverá tarifas sobre a transmissão internacional de dados, nem a criação de impostos sobre serviços digitais direcionados a empresas de tecnologia dos Estados Unidos.

Abertura do mercado agrícola

No campo agrícola, a Argentina deverá abrir seu mercado, em até um ano, para aves e produtos avícolas dos EUA. O país também trabalhará para simplificar processos burocráticos que afetam exportações norte-americanas de carne bovina e suína.

Outro ponto do acordo envolve a proteção de marcas e denominações. A Argentina concordou em não restringir o uso, por exportadores dos EUA, de nomes como asiago, feta e camembert, considerados pela União Europeia como indicações geográficas exclusivas.

Segurança, tecnologia e comércio internacional

O texto também amplia a cooperação bilateral no controle de exportações de bens sensíveis de uso duplo, que podem ter aplicações civis e militares. Além disso, estabelece compromissos para garantir a segurança da infraestrutura de telecomunicações argentina.

Embora o acordo não cite países específicos, o USTR afirmou que a iniciativa fortalece a atuação conjunta de Argentina e Estados Unidos contra práticas comerciais desleais de terceiros países, em referência indireta à China.

Parceria em minerais críticos

A Argentina se comprometeu ainda a articular com governos provinciais medidas para facilitar investimentos de empresas dos EUA em projetos de minerais críticos, como cobre, lítio e outros insumos estratégicos. O acordo prioriza os Estados Unidos como parceiro comercial nesses setores, em detrimento de economias acusadas de manipulação de mercado.

Contexto político e reações

Em outubro, o Tesouro dos EUA anunciou uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões para apoiar o governo do presidente argentino Javier Milei na estabilização do peso. A iniciativa foi elogiada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como um passo relevante para a recuperação econômica da Argentina.

Em comunicado, Jamieson Greer afirmou que o fortalecimento da parceria entre Trump e Milei serve como exemplo de integração econômica e proteção da segurança econômica e nacional no continente americano. Já Pablo Quirno classificou o acordo como uma “grande conquista” para ambos os países.

Por outro lado, a senadora norte-americana Elizabeth Warren, principal democrata no Comitê Bancário do Senado, solicitou nesta quinta-feira o encerramento da linha de swap, defendendo que a medida deveria ter caráter temporário.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Importação de fertilizantes no Brasil atinge recorde histórico e impulsiona exportações agrícolas em 2025

O Brasil alcançou um recorde na importação de fertilizantes em 2025, totalizando 45,5 milhões de toneladas, acima das 44,28 milhões registradas em 2024. Os dados constam no Boletim Logístico da Conab | Ano IX – janeiro/2026, divulgado nesta segunda-feira (26) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O avanço reflete um cenário positivo para a agricultura brasileira, indicando maior disposição dos produtores em ampliar áreas cultivadas e investir em produtividade. Ao longo de 2025, o crescimento contínuo das aquisições já sinalizava a confiança do setor nas perspectivas da safra. Mato Grosso, Paraná e São Paulo lideraram o consumo de fertilizantes, reforçando seu papel estratégico na produção nacional de grãos.

Portos concentram entrada de fertilizantes e fortalecem logística

A movimentação de fertilizantes pelos principais portos brasileiros confirmou a solidez da cadeia de suprimentos de insumos agrícolas. Somados os volumes desembarcados nos portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e nos terminais do Arco Norte, o total importado em 2025 chegou a 45,50 milhões de toneladas, um aumento de 1,22 milhão de toneladas (+2,68%) em relação ao ano anterior.

O Porto de Paranaguá manteve-se como o principal ponto de entrada, com 10,89 milhões de toneladas, resultado próximo ao de 2024. Os portos do Arco Norte registraram crescimento expressivo, alcançando 8,27 milhões de toneladas, acima das 7,5 milhões do ano anterior, evidenciando o fortalecimento logístico da região. Já o Porto de Santos movimentou 8,42 milhões de toneladas, queda de 5,18% na comparação anual.

Exportações agrícolas crescem e superam 172 milhões de toneladas

Em 2025, o Brasil ampliou as exportações de milho, soja e farelo de soja, alcançando 172,3 milhões de toneladas, um crescimento de 6,21% em relação a 2024. O desempenho foi sustentado por ajustes positivos na logística portuária, com destaque para os portos de Paranaguá e do Arco Norte, além do protagonismo de estados como Mato Grosso, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul na origem das cargas.

