Tecnologia

Corrida pela mão de obra robótica redefine economia global

A ascensão da China como potência econômica foi construída sobre um dos maiores deslocamentos populacionais da história recente. Milhões deixaram o campo rumo às cidades industriais, saindo da pobreza extrema para integrar uma engrenagem produtiva marcada por jornadas intensas e condições rígidas de trabalho.

Esse contingente humano foi decisivo para a transformação do país em centro da manufatura global. Em 1980, o Produto Interno Bruto chinês era estimado em cerca de US$ 191 bilhões. Quatro décadas depois, supera US$ 18 trilhões. A nação deixou para trás o perfil de exportadora de bens de baixo valor agregado e passou a disputar a liderança em comércio internacional e tecnologia avançada.

Envelhecimento populacional pressiona crescimento

O modelo, no entanto, enfrenta limites. A China registra quatro anos consecutivos de queda populacional. Em 2025, os nascimentos somaram 7,92 milhões — o menor índice desde 1949. No mesmo período, a população total encolheu 3,39 milhões de pessoas.

O envelhecimento acelerado e a redução da força de trabalho criam um desafio estrutural: manter o ritmo de expansão econômica sem o chamado bônus demográfico que sustentou as últimas décadas.

Robôs assumem papel central na estratégia econômica

Diante da escassez de trabalhadores, o investimento em robótica deixou de ser complementar e se tornou prioridade estratégica. O governo chinês estabeleceu que os robôs humanoides e sistemas automatizados serão um dos principais motores econômicos entre 2026 e 2030.

A evolução tecnológica ficou evidente durante a Gala do Festival da Primavera de 2026, quando humanoides demonstraram movimentos complexos de kung fu, com equilíbrio e precisão comparáveis aos de humanos.

O avanço chinês também influencia a reorganização global de capital, à medida que grandes potências ampliam aportes em automação industrial e inteligência artificial como substitutas da mão de obra tradicional.

Tesla aposta em robôs como principal negócio

Nos Estados Unidos, a Tesla também sinaliza essa mudança de paradigma. A companhia afirmou que o robô humanoide Optimus poderá se tornar seu principal produto, superando inclusive o segmento de veículos elétricos em relevância estratégica.

O CEO Elon Musk projeta que, no futuro, a quantidade de robôs humanoides poderá ultrapassar a população mundial.

Impactos econômicos da nova revolução tecnológica

A consolidação da mão de obra robótica aponta para transformações profundas:

  • Fim da mão de obra barata como principal vantagem competitiva entre países
  • Substituição acelerada do capital humano por ativos tecnológicos
  • Robótica como novo eixo de crescimento econômico

O investimento em robôs já não é visto como aposta futurista, mas como resposta pragmática ao esgotamento do modelo baseado em trabalho abundante e de baixo custo.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Internacional

Natalidade da China atinge menor nível da história em 2025, apesar de incentivos do governo

A taxa de natalidade da China caiu para o patamar mais baixo já registrado em 2025, segundo dados oficiais divulgados pelo governo chinês. O novo recorde negativo ocorre após quatro anos consecutivos de queda populacional, mesmo diante de medidas adotadas por Pequim para estimular os nascimentos.

Nascimentos recuam ao menor patamar desde 1949

De acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (ONE), o país registrou 7,92 milhões de nascimentos no ano passado, o que corresponde a uma taxa de 5,63 nascimentos por mil habitantes. O número representa uma redução de 1,62 milhão de bebês em relação ao ano anterior, queda de 17%.

Segundo o órgão oficial, esse é o nível mais baixo desde 1949, ano de fundação da República Popular da China, quando teve início a série histórica desse indicador demográfico.

Fim da política do filho único não reverte tendência

A China abandonou há cerca de uma década a rígida política do filho único, adotada nos anos 1980 para conter o crescimento populacional, quando a taxa de natalidade era de 17,82 por mil habitantes.

Desde 2016, os casais passaram a poder ter dois filhos, e, a partir de 2021, o governo autorizou também o terceiro filho. Apesar da flexibilização, a taxa de natalidade continuou em trajetória de queda, com exceção de uma leve recuperação em 2024, quando foram registrados 6,77 nascimentos por mil habitantes.

População encolhe pelo quarto ano seguido

Além da redução nos nascimentos, a população chinesa — atualmente estimada em 1,404 bilhão de pessoas — diminuiu pelo quarto ano consecutivo. Em apenas um ano, o país perdeu 3,39 milhões de habitantes.

Outro indicador preocupante é o número de casamentos, que permanece em níveis historicamente baixos, reforçando o cenário de envelhecimento populacional.

Envelhecimento desafia crescimento econômico

Os dados demográficos foram divulgados junto com os resultados econômicos de 2025, que apontaram crescimento de 5% do PIB, um dos menores das últimas décadas, excluindo o período da pandemia. As autoridades reconhecem que a combinação entre baixa natalidade e envelhecimento da população representa um desafio estrutural para o futuro da economia chinesa.

Projeções da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que a população da China pode cair dos atuais 1,4 bilhão para cerca de 633 milhões até 2100.

Alto custo de vida afasta jovens da maternidade e paternidade

Especialistas apontam que fatores como alto custo da educação, insegurança econômica, responsabilidade de cuidar de pais idosos, além da prioridade dada à carreira e a novos estilos de vida, desestimulam muitos jovens a ter filhos.

Para tentar reverter o quadro, o governo lançou uma série de incentivos, incluindo subsídios para creches, apoio financeiro direto às famílias e até medidas fiscais relacionadas a métodos contraceptivos.

Desde 1º de janeiro, pais recebem cerca de US$ 500 por ano (aproximadamente R$ 2.689) por criança com menos de três anos. Além disso, as taxas das creches públicas foram eliminadas desde o outono passado.

Mortalidade segue em alta

Em 2025, o país também registrou 11,31 milhões de mortes, o que equivale a uma taxa de 8,04 óbitos por mil habitantes, reforçando o desequilíbrio entre nascimentos e mortalidade.

Dados do Banco Mundial indicam que, já em 2023, a China figurava entre os países com menores taxas de natalidade do mundo, à frente apenas da Coreia do Sul e em níveis semelhantes aos de países como Japão, Itália e Ucrânia.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: STR/AFP/Foto de arquivo

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