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Pix cresce em popularidade em locais visitados por brasileiros no exterior

Durante as férias de julho, a dentista brasiliense Tuanny Noronha optou por pagar refeições e compras usando o Pix, mesmo estando fora do país.

Em cidades como Ciudad del Este, no Paraguai, e Buenos Aires, na Argentina, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos já é aceito com surpreendente facilidade. A experiência dela exemplifica um fenômeno em expansão: o uso do Pix em destinos turísticos populares entre brasileiros.

Criado em 2020 pelo Banco Central, ele se consolidou rapidamente como a principal forma de pagamento no Brasil. Agora, impulsionado por fintechs e soluções tecnológicas inovadoras, o sistema rompe fronteiras e começa a ganhar força em lojas, restaurantes e aeroportos do exterior.

Como o Pix funciona fora do Brasil?

Entendendo a estrutura técnica e legal

Apesar de o Pix, oficialmente, funcionar apenas entre contas registradas no Brasil, empresas intermediadoras permitem que ele seja utilizado em compras no exterior.

A chave para isso está nas parcerias entre fintechs brasileiras e adquirentes locais — instituições financeiras responsáveis pelas maquininhas de pagamento.

O processo, passo a passo

  1. O comerciante estrangeiro digita o valor da compra na maquininha, em moeda local.
  2. A máquina gera um QR Code Pix, com valor já convertido para reais.
  3. O cliente brasileiro escaneia o código com seu aplicativo bancário e realiza o pagamento.
  4. O valor é transferido para o intermediário, que repassa à loja em moeda local.

Esse sistema garante câmbio instantâneo e transparente, com IOF embutido e sem surpresas na fatura, diferentemente do cartão de crédito.

“O câmbio é garantido no ato da compra. É mais prático e seguro que andar com dinheiro ou usar cartão”, afirma Alex Hoffmann, CEO da fintech PagBrasil.

Países onde o Pix já está sendo aceito

Argentina e Paraguai: pioneiros da integração

Cidades de fronteira, como Ciudad del Este, se destacam pela alta penetração do Pix em estabelecimentos comerciais, principalmente os frequentados por turistas brasileiros. Buenos Aires também já conta com ampla adesão, especialmente em restaurantes e lojas de departamentos.

Uruguai e Chile: expansão natural no Mercosul

Após testes bem-sucedidos em Punta del Este, o sistema se expandiu rapidamente para o Uruguai e, em seguida, para o Chile, onde plataformas como a PagBrasil e outras adquirentes locais viabilizam o uso.

Portugal, Espanha e França: a Europa no radar

Segundo o Banco Central, países europeus com grande fluxo de turistas brasileiros também já começaram a adotar o Pix, especialmente por meio de contas multimoeda ou sistemas de câmbio digital com cartão pré-pago.

Estados Unidos: parceria com a Verifone acelera expansão

Nos EUA, o acordo recente entre a PagBrasil e a Verifone, maior adquirente do país, pode ampliar significativamente a aceitação do Pix. O foco será em regiões como Flórida e Nova York, onde a presença brasileira é constante.

Soluções complementares: multimoedas e apps financeiros

Além do uso direto via maquininha, muitos brasileiros utilizam contas digitais internacionais e aplicativos de câmbio para converter reais em outras moedas. O Pix entra nesse processo como forma de crédito:

  • O usuário faz um Pix para a carteira digital.
  • O app converte em euros, dólares ou outras moedas.
  • O saldo pode ser usado via cartão de débito digital ou físico.

Caso real: Pix em Paris

A jornalista Verônica Soares usou o método durante férias em Paris:

“Faço um Pix no meu banco do Brasil, envio para o app e transformo em euro. É instantâneo, sem fila de casa de câmbio, usando só o celular.”

Impacto no turismo e no comércio

Vantagens para o consumidor brasileiro

  • Evita necessidade de dinheiro em espécie.
  • Evita taxas variáveis do cartão de crédito.
  • Permite controle de câmbio no momento da compra.
  • Reduz riscos de segurança ao eliminar grandes somas em espécie.