As exportações de milho somaram 40,9 milhões de toneladas até dezembro, acima das 39,7 milhões do ano anterior. O Arco Norte respondeu por 39,3% dos embarques, enquanto o Porto de Santos concentrou 35,8%. Paranaguá ampliou significativamente sua participação, atingindo 12,3% do total.

No caso da soja em grãos, os embarques chegaram a 108,1 milhões de toneladas, superando os 98,8 milhões registrados em 2024. O Arco Norte respondeu por 36,2% das exportações, seguido pelo Porto de Santos, com 32%. Mato Grosso, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul foram os principais estados de origem.

Já as exportações de farelo de soja alcançaram 23,3 milhões de toneladas em 2025, ligeiramente acima do volume do ano anterior. O Porto de Santos concentrou 43,2% dos embarques, seguido por Paranaguá (27,8%) e Rio Grande (16,9%).

Mercado de fretes segue estável com variações regionais

O mercado de fretes rodoviários apresentou comportamento predominantemente estável em dezembro, com ajustes pontuais de preços conforme a demanda local, níveis de estoque e custos operacionais. A menor movimentação de grãos típica do fim de ano contribuiu para o equilíbrio das cotações em diversas regiões.

Na Bahia e no Maranhão, os fretes permaneceram estáveis, enquanto no Distrito Federal houve alta entre 1% e 4%, pressionada pelo custo do diesel. Em Mato Grosso, os preços seguiram elevados na comparação anual, sustentados por estoques altos e expectativa de intensificação da colheita da soja. Já no Piauí, a retração da demanda resultou em queda média superior a 9%.

Para o início de 2026, a expectativa é de manutenção do equilíbrio no curto prazo, com tendência de aquecimento gradual do mercado de fretes a partir de janeiro e maior pressão altista em fevereiro, acompanhando o avanço da colheita e o aumento do escoamento da produção agrícola.

FONTE: Companhia Nacional de Abastecimento
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Companhia Nacional de Abastecimento

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Agronegócio

Crise entre EUA e Irã pressiona agronegócio brasileiro e expõe riscos geopolíticos

Agronegócio ganha peso na geopolítica do Brasil
O agronegócio brasileiro tem assumido papel central na projeção internacional do país e, ao mesmo tempo, ampliado sua exposição a tensões globais. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã surge como um fator de risco relevante, com potencial para afetar diretamente a agropecuária nacional, seja por meio de novas tarifas norte-americanas, impactos nas exportações ao Irã ou aumento no custo de insumos agrícolas.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 2,9 bilhões ao Irã. Desse total, mais de 90% tiveram origem no setor agropecuário. Além disso, cerca de 17% da ureia importada pelo país veio do mercado iraniano, evidenciando a dependência de insumos estratégicos.

Conflito no Oriente Médio e impacto na cadeia produtiva
A instabilidade no Oriente Médio pode gerar efeitos em cascata sobre o agro brasileiro. Entre os principais riscos estão a interrupção da cadeia de suprimentos, a alta no preço do petróleo, o encarecimento dos fretes internacionais e o aumento do custo de fertilizantes e outros insumos essenciais à produção agrícola.

Milho e soja lideram exportações ao Irã
Os embarques de milho e soja representam cerca de 87% das exportações brasileiras destinadas ao Irã. O país é o segundo maior comprador de milho do Brasil, atrás apenas da China, respondendo por aproximadamente 20% dessas vendas externas.

Além dos grãos, o agro brasileiro também exporta ao mercado iraniano açúcar, carne bovina e outros produtos. O volume vendido ao Irã supera, inclusive, as exportações destinadas a países como Rússia, África do Sul e Suíça. Recentemente, no entanto, as exportações de milho chegaram a ser temporariamente suspensas devido a dificuldades de comunicação e obtenção de cartas de crédito.

Declaração de Trump eleva incerteza comercial
O principal fator de preocupação foi a declaração do presidente Donald Trump, ao afirmar que “qualquer país que fizer negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todos os negócios que realizar com os EUA”. Até o momento, os detalhes da ordem executiva não foram oficialmente apresentados, o que amplia a insegurança jurídica.

