Comércio Internacional

Juiz determina reembolso de bilhões em tarifas ilegais de Trump a importadores nos EUA

Uma decisão da Justiça comercial dos Estados Unidos determinou que o governo americano comece a devolver bilhões de dólares pagos por importadores em tarifas consideradas ilegais durante o governo Donald Trump. A ordem judicial pode resultar em um dos maiores processos de restituição ligados à política comercial dos EUA nos últimos anos.

Decisão da Justiça obriga início dos reembolsos

O juiz Richard Eaton, do Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Manhattan, ordenou na quarta-feira (4) que o governo federal inicie o pagamento de reembolsos referentes a taxas cobradas indevidamente sobre produtos importados.

A decisão ocorre após a Suprema Corte ter considerado ilegais determinadas tarifas de importação aplicadas durante a gestão Trump. Com isso, empresas que pagaram esses valores passam a ter direito à restituição.

Eaton determinou que o governo finalize o cálculo dos valores cobrados em milhões de remessas que entraram no país e que os pagamentos incluam juros sobre os montantes devolvidos.

Como funciona o cálculo das tarifas de importação

Nos Estados Unidos, quando um produto chega ao país, o importador paga inicialmente uma estimativa de impostos. O valor definitivo costuma ser definido posteriormente, em um processo administrativo conhecido como “liquidação”, que geralmente ocorre cerca de 314 dias após a entrada da mercadoria.

Na decisão, o juiz determinou que a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA finalize esse processo desconsiderando as tarifas declaradas ilegais. A medida deve resultar na devolução dos valores pagos pelos importadores.

Durante audiência, Eaton afirmou que o procedimento não é incomum para a agência. Segundo ele, o sistema já prevê ajustes quando empresas pagam impostos acima do devido.

Revisão pode envolver mais de 70 milhões de registros

Apesar disso, a Alfândega informou em documentos apresentados ao tribunal que a tarefa pode ser complexa. O órgão afirma que recalcular os valores sem considerar as tarifas exigirá um trabalho “sem precedentes”.

A estimativa é que mais de 70 milhões de registros de importação precisem ser revisados manualmente. Por causa da dimensão da operação, a agência havia solicitado anteriormente até quatro meses para avaliar como executar os reembolsos.

O juiz marcou uma nova audiência para sexta-feira (6), quando o governo deverá apresentar atualizações sobre o plano para realizar os pagamentos.

Governo arrecadou mais de US$ 130 bilhões com tarifas

As tarifas comerciais impostas durante o governo Trump foram um dos pilares da estratégia econômica adotada pelo presidente. No total, o governo americano arrecadou mais de US$ 130 bilhões com essas taxas.

No entanto, a Suprema Corte não estabeleceu regras detalhadas sobre como os reembolsos devem ser processados, o que gerou incertezas jurídicas e administrativas sobre a devolução do dinheiro.

Processo foi iniciado por empresa afetada

A decisão judicial foi tomada no âmbito de uma ação movida pela empresa Atmus Filtration, que afirmou ter pago cerca de US$ 11 milhões em tarifas consideradas ilegais.

Especialistas em comércio internacional avaliam que o entendimento do tribunal pode beneficiar milhares de empresas que foram impactadas pela cobrança das tarifas.

Segundo Ryan Majerus, ex-alto funcionário do Departamento de Comércio dos EUA e atualmente advogado do escritório King & Spalding, a decisão sugere uma interpretação ampla do direito ao reembolso.

Ele ressalta, no entanto, que o governo ainda pode contestar o alcance da decisão ou pedir mais prazo para executar os pagamentos.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Carlos Barria/File Photo

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Comércio Internacional

México impõe tarifas a importações de China, Brasil e outros países

Entraram em vigor nesta quinta-feira (1º) as tarifas impostas pelo México sobre importações de diversos produtos originários da China, do Brasil e de outros países que não possuem acordo comercial com o país. A medida atinge diferentes segmentos da indústria e já provoca repercussões no comércio internacional.

Medida foi aprovada após cenário de tensão comercial

As tarifas foram aprovadas pelo Congresso mexicano em dezembro, ao fim de um ano marcado pela intensificação da guerra comercial liderada pelos Estados Unidos, sob o governo do presidente Donald Trump. Analistas avaliam que a decisão do México sinaliza um alinhamento estratégico com os EUA, seu principal parceiro comercial, em meio às discussões para a revisão do Tratado México–Estados Unidos–Canadá (T-MEC).

