Internacional

Licitação da VNT enfrenta denúncias, rumores e tensão política na Argentina

A licitação para o dragado e balizamento da Vía Navegable Troncal (VNT), principal corredor de exportações da Argentina, entrou em uma fase decisiva marcada por tensões políticas, ações judiciais e especulações entre empresas interessadas em um contrato estratégico que pode durar até 30 anos.

Empresas e interesse estratégico

Com a divulgação das empresas participantes, surgiram rumores sobre alianças, possíveis desistências e acordos entre competidores. Entre os candidatos estão as belgas Jan de Nul e DEME (Dredging, Environmental and Marine Engineering NV), além da brasileira DTA Engenharia. Para o governo argentino, a apresentação dessas propostas foi interpretada como um passo positivo para a continuidade da licitação de uma infraestrutura fundamental para o comércio exterior.

A VNT concentra cerca de 80% das exportações agroindustriais do país, tornando seu manutenção e dragagem essenciais para garantir a competitividade logística. Por isso, tanto o setor privado quanto atores políticos e sindicais ligados ao sistema portuário acompanham de perto cada etapa do processo.

Judicialização e questionamentos técnicos

O avanço administrativo, no entanto, foi interrompido por uma crescente judicialização. Poucas horas antes do anúncio das empresas participantes, o presidente do Conselho Portuário Argentino, José María Lojo, apresentou denúncia penal contra o presidente Javier Milei, o ministro da Economia Luis Caputo e o chefe da Agência Nacional de Portos e Navegação (ANPyN), Iñaki Arreseigor. A ação judicial questiona possíveis irregularidades técnicas e administrativas nos documentos da licitação.

O cenário ganhou reforço parlamentar. O deputado Jorge Taiana, com apoio de outros legisladores, solicitou ao Poder Executivo informações detalhadas sobre aspectos econômicos, ambientais, técnicos e de concorrência da licitação, buscando garantir transparência e competição efetiva no processo.

Especulações empresariais

O setor empresarial também tem sido palco de especulações. A ausência de empresas estadunidenses chamou atenção, embora rumores indiquem possível apoio indireto a DEME por meio de uma parceria com a americana Great Lakes Dredge & Dock Company, incluindo eventual suporte institucional da embaixada dos EUA.

A DEME não respondeu questionamentos sobre acordos estratégicos. Caso a parceria se confirme, analistas apontam que isso poderia alterar o equilíbrio competitivo, prejudicando as chances da Jan de Nul, veterana da hidrovía e apontada como favorita para continuar à frente do serviço.

Rumores também atingiram a brasileira DTA Engenharia, sugerindo desistência ou alianças com concorrentes. A empresa, porém, negou veementemente essas informações e reafirmou seu compromisso:

“As informações sobre uma possível desistência da DTA na licitação da Hidrovía Paraná-Paraguay não são corretas. DTA está plenamente ativa e competitiva no processo. Atualmente, dois diretores e o CEO da empresa estão na Argentina, demonstrando total comprometimento e confiança na proposta.”

Impacto econômico e estratégico

A incerteza em torno da licitação reflete a importância econômica e estratégica do contrato. A concessão definirá a empresa responsável pela manutenção da hidrovía, crucial para cerca de 80% das exportações argentinas, impactando diretamente os custos logísticos do setor agroindustrial e a inserção internacional do país.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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