Benefícios para o comércio estrangeiro

  • Acesso a um público brasileiro com alto poder de consumo.
  • Liquidez garantida com transferência em tempo real.
  • Simplicidade na operação, com integração às maquininhas já existentes.

Segundo dados do Escritório Nacional de Turismo dos EUA, mais de 1,9 milhão de brasileiros viajaram para os Estados Unidos em 2024, com gastos superiores a US$ 4,9 bilhões. A expectativa é que o número ultrapasse 2 milhões de visitantes em 2025, o que justifica o investimento em meios de pagamento voltados a esse público.

Limitações e desafios do Pix fora do Brasil

Ausência de Pix internacional nativo

Banco Central ainda não lançou uma versão internacional do Pix, mas participa do projeto Nexus, liderado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), que busca criar um sistema global de pagamentos instantâneos interconectados.

Intermediação obrigatória

Atualmente, a operação do Pix no exterior depende da existência de um intermediário com conta no Brasil e estrutura para converter moedas. Isso significa que, embora eficiente, o sistema ainda não é totalmente nativo ou autônomo fora do país.

“É uma etapa do Pix. Ele está presente apenas no início da transação. O restante ainda é feito via canais tradicionais”, explicou o Banco Central.

Tendência irreversível: o Pix como novo padrão global?

“Sistema imparável”, dizem especialistas

Apesar de possíveis resistências — inclusive políticas, como a recente investigação aberta pelo governo norte-americano contra práticas comerciais brasileiras — o avanço do Pix parece inevitável, segundo empresários do setor.

“O Pix é o sistema de pagamento mais versátil do mundo. Ele funciona como transferência, como QR Code, como pagamento automático e, em breve, terá versão com parcelamento”, afirma Hoffmann, da PagBrasil.

Futuro do Pix: o que esperar?

Novas funcionalidades em desenvolvimento

  • Pix garantido (parcelamento no estilo cartão de crédito)
  • Pagamentos por aproximação via NFC
  • Integração com carteiras digitais globais
  • Ampliação de aceitação em aeroportos e redes hoteleiras

Adoção institucional e integração global

Com o apoio de fintechs, empresas de turismo, varejo e tecnologia, o Pix deve se tornar cada vez mais comum fora do Brasil. A tendência aponta para um sistema em que brasileiros poderão usar seu app bancário como forma principal de pagamento em qualquer lugar do mundo.

Conclusão

A popularização do Pix entre turistas brasileiros no exterior representa mais do que uma simples facilidade tecnológica. Trata-se de uma mudança de paradigma no comércio internacional e nas finanças pessoais, colocando o Brasil na vanguarda global dos sistemas de pagamento.

Com soluções cada vez mais acessíveis, seguras e integradas, o Pix consolida seu papel como uma ponte entre o consumidor brasileiro e o mercado global, transformando a forma como viajamos, compramos e interagimos economicamente fora do país.

Fonte: Seu Crédito Digital

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Economia

Lula desafia supremacia do dólar: ‘Ninguém determinou que fosse a moeda padrão’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta 2ª feira (7.jul.2025) que ninguém determinou que o dólar é a moeda padrão de negociação do mundo, tampouco houve um fórum internacional para que isso fosse discutido. Ele defendeu a necessidade de uma moeda unificada para o comércio entre os países do Brics.

“Ninguém determinou que o dólar é a moeda padrão. Em que fórum foi determinado? E obviamente que nós temos todas as responsabilidades de fazer isso com muito cuidado. Os nossos Bancos Centrais precisam discutir isso com os Bancos Centrais dos outros países, mas é uma coisa que não tem volta. Isso vai acontecer aos poucos, e vai acontecer até que seja consolidado”, disse os jornalistas depois da cúpula do bloco, no Rio.

A declaração do petista é um contraponto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). O norte-americano quer importar uma tarifa adicional de 10% para países alinhados às “políticas antiamericanas do Brics” . Em janeiro, Trump também disse que tributaria em 100% os países caso o grupo criasse uma moeda própria.