Setores atingidos incluem calçados, têxtil e automotivo

A nova política tarifária incide sobre produtos de setores como calçados, automotivo, têxtil e brinquedos, áreas que concentram elevado volume de importações chinesas. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 15% das exportações brasileiras destinadas ao México podem ser impactadas pela medida.

Governo mexicano cita proteção ao emprego

De acordo com o Ministério da Economia do México, o objetivo central das tarifas é proteger aproximadamente 350 mil empregos e estimular a reindustrialização do país. O governo afirma que a iniciativa busca fortalecer a produção nacional diante da concorrência externa.

Reações de China e Brasil

Após a aprovação das tarifas, um porta-voz do Ministério do Comércio da China declarou que Pequim espera que o México “corrija essa prática equivocada de unilateralismo e protecionismo”.

O governo brasileiro também se manifestou. Em nota conjunta divulgada em 12 de dezembro, os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informaram que o Brasil mantém diálogo com as autoridades mexicanas para avaliar os possíveis impactos das novas tarifas sobre o comércio bilateral.

Já em comunicado divulgado em 30 de dezembro, o Ministério da Economia do México afirmou que a medida “não é direcionada a nenhum país específico”.

FONTE: CartaCapital
TEXTO: Redação
IMAGEM: CARL DE SOUZA / AFP

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Economia

Competição entre Mercosul e União Europeia impulsiona desenvolvimento, diz Ingo Plöger

A reunião-almoço que marcou o fim da programação empresarial de 2025 da Câmara de Indústria e Comércio Alemã-Brasileira no Rio Grande do Sul reuniu, em Porto Alegre, empresários e especialistas para discutir o acordo Mercosul–União Europeia e o papel geopolítico do Brasil em um cenário global mais volátil. O convidado principal foi o engenheiro e economista Ingo Plöger, presidente da Abag e do Ceal Brasil.

Origem das negociações e mudanças no cenário internacional

Plöger relembrou que as tratativas entre os dois blocos começaram no fim dos anos 1990, quando havia maior confiança no multilateralismo e na integração entre democracias. Na época, a União Europeia avançava como modelo de compartilhamento de soberania, enquanto o Mercosul buscava consolidar estrutura semelhante na América do Sul. Segundo ele, a intenção inicial era fortalecer “autonomias compartilhadas que promovessem paz e prosperidade”.

Competição entre os blocos é vista como motor de prosperidade

O economista destacou que um equívoco comum é tratar Mercosul e União Europeia como economias naturalmente complementares. Na avaliação de Plöger, ambos são blocos altamente competitivos — e isso deve ser entendido como um fator positivo. “Competição gera prosperidade”, afirmou, lembrando que a própria formação europeia nasceu da disputa entre polos industriais robustos.

Transformações da economia global dificultam avanços

O longo impasse nas negociações, que já dura mais de 20 anos, também decorre das profundas mudanças na economia mundial. Quando o diálogo começou, a indústria ocupava posição central. Hoje, mais de metade do PIB tanto do Mercosul quanto da UE está concentrado em serviços, setor complexo de regular e pouco contemplado nos instrumentos tradicionais de comércio internacional.

Novo tabuleiro geopolítico e as vantagens brasileiras

Plöger observou que as recentes mudanças geopolíticas — como o enfraquecimento do multilateralismo, a ascensão de acordos bilaterais e a força crescente de potências com modelos distintos das democracias liberais — remodelaram o comércio global. Nesse contexto, o mundo passou a operar em três frentes simultâneas: segurança internacional, segurança alimentar e segurança energética.

É nesse ambiente que o Brasil se destaca. Na segurança alimentar, o País lidera pela produção de proteínas animais sustentada por cadeias logísticas avançadas, o que pressiona sistemas de subsídios de economias desenvolvidas. No campo energético, o diferencial brasileiro está na matriz elétrica limpa e na expertise em biocombustíveis. “O Brasil domina tecnologias que o mundo vai demandar ainda mais”, resumiu.

Futuro do acordo e necessidade de olhar adiante

Ao comentar as perspectivas do acordo Mercosul–UE, Plöger avaliou que o debate não deve ficar preso a tarifas ou prazos de desgravação. Para ele, quando — e se — o tratado for concluído, será essencial evitar uma análise limitada ao passado.

