Economia

Crédito desacelera com juros elevados e atividade econômica mais fraca, aponta Febraban

A desaceleração do crédito bancário para empresas reflete um cenário econômico mais conservador, influenciado pela perda de ritmo da atividade industrial e pela manutenção de juros elevados. A avaliação é do diretor de Relações Institucionais, Trabalhistas e Sindicais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Adauto de Oliveira Duarte.

Durante reunião da diretoria da FIESC, realizada na sexta-feira (30), Duarte afirmou que o crédito segue disponível, mas tem sido utilizado prioritariamente para sustentar as operações correntes das empresas, e não para expansão ou novos investimentos.

Crédito em Santa Catarina prioriza capital de giro

Em Santa Catarina, o saldo de crédito para pessoas jurídicas alcançou R$ 174,1 bilhões nos 12 meses encerrados em outubro de 2025. A maior parcela está concentrada em capital de giro, que somou R$ 50 bilhões, indicando que as empresas recorrem aos empréstimos para manter caixa, estoques e custos operacionais.

Já os financiamentos destinados à infraestrutura e projetos totalizaram R$ 32 bilhões, enquanto o crédito para investimento produtivo ficou em apenas R$ 3,6 bilhões, reforçando o adiamento de planos de expansão.

Segundo o diretor da Febraban, com a atividade econômica em desaceleração, o empresariado tende a postergar decisões de crescimento, reduzindo a procura por crédito de longo prazo.

Participação de SC no crédito nacional

O saldo total de crédito em Santa Catarina chegou a R$ 385,6 bilhões em outubro de 2025, o que representa 5,4% do crédito nacional. O indicador considera o estoque de empréstimos ainda não quitados e não corresponde ao volume de novas concessões.

No segmento de pessoas físicas, o crédito no estado somou R$ 211,4 bilhões, com destaque para o financiamento habitacional, que atingiu R$ 62,7 bilhões. O crédito pessoal chegou a R$ 47,1 bilhões, respondendo por 12,4% do consumo das famílias catarinenses.

Cenário nacional mostra ritmo mais fraco

No panorama nacional, a desaceleração do crédito às empresas é ainda mais evidente. Em 2025, até novembro, as linhas com recursos livres cresceram apenas 4%, após terem avançado 11,5% em 2024.

Em contrapartida, os financiamentos com recursos direcionados registraram alta de 25%, impulsionados por programas governamentais como o Plano Safra e linhas do BNDES.

De acordo com Duarte, micro, pequenas e médias empresas continuam buscando crédito para enfrentar um ciclo econômico menos favorável. Já as grandes companhias reduziram a demanda por empréstimos bancários, recorrendo com mais frequência ao mercado de capitais como fonte alternativa de financiamento.

Inadimplência e endividamento das famílias

A inadimplência entre micro e pequenas empresas segue elevada e em trajetória de alta. Em agosto de 2025, o índice atingia 8,2% nas pequenas empresas e 7,4% nas microempresas.

No caso das famílias, o endividamento, excluído o crédito habitacional, chegou a 30,9% da renda anual em outubro de 2025. O crescimento do crédito às pessoas físicas veio acompanhado de maior participação de cartão de crédito e crédito pessoal não consignado, modalidades com juros mais altos.

Segundo a Febraban, esse movimento aumenta o comprometimento da renda e pressiona a inadimplência, reduzindo a margem financeira das famílias.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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