Segundo Lula, o mundo precisa encontrar um jeito que a relação comercial não precisa passar pelo dólar. “Quando for com os EUA, ela passa pelo dólar, quando for com a Argentina, não precisa passar, quando for com a China, não precisa passar, quando for com a Índia, não precisa passar. Quando for com a Europa, discuta-se em euro”, disse.

Uma moeda do Brics é alvo de resistência entre os próprios países do bloco, como a Índia. A Rússia defende a medida. A presidente do NBD, o Banco dos Brics, a ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff, apoia a demanda russa. Seu mandato à frente do banco foi renovado em julho por indicação do presidente Vladimir Putin .

Fonte: Poder 360

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Economia

Possível alta do petróleo por guerra pode chegar no seu bolso. Entenda como

Dependência da commodity é grande porque o Brasil importa o produto refinado para abastecer o mercado interno e pelo do transporte doméstico, majoritariamente rodoviário

O conflito entre Irã x Israel-EUA elevou a tensão sobre a cotação do petróleo, porque a alta na commodity pode chegar ao preço dos combustíveis e afetar o bolso do brasileiro. Isso pode ocorrer porque o Brasil, embora extraia bastante petróleo, não produz combustível suficiente e precisa importar o produto refinado para abastecer o mercado interno, colocando o país à mercê da cotação internacional.

O conflito no Oriente Médio coloca lupa sobre essas flutuações e possíveis impactos no Brasil. Além da cotação do petróleo em si, pesa sobre o país o custo do transporte, que é majoritariamente rodoviário e dependente de combustíveis fósseis. Isso pode provocar um efeito cascata na economia e impactar na inflação, com o aumento dos custos em geral.

O JPMorgan calcula que a inflação sobe 0,2 ponto percentual a cada 10% de elevação do petróleo, considerando o peso da gasolina, do etanol e do diesel no índice.

“A gente estava em uma tendência de redução da inflação, e provavelmente isso vai impactar não só a inflação direta do aumento do combustível na cesta de produtos dos consumidores, mas também na inflação indireta, via aumento do custo de frete, caso a Petrobras repasse os custos”, afirma Alexandre Jorge Chaia, professor de finanças do Insper.

Por que conflito pressiona petróleo?

Embora a disputa esteja a quilômetros de distância do Brasil, ela ocorre próxima ao Estreito de Ormuz – uma passagem marítima por onde escoa de 20% a 30% do consumo do petróleo mundial. 

No sábado (21), os EUA entraram no conflito e atacaram instalações nucleares do Irã, escalando a tensão. No domingo (22), o parlamento iraniano aprovou o fechamento do estreito de Ormuz, mas a ação ainda depende do aval do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país. Enquanto a rota internacional permanece aberta, a cotação do petróleo segue vulnerável.

“Se esse cenário acontecer [de fechamento do Estreito], as projeções mais conservadoras dão o barril de petróleo ultrapassando a faixa dos US$ 100. Os cenários mais extremos já projetam em US$ 150, o que traria um impacto muito grande na economia global. Hoje, ele está sendo precificado entre US$ 76 e US$ 78”, explica Jorge Ferreira, professor de administração da ESPM e especialista em economia internacional.

Atenção redobrada no barril de petróleo

A cotação do petróleo impacta nos preços dos combustíveis no Brasil, seja nos derivados diretos, como gasolina e diesel, seja no etanol, feito a partir da cana-de-açúcar. 

A Petrobras, por ser uma empresa com investidores, segue as regras do mercado na política de preços. Atualmente, a companhia tem como regra não repassar ao consumidor toda a flutuação da cotação do barril do petróleo.

“A Petrobras, por ser uma empresa de combustível, tem que seguir as regras internacionais. Só que a atual política da Petrobras é fazer um amortecimento na variação do preço. Ela suporta por um tempo o prejuízo, ou mantém o lucro por um tempo antes de começar a reduzir. Esses ajustes são mais lentos do que a velocidade do aumento do combustível”, explica Chaia.

