Internacional

Meta de crescimento da China fica entre 4,5% e 5% em meio a desafios econômicos

A meta de crescimento da China para 2026 foi definida entre 4,5% e 5%, segundo anúncio feito nesta quinta-feira (5) durante a abertura da sessão anual da Assembleia Nacional Popular (ANP). O objetivo sinaliza cautela do governo chinês diante de um cenário marcado por crise no setor imobiliário, riscos geopolíticos e incertezas no comércio internacional.

O anúncio foi realizado pelo primeiro-ministro Li Qiang ao apresentar o relatório anual de trabalho do governo ao principal órgão legislativo do país.

Governo adota meta flexível para a economia chinesa

No documento apresentado à Assembleia, o governo estabelece que a economia chinesa deverá crescer dentro do intervalo de 4,5% a 5% ao longo do ano. A estratégia busca oferecer maior flexibilidade para ajustes nas políticas econômicas da China conforme a evolução do cenário global e doméstico.

O relatório ressalta que, apesar dos avanços recentes, o país ainda enfrenta obstáculos relevantes.

“Embora reconheçamos nossas conquistas, também temos plena consciência das dificuldades e desafios que estão diante de nós”, afirma o texto.

Nos últimos três anos, Pequim vinha estabelecendo metas de crescimento em torno de 5%. Em 2025, a economia chinesa alcançou exatamente esse ritmo de expansão.

Crise imobiliária e riscos globais pressionam economia

Entre os fatores que influenciam a nova meta está a prolongada crise do setor imobiliário na China, que tem impactado investimentos e confiança no mercado interno.

O relatório também alerta para um cenário internacional mais instável. O governo destacou o aumento de tensões geopolíticas e afirmou que o comércio global e o livre comércio enfrentam fortes ameaças.

As exportações chinesas para os Estados Unidos foram afetadas por tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, embora o país tenha ampliado vendas para outros mercados internacionais.

Demanda interna ainda é desafio

No plano doméstico, o governo reconhece um desequilíbrio entre forte capacidade de oferta e demanda interna ainda fraca. O relatório também aponta a necessidade de acelerar a transição para novos motores de crescimento econômico, reduzindo a dependência de setores tradicionais.

Segundo o documento, as metas foram definidas considerando a necessidade de realizar reformas estruturais, controlar riscos e avançar nas transformações econômicas previstas para os próximos anos.

Assembleia Nacional Popular define prioridades até 2030

A sessão anual da Assembleia Nacional Popular, que reúne cerca de 3 mil delegados, é considerada o principal evento político do calendário chinês.

Durante o encontro, os legisladores também devem aprovar um novo plano quinquenal, que estabelecerá as prioridades econômicas e políticas da China até 2030.

Entre os objetivos estão o fortalecimento da economia doméstica e o avanço da estratégia do presidente Xi Jinping de posicionar o país como líder global em tecnologia e inovação.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Economia

Dólar em queda reacende debate sobre controles de capital na China

A recente desvalorização do dólar voltou a impulsionar, na China, o debate sobre a flexibilização dos controles de capital. Economistas influentes defendem que o momento é favorável para ampliar a conversibilidade do yuan e aumentar sua presença nas finanças internacionais, aproveitando um ambiente externo mais propício e menor risco de fuga de recursos.

Para esses analistas, a fraqueza da moeda americana abre uma janela histórica para tornar o yuan mais atrativo globalmente, desde que a abertura da conta de capital seja conduzida de forma gradual e estratégica.

Abertura da conta de capital ganha apoio no mercado

Em artigo recente, Miao Yanliang, estrategista-chefe da China International Capital Corp., avaliou que as condições atuais permitem avançar na liberalização dos fluxos financeiros sem provocar saídas expressivas de capital. Segundo ele, maior flexibilidade cambial tende a atrair investimentos estrangeiros, especialmente em um ciclo de valorização do yuan combinado à perda de força do dólar.

