Negócios

Mercado corporativo impulsiona crescimento da LG no Brasil e ganha protagonismo na estratégia da empresa

Conhecida do público principalmente por seus produtos eletrônicos para o consumidor final, a LG vem ampliando de forma silenciosa sua atuação no mercado corporativo no Brasil. Atualmente, a divisão B2B já responde por cerca de 15% do faturamento da companhia no país, que é o terceiro maior mercado global da LG, atrás apenas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.

Em um cenário mais conservador, a expectativa é que essa participação dobre nos próximos anos, alcançando 30% das receitas totais. No entanto, o plano estratégico é ainda mais ambicioso: a meta é que o segmento corporativo represente 50% do faturamento até 2030.

Brasil acompanha tendência global da LG
No cenário global, a divisão B2B da LG encerrou o último ano com US$ 16,6 bilhões em receita, o equivalente a aproximadamente 25% do faturamento total da companhia, que somou cerca de US$ 66 bilhões. O crescimento foi de 3% em relação a 2024.

Daniel Song, presidente da operação brasileira desde 2023 e também responsável pela América Latina desde 2024, lidera a estratégia. Quando reassumiu o comando no Brasil, o mercado corporativo representava menos de 10% da receita local.

“O consumidor brasileiro associa a LG principalmente a televisores, áudio e eletrodomésticos”, afirmou o executivo em entrevista à Bloomberg Línea. “Mas o segmento corporativo cresce mais rápido que o B2C e oferece mais espaço para expansão.”

Displays, climatização e soluções completas
As principais oportunidades da LG no mercado corporativo estão concentradas em displays profissionais, monitores, telas interativas e sistemas de ar-condicionado. Diferentemente do varejo tradicional, no qual o foco é a venda do produto, o B2B trabalha com o conceito de “solução total”, incluindo serviços de manutenção e suporte técnico.

A companhia mira desde grandes data centers até pequenos comércios, passando por farmácias, supermercados, redes hoteleiras e escritórios corporativos. O retorno gradual ao trabalho presencial também impulsionou a demanda por salas de reunião equipadas com tecnologia integrada.

“Empresas estão investindo mais para tornar os ambientes mais atrativos”, explicou Rodrigo Fiani, vice-presidente de Vendas da LG no Brasil. “Isso aumentou as vendas de monitores, telas corporativas e ar-condicionado.”

Hotelaria aposta em experiências digitais
O setor hoteleiro é outro foco estratégico. A LG aposta que o Brasil seguirá a transformação já observada em mercados como Estados Unidos e México, onde telas inteligentes nos quartos permitem que hóspedes solicitem serviços, façam pedidos e personalizem a experiência.

A linha Pro:Centric é a principal aposta para esse segmento, ao integrar sistemas e permitir a customização de serviços. “O hotel não quer mais faturar apenas com a diária, mas com experiências”, destacou Leonardo Di Clemente, gerente de Information Displays da LG Brasil.

Climatização e data centers ganham destaque
Na divisão de climatização, as expectativas são ainda maiores. O segmento de ar-condicionado responde por cerca de 25% da receita global da LG e encontra no Brasil um mercado com baixa penetração: apenas 21% das residências e menos de 40% do setor comercial utilizam esse tipo de equipamento.

No B2B, cresce a demanda por sistemas inteligentes, capazes de analisar o ambiente e o fluxo de pessoas. A empresa também busca ampliar sua presença em data centers, setor que vive um ciclo de forte expansão, com investimentos globais estimados em US$ 500 bilhões nos próximos anos.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o Brasil possui atualmente 42 projetos de data centers em desenvolvimento. Apesar de ter chegado depois de alguns concorrentes, a LG aposta na capacidade de customização rápida como diferencial competitivo. Nos Estados Unidos, a companhia já fechou contratos superiores a US$ 20 milhões e começa a conquistar projetos no mercado brasileiro.

Consumo segue estratégico com nova fábrica no Paraná
Apesar do foco crescente no B2B, a LG mantém investimentos relevantes no mercado de consumo (B2C). Em junho, a empresa inaugura sua fábrica de refrigeradores no Paraná, com investimento de R$ 1,5 bilhão. A planta, com 770 mil metros quadrados, será a segunda da companhia no país, ao lado da unidade de Manaus.

A nova fábrica permitirá atender cerca de 92% do mercado brasileiro de geladeiras. Hoje, os produtos são majoritariamente importados e posicionados no segmento premium. A meta é triplicar as vendas em 2026 e ampliar de forma expressiva os investimentos em marketing de linha branca.

“Nós estamos reforçando nosso compromisso com o Brasil”, afirmou Anna Karina Silva Pinto, CMO da LG. O mercado é altamente competitivo, dominado por Whirlpool, Electrolux e marcas chinesas como Hisense e Midea.

Produtos pensados para o consumidor brasileiro
Os refrigeradores fabricados no Paraná foram desenvolvidos especificamente para o perfil do consumidor brasileiro, com tecnologia bivolt, motor inverter — que reduz o consumo de energia em até 52% — e adaptações de uso, como forminhas de gelo e porta-ovos.

“O brasileiro abre a geladeira dezenas de vezes por dia. Estudamos esse comportamento para adaptar o produto”, explicou Fiani. Além disso, os modelos trazem distribuição uniforme de ar frio, evitando falhas no resfriamento.

A unidade paranaense também será um hub de exportação, com envios previstos para Argentina e estudos avançados para atender Colômbia e Chile.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg/SeongJoon Cho

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