“À medida que o preço do petróleo aumenta, tende a ser repassado para as bombas, pois toda a cadeia tem custo elevado”, afirma Bruno Corano economista da Corano Capital. Para ele, como não é claro qual o limite de defasagem do preço que a Petrobras vai aceitar, fica difícil prever quando o impacto chegará na bomba.

Na avaliação do Ferreira, em algum momento este repasse terá que acontecer, já que a cotação do petróleo acumula alta de 21% somente em junho. 

“Se o Estreito de Ormuz for fechado, é praticamente impossível a Petrobras não fazer o repasse”, avalia. “No cenário atual, em que o barril do petróleo já está num custo mais elevado, a Petrobras deve levar alguns dias ou semanas para repassar. Mas, nas localidades em que o fornecedor é uma empresa privada, como no Norte e Nordeste, o repasse já deve ter se sentido ao longo dos próximos dias”, afirma.

Além da gasolina e diesel, essa variação carrega também o preço do etanol. “Quando a gasolina sobe, o etanol tende a acompanhar para manter sua competitividade. Os produtores e distribuidores tentam ajustar um pouco na margem acompanhando o preço do da gasolina para fazer um resultado um pouco melhor”, diz.

Impacto nos transportes

Outro ponto a se considerar é que, com uma matriz de transporte majoritariamente rodoviária, a economia no Brasil tende a ser muito impactada pela variação dos preços do petróleo. Assim, se sobe o preço do combustível, sobem também os preços dos fretes.

Segundo Ferreira, o diesel representa 50% do custo operacional das transportadoras brasileiras. No caso do transporte aéreo, quase 50% do custo também está relacionado ao combustível das aeronaves.

“O aumento do custo dos combustíveis reflete no custo do transporte, o que vai influenciar a produção industrial e agrícola, que é transportada no Brasil em grande parte por rodovias. Isso aí vai pressionar o IPCA sim, com certeza”, diz Ferreira. 

“O combustível tem um custo altíssimo na cadeia logística no Brasil, fazendo o custo do frete um dos principais custos dos produtos no país. A falta de clareza na definição dos preços tem impacto direto pois isso acaba levando a aumentos maiores para se antecipar aos movimentos dos combustíveis”, diz Corano.

Fonte: InfoMoney


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Economia, Finanças

Bancos centrais priorizam ouro sobre dólar para reservas, mostra pesquisa

Bancos centrais de todo o mundo esperam que suas reservas de ouro aumentem em proporção nos próximos cinco anos, ao mesmo tempo em que projetam que suas reservas em dólares serão menores, segundo uma pesquisa do World Gold Council (WGC).

A demanda de ouro por bancos centrais tem crescido significativamente nos últimos três anos, apesar de seu preço ter atingido recordes consecutivos. 

O ouro atingiu um recorde histórico de US$3.500,05 por onça em abril, um aumento de 95% desde fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.

Setenta e três bancos centrais responderam à pesquisa do WGC, realizada entre 25 de fevereiro e 20 de maio, e 76% deles esperam que suas reservas de ouro sejam maiores em cinco anos, em comparação com 69% no ano passado.

Quase 75% dos entrevistados esperam que as reservas denominadas em dólares sejam menores em cinco anos, em comparação com 62% no ano passado.

“O desempenho do ouro em tempos de crise, a diversificação de portfólio e a proteção contra a inflação são alguns dos principais temas que impulsionam os planos de acumular mais ouro no próximo ano”, disse o WGC em um comunicado.

Os bancos centrais acumularam mais de 1.000 toneladas métricas de ouro em cada um dos últimos três anos, disse o WGC, acrescentando que isso representou um aumento significativo em relação à média de 400-500 toneladas na década anterior.

“Essa aceleração acentuada no ritmo de acumulação ocorreu em um cenário de incerteza geopolítica e econômica”, disse o WGC.

Um recorde de 95% dos entrevistados acredita que as reservas de ouro dos bancos centrais aumentarão nos próximos 12 meses, em comparação com 81% no ano passado, de acordo com a pesquisa do WGC, que também mostrou que o Banco da Inglaterra continua sendo o local mais popular para reservas de ouro.