Os Estados Unidos são destino de mais de 10% das exportações brasileiras, além de figurarem como importante fornecedor de bens de capital. Já o Irã responde por apenas 0,8% das vendas externas do Brasil. Diante desse cenário, analistas avaliam que uma suspensão temporária das relações comerciais com o Irã poderia ser o caminho mais prudente até a resolução da crise.

Perfil internacional e limites da política externa
Como um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo, o Brasil tende a se beneficiar de um posicionamento internacional mais neutro e pragmático, mantendo diálogo com diferentes parceiros sem se envolver em disputas geopolíticas de alta complexidade.

Especialistas apontam que propostas como a substituição do dólar no comércio internacional ou discursos de protagonismo global sem respaldo econômico e militar ampliam riscos desnecessários. Episódios recentes, como a COP 30 em Belém, evidenciaram os limites da influência internacional brasileira, com baixa presença de líderes globais.

Relações sensíveis e riscos futuros
O interesse nacional, segundo analistas, exige equilíbrio diplomático e atenção redobrada nas relações com países sujeitos a sanções internacionais, como Irã e Rússia. A China, por sua vez, também começa a entrar nesse radar de risco.

O Congresso dos Estados Unidos aprovou recentemente a abertura de uma investigação sobre o agronegócio brasileiro e a China, prevista na Seção 6705 da Lei de Inteligência de 2026, reforçando a complexidade do cenário externo enfrentado pelo setor.

FONTE: Artigo de Evaristo Miranda
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Internet

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Agronegócio

Agronegócio brasileiro registra recorde histórico de exportações em 2025 e alcança superávit de US$ 149 bilhões

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com o maior resultado já registrado em vendas externas. As exportações do agro somaram US$ 169,2 bilhões, alta de 3% na comparação com 2024, quando o setor havia exportado US$ 164,3 bilhões. O desempenho garantiu ao segmento participação de 48,5% das exportações totais do Brasil no ano.

O avanço foi sustentado principalmente pelo aumento de 3,6% no volume exportado, movimento que compensou a leve retração de 0,6% nos preços médios internacionais.

Estratégia de diversificação impulsiona desempenho do agro

Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o resultado recorde reflete a atuação coordenada do governo federal, envolvendo o Mapa, o Itamaraty, o MDIC e a ApexBrasil, com foco na diversificação de produtos e mercados. O ministro também destacou a capacidade produtiva do campo brasileiro, que conseguiu abastecer o mercado interno e exportar excedentes, contribuindo para o controle de preços, geração de empregos e crescimento econômico, com base em uma agropecuária cada vez mais tecnológica e sustentável.

Importações crescem, mas superávit segue elevado

As importações agropecuárias totalizaram US$ 20,2 bilhões em 2025, crescimento de 4,4% frente ao ano anterior. Com isso, a corrente de comércio do agronegócio alcançou US$ 189,4 bilhões. O saldo da balança comercial do agro fechou o ano com superávit expressivo de US$ 149,07 bilhões.

Dezembro tem melhor resultado da série histórica

Somente em dezembro, as exportações do agronegócio chegaram a US$ 14 bilhões, o maior valor já registrado para o mês, com crescimento de 19,8% em relação a dezembro de 2024. As importações somaram US$ 1,62 bilhão, resultando em superávit mensal de US$ 12,38 bilhões.

Abertura de mercados fortalece presença internacional

Em 2025, o Brasil alcançou a marca de 525 novos mercados abertos desde 2023. De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, essas aberturas já geraram cerca de US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais, sem considerar ampliações de acesso já existentes. A diversificação de destinos permitiu ao setor enfrentar desafios do cenário global, como barreiras tarifárias, casos de influenza aviária e queda de preços de algumas commodities.

Safra recorde garante excedentes exportáveis

A safra de grãos 2024/2025 atingiu 352,2 milhões de toneladas, crescimento de 17% sobre o ciclo anterior. Na pecuária, a produção de carnes bovina, suína e de frango também alcançou níveis históricos, assegurando excedentes para exportação sem comprometer o abastecimento interno.

Principais destinos das exportações agropecuárias

A China manteve a liderança como maior compradora do agro brasileiro, com US$ 55,3 bilhões em aquisições, equivalente a 32,7% do total exportado e crescimento de 11%. A União Europeia aparece em seguida, com US$ 25,2 bilhões (+8,6%), enquanto os Estados Unidos somaram US$ 11,4 bilhões, registrando queda de 5,6%.

