Comércio Internacional

China alerta para aumento de tensões no comércio global e foca em crescimento interno

Os líderes da China manifestaram preocupação com uma possível escalada das tensões comerciais globais enquanto planejam a política econômica para 2026. O alerta surge após o país registrar um superávit comercial recorde, mesmo em meio à guerra tarifária com os Estados Unidos.

Em comunicado divulgado pelo Politburo na segunda-feira, o órgão enfatizou a necessidade de “uma melhor coordenação entre o trabalho econômico doméstico e uma batalha econômica e comercial internacional”, prometendo “agir sem demora” para desenvolver novos motores de crescimento.

Analistas interpretam a mensagem como um sinal de que o governo manterá vigilância constante sobre o comércio internacional, evitando medidas de estímulo mais agressivas em um cenário de desaceleração econômica.

Pressões internacionais e protecionismo

Embora as relações comerciais com os EUA tenham melhorado, outros países intensificam ações proativas. O Japão e alguns membros da União Europeia, como a Holanda e a França, avaliam medidas de retaliação, incluindo tarifas contra produtos chineses, caso Pequim não ajuste seus desequilíbrios comerciais.

Segundo economistas da Huaxi Securities, a tendência de desglobalização segue firme, pressionando a China a diversificar suas exportações e fortalecer a demanda interna para equilibrar o impacto externo.

Crescimento interno como prioridade

Internamente, a economia chinesa enfrenta desafios: consumo estagnado, queda de investimentos e desaceleração na manufatura. Em resposta, o Politburo estabeleceu o aumento da demanda doméstica como prioridade para 2026, incentivando o desenvolvimento de novas forças produtivas, incluindo setores emergentes como robótica humanoide e tecnologia de ponta.

Economistas do Goldman Sachs destacam que o comunicado sinaliza a intenção de expandir o setor manufatureiro e manter a resiliência das exportações, embora mostre menor preocupação com o crescimento do consumo e do setor imobiliário.

Infraestrutura e estímulo econômico

Com a construção de infraestrutura em nível elevado e o mercado imobiliário em colapso, a China busca novos setores para impulsionar a economia. Reformas de longo prazo, como expansão da rede de proteção social e ajustes tributários, são consideradas essenciais para reequilibrar o modelo de crescimento voltado para o consumo.

Além disso, políticas para estimular investimentos em infraestrutura digital e serviços devem apoiar o aumento do consumo, cujo gasto per capita ainda permanece abaixo da tendência pré-pandemia.

Política fiscal e perspectivas para 2026

O Politburo indicou que a política fiscal terá papel central em 2026, acompanhada por um relaxamento monetário gradual. A prioridade em prevenir riscos sistêmicos foi reduzida, sinalizando foco maior em promover crescimento, confiança empresarial e consumo.

Analistas da Nomura Holdings destacam que Pequim já utilizou suas ferramentas de política mais acessíveis e que os mercados precisarão de paciência para observar um ponto de inflexão real no crescimento e o fim da deflação.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Economia

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O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,8% no terceiro trimestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior, marcando o desempenho mais fraco em 12 meses. Apesar de estar alinhado com as projeções e manter o país no caminho para alcançar a meta anual de cerca de 5%, o resultado reforça a dependência crescente das exportações diante da baixa demanda interna.

Tensões comerciais com os EUA aumentam riscos estruturais

O cenário se agrava com a intensificação da guerra comercial entre Pequim e Washington. A China tem usado a resiliência econômica como sinal de força diplomática nas conversas entre o vice-premiê He Lifeng e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, previstas para ocorrer na Malásia. Há ainda expectativa de uma reunião entre Xi Jinping e Donald Trump na Coreia do Sul.

Exportadores enfrentam perdas e competição agressiva

Empresários do setor industrial relatam forte impacto da queda nas compras dos EUA. Jeremy Fang, executivo de uma fabricante de alumínio, afirmou que sua empresa perdeu 20% da receita devido a uma redução de até 90% nos pedidos americanos. Para compensar, a companhia busca novos mercados na América Latina, África, Sudeste Asiático e Oriente Médio.

“É preciso ser implacavelmente competitivo em termos de preço”, destacou Fang, relatando que reduzir margens se tornou a única saída para manter contratos. A competição acirrada levou muitas empresas chinesas a cortar salários e postos de trabalho, pressionando ainda mais o consumo interno.

Produção industrial cresce, mas consumo e imóveis recuam

Enquanto a produção industrial surpreendeu em setembro com alta de 6,5% — a maior em três meses —, o consumo doméstico perdeu força. As vendas no varejo subiram apenas 3%, o menor crescimento em 10 meses.

No setor imobiliário, a crise permanece: os preços de novas moradias registraram a queda mais acentuada em quase um ano, e os investimentos no setor caíram 13,9% nos primeiros nove meses de 2025 em relação ao ano anterior.

Dependência de exportações é alerta para futuro

Para analistas, a atual dinâmica mostra que a economia chinesa está cada vez mais desequilibrada. “O crescimento da China está se tornando cada vez mais dependente das exportações, que estão compensando a desaceleração da demanda interna”, avaliou Julian Evans-Pritchard, da Capital Economics.

FONTE: Reuters

IMAGEM: REPRODUÇÃO INTERNET/ Bigstock

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