Conflitos comerciais e tarifas foram citados por 59% dos bancos centrais na pesquisa como relevantes para a gestão de suas reservas, segundo a pesquisa

“Uma porcentagem maior desses bancos centrais veio de mercados emergentes e economias em desenvolvimento – 69% – do que os entrevistados de economias avançadas – 40%”, disse o WGC.

Fonte: MSN

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Economia, Finanças

O dólar renova mínimas e já se aproxima dos R$ 5,50. Até onde vai a queda?

Tendência de dólar mais fraco por conta das políticas de Donald Trump é vento de cauda para a divisa brasileira, mas uma queda estrutural abaixo dos R$ 5,50 depende muito da situação fiscal, apontam especialistas

“Deus inventou o câmbio para humilhar os economistas”, diz um ditado do mercado, mostrando a imprevisibilidade das moedas.

Mas, com o dólar apontando para baixo e renovando mínima atrás de mínima nos últimos pregões para o menor patamar desde outubro, a pergunta é inevitável: até onde vai a queda?

Antes de mais nada, a ordem dos fatores importa: mais do que uma valorização do real, trata-se de um enfraquecimento do dólar.

É um movimento global, puxado por alguma perda de confiança na economia dos Estados Unidos em meio ao caos tarifário e as políticas erráticas do presidente, como pela própria vontade patente de Donald Trump de reduzir o que ele acredita que seja uma sobrevalorização da moeda americana, que prejudica a competitividade da indústria local.

Quando observada a conjuntura doméstica no Brasil, o único motivo para a apreciação do real foi uma correção da desvalorização extrema ao fim de 2024, quando foi apresentado o pacote de corte de gastos.

Com poucos cortes e o anúncio da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, a percepção de risco disparou e a moeda ficou em níveis estressados.

“Mas hoje é consenso que foi uma reação um pouco exagerada, o dólar a R$ 7 seria uma possibilidade caso o Banco Central parasse de vender dólar [o que não ocorreu]. Aquele exagero no final do ano passado foi sendo compensado ao longo dos primeiros meses de 2025”, afirma Danillo Igliori, economista-chefe da Nomad.

Para fins de comparação, o economista cita que o dólar estava em R$ 4,85 no começo de 2024. Agora, está acima de R$ 5,50 – ou seja, a divisa ainda tem um longo caminho a percorrer para atingir patamares de anos anteriores.

Outro fator para real mais forte é o petróleo, que sobe 7,6% em dólar. “Como somos exportadores de petróleo, essa somatória de dólar fraco e petróleo forte, me parece uma melhor explicação do real está sendo negociado próximo dos R$ 5,50”, comenta Álvaro Frasson, estrategista macro do BTG Pactual.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos bastante elevado também ajuda a atrair capital para cá, comenta Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

“Além disso, a gente está no fim ou muito próximo do fim do ciclo da alta de juros e, portanto, isso dá mais previsibilidade e maior apetite à renda variável”, afirma.

O interesse maior, no entanto, é no fiscal brasileiro, que pode mudar o jogo completamente. No atual cenário, a pauta em questão são as medidas do governo para substituir a revogação de parte do decreto do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Segundo Sung, se houver algum problema na discussão entre o executivo e o legislativo em relação à Medida Provisória (MP) que será apresentada, isso pode aumentar as incertezas fiscais e se refletir no câmbio.

“Mas se a gente aproveitar essa janela de oportunidade que temos agora no terceiro trimestre, antes das eleições, para discutir e conseguir aprovar medidas mais estruturais em relação ao fiscal, vai ser importante para reduzir o risco e até levar o dólar a uma cotação abaixo dos R$ 5,50.”E o que o mercado está mais de olho – e é um dos principais riscos – são as eleições em 2026.

“Podemos entrar em um momento em uma antecipação de um debate eleitoral, que pode começar a fazer algum preço na moeda. E aí não iremos conseguir explicar por fatores econômicos ou de mercado”, diz Frasson.

Guerra comercial desvaloriza o dólar

A aposta dos grandes gestores está dividida. Ao abrirem a carteira, grandes casas como Verde, Gauss e Kapitalo estão comprados em real – em nenhuma delas essa é uma das posições relevantes, mas a aposta na valorização do câmbio brasileiro está presente.