Na mesma direção, Ju Jiandong, professor de finanças da Universidade Tsinghua, classificou este ano e o próximo como uma “janela estratégica” para ampliar a abertura da conta de capital chinesa, diante da valorização da moeda local e do aumento das tensões geopolíticas globais.

Internacionalização do yuan volta ao centro da estratégia

As manifestações de economistas reforçam sinais emitidos pelo presidente Xi Jinping desde 2024, quando defendeu a meta de tornar o yuan amplamente utilizado no comércio e nas finanças internacionais, com ambição de transformá-lo em moeda de reserva.

Nas últimas semanas, discursos e publicações intensificaram as especulações de que Pequim pode recolocar a liberalização dos fluxos de capital como eixo central da estratégia de internacionalização da moeda. O processo havia perdido força após a crise cambial de 2015, quando uma tentativa de maior liberalização resultou em forte instabilidade.

Queda do dólar muda o cálculo das autoridades chinesas

O contexto atual é distinto daquele observado há uma década. Em 2025, o dólar registrou a maior queda anual em oito anos, refletindo incertezas geradas pela política econômica dos Estados Unidos. No mesmo período, o yuan teve seu melhor desempenho desde 2020 em termos nominais.

Esse cenário fortaleceu o argumento de que a China precisa reduzir o descompasso entre seu peso como potência manufatureira global e o alcance limitado de sua moeda. Hoje, o país mantém um regime de câmbio flutuante administrado, com restrições significativas a investimentos e remessas internacionais.

Planos oficiais indicam maior ambição até 2030

Sinais de mudança também aparecem nos documentos oficiais. A proposta apresentada pelo Partido Comunista para o plano econômico até 2030 inclui o compromisso de avançar na internacionalização do yuan e ampliar a abertura da conta de capital, em termos mais assertivos do que os adotados no plano anterior.

Apesar dos avanços no uso do yuan em liquidações comerciais e financiamentos internacionais, sua participação nas reservas globais ainda é inferior a 2%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional, mantendo a moeda distante do protagonismo do dólar.

Risco de fuga de capitais segue como principal obstáculo

A principal preocupação das autoridades continua sendo o risco de saídas abruptas de capital, capazes de desestabilizar mercados e a economia doméstica. Em 2015, uma tentativa malsucedida de flexibilização cambial provocou pânico entre investidores e levou à perda de cerca de US$ 1 trilhão em reservas internacionais em dois anos.

Para Miao Yanliang, no entanto, o ambiente mudou. Ele avalia que investidores estrangeiros demonstram maior interesse em ativos chineses, enquanto empresas e famílias locais já diversificaram parte de seus investimentos no exterior por canais regulados, reduzindo pressões por novas saídas.

Abertura gradual deve marcar próximos passos

Apesar do novo impulso, especialistas acreditam que Pequim manterá uma abordagem cautelosa. Para Gary Ng, economista do Natixis, pode haver espaço para testes pontuais, como o uso do yuan na negociação de commodities, no financiamento e na liquidação de projetos internacionais.

Autoridades regulatórias também sinalizam avanços graduais. Xiao Sheng, da Administração Estatal de Câmbio, afirmou recentemente que o foco será a otimização dos canais existentes de investimento transfronteiriço, com simplificação de programas voltados a investidores estrangeiros e estímulo ao financiamento internacional.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Economia

PIB da China cresce 5% e exportações sustentam economia em meio à fraqueza interna

A economia da China registrou crescimento de 5,0% do PIB no último ano, alcançando a meta estipulada pelo governo. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo avanço das exportações chinesas, que compensaram a desaceleração do consumo interno e ajudaram a reduzir os impactos das tarifas comerciais dos Estados Unidos — embora essa estratégia comece a mostrar sinais de esgotamento.

