Economia

Macron critica acordo UE-Mercosul e defende empréstimos conjuntos para desafiar o dólar

O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a defender mudanças estruturais na União Europeia (UE) para fortalecer a economia do bloco e reduzir a dependência do dólar americano. Em entrevistas publicadas nesta terça-feira (10) por jornais franceses, o líder classificou o acordo entre a UE e o Mercosul como um “mau negócio” e propôs a criação de mecanismos de empréstimos conjuntos, como os eurobônus, para ampliar a capacidade de investimento europeu.

As declarações foram concedidas a veículos como Le Monde e repercutidas pela agência Reuters.

Empréstimos conjuntos e soberania econômica

Macron argumentou que a União Europeia tem margem para ampliar seu endividamento de forma estratégica, especialmente diante da corrida global por investimentos tecnológicos.

Segundo ele, o bloco está menos endividado do que Estados Unidos e China, o que representa uma oportunidade desperdiçada. “Não utilizar essa capacidade de endividamento em um momento de forte competição tecnológica é um erro grave”, afirmou o presidente francês.

Para Macron, instrumentos financeiros comuns permitiriam investimentos em larga escala e ajudariam a desafiar a hegemonia do dólar, fortalecendo a autonomia econômica europeia.

Críticas ao acordo com o Mercosul

O chefe de Estado francês reforçou sua oposição ao acordo comercial UE-Mercosul, afirmando que o tratado não protege adequadamente as indústrias europeias. Para ele, a Europa precisa adotar uma postura mais firme na defesa de seus setores produtivos estratégicos.

Macron também destacou a necessidade de simplificar e aprofundar o mercado interno europeu, avaliando que os planos para tornar o continente mais soberano “não estão avançando rápido o suficiente”.

Relação com os Estados Unidos e tensões políticas

Ao comentar o cenário internacional, Macron alertou que a redução recente de tensões com Washington não deve ser interpretada como uma mudança estrutural na relação transatlântica. Ele citou disputas envolvendo comércio, tecnologia e a Groenlândia como exemplos de conflitos que podem ressurgir.

O presidente francês afirmou ainda que o governo do ex-presidente Donald Trump adotava uma postura “abertamente antieuropeia” e buscava o “desmembramento” da UE. Segundo Macron, os Estados Unidos podem retaliar países como França e Espanha, que discutem a proibição do uso de redes sociais por crianças.

As declarações ocorrem às vésperas da reunião dos chefes de Estado e de governo da União Europeia, marcada para quinta-feira (12), em Bruxelas, com foco na competitividade do bloco.

Futuro do avião de combate europeu

Macron também comentou o andamento do Sistema de Combate Aéreo do Futuro (SCAF/FCAS), projeto conjunto entre França, Alemanha e Espanha para desenvolver um novo caça de combate.

Apesar das tensões entre as indústrias francesa e alemã, o presidente classificou o programa como “um bom projeto” e disse que espera avanços. Segundo ele, eventuais divergências entre empresas não devem comprometer decisões políticas.

“Quando os industriais tentam criar dissensões, isso é uma coisa. Não cabe a nós endossá-las”, afirmou, acrescentando que voltará a tratar do tema com o chanceler alemão Friedrich Merz.

Questionado sobre a possibilidade de o projeto estar encerrado, Macron foi direto: “Não”.

Em dezembro, fontes ouvidas pela Reuters relataram que uma reunião entre os ministros da Defesa dos três países não conseguiu chegar a um consenso para destravar o programa, que prevê a substituição dos Rafale, da França, e dos Eurofighter, da Alemanha e da Espanha. Ainda assim, Macron disse esperar que o FCAS siga adiante.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/ Eduardo Munoz

Ler Mais
Economia

Bancos da zona do euro apertam crédito empresarial, aponta Banco Central Europeu

Os bancos da zona do euro passaram a endurecer as condições de crédito para empresas no último trimestre e indicam que novas restrições podem ocorrer ao longo do ano. O movimento é atribuído ao aumento da incerteza econômica, especialmente relacionada às políticas comerciais, segundo a pesquisa trimestral de empréstimos bancários divulgada pelo Banco Central Europeu (BCE) nesta terça-feira (3).