Do outro lado, Itaú Optimus, ASA e Armor Capital já veem uma possibilidade de depreciação da moeda e apostam em posições vendidas.

Um consenso maior é a desvalorização da moeda americana: Legacy, Ibiuna, Ace, Gauss, entre várias outras estão vendidos em dólar contra diversas moedas, especialmente as fortes, como o euro.

Fato é que a guerra comercial imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desagradou o mercado, que passou a não ver mais os ativos americanos como porto-seguro.

“Essa dificuldade de encontrar alguma resolução, algum equilíbrio, do choque de tarifas, vem trazendo um tipo de desconfiança. O fluxo não está correndo para os EUA por conta dessas políticas de má qualidade”, afirma Frasson.

Isso se reflete em um dólar mais fraco, não só quando você olha o desempenho do real, mas em relação às moedas de todos os emergentes, que se apreciaram no ano.

Índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas de seis países, incluindo euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço, se desvalorizou 9% em 2025. (Na mesma linha, o real acumula valorização de quase 10% no ano.)

Para lá ou para cá

O questionamento do dólar como moeda segura em termos de incerteza causada pelos próprios Estados Unidos faz os impactos da guerra comercial dividirem opiniões.

“A redução de tensões comerciais entre Estados Unidos e outros países aumenta a chance de continuidade do excepcionalismo americano, resultando em um dólar mais forte globalmente”, disse ontem o Itaú BBA em relatório, comentando as notícias de um ‘acordo de Genebra’ entre China e Estados Unidos.

O banco aponta para um dólar a R$ 5,75 em 2025 e 2026 – enquanto o BTG é mais otimista, apontando para R$ 5,60 em 2025.

“Em relação ao acordo fechado com a China, não vejo [que fortalece] o dólar dessa forma agora”, Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital.

“A ideia da reindustrialização necessariamente permeia grandes investimento nos EUA, e para que eles se tornem competitivos, coisa que não acontece hoje, essas empresas precisam se instalar novamente lá, com um dólar alto, isso fica muito custoso e vão para outras alternativas.”

Fonte: Exame

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Economia, Finanças

Fluxo cambial total em 2025, até 6 de junho, é negativo em US$ 9,727 bilhões, diz BC

O comercial teve entrada líquida de US$ 22,362 bilhões.

O fluxo cambial do Brasil ficou negativo em US$ 9,727 bilhões em 2025, até o dia 6 de junho, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira, 11. O canal financeiro acumulou saída líquida de US$ 32,089 bilhões. O comercial teve entrada líquida de US$ 22,362 bilhões.

O segmento financeiro teve compras de US$ 246,114 bilhões e vendas de US$ 278,203 bilhões no período. Esse canal inclui investimentos diretos e em carteira, remessas de lucro, pagamento de juros e outras operações.

O canal comercial teve importações de US$ 99,718 bilhões e exportações de US$ 122,080 bilhões. Nas exportações, estão inclusos US$ 14,108 bilhões em adiantamento de contrato de câmbio (ACC), US$ 32,966 bilhões em pagamento antecipado (PA) e US$ 75,005 bilhões em outras operações.

Mensal

Conforme os dados preliminares do BC, o fluxo cambial do Brasil foi positivo em US$ 437 milhões na primeira semana de junho. O canal financeiro teve entrada líquida de US$ 69 milhões. O canal comercial, de US$ 368 milhões.

Os dados dizem respeito ao período de 2 a 6 de junho, e também representam o acumulado do mês até a última sexta-feira.

O segmento financeiro teve compras de US$ 9,754 bilhões e vendas de US$ 9,675 bilhões.

O canal comercial teve importações de US$ 4,656 bilhões e exportações de US$ 5,024 bilhões. Nas exportações, estão inclusos US$ 1,038 bilhão em adiantamento de contrato de câmbio, US$ 1,008 bilhão em pagamento antecipado e US$ 2,978 bilhões em outras operações.

Fonte: InfoMoney

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