Exportações garantem meta de crescimento econômico

Para sustentar o ritmo da atividade econômica, a China ampliou sua participação na demanda global por produtos manufaturados, alcançando níveis inéditos de presença em mercados internacionais. Como resultado, o país acumulou um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, valor cerca de 20% superior ao registrado em 2024.

O montante é equivalente ao tamanho econômico de uma das 20 maiores economias do mundo, como a Arábia Saudita, reforçando o peso do setor externo no desempenho do PIB chinês.

Redução nos EUA e avanço em novos mercados

Mesmo com uma queda de aproximadamente 20% nas exportações para os Estados Unidos, os embarques chineses cresceram de forma expressiva para outras regiões. Empresas do país expandiram vendas para Europa, América Latina e mercados emergentes, em uma tentativa de reduzir a dependência do mercado norte-americano diante das políticas tarifárias mais rígidas adotadas nos últimos anos.

Produtores chineses têm buscado diversificar destinos e adaptar estratégias comerciais para manter competitividade global.

Estratégia externa enfrenta limites

Apesar dos resultados positivos no curto prazo, especialistas avaliam que o modelo baseado fortemente em exportações se torna cada vez mais difícil de sustentar, especialmente diante de tensões geopolíticas, riscos protecionistas e da necessidade de estimular a demanda doméstica.

“Estamos indo bem na Europa e na América Latina e não precisamos desse mercado”, afirmou Dave Fong, coproprietário de fábricas no sul da China que produzem desde mochilas escolares até equipamentos industriais, ao comentar a redução da dependência dos Estados Unidos.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Economia

Exportações da China superam expectativas e mercado reduz projeção de inflação para 2026

O mercado financeiro iniciou a semana com revisões importantes tanto no cenário doméstico quanto no internacional. Enquanto analistas reduziram a projeção de inflação para 2026 no Brasil, novos dados mostraram um desempenho acima do esperado das exportações da China, reforçando sinais de resiliência da economia asiática.

Inflação de 2026 tem expectativa revisada para baixo

As expectativas para a inflação brasileira em 2026 foram ajustadas para baixo, segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central.
De acordo com o relatório, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado para o encerramento de 2026 passou a 4,05%, indicando uma leitura mais favorável para o controle dos preços no médio prazo.

Exportações da China crescem acima do previsto em dezembro

No cenário internacional, os números da balança comercial da China surpreenderam positivamente. Em dezembro, as exportações chinesas avançaram 6,6% na comparação anual, acelerando em relação ao crescimento de 5,9% registrado em novembro de 2025.

O resultado ficou bem acima da estimativa da FactSet, que previa uma alta de apenas 2,5%, reforçando a força do comércio exterior chinês no fim do ano.

Importações também aceleram e superam projeções

As importações da China também apresentaram desempenho melhor do que o esperado. Em dezembro, houve crescimento de 5,7% na comparação anual, ante avanço de 1,9% em novembro.
O consenso de mercado, no entanto, apontava para uma queda de 1,6%, o que evidencia uma recuperação mais robusta da demanda interna chinesa.

Superávit comercial segue elevado

Ainda em dezembro, a China registrou superávit comercial de US$ 114,14 bilhões, acima do saldo positivo de US$ 111,68 bilhões observado em novembro. A previsão da FactSet era de um superávit maior, de US$ 117,9 bilhões, mas o resultado manteve o patamar historicamente elevado.

No fechamento de 2025, as exportações chinesas cresceram 5,5% em relação a 2024, enquanto as importações permaneceram estáveis. O superávit comercial anual atingiu um recorde de US$ 1,189 trilhão, consolidando a China como um dos principais motores do comércio global.

Com informações de Dow Jones Newswires.
Texto: Redação

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Comércio Exterior

China anuncia redução de tarifas de importação para 935 produtos a partir de 2026

A China anunciou que vai reduzir temporariamente as tarifas de importação de 935 produtos a partir de 1º de janeiro de 2026. A medida foi divulgada pela Comissão de Tarifas Aduaneiras do Conselho de Estado e prevê alíquotas inferiores às atualmente praticadas, como parte da estratégia de estímulo à economia e ao comércio exterior.