Outros mercados ampliaram significativamente suas compras, como Paquistão, Argentina, Filipinas, Bangladesh, Reino Unido e México.

Soja, carnes e café lideram a pauta exportadora

A soja em grãos seguiu como principal produto exportado, com US$ 43,5 bilhões em receitas e volume recorde de 108,2 milhões de toneladas. A carne bovina também bateu recorde, alcançando US$ 17,9 bilhões, com crescimento de quase 40% em valor e abertura de 11 novos mercados.

A carne suína registrou aumento de 19,6% em valor e colocou o Brasil, pela primeira vez, como terceiro maior exportador mundial. Já a carne de frango teve leve avanço no volume exportado, mesmo após um ano marcado por restrições sanitárias.

O café brasileiro apresentou forte valorização, com crescimento de 30,3% em valor, totalizando US$ 16 bilhões, impulsionado por preços internacionais elevados. Também se destacaram as exportações de frutas, pescados e produtos não tradicionais.

Produtos não tradicionais ganham espaço e batem recordes

Itens fora do grupo principal de commodities tiveram crescimento expressivo em 2025. Entre os destaques estão gergelim, miudezas bovinas, DDG de milho, feijões, pimenta, amendoim, óleo de amendoim, melões frescos e castanha de caju, muitos deles com recordes históricos de valor e volume exportado.

Iniciativas ampliam acesso do produtor ao mercado externo

Ferramentas como AgroInsight, Passaporte Agro e Caravanas do Agro Exportador fortaleceram o apoio ao exportador brasileiro. Lançado em janeiro de 2025, o AgroInsight já mapeou mais de 800 oportunidades de negócios em 38 países, contribuindo para ampliar a presença do agronegócio brasileiro no comércio internacional.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Comércio Internacional

Regras de salvaguarda da UE colocam em risco comércio do Mercosul com tarifas reduzidas

O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira um conjunto de regras mais rígidas para a aplicação de salvaguardas comerciais contra produtos agropecuários do Mercosul, o que pode comprometer seriamente o acesso de itens do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai ao mercado da União Europeia com benefícios tarifários, caso o acordo entre os blocos entre em vigor.

A decisão ocorre em meio ao aumento da resistência política na Europa à assinatura do tratado, prevista para o próximo sábado, em Foz do Iguaçu (PR). Parlamentares europeus e produtores rurais intensificam a pressão contra o avanço do acordo.

Critérios mais duros para suspensão de preferências tarifárias

O texto aprovado endurece as condições para que a Comissão Europeia suspenda temporariamente as preferências tarifárias concedidas ao Mercosul. Pela nova regra, uma investigação poderá ser aberta se as importações agrícolas do bloco sul-americano crescerem, em média, 5% em volume ao longo de três anos — metade do percentual previsto na proposta original, que era de 10%.

O mesmo gatilho poderá ser acionado caso os preços desses produtos caiam no mercado europeu na mesma proporção. Assim, uma redução de 5% no preço do açúcar importado, por exemplo, já permitiria a abertura de um processo de salvaguarda para proteger produtores locais.

Prazos mais curtos aceleram aplicação das medidas

Além de critérios mais rigorosos, o Parlamento também reduziu os prazos para conclusão das investigações. O período máximo caiu de seis para três meses e, no caso de produtos considerados sensíveis, de quatro para dois meses. A mudança busca acelerar a adoção de restrições às importações.

Reciprocidade amplia exigências ao Mercosul

Outro ponto central das alterações é a inclusão de um mecanismo de reciprocidade regulatória. A medida autoriza a UE a investigar e impor salvaguardas caso os produtos importados do Mercosul não cumpram exigências equivalentes às europeias em áreas como meio ambiente, bem-estar animal, segurança alimentar, saúde pública e proteção trabalhista.

Para eurodeputados, as salvaguardas podem funcionar como uma obrigação para que os países do Mercosul adotem padrões produtivos semelhantes aos da União Europeia. Especialistas, no entanto, avaliam que o conceito de “padrões de produção de alimentos” é amplo e pode ser usado como instrumento para barrar importações por meio de exigências difíceis de cumprir, como limites máximos de resíduos praticamente inexequíveis.

