Exportação

Mel gaúcho mira mercado europeu e aposta em acordo Mercosul–União Europeia

A apicultura gaúcha, uma das mais relevantes do Brasil ao lado da produção paranaense, acompanha com expectativa a possibilidade de ampliar sua presença no mercado da União Europeia. O interesse cresce após a assinatura do acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul, que pode abrir novas oportunidades para o mel brasileiro em um cenário de mudanças no comércio internacional.

Exportações concentradas e impacto do mercado norte-americano

Atualmente, cerca de 60% da produção nacional de mel, estimada em aproximadamente 60 mil toneladas ao ano, é destinada à exportação. Os Estados Unidos seguem como principal destino, respondendo por 75% a 80% dos embarques. No entanto, a sobretaxa de 50% imposta ao mel brasileiro desde agosto do ano passado deve pressionar os resultados ao longo deste ano.

O mercado europeu absorve em torno de 15% das exportações, com destaque para a Alemanha e, fora da União Europeia, a Inglaterra. A expectativa do setor é que esse percentual cresça caso as exigências técnicas e sanitárias sejam atendidas.

Exigências sanitárias e resíduos no centro das negociações

Segundo Aroni Sattler, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e integrante da Comissão Técnica Científica da Federação Apícola do RS (Fargs), o principal desafio para acessar o mercado europeu está no controle de resíduos químicos.

De forma geral, defensivos utilizados nas lavouras não afetam diretamente as abelhas, mas podem deixar traços no mel. Esses níveis, embora aceitos pela legislação brasileira, nem sempre atendem aos padrões mais rigorosos da União Europeia, o que exige ajustes e maior controle de qualidade por parte dos produtores.

Barreiras comerciais e pressão de produtores europeus

Além dos critérios técnicos, o setor enfrenta entraves de natureza mercadológica. Conforme Sattler, quando o mel brasileiro ganha espaço na Europa e passa a competir com a produção local, surgem pressões por regras mais restritivas, muitas vezes justificadas por questões sanitárias.

Esse movimento, segundo ele, funciona como uma forma de barganha comercial, comum em mercados agrícolas altamente competitivos. Protestos recentes de agricultores franceses contra o acordo Mercosul–União Europeia ilustram esse tipo de reação à entrada de produtos mais competitivos.

Oportunidade aberta pela guerra no Leste Europeu

Um fator que pode favorecer o mel brasileiro é a redução da oferta da Ucrânia, tradicional fornecedora do mercado europeu, em razão do conflito com a Rússia. Esse espaço pode ser ocupado por países do Mercosul, desde que cumpram as exigências técnicas e consigam lidar com a resistência de produtores locais.

Produção, mercado interno e novos canais de consumo

Além da adaptação às normas europeias e da expectativa de revisão das tarifas norte-americanas, o setor aposta no aumento da produtividade apícola, com mais quilos de mel por colmeia ao ano. Isso permitiria atender tanto o mercado externo quanto o consumo interno, que absorve cerca de 40% da produção nacional.

Uma das apostas é a inclusão do mel na merenda escolar, o que ampliaria significativamente a demanda e daria maior estabilidade ao setor.

Apicultura presente em quase todo o Rio Grande do Sul

A atividade está distribuída por praticamente todos os municípios gaúchos, envolvendo desde agricultores familiares, para quem o mel representa renda complementar, até apicultores profissionais, com duas mil a três mil colmeias voltadas à exportação. Cada grupo responde por cerca de 50% da produção estadual, que em anos regulares varia entre 8 mil e 9 mil toneladas.

Após perdas provocadas pelo clima no ano passado, a expectativa para 2026 é de recuperação, impulsionada por boas condições na primavera e pela safra do mel de soja, especialmente nas regiões da Campanha, Missões e Planalto, além de perspectivas positivas nos Campos de Cima da Serra e na Metade Sul.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alberto Marsaro Júnioir / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

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Comércio, Exportação

Exportações de mel disparam e Paraná assume vice-liderança no Brasil

Nos primeiros três meses do ano, o Paraná subiu de terceiro para segundo lugar no ranking nacional de exportação de mel, segundo dados do Agrostat Brasil.