Medida busca fortalecer integração econômica

De acordo com o governo chinês, a redução tarifária tem como objetivo fortalecer a integração entre os mercados interno e externo, ampliar a oferta de produtos no país e otimizar o uso de recursos nacionais e internacionais. A iniciativa também faz parte do esforço para impulsionar o desenvolvimento econômico e industrial.

Insumos estratégicos e produtos médicos terão redução de tarifas

Entre os principais ajustes, a China vai reduzir tarifas sobre componentes estratégicos e materiais avançados, com foco no fortalecimento da indústria tecnológica doméstica. Também haverá diminuição de impostos para insumos voltados ao desenvolvimento sustentável e para produtos médicos, como vasos sanguíneos artificiais, ampliando o acesso da população a tratamentos de saúde.

Novas categorias para tecnologia e economia verde

O governo chinês também anunciou mudanças na classificação tarifária de produtos importados, utilizada como base para a cobrança de impostos. Serão criadas novas categorias específicas para itens ligados à inovação, como robôs biônicos inteligentes e querosene de aviação de origem biológica, alinhando a política comercial às metas de tecnologia e economia circular.

Acordos comerciais e tarifa zero para países menos desenvolvidos

No comércio exterior, a China manterá em 2026 as tarifas preferenciais aplicadas a produtos importados de 34 parceiros comerciais, conforme os 24 acordos de livre comércio e regimes preferenciais em vigor.

Além disso, o país seguirá adotando tarifa zero para todas as categorias de produtos provenientes de 43 países menos desenvolvidos que mantêm relações diplomáticas com Pequim, reforçando sua política de cooperação internacional.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Zhang Ailin/ Xinhua

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Logística

China reforça apoio financeiro ao Corredor Internacional Terra-Mar para impulsionar comércio exterior

Autoridades chinesas anunciam pacote com 21 medidas para fortalecer financiamento, integração regional e uso do yuan em transações internacionais

A China anunciou um novo pacote de políticas para ampliar o apoio financeiro ao Novo Corredor Internacional Terra-Mar, iniciativa estratégica voltada à integração logística e ao fortalecimento do comércio exterior. As diretrizes foram divulgadas pelo Banco Popular da China (PBoC), em conjunto com outros sete órgãos governamentais, incluindo a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) e o Ministério das Finanças.

O documento reúne 21 medidas voltadas à ampliação do financiamento e à melhoria dos sistemas de liquidação, com foco no desenvolvimento de alta qualidade do corredor logístico. Segundo especialistas, a iniciativa representa um passo relevante para estabilizar o comércio e os investimentos estrangeiros, em um contexto de diversificação das parcerias comerciais da China, especialmente com países da Iniciativa Cinturão e Rota e nações vizinhas.

Fortalecimento da estrutura financeira e integração internacional

As diretrizes priorizam o aprimoramento da coordenação institucional e da qualidade dos serviços financeiros ao longo do corredor. Entre os objetivos está o fortalecimento da conexão entre os sistemas financeiros domésticos e internacionais, além do incentivo à expansão das operações externas de instituições financeiras chinesas.

O plano também prevê a ampliação da presença de instituições financeiras estrangeiras, permitindo que bancos da ASEAN e das Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau atuem em cidades e províncias estratégicas por meio da abertura de filiais, subsidiárias ou estruturas especializadas.

Facilitação de pagamentos e investimentos transfronteiriços

Outro eixo central das medidas é a simplificação das liquidações financeiras internacionais. O governo pretende facilitar pagamentos comerciais transfronteiriços, ampliar a conveniência para investimentos externos e testar modelos integrados de gestão de moedas onshore e offshore para multinacionais. Também será estimulada a reinversão doméstica de empresas com capital estrangeiro.