FONTE: Jornal do Comércio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lisa Ross/Divulgação/JC

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Comércio Exterior, Economia

Senado americano tenta anular tarifas de Trump contra o Brasil

Senado dos EUA aprova projeto para revogar tarifas de Trump sobre produtos do Brasil

O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite de terça-feira (28) um projeto de lei que busca revogar as tarifas impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros como petróleo, café e suco de laranja. A medida, que entrou em vigor em agosto, havia sido justificada pelo ex-presidente com base em um estado de emergência nacional declarado em julho.


Proposta busca encerrar estado de emergência e reavaliar política tarifári

A iniciativa foi apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, com o objetivo de anular o estado de emergência utilizado por Trump para sustentar o aumento das tarifas. Segundo Kaine, a aprovação simboliza um posicionamento contrário à política comercial adotada e um alerta sobre os impactos econômicos dessas medidas.

O parlamentar também pretende estender a revisão das tarifas a outros países afetados, como o Canadá, reforçando a necessidade de repensar as relações comerciais internacionais dos Estados Unidos.


Chances de avanço são consideradas baixas na Câmara

Apesar da aprovação no Senado, as chances de o projeto prosperar são consideradas reduzidas. Agora, o texto segue para a Câmara dos Representantes, onde a maioria republicana pode bloquear a tramitação com base nas novas regras internas.

Kaine reconheceu o caráter simbólico da votação, destacando que ela representa “a insatisfação com a política tarifária do governo federal” e busca chamar atenção para “a destruição econômica causada por essas tarifas”.

FONTE: g1
TEXTO: Redação

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Comércio Exterior

Empresários brasileiros esperam redução de taxas após encontro de Lula e Trump

O empresariado brasileiro mantém expectativas cautelosas em relação aos desdobramentos do encontro entre o presidente Lula (PT) e Donald Trump, realizado no último domingo (26) na Malásia. O foco principal está nas possíveis alterações nas sobretaxas americanas sobre produtos brasileiros, aponta análise de Victor Irajá no Bastidores CNN.

Revisão de sobretaxas e exceções

Entre as medidas discutidas, estão a reavaliação da sobretaxa de 50% e a possível inclusão de novos produtos brasileiros na lista de exceções, que atualmente conta com cerca de 700 itens. “Essa é uma expectativa positiva, mas ainda cautelosa, dos empresários”, afirmou Irajá.

Antes do encontro, o Brasil enfrentava dificuldades até mesmo para manter contato com representantes do segundo escalão do governo americano. A mudança no cenário foi impulsionada pela pressão conjunta de setores empresariais brasileiros e americanos, que buscavam abertura para negociações.

Pressões internas nos Estados Unidos

O presidente Donald Trump enfrenta crescente pressão interna devido ao aumento dos preços ao consumidor. O café registrou alta de 21% em agosto, em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto as carnes tiveram variações entre 13% e 18,4%.

O setor manufatureiro norte-americano também demonstra preocupação com o impacto das sobretaxas. José Velloso, presidente executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), destaca que diversos produtos industriais brasileiros são essenciais para as cadeias produtivas dos EUA, tanto no agronegócio quanto na indústria em geral.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Exterior

EUA impõem novas tarifas sobre madeira e móveis importados a partir de outubro

Os Estados Unidos começaram a aplicar novas tarifas sobre madeira, móveis e utensílios de cozinha importados nesta terça-feira (14.out.2025). A medida, em vigor desde a meia-noite, estabelece taxas de 10% para madeira de construção e 25% para móveis e eletrodomésticos de cozinha, afetando principalmente produtos vindos do Canadá, China, Vietnã e México.

Aumento gradual das taxas em 2026

Os percentuais devem subir já no início de 2026. A partir de 1º de janeiro, o imposto sobre móveis importados passará para 30%, enquanto armários e itens de cozinha terão taxa de 50%. Alguns países, porém, receberão tratamento diferenciado devido a acordos comerciais. O Reino Unido terá limite de 10%, e na União Europeia e Japão, o teto será de 15%.

Justificativa e impactos comerciais

De acordo com a Casa Branca, as novas tarifas têm como objetivo proteger a segurança nacional — argumento semelhante ao usado em medidas anteriores aplicadas ao aço, alumínio, automóveis e cobre.

O Canadá, que responde por cerca de um quarto das importações de madeira dos Estados Unidos, será um dos países mais afetados, mesmo sendo parte do USMCA, o acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá.

Aplicação das tarifas

As novas taxas incidem sobre todos os produtos das categorias mencionadas que entrarem no território norte-americano, independentemente da origem. Elas não se somam às tarifas já existentes, que variam entre 10% e 50%, conforme o país exportador.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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