Expansão do crédito segue abaixo do nível pré-pandemia

Embora o volume de empréstimos a empresas e famílias venha crescendo de forma gradual nos últimos anos, o ritmo ainda permanece inferior ao observado antes da pandemia. Para o BCE, o dado reforça que a expansão econômica da zona do euro, apesar de resiliente, continua em patamar moderado.

“As preocupações com as perspectivas das empresas e da economia em geral, somadas à menor tolerância ao risco dos bancos, contribuíram para o endurecimento dos critérios de concessão de crédito”, destacou o BCE, com base em consulta a 153 grandes bancos do bloco.

Política comercial influencia concessão de empréstimos

De acordo com o levantamento, metade das instituições financeiras afirmou que a incerteza em torno da política comercial já impactou negativamente os empréstimos, sobretudo pela redução do apetite ao risco e pela demanda mais fraca por crédito. Esses fatores, segundo os bancos, devem continuar pressionando o mercado ao longo deste ano.

O aperto no crédito corporativo foi mais evidente em países como Alemanha e França, enquanto Itália e Espanha não registraram mudanças relevantes nas condições de financiamento para empresas.

Hipotecas seguem em trajetória oposta

Na contramão do crédito empresarial, os bancos continuaram a flexibilizar as condições para hipotecas, com destaque para o mercado francês. Ainda assim, parte dessa flexibilização pode ser revista no primeiro trimestre, de acordo com as projeções das próprias instituições.

Apesar disso, a demanda por financiamentos imobiliários apresentou leve crescimento e tende a se manter, impulsionada pela melhora nas perspectivas do mercado imobiliário, mesmo com a confiança do consumidor exercendo impacto negativo.

Setores com maior e menor demanda por crédito

Os bancos esperam aumento da demanda por empréstimos na maioria dos setores da economia. As exceções ficam por conta da indústria automobilística, do comércio atacadista, do varejo e do segmento de imóveis comerciais, onde a procura por crédito deve permanecer mais contida.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: ALEXANDRE LALLEMAND/Unsplash

Ler Mais
Internacional

Alemanha defende União Europeia de duas velocidades para acelerar decisões do bloco

A Alemanha pretende defender a criação de uma União Europeia de duas velocidades como forma de destravar a tomada de decisões e impulsionar o desempenho econômico do bloco. A proposta prevê que um grupo central de países avance mais rapidamente em políticas estratégicas, enquanto os demais acompanham o processo em ritmo próprio.

Proposta busca romper paralisia na UE

“Este é o momento de uma Europa de duas velocidades”, afirmou o ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, durante evento promovido pelo jornal Welt, nesta terça-feira (27), em Berlim. Segundo ele, o modelo permitiria tornar o continente mais forte, competitivo e menos dependente de fatores externos.

Grupo central reuniria seis grandes economias

De acordo com uma carta de Klingbeil obtida pela Reuters, Alemanha e França articulam a criação de um novo formato de cooperação entre as seis principais economias da União Europeia. O grupo incluiria ainda Polônia, Espanha, Itália e Holanda.

O ministro alemão convidou seus pares desses países para uma videoconferência marcada para esta quarta-feira, com o objetivo de definir uma agenda concreta voltada ao fortalecimento da soberania, da resiliência econômica e da competitividade europeia.

Redução de dependências externas está no centro do debate

A iniciativa surge em meio aos esforços da UE para diminuir a dependência de matérias-primas estratégicas importadas de países como a China, além de enfrentar riscos associados a tarifas comerciais, fragmentação dos mercados globais e impactos sobre crescimento econômico e investimentos.

“Diante de um cenário geopolítico cada vez mais imprevisível, a Europa precisa se tornar mais forte e mais resiliente. Manter o status quo não é uma opção”, escreveu Klingbeil na carta enviada aos ministros.

Agenda inclui euro, defesa e mercados de capitais

Segundo o documento, a reunião desta quarta-feira deve funcionar como um “pontapé inicial” para o novo formato de cooperação, com a previsão de um encontro presencial à margem da próxima reunião do Eurogrupo.