Segundo Li Changan, professor da Universidade de Economia e Negócios Internacionais da China, as políticas ajudam a resolver gargalos de financiamento em projetos de infraestrutura e cooperação regional, além de fortalecer o uso internacional do yuan. Ele destaca que empresas de logística, comércio exterior e manufatura devem ser diretamente beneficiadas.

Expansão do uso do yuan e cooperação financeira

O plano prevê a ampliação do uso transfronteiriço da moeda chinesa, com ações como:

  • fortalecimento da cooperação monetária com países do Sudeste e da Ásia Central;
  • incentivo ao uso do yuan em comércio exterior e investimentos;
  • apoio a transações em yuan por empresas estrangeiras, investidores da ASEAN e no comércio de commodities;
  • estímulo ao uso da moeda chinesa em financiamentos, garantias e transferências internacionais.

Também estão previstas iniciativas de cooperação financeira internacional, como a participação no projeto de moeda digital de bancos centrais (m-CBDC) e testes de pagamentos transfronteiriços com yuan digital em parceria com Tailândia, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Singapura.

Crescimento do corredor e impacto econômico

O documento também reforça a importância da prevenção de riscos financeiros e da criação de mecanismos de segurança para sustentar a expansão do corredor.

Segundo a agência estatal Xinhua, o plano geral do Corredor Internacional Terra-Mar foi lançado em 2019 com o objetivo de impulsionar a abertura econômica do oeste chinês. Entre janeiro e outubro deste ano, o valor total de importações e exportações pelo corredor alcançou 1,35 trilhão de yuans, crescimento de 17,9% na comparação anual.

Em Chongqing, um dos principais polos logísticos da rota, o comércio exterior somou 48,96 bilhões de yuans nos primeiros 11 meses de 2025, alta de 170% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Atualmente, o corredor conecta 157 nós logísticos em 73 cidades de 18 províncias e regiões chinesas, alcançando 555 portos em 127 países e regiões ao redor do mundo.

FONTE: Global Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua/Zhang Ailin

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Comércio Internacional

China alerta para aumento de tensões no comércio global e foca em crescimento interno

Os líderes da China manifestaram preocupação com uma possível escalada das tensões comerciais globais enquanto planejam a política econômica para 2026. O alerta surge após o país registrar um superávit comercial recorde, mesmo em meio à guerra tarifária com os Estados Unidos.

Em comunicado divulgado pelo Politburo na segunda-feira, o órgão enfatizou a necessidade de “uma melhor coordenação entre o trabalho econômico doméstico e uma batalha econômica e comercial internacional”, prometendo “agir sem demora” para desenvolver novos motores de crescimento.

Analistas interpretam a mensagem como um sinal de que o governo manterá vigilância constante sobre o comércio internacional, evitando medidas de estímulo mais agressivas em um cenário de desaceleração econômica.

Pressões internacionais e protecionismo

Embora as relações comerciais com os EUA tenham melhorado, outros países intensificam ações proativas. O Japão e alguns membros da União Europeia, como a Holanda e a França, avaliam medidas de retaliação, incluindo tarifas contra produtos chineses, caso Pequim não ajuste seus desequilíbrios comerciais.

Segundo economistas da Huaxi Securities, a tendência de desglobalização segue firme, pressionando a China a diversificar suas exportações e fortalecer a demanda interna para equilibrar o impacto externo.

Crescimento interno como prioridade

Internamente, a economia chinesa enfrenta desafios: consumo estagnado, queda de investimentos e desaceleração na manufatura. Em resposta, o Politburo estabeleceu o aumento da demanda doméstica como prioridade para 2026, incentivando o desenvolvimento de novas forças produtivas, incluindo setores emergentes como robótica humanoide e tecnologia de ponta.

Economistas do Goldman Sachs destacam que o comunicado sinaliza a intenção de expandir o setor manufatureiro e manter a resiliência das exportações, embora mostre menor preocupação com o crescimento do consumo e do setor imobiliário.

