Internacional

EUA realizam primeiro transporte aéreo de microrreator nuclear e reforçam estratégia energética militar

Pela primeira vez, os Estados Unidos realizaram o transporte aéreo de um microrreator nuclear de 5 megawatts (MW) a bordo de uma aeronave militar. A operação ocorreu em 15 de fevereiro, ligando a Califórnia a Utah, e marca um avanço na estratégia de garantir energia para bases militares em áreas remotas.

Com cerca de seis toneladas, o equipamento foi levado sem combustível nuclear, reduzindo riscos durante o deslocamento. Ainda assim, o gesto tem peso político e estratégico: sinaliza que a energia nuclear compacta pode integrar operações logísticas em cenários sensíveis.

Operação aérea liga Califórnia a Utah

O transporte foi realizado em um avião de carga militar C-17, que levou o microrreator Ward e seus componentes até a Base da Força Aérea Hill, em Utah. A iniciativa envolveu o Departamento de Energia e o Departamento de Defesa, em parceria com a empresa californiana Valar Atomics.

Mais do que gerar eletricidade no destino, o objetivo foi demonstrar a capacidade de mobilizar rapidamente uma infraestrutura considerada crítica. A ação reforça o potencial de deslocamento ágil desse tipo de tecnologia para regiões estratégicas.

Autoridades classificam ação como marco

O secretário de Energia, Chris Wright, e o subsecretário de Defesa para Aquisições e Sustentação, Michael Duffey, acompanharam a operação.

Duffey afirmou que a iniciativa representa um passo relevante para levar energia nuclear a locais isolados, fortalecendo a prontidão militar. A movimentação também amplia o poder de dissuasão dos EUA, ao oferecer alternativas energéticas em cenários de disputa geopolítica.

Segundo o jornal vietnamita Công Luận, o transporte teve caráter demonstrativo e não envolveu uso imediato do reator, reforçando o foco em capacidade operacional e resposta rápida.

Administração Trump impulsiona pequenos reatores

A aposta em reatores nucleares de pequena escala ganhou força durante o governo de Donald Trump. Em maio do ano passado, o presidente assinou quatro ordens executivas para ampliar a produção de energia nuclear no país, citando demandas ligadas à segurança nacional e à competição em inteligência artificial.

Em dezembro, o Departamento de Energia também anunciou duas subvenções para acelerar o desenvolvimento de pequenos reatores modulares (SMRs).

Defesa quer reduzir dependência de diesel

Um dos principais argumentos a favor dos microrreatores é a substituição de geradores a diesel em áreas remotas. Atualmente, o abastecimento frequente de combustível representa custo elevado e vulnerabilidade logística.

Por outro lado, críticos apontam que a eletricidade gerada por microrreatores nucleares pode ter custo superior ao de grandes usinas nucleares e até de fontes renováveis, como energia solar e eólica. O debate envolve não apenas orçamento, mas também estratégia militar e autonomia energética.

Potência de 5 MW e meta comercial até 2028

O CEO da Valar Atomics, Isaiah Taylor, informou que o reator transportado tem tamanho semelhante ao de uma minivan e capacidade de até 5 MW — suficiente para abastecer cerca de 5 mil residências.

A previsão é iniciar operações em julho com 100 quilowatts, avançar para 250 quilowatts ainda neste ano e ampliar gradualmente até a potência máxima. A empresa estima iniciar vendas de eletricidade em caráter experimental em 2027 e alcançar operação comercial em 2028.

O Departamento de Energia indicou que o combustível deverá sair da Área de Segurança Nacional de Nevada para instalações em San Rafael. Também estão em curso negociações com estados, incluindo Utah, para definir estratégias de reciclagem ou armazenamento definitivo do material nuclear.

Ao colocar um microrreator no ar, Washington sinaliza uma nova etapa na integração entre energia nuclear, logística militar e presença estratégica global, reforçando sua capacidade de atuação em regiões isoladas e de alto interesse geopolítico.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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