A proposta apresentada inclui quatro eixos principais:

  • avanço da união dos mercados de capitais;
  • fortalecimento do euro;
  • maior coordenação dos investimentos em defesa;
  • garantia de acesso a matérias-primas essenciais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Jana Rodenbusch

Ler Mais
Comércio Internacional

Bloquear acordo Mercosul–União Europeia é “gol contra”, afirma presidente de câmara francesa

Apesar da resistência de alguns setores da economia francesa, especialmente no campo político e agrícola, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é amplamente defendido por empresários e investidores franceses com atuação no Brasil. A avaliação é de Thierry Besse, presidente da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB).

Após 25 anos de negociações, Besse considera que rejeitar o tratado neste momento representaria a perda de uma oportunidade histórica para expandir mercados, fortalecer cadeias produtivas e reduzir a influência de outros competidores globais, como a China.

Em entrevista ao jornal Valor, o executivo comparou a assinatura do acordo a um gol decisivo no fim da partida. Para ele, barrar a ratificação agora seria equivalente a “marcar contra” e entregar vantagem estratégica a Pequim.

Segundo Besse, o tratado cria bases sólidas para uma integração econômica estratégica entre dois blocos que compartilham valores institucionais semelhantes, em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica.

Setores beneficiados pelo acordo Mercosul-União Europeia

O dirigente destaca que diversos segmentos franceses devem ser impactados positivamente com a implementação do acordo Mercosul-UE, entre eles:

  • Vinhos, champanhes e bebidas alcoólicas
  • Laticínios
  • Produtos com denominação de origem protegida
  • Indústrias aeronáutica, automotiva, farmacêutica e energética, com ênfase em energias renováveis

O acordo foi assinado no sábado (17), no Paraguai, por representantes do Mercosul e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O tratado cria a maior área de livre comércio do mundo, reunindo mais de 700 milhões de consumidores em 32 países, com um PIB combinado de US$ 22 trilhões.

Impasse político trava avanço do tratado

Mesmo com o apoio do setor empresarial, o acordo sofreu um revés político. Na quarta-feira (21), o Parlamento Europeu aprovou o envio do texto à Corte Europeia de Justiça para uma análise jurídica sobre sua compatibilidade com as leis da União Europeia.

A decisão, aprovada por margem estreita, pode congelar o processo por pelo menos dois anos. Para Besse, superar esse obstáculo exige ampliar o debate público na Europa sobre os benefícios do tratado.

Ele defende que empresários europeus atuantes na América do Sul ajudem a esclarecer a opinião pública em seus países de origem, ressaltando o potencial econômico da região.

Resistência agrícola coloca a França no centro da oposição

A França lidera a resistência ao acordo dentro da União Europeia. O país foi um dos cinco que votaram contra o tratado na Comissão Europeia, pressionado principalmente por entidades do setor agrícola.

Produtores franceses alegam concorrência desleal, diferenças em padrões ambientais e sanitários, além do uso de pesticidas proibidos na UE e regras mais flexíveis sobre desmatamento no Mercosul.

Besse reconhece que algumas preocupações, especialmente na pecuária, são legítimas. No entanto, afirma que o debate foi distorcido por discursos exagerados e pouco conectados com o conteúdo real do acordo.

Ele lembra que críticas semelhantes surgiram durante as negociações do acordo comercial entre União Europeia e Canadá, que, anos depois, mostrou resultados positivos para ambos os lados.

Salvaguardas e potencial ainda pouco explorado

O presidente da CCIFB destaca que o acordo inclui mecanismos de proteção. Um exemplo é o limite de 99 mil toneladas anuais de carne bovina importadas do Mercosul pela UE, o equivalente a apenas 1,2% do consumo europeu.

Entre os ganhos imediatos, estão os produtos alimentares franceses, que passarão a contar com proteção legal no mercado sul-americano. Atualmente, a França exporta cerca de 700 mil garrafas de vinho e champanhe por ano ao Brasil, número que tende a crescer com a redução de tarifas.

No setor industrial, as expectativas envolvem infraestrutura, equipamentos elétricos, cosméticos, beleza, além de projetos de energia eólica, solar e hidrelétrica, áreas nas quais empresas francesas já têm forte presença no Brasil.