Infraestrutura e estímulo econômico

Com a construção de infraestrutura em nível elevado e o mercado imobiliário em colapso, a China busca novos setores para impulsionar a economia. Reformas de longo prazo, como expansão da rede de proteção social e ajustes tributários, são consideradas essenciais para reequilibrar o modelo de crescimento voltado para o consumo.

Além disso, políticas para estimular investimentos em infraestrutura digital e serviços devem apoiar o aumento do consumo, cujo gasto per capita ainda permanece abaixo da tendência pré-pandemia.

Política fiscal e perspectivas para 2026

O Politburo indicou que a política fiscal terá papel central em 2026, acompanhada por um relaxamento monetário gradual. A prioridade em prevenir riscos sistêmicos foi reduzida, sinalizando foco maior em promover crescimento, confiança empresarial e consumo.

Analistas da Nomura Holdings destacam que Pequim já utilizou suas ferramentas de política mais acessíveis e que os mercados precisarão de paciência para observar um ponto de inflexão real no crescimento e o fim da deflação.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Economia

Crescimento da China em 2026: meta de 5% deve guiar estímulos para conter a deflação

A China deverá manter a meta de crescimento do PIB em cerca de 5% em 2026, segundo analistas e assessores próximos ao governo. A projeção indica que Pequim continuará adotando estímulos fiscais e monetários para enfrentar um cenário de deflação, recuperar a confiança e sustentar o início do novo plano quinquenal.

Pressão do setor imobiliário e da demanda interna
A manutenção da meta faz parte da estratégia de reforçar a economia após anos marcados por queda no mercado imobiliário, demanda fraca dos consumidores, excesso de capacidade industrial e redução dos investimentos em infraestrutura. Embora o governo tenha sinalizado que pretende fortalecer o consumo das famílias e promover uma reestruturação econômica, especialistas avaliam que esses efeitos devem aparecer de forma gradual — o que mantém o foco imediato no apoio estatal.

Discussões internas apontam para continuidade dos estímulos
A maioria dos assessores consultados defende uma meta de crescimento próxima de 5% para 2026, enquanto uma parcela menor sugere um intervalo entre 4,5% e 5%. A expectativa é que o objetivo seja aprovado durante a Conferência Anual de Trabalho Econômico Central, marcada para este mês, quando também serão definidas as prioridades econômicas para o próximo ano. A divulgação oficial ao público ocorre apenas em março, durante a reunião anual do Parlamento chinês.

Apesar de não participarem diretamente das decisões, os assessores revelam tendências que costumam ecoar o consenso entre economistas privados. No encontro do ano passado, a definição da agenda ocorreu entre 11 e 12 de dezembro.

Déficit elevado e novos cortes de juros no radar
Grande parte dos especialistas defende manter o déficit orçamentário em 4% do PIB ou mais, repetindo o nível recorde adotado em 2025 para sustentar a expansão econômica. Já analistas do Citi estimam que o banco central chinês deverá retomar os cortes de juros já em janeiro de 2026, movimento que poderia vir acompanhado de novas medidas de apoio ao setor imobiliário.

Em nota, o Citi também projeta que a emissão de títulos do governo poderá ser antecipada novamente, com uma tendência de direcionar mais recursos para o bem-estar social e o consumo.

Meta de longo prazo para elevar renda da população
Para atingir o objetivo de se tornar um “país moderadamente desenvolvido” até 2035, a China precisa registrar crescimento médio anual acima de 4% na próxima década. Dessa forma, seria possível dobrar o PIB per capita e alcançar o patamar de US$ 20 mil em comparação com o nível de 2020, conforme estudo oficial que fundamenta propostas do novo plano quinquenal.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Dado Ruvic/Ilustração/Reuters

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Comércio Exterior

China busca elevar qualidade do comércio exterior, diz vice-premiê

O vice-premiê chinês He Lifeng defendeu novos esforços para elevar a qualidade e a eficácia do comércio exterior do país. Segundo ele, ainda há gargalos e obstáculos que precisam ser eliminados para garantir o desenvolvimento de um mercado interno unificado e mais competitivo.