Reação e riscos para o Brasil

Fontes que acompanham as negociações avaliam que as novas regras extrapolam o que está previsto no próprio capítulo de salvaguardas do acordo. Caso entrem em vigor, essas medidas poderão ser contestadas juridicamente pelos países sul-americanos.

Apesar de a iniciativa ser vista como uma tentativa de acomodar resistências internas e viabilizar a assinatura do acordo, o movimento é interpretado como um sinal de desconfiança por parte da Europa. Segundo analistas, é incomum discutir salvaguardas para um tratado que sequer foi ratificado.

Para o setor exportador brasileiro, a aplicação das salvaguardas — especialmente o princípio da reciprocidade — pode limitar significativamente os embarques com tarifas reduzidas. Por outro lado, segmentos sensíveis às importações europeias veem a regra como um possível instrumento de defesa comercial, já que produtores da UE também teriam dificuldade em cumprir normas brasileiras, como o Código Florestal.

Acordo Mercosul-UE sob nova ofensiva política

Além das mudanças nas salvaguardas, cresce no Parlamento Europeu uma articulação para submeter o acordo à análise da Corte de Justiça da União Europeia. Mais de 140 parlamentares defendem a revisão jurídica do tratado, o que pode atrasar sua implementação em até dois anos.

O grupo é formado majoritariamente por deputados de centro-esquerda e ainda não há definição se o pedido será levado a voto. Paralelamente, agricultores europeus convocaram manifestações em Bruxelas para esta quinta-feira, com a expectativa de levar mais de 10 mil tratores às ruas da capital belga, elevando a tensão política em torno do acordo.

FONTE: Brasil Agro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gustavo Magalhães/MRE

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Internacional

UE cria mecanismo de salvaguardas e ameaça acordo com Mercosul

O Parlamento Europeu aprovou na segunda-feira (8) um mecanismo de salvaguardas que pode reduzir os ganhos potenciais de produtores agrícolas brasileiros com o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. A decisão gerou reação negativa em Brasília, que prometeu resistir à inclusão da medida no tratado.

O acordo UE-Mercosul, que teve suas negociações concluídas após duas décadas, tem assinatura prevista para 20 de dezembro. Especialistas alertam que a criação dessas salvaguardas pode provocar impasses de última hora, colocando o tratado em risco.

Conselho Europeu deve deliberar sobre o acordo

No dia 18 de dezembro, o Conselho Europeu, composto pelos chefes de governo dos 27 países-membros, votará sobre a aprovação do acordo. Para que ele siga para assinatura em Brasília, é necessário o aval de 55% dos países (15 de 27), representando ao menos 65% da população da UE.

O desafio vem de países com forte presença agrícola, como França, Polônia, Irlanda e Itália, que resistem à abertura do mercado europeu para produtos do Mercosul, mesmo com cotas limitadas.

Como funciona o mecanismo de salvaguardas

A Comissão Europeia, braço executivo da UE, propôs suspender os descontos em tarifas de importação para produtos agrícolas do Mercosul caso haja impacto negativo aos produtores europeus.

O Comitê de Comércio Internacional do Parlamento Europeu aprovou a proposta por 27 votos a favor e oito contra, com ajustes que restringem ainda mais a possibilidade de crescimento das exportações. O texto permite a abertura de investigações comerciais quando as vendas de produtos considerados sensíveis — como carne bovina e frango — aumentarem mais de 5% em média ao longo de três anos ou quando os preços caírem 5% no mercado europeu.

Após a aprovação no comitê, o plenário do Parlamento Europeu deve deliberar sobre o mecanismo na próxima terça-feira (16). Fontes diplomáticas europeias indicam que a votação final deve confirmar a aprovação, reduzindo a resistência de França, Polônia, Itália e Irlanda.

Impacto para o Mercosul e Brasil

Altos funcionários do governo brasileiro alertam que a medida pode comprometer a viabilidade do acordo de livre comércio. Atualmente, o Mercosul já enfrenta cotas anuais restritivas: 99 mil toneladas de carne bovina, 180 mil toneladas de frango, 25 mil toneladas de carne suína, 180 mil toneladas de açúcar e 30 mil toneladas de queijos.

