Comércio Exterior

Governo revoga aumento do imposto de importação para smartphones e eletrônicos

Após reação negativa no Congresso Nacional e forte repercussão nas redes sociais, o governo federal voltou atrás e cancelou parte do aumento do imposto de importação que atingiria produtos eletrônicos e bens de capital.

A medida foi aprovada nesta sexta-feira (27) pelo Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), órgão ligado à Câmara de Comércio Exterior (Camex). A decisão restabelece as alíquotas anteriores para 15 itens de informática e zera o imposto de importação para outros 105 produtos classificados como bens de capital e equipamentos de tecnologia.

Smartphones e notebooks voltam à alíquota anterior

Com o recuo, o imposto de importação de smartphones retorna a 16%. A proposta inicial previa elevação para 20%, podendo representar aumento de até 7,2 pontos percentuais em determinados casos.

Outros produtos também tiveram as alíquotas restauradas, entre eles:

  • Notebooks: 16%
  • Gabinetes com fonte de alimentação: 10,8%
  • Placas-mãe: 10,8%
  • Mouses e track-balls: 10,8%
  • Mesas digitalizadoras: 10,8%
  • Unidades de memória SSD: 10,8%

Segundo o governo, as novas regras passam a valer a partir da publicação da resolução no Diário Oficial da União. A lista completa de itens contemplados está disponível no site da Camex.

Ex-tarifário garante redução para produtos sem similar nacional

A redução das tarifas ocorre por meio do mecanismo de ex-tarifário, instrumento que permite diminuir ou zerar o imposto de importação para produtos sem fabricação equivalente no Brasil.

No caso dos 105 itens beneficiados com alíquota zero, a isenção terá validade de 120 dias. O Gecex poderá revisar as medidas em reuniões futuras, realizadas mensalmente para avaliar ajustes na política tarifária.

Impacto fiscal e pressão política

A proposta original de aumento alcançava cerca de 1,2 mil produtos. Parlamentares da oposição e representantes do setor produtivo alertaram para possível repasse aos preços finais, elevando o custo para o consumidor.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vinha defendendo a elevação das alíquotas como forma de proteger a indústria nacional e corrigir distorções no comércio exterior. De acordo com o governo, mais de 90% dos itens afetados possuem produção no país, e o reajuste atingiria apenas produtos importados.

Para eletrônicos fabricados no Brasil com insumos estrangeiros, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) explicou que os componentes poderiam ser enquadrados no regime de drawback, que reduz o imposto sobre insumos utilizados na produção de bens destinados à exportação.

A estimativa oficial era de arrecadar até R$ 14 bilhões em 2026 com o aumento das tarifas. Já a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, projetava receita ainda maior, de até R$ 20 bilhões neste ano.

Diante do cenário político e da pressão de empresas que protocolaram pedidos até 25 de fevereiro, o Executivo optou pelo recuo parcial. Segundo o MDIC, as alíquotas mais elevadas anunciadas anteriormente não chegaram a entrar em vigor.

Fonte: Agência Brasil.

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL / BRUNO PERES

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Logística

Em 24 horas: roubo de eletrônicos e tentativa frustrada à carga de defensivos acendem alerta no setor logístico

Uma tentativa de roubo a uma carga de defensivos agrícolas avaliada em R$ 5 milhões foi frustrada na manhã do dia 05 de janeiro, no Rodoanel Mário Covas, em São Paulo. O caminhão havia saído do Porto de Santos e seguia para Paulínia, quando foi abordado por criminosos, mas a ação foi impedida graças à atuação dos agentes de escolta armada, que reagiram à investida.

Durante a ocorrência, houve troca de tiros entre os criminosos e a equipe de segurança. Um dos agentes ficou ferido, mas a carga foi preservada. O caso reforça o nível de violência e organização das quadrilhas especializadas em roubos de cargas de alto valor no estado.

Carga de computadores é roubada um dia antes na capital paulista

Diferente do desfecho ocorrido no Rodoanel, no dia anterior (04 de janeiro) uma carga de computadores da HP, avaliada em R$ 3 milhões, foi roubada após o motorista e a escolta serem rendidos por um grupo fortemente armado.

O crime aconteceu por volta das 6h da manhã, a cerca de 500 metros da empresa de onde o caminhão saiu, localizada na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. O veículo seguia com destino a Santana do Parnaíba, na Região Metropolitana.

O caso foi registrado no 30º Distrito Policial da Polícia Civil de São Paulo e está sendo investigado pelo DEIC/DIVEA (Departamento Estadual de Investigações Criminais – Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio).

Especialista alerta para risco iminente a cargas de alto valor

Para Fabio Barbosa, especialista em segurança, Diretor do GT da ABINEE – Associação Brasileira da Indústrias Elétrica e Eletrôncia e Board Member da TAPA Americas, a sequência de ocorrências em um curto intervalo de tempo é um sinal claro de alerta para o setor. “Considerando o roubo ocorrido ontem e esta nova tentativa hoje, fica claro que precisamos reforçar imediatamente os protocolos de gestão de riscos logísticos, pois é possível que, nas próximas 48 horas, novas cargas de alto valor estejam sob ameaça de atuação criminosa.”

Fabio reforça ainda a importância da atuação integrada entre empresas, entidades setoriais e auditorias especializadas. “Seguiremos discutindo o fortalecimento dos protocolos, processos, auditoria TAPA e o networking proporcionado pela ABINEE, a fim de elevarmos ainda mais o nível de segurança das nossas operações.”

Roubos de carga em 2025: crime persiste apesar de queda em algumas regiões

Os casos registrados em São Paulo reforçam um cenário já apontado por dados nacionais de 2025. Embora algumas regiões do país apresentem queda nos índices de roubo de cargas, o crime segue persistente e com expansão para novas rotas e modalidades, especialmente envolvendo produtos de alto valor agregado, como eletrônicos, defensivos agrícolas e insumos industriais.

Matéria publicada pelo ReConecta News mostra que o crime organizado tem adaptado suas estratégias, atuando cada vez mais próximo aos pontos de origem das cargas e utilizando armamento pesado, o que eleva o risco para motoristas, escoltas e operadores logísticos.

Segurança logística segue como prioridade estratégica

Especialistas do setor alertam que investimentos em gestão de risco, inteligência logística, escolta especializada, auditorias e integração entre empresas são fundamentais para mitigar perdas e proteger vidas. Os episódios recentes em São Paulo mostram que, mesmo com avanços, o combate ao roubo de cargas segue sendo um dos principais desafios da logística brasileira.

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGENS: REPRODUÇÃO BRASIL URGENTE/BAND

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