Esse é um dos assuntos detalhados no Boletim de Conjuntura Agropecuária referente à semana de 24 a 30 de abril preparado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento.

Isso se deve a um aumento de 114% no volume e de 181,4% de receita no primeiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2024.

Foram movimentadas 1.641 toneladas de mel e US$ 5.251 milhões, com um preço médio de US$ 3,20 por quilo.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de mel a partir de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Mel| Jan 2022 –  Fev 2025 | TEUs

O primeiro lugar do ranking é ocupado por Minas Gerais, que movimentou US$ 7,292 milhões em receita e 2.333 toneladas do produto. E em terceiro lugar se encontra o Piauí com US$ 4,006 milhões em receita e 1.359 toneladas de mel.

No âmbito nacional, as exportações do produto no primeiro trimestre de 2025 alcançaram 9.120 toneladas, um aumento de 19,7% em relação ao ano anterior. Por outro lado, foram movimentados US$ 28,412 milhões em receita, uma queda de 54,3% em comparação com 2024.

O principal destino do mel brasileiro continua sendo os Estados Unidos (EUA), que adquiriu 85,7% do volume total exportado no período, seguido de Canadá e Alemanha.

Fonte: Datamar News

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Gestão, Informação, Investimento, Mercado Internacional, Negócios, Oportunidade de Mercado

SC é o 3º maior exportador de mel do Brasil e está entre os cinco maiores produtores do país

De janeiro a agosto desse ano, foram três mil toneladas de mel exportadas, levando o Estado a atingir a marca de R$ 38,5 milhões.

Santa Catarina é o terceiro maior exportador de mel do Brasil, de acordo com dados levantados de janeiro a agosto deste ano pelo Observatório da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). Foram três mil toneladas de mel exportadas, levando o Estado a atingir a marca de R$ 38,5 milhões.

Santa Catarina tem cerca de 16 mil criadores de abelhas, e está entre os cinco maiores produtores de mel do país, segundo dados da Secretaria da Agricultura do Estado. Em 2022, os catarinenses produziram 4,75 mil toneladas de mel.

— A presença catarinense no topo do ranking dos maiores exportadores de mel do Brasil é um reflexo do trabalho árduo e da dedicação dos nossos apicultores e beneficiadores, que fazem de Santa Catarina um estado forte e competitivo — afirma Camila Morais, economista do Observatório Fiesc.

Mel de Melato da Bracatinga é destaque em SC

Entre os mais de 100 tipos de mel produzidos no Estado, o Mel de Melato da Bracatinga se destaca, representando 95% da exportação catarinense, conforme as Associações de Apicultores de Santa Catarina (Faasc).

O produto possui selo de indicação geográfica com denominação de origem, por conta das características únicas: não cristaliza, tem uma cor escura típica e possui, na composição, sais minerais com propriedades que estimulam os sentidos e são benéficos para o ser humano. Diferentemente do mel floral, ele é obtido a partir do melato excretado por insetos conhecidos como cochonilhas, que se alimentam da seiva da árvore bracatinga. É aí que abelhas colhem esse excremento como se fosse néctar.

A produção da iguaria exige que os apicultores fiquem atentos aos ciclos da natureza, para fazer o manejo das abelhas no momento correto, ou seja, quando a cochonilha atinge a fase adulta e passa a produzir o melato, processo que acontece a cada dois anos. O mel de melato é, então, colhido das colmeias na forma natural, extraído dos favos e envasado tal como as abelhas o produzem.

Mercado do mel é valorizado mundialmente

Santa Catarina se destaca em um mercado cada vez mais valorizado. Em 2024, o mercado mundial do mel atingirá a marca de US$ 11,08 bilhões, e, até 2029, será de US$ 14,28 bilhões, conforme estudos da consultoria Mordor Intelligence.

SC é o 3º maior exportador de mel do Brasil e está entre os cinco maiores produtores do país – NSC Total

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