Segundo um representante brasileiro, se o agronegócio do Cone Sul não puder se beneficiar nem dessas cotas limitadas, será necessário reavaliar a própria assinatura do tratado.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Exterior

Anec revisa para cima as projeções de exportação de soja, milho e farelo em outubro

Associação aponta avanço nas estimativas e reforça ritmo aquecido do agronegócio brasileiro

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou suas previsões de exportação para soja, milho e farelo de soja neste mês de outubro, refletindo o bom desempenho do agronegócio brasileiro e a forte demanda internacional pelos grãos.

Soja deve superar 7,3 milhões de toneladas exportadas

De acordo com a Anec, as exportações de soja devem atingir 7,31 milhões de toneladas em outubro — um leve aumento em relação à projeção anterior de 7,12 milhões de toneladas. O número reforça o ritmo consistente dos embarques brasileiros, impulsionado pela competitividade do produto no mercado externo.

Milho e farelo também registram alta nas projeções

As estimativas para as exportações de milho também foram ajustadas para cima, passando de 6,06 milhões para 6,46 milhões de toneladas. O crescimento reflete o forte desempenho das vendas externas e a boa janela logística de escoamento dos grãos.

Já o farelo de soja deve alcançar 2,06 milhões de toneladas embarcadas em outubro, ante 1,92 milhão na previsão da semana anterior. O aumento confirma o cenário positivo das exportações de derivados da soja, com maior demanda de países asiáticos e europeus.

Exportações agrícolas mantêm trajetória de crescimento

Com os novos ajustes, outubro tende a se consolidar como um dos meses de melhor desempenho do ano para o setor de grãos, reforçando a posição do Brasil como líder global em exportações agrícolas.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Comércio Exterior

Soja brasileira ganha espaço na China em meio à guerra comercial entre EUA e o país asiático

Brasil assume protagonismo nas exportações de soja para a China.

A guerra comercial entre Estados Unidos e China tem redefinido o mercado global de commodities agrícolas, beneficiando diretamente o Brasil. Entre junho e agosto de 2025, o país asiático suspendeu a compra de soja norte-americana e passou a priorizar fornecedores alternativos, como o Brasil e a Argentina.

O levantamento é da American Farm Bureau Federation (AFBF), principal entidade representativa do setor agrícola dos Estados Unidos, que reúne cerca de 6 milhões de produtores rurais. O estudo mostra que as importações chinesas de soja dos EUA despencaram para o menor nível histórico neste ano, enquanto o Brasil consolidou sua posição como principal exportador do grão ao mercado chinês.

Queda recorde nas importações de soja americana

De janeiro a agosto de 2025, a China importou apenas 5,8 milhões de toneladas de soja norte-americana, ante 26,5 milhões de toneladas no mesmo período de 2024, o que representa uma redução de quase 80%.

O relatório aponta ainda que, entre junho e agosto, os Estados Unidos “virtualmente não embarcaram nada” de soja para a China — e o país asiático não adquiriu novos volumes da safra futura.

Enquanto isso, o Brasil exportou mais de 77 milhões de toneladas do produto para o mercado chinês no mesmo intervalo. A Argentina também ampliou suas vendas após suspender temporariamente o imposto de exportação, que voltou a ser aplicado quando o valor exportado ultrapassou US$ 7 bilhões.

Estratégia chinesa de diversificação de fornecedores

De acordo com a AFBF, o cenário atual é resultado de uma política de diversificação de fornecedores adotada pela China desde 2018, quando teve início a primeira guerra comercial sob o governo Donald Trump. Desde então, o país asiático vem reduzindo sua dependência dos produtores norte-americanos, mesmo diante de uma demanda interna crescente.

Impacto em outras exportações dos EUA

A perda de espaço no mercado chinês não se restringe à soja. Segundo o relatório, as exportações de milho, trigo e sorgo dos Estados Unidos à China caíram a zero em 2025, enquanto as vendas de carne suína e algodão seguem em ritmo reduzido.

O Departamento de Agricultura dos EUA projeta que o valor total das exportações agrícolas para a China cairá para US$ 17 bilhões neste ano — uma retração de 30% em relação a 2024 e mais de 50% abaixo do registrado em 2022. Para 2026, a previsão é ainda mais negativa: US$ 9 bilhões, o menor patamar desde 2018.