Presença francesa no Brasil e impacto geopolítico

Segundo Besse, aproximadamente 1.300 empresas francesas operam no Brasil, gerando mais de R$ 400 bilhões em faturamento em 2024 e empregando cerca de 560 mil pessoas. A França é hoje o maior empregador estrangeiro no país e o segundo maior investidor, atrás apenas dos Estados Unidos.

Mesmo assim, o comércio bilateral ainda é considerado modesto, somando cerca de € 8 bilhões em 2024, com fluxo relativamente equilibrado.

Para o executivo, o acordo cria uma verdadeira “autoestrada” para o crescimento das trocas comerciais no médio prazo, beneficiando não apenas grandes multinacionais, mas também pequenas e médias empresas.

Besse ressalta ainda o peso geopolítico do tratado em um contexto de enfraquecimento do multilateralismo e aumento das tensões comerciais globais. Na sua visão, a integração entre Europa e América do Sul é hoje mais necessária do que nunca.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rogerio Vieira/Valor

Ler Mais
Internacional

UE aprova acordo comercial com o Mercosul apesar da resistência da França

A União Europeia autorizou nesta sexta-feira (9) o avanço do acordo comercial entre UE e Mercosul, encerrando um impasse que se arrastava há mais de 25 anos. A decisão foi tomada durante reunião de embaixadores em Bruxelas, com apoio da maioria dos 27 países do bloco, mesmo diante da oposição liderada pela França, segundo fontes diplomáticas ouvidas pela AFP.

Com o sinal verde, o pacto deve ser oficialmente assinado na próxima semana, no Paraguai, abrindo caminho para uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

Impacto econômico e estratégico do acordo UE-Mercosul

A Comissão Europeia considera o tratado fundamental para estimular exportações, fortalecer a economia do continente e ampliar laços diplomáticos em um cenário global marcado por incertezas. O acordo aproxima a UE de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, criando um mercado integrado de mais de 700 milhões de consumidores.

Segundo estimativas do bloco, a eliminação de tarifas sobre mais de 90% dos produtos comercializados deve gerar uma economia anual de cerca de € 4 bilhões em taxas alfandegárias para empresas europeias, além de impulsionar setores como automóveis, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas.

França lidera oposição, mas não consegue barrar o pacto

Apesar do apoio majoritário, o acordo enfrentou resistência interna. A França articulou uma tentativa de bloqueio, alegando que o tratado ameaça o setor agrícola europeu ao permitir maior entrada de produtos agrícolas sul-americanos mais baratos, como carne, açúcar, arroz, mel, soja e derivados.

Irlanda, Polônia e Hungria também votaram contra, mas a adesão de países como Itália, que havia pedido adiamento no fim de 2024, garantiu a aprovação final.

Maior acordo de livre comércio já negociado pela UE

O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, classificou o tratado como o maior acordo de livre comércio já negociado pela União Europeia e destacou seu caráter estratégico. Países como Alemanha e Espanha defenderam o pacto, enxergando nele uma oportunidade de fortalecer suas indústrias diante da concorrência chinesa e das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou anteriormente que o acordo representa um sinal claro em defesa do multilateralismo e do fortalecimento das relações internacionais em um ambiente global cada vez mais competitivo.

Garantias ao setor agrícola e criação de fundo de crise

Para reduzir a resistência de agricultores europeus, a Comissão Europeia anunciou medidas compensatórias. Entre elas, a criação de um fundo de crise de € 6,3 bilhões e mecanismos de salvaguarda que permitem suspender tarifas preferenciais caso haja aumento excessivo de importações agrícolas.

Além disso, o acordo prevê a proteção de mais de 340 produtos europeus com indicação geográfica, como o champanhe francês e o feta grego, impedindo o uso indevido de nomes tradicionais no mercado sul-americano.

Protestos de agricultores marcam véspera da aprovação

Mesmo com as garantias, o anúncio do aval provocou protestos. Agricultores franceses ocuparam Paris com tratores, enquanto produtores belgas bloquearam rodovias em diversas regiões. Representantes do setor afirmam que há um clima de forte insatisfação e temor quanto aos impactos do acordo sobre a agricultura local.

FONTE: Le Monde
TEXTO: Redação
IMAGEM: FREDERICK FLORIN / AFP

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook