Economia

PMI industrial da China desacelera em outubro, mas mercado reage com alta moderada

O PMI industrial Caixin da China registrou queda para 50,6 pontos em outubro, após marcar 51,2 em setembro, ficando ligeiramente abaixo da projeção de 50,7 esperada pelo mercado. Apesar da desaceleração, o índice permanece acima da marca de 50 pontos, o que indica que a atividade industrial chinesa segue em expansão, embora em ritmo mais moderado.

O resultado, divulgado na noite de domingo (2 de novembro), reforça o cenário de recuperação gradual da economia chinesa, que ainda enfrenta desafios estruturais, como a demanda externa enfraquecida e a lentidão do setor imobiliário. O PMI Caixin, que mede o desempenho principalmente de empresas privadas e exportadoras, mostra que o crescimento de novos pedidos desacelerou, enquanto os custos de insumos continuam pressionando as margens das fábricas.

Mercado chinês reage com leve alta

Mesmo com o dado abaixo das expectativas, os mercados financeiros da China iniciaram a semana em alta moderada. O índice Shanghai SE avançou 0,55%, e o China A50 subiu 0,46% nesta segunda-feira (3 de novembro), impulsionados pelas expectativas de novas medidas de estímulo fiscal e monetário por parte de Pequim.

No mercado cambial, o yuan (CNY) teve leve desvalorização frente ao dólar, com a cotação USD/CNY em 7,1210, representando uma variação de +0,06%.

Recuperação segue, mas em ritmo mais lento

Os investidores continuam atentos à política de crédito dos bancos chineses e à demanda doméstica, fatores que devem influenciar o desempenho industrial no último trimestre do ano.

O resultado do PMI industrial sinaliza que a segunda maior economia do mundo segue em terreno positivo, mas em ritmo de crescimento mais contido — um alerta para as metas de expansão de 2025, quando o governo chinês pretende manter o crescimento acima de 5%.

FONTE: ADVFN Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ADVFN Brazil

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Economia

Inflação central da China atinge maior nível em mais de um ano e sinaliza recuperação da demanda

A inflação central da China registrou em setembro o maior avanço desde fevereiro de 2024, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (15.out.2025) pelo Escritório Nacional de Estatísticas. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI), que exclui alimentos e energia, subiu 1% na comparação anual, marcando o quinto mês consecutivo de aceleração.

O resultado reflete uma recuperação gradual da demanda doméstica no país asiático, após um período de desaceleração. O CPI geral também mostrou tendência positiva: alta mensal de 0,1% em setembro, depois de permanecer estável em agosto. Na variação anual, o índice apresentou queda de 0,3%, uma melhora em relação à retração de 0,4% registrada no mês anterior.

Bens de consumo e serviços médicos impulsionam alta

Os bens de consumo industriais, excluindo energia, avançaram 1,8% em relação a setembro de 2024. Destaque para o aumento de 5,5% nos preços de eletrodomésticos e utensílios domésticos, refletindo maior atividade do setor. Já os serviços médicos tiveram alta de 1,9%, contribuindo para o avanço do indicador.

Preços ao produtor mostram estabilidade

O Índice de Preços ao Produtor (PPI) permaneceu estável na comparação mensal, segundo o governo chinês. A melhora na estrutura de oferta e demanda levou à estabilização dos preços em segmentos industriais estratégicos, como:

  • Processamento de carvão, com alta de 3,8%;
  • Mineração e lavagem de carvão, com aumento de 2,5%;
  • Fundição e processamento de metais ferrosos, com leve avanço de 0,2%.

Na comparação anual, o PPI recuou 2,3%, mostrando desaceleração na queda em relação a agosto, quando havia caído 2,9%. A moderação no ritmo de queda é atribuída à base comparativa mais baixa de 2024 e aos efeitos das políticas macroeconômicas adotadas pelo governo de Pequim.

Políticas industriais ajudam a estabilizar preços

A iniciativa de criar um mercado nacional mais unificado e otimizar a concorrência tem contribuído para reduzir a deflação industrial em diversos setores. Seis indústrias-chave apresentaram melhora expressiva nas taxas de preço:

  • Processamento de carvão;
  • Fundição e processamento de metais ferrosos;
  • Mineração e lavagem de carvão;
  • Fabricação de equipamentos fotovoltaicos;
  • Produção de baterias;
  • Produtos minerais não metálicos.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Exterior, Economia

China enfrenta nova queda da inflação com crise no setor imobiliário e consumo enfraquecido.

Pressão econômica cresce com deflação e exportações em baixa

A economia da China continua sob forte pressão, com sinais claros de deflação e um mercado interno ainda debilitado após os impactos da pandemia de Covid-19. Dados divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Escritório Nacional de Estatísticas mostram que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) recuou 0,3% em setembro, na comparação anual.

Queda de preços supera previsões do mercado

O resultado veio abaixo do esperado por analistas consultados pela Bloomberg, que previam uma retração de 0,2%. Apesar disso, o recuo foi menor que o registrado em agosto, quando a inflação caiu 0,4%.

Embora, à primeira vista, a deflação possa parecer positiva para os consumidores, ela representa um risco considerável para o crescimento econômico. Isso porque a expectativa de preços mais baixos no futuro tende a desestimular o consumo, à medida que famílias adiam compras na esperança de novas quedas.

Crise imobiliária e guerra comercial agravam cenário

O ambiente interno na China continua fragilizado principalmente pela crise prolongada no setor imobiliário, que tem afetado diretamente o consumo e os investimentos privados. Ao mesmo tempo, o país enfrenta dificuldades no comércio exterior, prejudicado por uma demanda global instável e os desdobramentos da guerra comercial com os Estados Unidos, intensificada no início do ano.

FMI sugere foco no consumo interno

Em meio à desaceleração, o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou nesta terça-feira (14) que Pequim adote medidas fiscais voltadas ao fortalecimento da demanda doméstica. Segundo o FMI, um reequilíbrio da economia chinesa, com foco no consumo, pode ser essencial para conter os riscos deflacionários.

FONTE: Com informações da Bloomberg.
TEXTO: Redação

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Comércio Exterior

Comércio exterior da China cresce 4% em 2025 e reforça liderança global

As exportações subiram 7,1% em relação ao ano anterior.

Crescimento sólido nas exportações e diversificação de mercados

O comércio exterior da China manteve um ritmo sólido de crescimento em 2025, com uma alta de 4% no acumulado de janeiro a setembro, totalizando 33,61 trilhões de yuans (cerca de US$ 4,73 trilhões), segundo dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas (GAC) nesta segunda-feira (13).

As exportações chinesas avançaram 7,1% em relação ao mesmo período de 2024, somando 19,95 trilhões de yuans, enquanto as importações registraram uma leve queda de 0,2%, totalizando 13,66 trilhões de yuans. O desempenho confirma a resiliência da economia chinesa, mesmo diante de um cenário internacional instável e marcado por tensões comerciais.


Parcerias estratégicas impulsionam as trocas comerciais

Em entrevista coletiva em Pequim, o vice-administrador da GAC, Wang Jun, destacou que a China vem mantendo crescimento contínuo há oito trimestres seguidos, com expansão de 1,3% no 1º trimestre, 4,5% no 2º trimestre e 6% no 3º trimestre de 2025.

Segundo ele, o fortalecimento das parcerias comerciais com os países que integram a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) foi decisivo. O comércio bilateral com essas nações somou 17,37 trilhões de yuans, uma alta de 6,2%, representando 51,7% do total das trocas internacionais da China.

“A diversificação dos mercados e o investimento em inovação tecnológica nas exportações são elementos-chave para sustentar o comércio exterior diante das pressões externas”, afirmou Wang.


Tecnologia e sustentabilidade lideram exportações chinesas

O avanço das exportações foi impulsionado principalmente pelos bens eletromecânicos, que cresceram 9,6%, totalizando 12,07 trilhões de yuans, o equivalente a 60,5% do total exportado pelo país.

Ganhando cada vez mais protagonismo, a chamada “nova tríade” — composta por veículos elétricos, baterias de íons de lítio e painéis solares — apresentou crescimento de dois dígitos nas exportações. Além disso, produtos sustentáveis, como locomotivas elétricas, também ampliaram sua participação nos embarques.


Importações apresentam sinais de recuperação

Apesar da queda marginal no acumulado do ano, as importações chinesas mostraram sinais de recuperação nos últimos trimestres, com aumentos de 0,3% no segundo trimestre e 4,7% no terceiro. Os destaques ficam por conta de:

  • Petróleo bruto: +4,9%
  • Minérios metálicos: +10,1%
  • Instrumentos de medição e teste: +9,3%
  • Equipamentos de informática e comunicação: +8,9%

O vice-administrador da GAC destacou que esses números refletem o aumento da demanda interna e o dinamismo do setor industrial, além do crescimento no número de empresas ativas no setor: já são 700 mil, 52 mil a mais que no mesmo período de 2024.
Desafios à frente e perspectiva de estabilidade

Wang Jun atribuiu o bom desempenho do comércio exterior à liderança central do Partido Comunista da China e à colaboração entre governos locais e empresas. Segundo ele, o país alcançou um “crescimento quantitativo e qualitativo” em meio a desafios globais.

Ainda assim, ele reconheceu que o ambiente externo permanece desafiador, especialmente diante das incertezas econômicas globais e de uma base de comparação elevada em 2024, exigindo maior esforço para manter o ritmo no último trimestre do ano.

FONTE: Com informações do Global Times.
TEXTO: Redação

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Internacional

A “grande fratura”: o colapso matemático da China

O autoritarismo não resolve crises: amplifica erros

A China enfrenta hoje quatro impossibilidades matemáticas interconectadas: uma crise demográfica em que a força de trabalho encolhe enquanto o número de aposentados explode; uma dinâmica de dívida em que cada vez mais empréstimos produzem retornos decrescentes; restrições de inovação apesar de gastos massivos em pesquisa e desenvolvimento; e uma dependência crítica de recursos em meio a uma moeda enfraquecida.

A dependência externa agrava o dilema: a China importa cerca de 75% do petróleo que consome, 70% da soja, 80% do cobre e 95% do lítio. São insumos estratégicos para energia, alimentação, infraestrutura e tecnologia verde. Cada fração de crescimento exige mais recursos, mas, para comprá-los, a China precisa de dólares, e para obter dólares precisa exportar — exatamente o modelo que se deteriora com menos mão de obra barata e falta de inovação.

Estes não são desafios políticos que uma nova liderança poderia resolver. São realidades aritméticas que se reforçam mutuamente e que o regime de Xi Jinping não tem como enfrentar de forma ordenada.

Crescimento populacional em queda

As projeções da ONU (World Population Prospects 2024) são implacáveis: a taxa de fertilidade chinesa está ao redor de 1,0 – 1,1, aproximadamente metade da necessária para manter a população estável. O total de aposentados cresce 20 milhões por ano, enquanto a força de trabalho encolhe 10 milhões. Nesse compasso, até 2050 haverá aproximadamente 450 milhões de pessoas acima de 65 anos para uma população ocupada no mercado de trabalho drasticamente reduzida, em torno de 700 milhões – criando uma relação de dependência que nenhum sistema previdenciário foi projetado para sustentar. A China não será o primeiro a conseguir.

Alguns analistas argumentam que o país poderia compensar isso com uma transição para o consumo interno, aproveitando seus 1,4 bilhão de consumidores e a ascensão da classe média. Mas essa é uma esperança aritmeticamente impossível. Populações envelhecidas tendem a poupar, não gastar. Jovens sem emprego não consomem.

O desemprego juvenil está acima de 20% segundo dados oficiais, e estimativas independentes sugerem mais de 30%. E não se trata de uma geração “preguiçosa”: a causa é estrutural – desaceleração econômica, colapso do setor imobiliário, falta de empregos qualificados.

O fenômeno “tang ping” (ou “deitar-se”) que viralizou entre os jovens chineses, simboliza o desânimo de uma geração que cresceu com prosperidade e não aceita sacrificar-se sem perspectiva de futuro. Significa literalmente recusar-se a competir na corrida social. Jovens desiludidos com a falta de perspectivas, optam por viver com o mínimo, rejeitando as pressões de carreira e consumo. Mais que preguiça, é um retrato de desalento geracional diante de uma equação sem futuro.

O dilema da economia chinesa

A matemática da dívida reforça o impasse. Segundo o BIS, a dívida do setor não-financeiro já chega a 295% do PIB (dados de 2023). Quando se incluem as operações do chamado shadow banking e os veículos extra balanço – empresas criadas por governos locais (os Local Government Financing Vehicles, ou LGFVs) para captar recursos fora do orçamento oficial -, a alavancagem estimada se aproxima de 350% do PIB.

O crescimento nominal da economia tem ficado na faixa de 4-5% nos últimos anos, enquanto o custo médio da dívida gira em torno de 4% ao ano. O resultado é que cada vez mais dívida é necessária para gerar o mesmo crescimento: hoje, US$ 3 trilhões em nova dívida para produzir apenas US$ 1 trilhão em PIB. Essa dinâmica de retornos decrescentes expõe o país a um círculo vicioso: quanto mais se endivida, menos eficiente esse endividamento se torna.

Inovação: investimento sem retorno

No campo da inovação, a realidade não é diferente. Apesar de gastar mais de US$ 500 bilhões anuais em P&D, a China não consegue produzir semicondutores de ponta, motores a jato comerciais competitivos, vacinas mRNA equivalentes às ocidentais ou softwares empresariais globais. Mesmo os chips de 7 nanômetros produzidos pela SMIC (Semiconductor Manufacturing International Corporation, a principal fabricante de semicondutores da China) estão duas gerações atrás dos líderes globais.

“7 nanômetros” é a medida de miniaturização dos transistores: quanto menor a escala, maior a capacidade computacional e menor o consumo de energia. Na prática, porém, essa produção chinesa depende de equipamentos ocidentais, ocorre em baixa escala e a custos elevados.

A inovação verdadeira requer informação aberta, tolerância ao fracasso, proteção da propriedade intelectual e liberdade para desafiar autoridades. É justamente o que o sistema autoritário chinês não permite. O resultado é que a defasagem criativa aumenta a cada ano, não diminui.

O método chinês para contenção de crise

Zero-COVID foi o raio-X definitivo do sistema. Confrontado com a impossibilidade de conter a variante Ômicron, Xi Jinping dobrou a aposta em vez de adaptar a estratégia.

Cidades com mais de 25 milhões de habitantes foram trancadas por causa de casos isolados. A economia foi paralisada por um vírus já domesticado por vacinas no resto do mundo. Então, em dezembro de 2022, veio a reversão total, da noite para o dia, sem preparação nem transição. Hospitais colapsaram, milhões foram infectados ao mesmo tempo, e incontáveis mortes ficaram sem registro. O padrão é claro: negação, repetição do erro, pânico e reversão caótica. Se não conseguiu adaptar-se a um vírus, como se adaptará a uma crise demográfica e de dívida?

Há quem diga que regimes autoritários têm a vantagem da ação decisiva: reestruturar dívidas de forma imediata, realocar milhões de pessoas, suprimir dissidências. Mas cada solução desse tipo cria novos problemas. Forçar deslocamentos em massa gera ressentimentos que duram gerações. Fechar setores inteiros destrói a confiança dos empresários. Reestruturar dívidas sem estado de direito implode o mercado de capitais. O autoritarismo não resolve crises: amplifica erros.

Defensores do modelo chinês também recorrem ao exemplo do Japão, que conseguiu atravessar três décadas de declínio demográfico sem colapso, sustentado por democracia, aliança com os Estados Unidos, tecnologia de ponta e instituições sólidas. Mas a comparação não se sustenta. O Japão tinha válvulas de escape: cidadãos podiam votar, protestar, emigrar. A democracia amorteceu a estagnação. A China não tem essas válvulas. Quando o crescimento estagnar, o Partido Comunista perderá sua única fonte de legitimidade: o pacto tácito “nós entregamos crescimento, vocês ficam quietos”. Sistemas autoritários não conseguem administrar declínio pacificamente porque não podem admitir fracasso. Como ocorreu com Gorbachev, qualquer tentativa de Xi de corrigir o rumo arriscaria abrir a rachadura que implode o regime. 

Mesmo que a aritmética interna já seja insustentável, fatores externos podem acelerar o desfecho. Entre eles, a pressão americana, com sanções, alianças e restrições financeiras cada vez mais duras. Não é coincidência que esse cerco tenha se intensificado justamente quando as fragilidades estruturais da China ficaram mais evidentes. Trump, com seu estilo errático, inaugurou tarifas e sanções que embaralharam os planos de Pequim. O establishment americano – inteligência, diplomacia e defesa – parece consciente de que este é o momento ideal para acelerar a pressão e testar os limites do modelo chinês. E Taiwan pode ser, para a China, o que o Afeganistão foi para a União Soviética: um atalho para o desgaste definitivo, acelerando o colapso em vez de preveni-lo.

Na minha avaliação, o cenário mais provável é o de uma crise sistêmica entre 2027 e 2035, com 60% de chance. Essa não é uma probabilidade estatística exata, mas uma estimativa baseada no encadeamento das tendências. Atribuo ainda 25% a uma estagnação japonesa com características chinesas, sustentada por repressão total, mas improvável politicamente e 15% a um conflito externo como distração (Taiwan ou o Mar do Sul), expediente historicamente associado a colapsos acelerados.

Nenhuma análise séria estaria completa sem reconhecer as incertezas. As dinâmicas podem levar 20 anos em vez de 5 ou 10. Avanços tecnológicos disruptivos, como inteligência artificial ou fusão nuclear, poderiam alterar completamente a equação.

A resiliência cultural chinesa, subestimada no Ocidente, pode prolongar a trajetória. E não se pode descartar a possibilidade de a China encontrar um modelo alternativo e imprevisível que escape às nossas categorias. Mas, apesar das incertezas, a conclusão é clara. A China enfrenta impossibilidades matemáticas que se reforçam mutuamente.

Zero-COVID já mostrou a sequência típica: negação, repetição do erro, pânico e reversão caótica. Quando a crise demográfica e da dívida se tornar inegável, veremos o mesmo ciclo, mas em escala maior.

Para o Brasil, isso representa tanto risco quanto oportunidade. Em commodities, a China continuará comprando, mas com menos poder de barganha. Na indústria, parte da manufatura que sai da China pode vir para cá. No tabuleiro geopolítico, será necessário escolher o lado vencedor.

Para investidores, a recomendação é reduzir exposição à China e ampliar posições em países como Estados Unidos, Índia e Vietnã.

A aritmética não tem ideologia. Não se curva à autoridade. E, no fim, sempre vence.

Fonte: InfoMoney
Imagens: Reprodução/InfoMoney e Freepik

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Economia, Mercado Internacional

Economia chinesa cresce 5,2% no 2º trimestre, mesmo com tarifaço de Trump

Dados divulgados nesta segunda-feira mostram que as exportações chinesas apresentaram um bom desempenho, resistindo à guerra comercial com os Estados Unidos.

A economia chinesa cresceu 5,2% no segundo trimestre do ano, segundo dados oficiais publicados no fim da noite desta segunda-feira (14), graças ao bom desempenho das exportações e apesar da guerra comercial com os Estados Unidos.

O resultado corresponde à previsão de uma pesquisa da AFP realizada com analistas na semana passada.

Já as vendas no varejo — indicador-chave de consumo — subiram 4,8% em relação ao ano anterior, abaixo da previsão de 5,3% em uma pesquisa da Bloomberg com economistas, o que sugere que os esforços para reativar o consumo interno não conseguem decolar.

Contudo, a produção industrial aumentou 6,8%, acima da estimativa de 5,6%. No primeiro trimestre do ano, o PIB chinês avançou 5,4%.

“A economia nacional resistiu à pressão e mostrou uma melhora constante apesar dos desafios”, disse o vice-diretor do Departamento Nacional de Estatísticas, Sheng Laiyun, em coletiva de imprensa.

“A produção e a demanda cresceram de forma constante, o emprego manteve-se geralmente estável, a renda das famílias continuou a aumentar, os novos motores de crescimento testemunharam um desenvolvimento robusto e o desenvolvimento de alta qualidade alcançou novos avanços”, afirmou.

O governo da segunda maior economia mundial trava uma batalha em várias frentes para manter o crescimento econômico, um desafio que se viu dificultado pela ofensiva tarifária do presidente americano Donald Trump.

Trump impôs tarifas à China e aos principais parceiros comerciais dos americanos desde que retornou ao cargo em janeiro, ameaçando as exportações chinesas justamente quando Pequim está mais dependente delas para estimular a atividade econômica.

Washington e Pequim vêm tentando desescalar a disputa comercial após terem chegado a um marco de acordo em negociações realizadas em Londres no mês passado, mas analistas alertam sobre uma incerteza persistente.

Trump aumentou as apostas na segunda-feira, ao avisar aos parceiros comerciais da Rússia que imporá tarifas “muito severas”, chegando a 100%, se Moscou não acabar com sua guerra na Ucrânia dentro de 50 dias.

A China criticou a ameaça de Trump e reiterou que é favorável a uma solução política na Ucrânia. “A coerção ou as pressões não podem resolver os problemas”, declarou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim.

Os países ocidentais pedem repetidamente à China — um aliado comercial importante da Rússia — para exercer sua influência e fazer com que Vladimir Putin pare sua guerra de três anos contra a Ucrânia.

Bom desempenho das exportações

Dados da Administração Geral de Alfândega da China divulgados nesta segunda-feira mostraram que as exportações aumentaram muito mais que o esperado em junho (5,8% em termos anuais e 32,4% na comparação com o mês anterior), com ajuda da trégua comercial entre Washington e Pequim.

As importações também subiram 1,1%, acima do avanço previsto de 0,3%, o que representa o primeiro crescimento deste ano.

O oficial da alfândega Wang Lingjun afirmou em coletiva de imprensa que Pequim esperava “que os Estados Unidos continuassem a trabalhar juntos com a China na mesma direção”, relatou a emissora estatal CCTV.

A trégua tarifária foi “duramente conquistada”, disse Wang. “Não há saída por meio de chantagem e coerção. Diálogo e cooperação são o caminho certo”, frisou.

Muitos analistas, no entanto, preveem um crescimento mais lento nos próximos seis meses, com uma demanda interna frágil como principal obstáculo.

“Os dados provavelmente ainda superestimam a força do crescimento”, afirmou Zichun Huang, economista para a China na Capital Economics, em um comunicado.

“Com as exportações destinadas a desacelerar e o impulso de apoio fiscal prestes a desaparecer, é provável que o crescimento desacelere ainda mais durante a segunda metade deste ano”, acrescentou.

Fonte: G1

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