Governo Trump prepara novo pacote de apoio ao setor agrícola

Diante das perdas, o governo Donald Trump planeja um novo pacote de ajuda financeira aos produtores rurais, semelhante ao de 2019, quando mais de US$ 22 bilhões foram destinados ao setor durante a primeira fase da disputa comercial.

Usaremos os recursos das tarifas para apoiar nossos agricultores”, afirmou Trump em sua rede Truth Social. Paralelamente, o Tesouro norte-americano estuda medidas emergenciais para conter o déficit comercial agrícola.

Além dos efeitos da guerra comercial, os produtores enfrentam queda nos preços das commodities e aumento dos custos logísticos, agravados pelo baixo nível do Rio Mississippi, rota crucial para o escoamento da safra. O Departamento de Agricultura estima que a renda agrícola dos EUA caia 2,5% em 2025, atingindo o menor valor desde 2007.

Fonte: Agência Brasil

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL / Reuters/Brian Snyder

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Agronegócio

Plano Nacional de Logística 2050 reforça urgência do agronegócio por infraestrutura no Brasil

Com a produção agrícola batendo recordes, o agronegócio brasileiro pressiona por melhorias em infraestrutura e transporte. O desafio vai além da porteira: garantir escoamento rápido e eficiente até os portos é essencial para manter a competitividade. Em Cuiabá, especialistas, autoridades e representantes do setor se reuniram nesta segunda-feira (29) para discutir o Plano Nacional de Logística 2050 e lançar um painel sobre a realidade do Centro-Oeste, região que concentra quase metade da produção agropecuária do país.

Protagonismo do agro no Centro-Oeste

O Mato Grosso liderou exportações de soja, milho, algodão e carne bovina em 2024. Já Goiás consolidou-se como o segundo maior produtor nacional de soja, com destaque também para milho e proteína animal. Mato Grosso do Sul, por sua vez, fortaleceu sua presença na indústria de celulose, especialmente no polo de Três Lagoas.

O crescimento da produção exige rodovias e ferrovias integradas, lembrou Pedro Sales, presidente da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra). Ele defendeu maior participação do governo federal em investimentos estratégicos.

Estradas e trilhos: gargalo do escoamento

De acordo com o Plano, 80% das exportações agrícolas dependem de rotas como BR-163, BR-364, BR-158 e da Malha Norte Ferroviária. Só pelo Porto de Santos, em 2024, passaram mais de 27 milhões de toneladas de grãos vindos do Centro-Oeste.

Cleiton Gauer, superintendente do Imea, destacou que no Mato Grosso a produção agrícola sempre avançou antes da infraestrutura, forçando a abertura de estradas e a chegada de ferrovias e hidrovias. Já um levantamento da CNT mostrou que 31% das rodovias mato-grossenses estavam em estado ruim ou péssimo em 2024; em Goiás, o índice chegou a 68%.

Nos trilhos, a lentidão preocupa: a Malha Norte transportou mais de 40 milhões de toneladas no ano passado, mas com velocidade média de apenas 22 km/h, muito abaixo de padrões internacionais. Projetos como a Fico, a Ferrovia Estadual de Mato Grosso e a Bioceânica aparecem como alternativas para reduzir o frete e diversificar rotas.

Licenciamento ambiental trava obras

A burocracia ambiental foi outro ponto de debate. Pedro Sales, da Goinfra, criticou a demora em processos de licenciamento federal, que chegam a levar décadas. Para Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja-MT, o excesso de normas — mais de 105 mil atualmente — prejudica a segurança jurídica e atrasa investimentos.

O secretário de Infraestrutura de Mato Grosso, Marcelo Oliveira, reforçou que o “gargalo ambiental eleva o custo Brasil”. Já Lilian de Alencar Pinto Campos, da INFRA S.A., defendeu que as novas regras de licenciamento conciliem preservação ambiental e avanço logístico.

Perspectivas até 2050

Apesar das dificuldades, o Plano Nacional de Logística projeta investimentos em corredores estratégicos, ferrovias, duplicações de rodovias e a rota Bioceânica. Para Lilian Campos, os próximos quatro anos já devem entregar avanços que facilitarão o escoamento de cargas e passageiros na região.

Para o presidente da Fenatc, Paulo Lustosa, se o país superar os gargalos logísticos, terá um futuro promissor no comércio internacional.
“Se resolvermos o problema da logística, o Brasil é imbatível no mundo”, afirmou.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGENS: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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