Internacional

Por que empresas dos EUA estão saindo da China para fabricar produtos

A relação comercial entre Estados Unidos e China tem levado muitas empresas americanas a reconsiderar suas estratégias de produção. A instabilidade causada por tarifas e disputas políticas fez com que executivos buscassem alternativas em outros países da Ásia, como o Vietnã, e até mesmo no território americano.

Empresas migrando para o Vietnã

Quando a guerra comercial com a China começou durante o governo de Donald Trump, Simon Lichtenberg, dono de fábricas de sofás de couro, optou por esperar. Hoje, ele investiu US$ 20 milhões para transferir sua produção destinada ao mercado americano para o Vietnã. Para Lichtenberg, a trégua comercial firmada entre os países não mudou a percepção de risco: a relação bilateral continua volátil.

“O que antes era um plano B agora é uma necessidade econômica”, afirma o empresário. Sua companhia, o Trayton Group, registrou perdas milionárias com as tarifas elevadas e súbitas impostas pelo governo americano.

Custos e mão de obra motivam a mudança

Trazer a produção de volta aos EUA não é viável para muitos setores que dependem da terceirização na China. O custo elevado e a escassez de trabalhadores tornam a operação complicada. Por isso, o Vietnã se tornou a opção preferida, oferecendo mão de obra mais barata e facilidade no transporte de máquinas e insumos.

O acordo recente entre Trump e Xi Jinping reduziu algumas tarifas e prorrogou outras pausas, mas a mudança estrutural das cadeias de produção já está consolidada. Pequenas empresas comemoraram, mas grandes fabricantes continuam migrando.

Gigantes do mercado americano reduzem presença na China

Empresas renomadas, como Nike, Apple e Intel, estão diminuindo sua produção na China voltada ao mercado americano. Dados do Censo dos EUA mostram que a maior parte de smartphones e laptops vendidos nos Estados Unidos agora vem de países como Índia e Vietnã.

A instabilidade política e comercial cria incerteza sobre quais produtos serão classificados como vietnamitas ou chineses, principalmente aqueles produzidos em fábricas do Vietnã com insumos chineses.

Estratégia de longo prazo e novos investimentos

A Man Wah USA, fabricante de móveis, transferiu sua produção para o Vietnã em 2019, construindo uma fábrica de 540 mil metros quadrados próxima a Ho Chi Minh City. Atualmente, todos os produtos destinados à América do Norte vêm dessa unidade.

Da mesma forma, a Fleming International, produtora de velas, iniciará operações em Arkansas, apesar de custos duas a três vezes maiores que no Vietnã. Segundo Lowell Newman, conselheiro sênior da empresa, a decisão é uma estratégia geopolítica de longo prazo, diante de tarifas imprevisíveis impostas pelo governo americano.

A nova realidade da produção global

A pressão dos varejistas americanos por menor exposição à China reforça a tendência de diversificação da produção. Executivos afirmam que a política comercial dos EUA ainda é incerta e que a volatilidade deve continuar a influenciar decisões estratégicas.

“O primeiro mandato de Trump fez todo mundo sair da China. No segundo, a situação atinge todos os negócios. Você pode correr, mas não pode se esconder”, ressalta Gabriele Natale, diretor-geral da Man Wah USA.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Qilai Shen/The New York Times

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