As declarações foram feitas durante uma visita de inspeção às províncias de Hubei e Hunan, realizada entre terça e quinta-feira. He, que também integra o Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China, percorreu cidades como Ezhou, Xianning e Changsha.

Diversificação e novos modelos de negócios
Durante a viagem, He destacou a necessidade de ampliar o apoio a novas formas de comércio, incluindo o e-commerce transfronteiriço, além de incentivar a criação de armazéns no exterior para fortalecer as cadeias globais de suprimentos.

Ele também reforçou a importância de diversificar os mercados internacionais, estratégia vista como essencial para manter o crescimento do setor de comércio exterior da China.

Transporte multimodal e logística moderna
O vice-premiê pediu avanços no transporte multimodal e a aceleração da construção de um sistema logístico moderno, capaz de reduzir custos e melhorar a circulação de mercadorias em todo o país.

Inovação tecnológica e segurança das cadeias produtivas
He Lifeng ressaltou ainda que o país precisa se adaptar à nova onda de inovação tecnológica e à transformação industrial em curso no mundo. Ele defendeu investimentos em tecnologias-chave e o fortalecimento de cadeias industriais mais autossustentáveis e com riscos controláveis.

Por fim, incentivou governos locais a apoiar empresas e superar dificuldades estruturais para garantir a conclusão do 14º Plano Quinquenal (2021-2025) e preparar um início sólido para o 15º Plano Quinquenal (2026-2030).

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua/Jin Liangkuai

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Comércio Internacional

Feira Internacional de Importações da China bate recorde com US$ 83,49 bilhões em negócios

A Feira Internacional de Importações da China (CIIE) alcançou um novo marco histórico em sua oitava edição, ao registrar US$ 83,49 bilhões em acordos comerciais previstos, um crescimento de 4,4% em relação ao ano anterior. O resultado confirma o evento como uma das maiores plataformas de promoção do comércio internacional no mundo.

CIIE reforça papel da China no comércio global

Realizada em Xangai, entre 5 e 10 de novembro de 2025, a CIIE reuniu milhares de empresas e visitantes de mais de 150 países e regiões, consolidando-se como um espaço estratégico para impulsionar o intercâmbio econômico e promover cooperação internacional. Segundo os organizadores, o aumento no volume de negócios reflete tanto a força da economia chinesa quanto o comprometimento do país com a abertura de mercado e a globalização econômica.

Inovação e tecnologia são destaques da feira

Os setores de alta tecnologia, inteligência artificial e equipamentos industriais de ponta atraíram grande atenção do público e dos investidores. A área dedicada à inovação tecnológica foi uma das mais movimentadas, reunindo empresas chinesas e estrangeiras interessadas em parcerias estratégicas e novas oportunidades de negócios.

Desde sua criação, em 2018, a CIIE é vista como uma das principais iniciativas do governo chinês para ampliar o acesso do mercado interno a produtos e serviços internacionais, funcionando como uma ponte entre economias e fortalecendo as cadeias globais de valor.

Comércio, sustentabilidade e integração global

Autoridades destacaram que a China continuará promovendo um ambiente de negócios aberto e previsível, estimulando parcerias sustentáveis e a integração econômica global. A feira também reforçou o papel do país como motor do crescimento mundial, especialmente em um momento de busca por equilíbrio nas cadeias produtivas internacionais.

A crescente presença de empresas estrangeiras na feira demonstra a confiança do setor privado na estabilidade da economia chinesa e nas perspectivas de expansão do consumo interno. Os acordos firmados durante a edição de 2025 devem impulsionar investimentos em tecnologia, saúde, alimentos e energia limpa, consolidando a CIIE como um dos principais motores do comércio internacional contemporâneo.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Global Times

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