Economia, Internacional

Trump minimiza queda do dólar e diz que moeda “está indo muito bem”

O dólar intensificou sua desvalorização nesta terça-feira (27) e registrou a maior queda diária desde abril de 2025. O movimento ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que não vê excesso de enfraquecimento da moeda americana, mesmo com o câmbio atingindo o nível mais baixo em quase quatro anos.

Questionado por jornalistas em Iowa sobre a trajetória da moeda, Trump foi direto. Disse que o dólar “está ótimo” e destacou que os acordos comerciais firmados pelo país reforçam essa avaliação. Segundo ele, a moeda deve encontrar seu próprio patamar, o que classificou como algo “justo”.

Mercado reage e dólar cai frente a principais moedas

As declarações adicionaram pressão a um cenário já negativo para a moeda americana. Após os comentários do presidente, o Bloomberg Dollar Spot Index aprofundou as perdas e chegou a recuar até 1,2%, refletindo a desvalorização do dólar frente a todas as principais moedas globais.

O desempenho marca o pior momento da moeda desde o período de forte turbulência provocado, em abril, pelo anúncio de tarifas comerciais que abalou os mercados internacionais e levantou dúvidas sobre a previsibilidade da política econômica dos Estados Unidos.

Iene forte e política externa aumentam volatilidade

Parte da fraqueza do dólar está associada à recuperação do iene, que ganhou força desde a semana passada. Investidores passaram a considerar uma possível intervenção das autoridades japonesas para sustentar a moeda local, o que impactou diretamente o mercado cambial.

Além disso, a condução considerada errática da política externa americana tem pesado no sentimento dos investidores. Propostas controversas, como a ameaça de assumir o controle da Groenlândia, causaram desconforto entre aliados europeus e reacenderam especulações sobre a venda de ativos dos EUA, incluindo cerca de US$ 10 trilhões em Treasuries.

Pressão sobre o Fed e risco fiscal afetam confiança

Analistas também apontam outros fatores que contribuem para a desvalorização do dólar, como a pressão política sobre o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, o aumento do endividamento público e as incertezas fiscais de longo prazo. A crescente polarização política nos Estados Unidos reforça o clima de cautela entre investidores estrangeiros.

Esse cenário chama atenção porque a queda da moeda ocorre mesmo com a alta dos rendimentos dos títulos públicos americanos e com a expectativa de que o Fed interrompa o ciclo de cortes de juros após a reunião de quarta-feira (28), fatores que normalmente favoreceriam o dólar.

Dólar mais fraco pode favorecer exportações dos EUA

Apesar da reação negativa dos mercados, um dólar mais fraco pode ser visto com bons olhos pelo governo Trump. A desvalorização tende a tornar os produtos americanos mais competitivos no exterior, o que poderia ajudar a reduzir o déficit comercial do país.

Na mesma terça-feira, Trump afirmou que teria capacidade de influenciar diretamente a cotação da moeda, dizendo que poderia fazê-la “subir ou cair como um ioiô”. Em seguida, ponderou que esse tipo de intervenção seria indesejável e criticou países asiáticos por, segundo ele, buscarem desvalorizar artificialmente suas moedas.

Críticas à China e ao Japão

O presidente voltou a citar China e Japão, afirmando que historicamente ambos tentaram enfraquecer o iene e o yuan para ganhar competitividade. Segundo Trump, essa prática tornaria a concorrência desleal para os Estados Unidos, embora ele tenha ressaltado que agora defende que o dólar encontre seu valor de forma natural.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paul Yeung/Bloomberg

Ler Mais
Importação

Preços de importados dos EUA permanecem estáveis em setembro

Os preços de importados dos Estados Unidos ficaram estáveis em setembro, contrariando estimativas do mercado. De acordo com o Departamento do Trabalho, os aumentos em bens de consumo — exceto veículos automotores — foram neutralizados pelo recuo nos valores de produtos energéticos, resultando em uma leitura geral inalterada.

Mercado esperava nova alta

O relatório divulgado pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho mostra que o indicador permaneceu estacionado após um avanço revisado para 0,1% em agosto. Economistas consultados pela Reuters projetavam um aumento de 0,1% para setembro, repetindo a alta inicialmente reportada no mês anterior.

No acumulado de 12 meses até setembro, os preços de importados subiram 0,3%, registrando o primeiro crescimento anual desde março. Em agosto, o índice havia recuado 0,1%.

Impacto das tarifas ainda é limitado

A publicação do relatório sofreu atraso devido à paralisação de 43 dias do governo federal. Até agora, o repasse das tarifas aos preços ao consumidor tem sido pequeno, já que muitas empresas optaram por absorver parte dos custos extras.

Mesmo assim, economistas avaliam que essa estratégia tem limite: margens corporativas comprimidas podem reduzir investimentos em capital e contratação de mão de obra, pressionando a economia no médio prazo.

Custos de energia recuam; núcleo avança

Dados do governo revelam que os preços ao produtor subiram em setembro, influenciados principalmente por alimentos e energia. No mercado externo, os combustíveis importados caíram 1,5% no mês, após retração de 0,5% em agosto. O gás natural também registrou queda de 3%.

Os preços de alimentos importados diminuíram 0,8% no período. Quando excluídos combustíveis e alimentos, os preços de importados avançaram 0,3%, repetindo o desempenho de agosto. Em 12 meses, o núcleo acumulou alta de 0,8%.

Influência cambial

A leve pressão altista no núcleo também reflete a fraqueza do dólar frente às moedas de parceiros comerciais dos EUA, o que tende a elevar o custo de produtos comprados no exterior.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior

Déficit comercial dos EUA recua em agosto após atraso na divulgação por causa do shutdown

O déficit comercial dos Estados Unidos apresentou uma redução acima do esperado em agosto, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira (19). As informações chegaram com atraso devido ao prolongado shutdown que paralisou parte do governo federal por 43 dias e suspendeu a publicação de diversos indicadores econômicos.

De acordo com o relatório, o saldo comercial negativo caiu para US$ 59,6 bilhões, resultado atribuído principalmente à forte contração nas importações. A expectativa dos analistas era de uma retração menos acentuada.

Importações recuam mais de 5%

As importações tiveram queda de 5,1%, somando US$ 340,4 bilhões. O recuo foi influenciado por uma diminuição expressiva de US$ 18,6 bilhões nas compras de bens, movimento que pressionou para baixo o déficit geral.

Por outro lado, as exportações avançaram 0,1%, alcançando US$ 280,8 bilhões, impulsionadas principalmente pelo setor de serviços. Ainda assim, o envio de bens ao exterior também registrou queda no período.

Impacto das tarifas na dinâmica do comércio

Os fluxos comerciais norte-americanos seguem influenciados pela política tarifária do governo Donald Trump, marcada por aumentos sucessivos de impostos sobre produtos importados. A estratégia levou empresas a anteciparem compras antes dos novos reajustes, distorcendo o ritmo normal das trocas comerciais ao longo do ano.

Desde janeiro, Washington adotou tarifas consideradas “recíprocas”, atingindo diversos parceiros econômicos. A escalada tarifária com a China, segunda maior economia do mundo, intensificou-se ao longo de abril, quando algumas taxas chegaram a níveis de três dígitos, dificultando ainda mais as relações comerciais entre as duas potências.

FONTE: Estado de Minas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jornal de Brasília

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook