Economia

Selic mantida em 15% pressiona a economia e eleva custos, avalia CNI

A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) segue gerando forte preocupação no setor produtivo. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o atual patamar dos juros impõe um custo elevado à economia, desestimula investimentos e aprofunda a desaceleração do crescimento econômico.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que o Banco Central deveria iniciar imediatamente um ciclo de flexibilização monetária. Segundo ele, a decisão ignora sinais consistentes de desaceleração da inflação e amplia os prejuízos à sociedade e à atividade produtiva.

Na avaliação da entidade, a postura cautelosa do Banco Central já não se justifica diante do cenário econômico atual. “Manter a Selic em um nível tão elevado prejudica a economia e compromete o crescimento. É fundamental que a redução dos juros comece já na próxima reunião do Copom”, afirma Alban.

Inflação mostra trajetória de convergência para a meta

Dados recentes reforçam o argumento da indústria. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2025 com alta de 4,26%, abaixo do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%, e inferior ao resultado de 2024, que foi de 4,83%.

As expectativas inflacionárias também apresentam trajetória de convergência. De acordo com o Boletim Focus, o mercado projeta inflação de 4% em 2026, recuando para 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028, aproximando-se do centro da meta, de 3%. As próprias projeções do Banco Central indicam inflação de 3,1% no horizonte relevante da política monetária, considerando um cenário de queda dos juros.

Juros reais muito acima do nível necessário

Com a Selic em 15%, o Brasil opera com juros reais estimados em 10,5% ao ano. Esse percentual está cerca de 5,5 pontos percentuais acima da taxa de juros neutra, estimada pelo Banco Central em 5% ao ano — nível que não estimula nem retrai a atividade econômica.

Segundo cálculos da CNI, uma taxa de juros em torno de 10,3% ao ano seria suficiente para controlar a inflação e, ao mesmo tempo, preservar o crescimento e o emprego. Isso significa que a Selic atual está aproximadamente 4,7 pontos percentuais acima do patamar considerado adequado.

Crédito caro trava investimentos e amplia o Custo Brasil

Os efeitos da Selic elevada são sentidos diretamente pelas empresas. Levantamento da CNI aponta que 80% das indústrias que enfrentaram dificuldades para contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo indicam os juros altos como principal obstáculo. Entre aquelas com problemas no crédito de longo prazo, o percentual chega a 71%.

Além disso, um terço das empresas industriais relatou piora nas condições de financiamento nos últimos seis meses, incluindo taxas de juros mais altas, prazos menores, carência reduzida e maior exigência de garantias. Nesse contexto, a oferta de crédito perdeu ritmo: em 12 meses até novembro de 2025, as concessões cresceram apenas 3,7%, bem abaixo dos 10,7% registrados no período anterior.

O encarecimento do capital também agrava o chamado “Custo Brasil”, conjunto de entraves estruturais, burocráticos, financeiros e tributários que reduzem a competitividade da indústria nacional e dificultam a inserção dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Crescimento econômico e confiança em queda

O cenário de juros elevados impacta diretamente as projeções econômicas. A CNI estima crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8% em 2026, abaixo dos 2,5% previstos para 2025. Organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, também revisaram suas estimativas, projetando expansão de 1,6% e 2%, respectivamente.

Outro reflexo é a perda de confiança do empresariado. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) atingiu 48,5 pontos em janeiro de 2026, o pior resultado para o mês em uma década. Em uma escala de 0 a 100, valores abaixo de 50 indicam falta de confiança, o que reduz decisões de produção, contratação e investimento e pode comprometer a oferta futura da economia.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI).

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: CNI / Gilberto Sousa

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Economia

Bancos reforçam expectativa de queda dos juros em março, aponta pesquisa da Febraban

As instituições financeiras reforçaram a expectativa de que o Banco Central inicie o ciclo de queda dos juros em março, segundo a mais recente Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas, divulgada pela Febraban nesta quinta-feira (1º). O movimento ganhou força após o tom mais duro adotado pela autoridade monetária na última reunião de 2025.

O levantamento mostra que aumentou o número de bancos que enxergam março como o ponto de partida para a redução da taxa Selic, hoje em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.

Diminui aposta em corte já em janeiro

Enquanto cresce a expectativa por um início de flexibilização em março, caiu a parcela de instituições que esperavam um corte já em janeiro. O percentual recuou de 45,5% para 30%, indicando maior cautela do mercado quanto ao ritmo de afrouxamento monetário.

A pesquisa ouviu 20 bancos entre os dias 17 e 19 de dezembro.

Projeções indicam juros mais baixos até o fim do ano

Apesar da postura cautelosa, o mercado segue projetando redução relevante da Selic ao longo de 2026. Segundo o Boletim Focus, a taxa básica deve encerrar o ano em 12,25%.

De acordo com Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, o debate agora gira em torno da velocidade desse movimento.
“Por ora, as expectativas seguem conservadoras e apontam para um ritmo moderado de cortes, mesmo com a Selic em nível elevado”, avaliou.

Inflação segue acima da meta, mas com viés de desaceleração

Em relação à inflação, 50% dos participantes acreditam que o índice em 2026 ficará alinhado ao consenso do mercado, ainda acima da meta oficial, pressionado por estímulos fiscais e expansão do crédito.

Por outro lado, 35% dos analistas projetam inflação abaixo do consenso, indicando uma possível continuidade do processo de desaceleração. O Banco Central trabalha com meta de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Atividade econômica mostra sinais de melhora

O levantamento também apontou melhora nas expectativas para o crescimento econômico em 2026. A fatia de analistas que projetam avanço de 1,8% do PIB subiu de 36,4% para 55%.

Ao mesmo tempo, diminuiu de 45,5% para 30% o grupo que esperava crescimento abaixo do consenso do mercado, indicando maior otimismo com a atividade econômica.

Crédito desacelera, mas segue em patamar elevado

A maioria dos bancos projeta que a carteira de crédito encerrará 2025 com crescimento de 9,2%, desacelerando gradualmente para 8,2% em 2026. Mesmo assim, o ritmo segue elevado, sustentado principalmente pelo crédito direcionado.

A projeção anterior apontava alta de 8,9% em 2025, mas foi revisada para cima com o avanço do crédito direcionado, que passou de 10,1% para 10,9%. O principal motor segue sendo o crédito para pessoas jurídicas, cuja expansão estimada subiu de 13,6% para 15,3%, impulsionada por programas governamentais.

No segmento das famílias, a expectativa de crescimento também avançou, de 8,4% para 8,7%, refletindo a resiliência do crédito habitacional, apesar da perda de fôlego no crédito rural.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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Economia

Manutenção da Selic em 15% preocupa indústria e comércio

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a taxa Selic em 15% ao ano provocou críticas de representantes da indústria, do comércio, da construção civil e do movimento sindical. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a taxa elevada freia a atividade econômica e coloca o Brasil em desvantagem frente a países que já reduziram juros.

Setor industrial alerta para impactos no crédito

Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, disse que a política monetária “excessivamente contracionista” prejudica a economia. “A Selic tem freado a economia além do necessário, mesmo com a inflação em queda. O custo elevado ameaça o mercado de trabalho e o bem-estar da população”, afirmou.

Pesquisa inédita da entidade mostra que 80% das indústrias apontam os juros como principal obstáculo ao crédito de curto prazo, enquanto 71% consideram a taxa um entrave ao financiamento de longo prazo.

Construção civil sente efeitos do ciclo prolongado de juros altos

O setor da construção também manifestou preocupação. Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, juros altos encarecem o crédito imobiliário e dificultam novos projetos. “A construção é sensível ao custo do crédito e à confiança do consumidor. Uma Selic de 15% torna muitos empreendimentos inviáveis”, disse.

A CBIC reduziu sua projeção de crescimento do setor em 2025 de 2,3% para 1,3%, citando impactos do ciclo prolongado de juros elevados.

Sindicatos alertam para impactos fiscais e sociais

As centrais sindicais também criticaram a decisão. A Contraf-CUT afirma que cada ponto percentual da Selic aumenta em cerca de R$ 50 bilhões os gastos públicos com juros da dívida. “Quase R$ 1 trilhão poderiam ser investidos em saúde, educação e infraestrutura”, afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT.

A Força Sindical classificou a política como “era dos juros extorsivos”, destacando que compromete o consumo e a renda das famílias.

Setor de supermercados e consumo sob pressão

Segundo a Associação Paulista de Supermercados (APAS), o Brasil está na contramão do mundo, mantendo a segunda maior taxa real de juros global. O economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz, apontou que o cenário prejudica investimentos, consumo das famílias e o desenvolvimento econômico.

Cautela monetária do Banco Central

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) pondera que a manutenção da Selic reflete a necessidade de política monetária cautelosa, diante de inflação acima da meta, expansão fiscal, resiliência do mercado de trabalho e incertezas externas. “Esse contexto justifica uma postura prudente do Banco Central”, disse o economista Ulisses Ruiz de Gamboa.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Industria

BNDES começa hoje a liberar crédito para indústrias afetadas pelo tarifaço

Linhas estão abertas e funcionando. Empresas podem procurar seus agentes financeiros ou o próprio BNDES, informou o diretor do Banco, José Luis Gordon, durante reunião na FIESC

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começa hoje a liberar as linhas de crédito para indústrias exportadoras afetadas pelo tarifaço. “Convido os empresários a já procurarem seus agentes financeiros ou o próprio BNDES porque as linhas já estão abertas e funcionando. Esse é o principal recado”, afirmou o diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior do Banco, José Luis Gordon. Ele participou de encontro na Federação das Indústrias (FIESC), nesta quarta-feira, dia 17, e junto com técnicos do Banco apresentou detalhes operacionais de como as empresas podem acessar as linhas e as condições de acesso.

“Esse encontro foi muito importante porque as indústrias afetadas pelo tarifaço tiveram a oportunidade de conhecer as linhas de crédito e tirar dúvidas. Santa Catarina foi muito atingida, e o Plano Brasil Soberano veio numa boa hora e vai aliviar um pouco esse baque que o empresário catarinense teve”, afirmou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.

São R$ 40 bilhões em crédito no âmbito do Plano Brasil Soberano, dos quais R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões em recursos do próprio Banco. Os recursos vão financiar capital de giro e investimentos em adaptação da atividade produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados. Terão acesso aos recursos do FGE empresas de todos os portes que foram impactadas pela tarifa de 50% e cujo faturamento bruto com exportações aos Estados Unidos seja igual ou superior a 5% do total apurado entre julho de 2024 e junho de 2025.

Serão ofertadas quatro linhas de crédito com recursos do FGE: Capital de Giro (financiamento de gastos operacionais), Giro Diversificação (busca de novos mercados), Bens de Capital (aquisição de máquinas e equipamentos) e Investimento (inovação tecnológica, adaptação da atividade produtiva, de produtos, de serviços e de processos, e adensamento da cadeia produtiva). Os financiamentos serão realizados com cláusula contratual de compromisso de manutenção de empregos.

“Queremos viabilizar que os exportadores brasileiros consigam manter a atividade econômica, preservar e gerar empregos, diversificar mercados internacionais e modernizar e fazer a adaptação produtiva”, explicou Lívia dos Reis Rocha, superintendente de comércio exterior do BNDES.

Na reunião, técnicos do BNDES também apresentaram o Crédito Indústria 4.0, voltado para modernizar o parque industrial. São R$ 10 bilhões via BNDES e outros R$ 2 bilhões por meio da FINEP. A linha está aberta a empresas de qualquer porte. “A indústria é central para a agenda de desenvolvimento do país”, declarou Gordon.

Fonte: FIESC

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Exportação

Empresa que exporta aos EUA vai ter prazo maior para tributo e crédito acelerado

As empresas afetadas pelo tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros terão prioridade no processo de restituição e ressarcimento de créditos tributários, que são usados pelas companhias para abater impostos e contribuições devidas. Além disso, essas empresas tiveram os prazos de vencimento de tributos federais e de prestações relacionadas à dívida ativa da União prorrogados.

As medidas de alívio fiscal constam em portaria publicada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e fazem parte do plano Brasil Soberano, regulamentado pelo governo na semana passada com linhas de créditos e outras ações para socorrer as exportadoras afetadas pela medida imposta pelo presidente americano, Donald Trump.

De acordo com o texto, a prioridade na análise valerá para os pedidos de créditos tributários já transmitidos ao fisco, por meio do Programa de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (Per/Dcomp), e os que vierem a serem solicitados no prazo de até seis meses da publicação da portaria, o que aconteceu na última sexta-feira (22). Esse prazo pode ainda ser prorrogado por igual período, por ato da Secretaria Especial da Receita Federal. Também valerá somente para tributos administrados pela Receita.

A medida beneficiará empresas privadas exportadoras de bens que, entre julho de 2024 e junho de 2025, tiveram no mínimo 5% do faturamento total no período proveniente de exportações de itens sujeitos às tarifas adicionais. Microempreendedores Individuais (MEI) e produtores rurais com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) também podem ser beneficiados.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) ainda vai publicar uma tabela indicando pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) quais são os produtos afetados pela alíquota de 50% imposta pelos Estados Unidos, o que será essencial para que as empresas verifiquem se atingem ao critério de no mínimo 5%.

A portaria publicada na última sexta prevê, ainda, a prorrogação dos prazos de quitação de tributos federais e das prestações de parcelamentos e transações tributárias feitas com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou com a Receita Federal. De acordo com o normativo, os vencimentos de agosto deste ano foram prorrogados para o último dia útil de outubro, e os que vencem em setembro podem ser recolhidos até o último dia útil de novembro. O diferimento também valerá somente para as empresas afetadas pelo tarifaço.

No caso do diferimento, a medida não tem impacto fiscal no ano, porque o recolhimento acontecerá ainda em 2025. Representa, apenas, uma forma de alívio momentâneo no pagamento de tributos nos dois primeiros meses que o tarifaço estará em vigor.

A Fazenda diz que a previsão de prioridade para restituição de créditos tributários também não terá impacto fiscal. “Não houve alteração nas regras para aprovar a restituição”, afirma a pasta, em nota enviada ao Valor.

O economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos, explica que a medida não deve mesmo ter impacto fiscal, pois se trata apenas de uma mudança na ordem de prioridade. “O principal efeito deve ser temporal – um uso mais concentrado nesses primeiros meses e menor no ano que vem”, afirma.

Ele destaca que a priorização prevista na portaria tem seus efeitos combinados com o aumento do percentual de restituição de tributos federais via Reintegra, programa que permite que companhias que exportam seus produtos recebam de volta integralmente ou uma parte dos tributos pagos à União, a fim de estimular a exportação.

“Ou seja, você permite um volume maior de crédito tributário [via elevação do Reintegra] e, ao mesmo tempo, dá prioridade para o uso desse crédito. Claro que não se restringe apenas a essa fonte de créditos tributários, mas esses devem ser os mais significados nesse momento”, explica.

Tributaristas ouvidos pela reportagem têm dúvidas sobre como esse “fura fila” vai funcionar e se outras empresas que pedem compensações poderão ser prejudicadas, o que, defendem, não deveria acontecer. O Ministério da Fazenda nega que haverá prejuízo às empresas não abrangidas pela portaria.

“A medida de priorizar é legítima para dar conforto para as empresas, mas é um ato normativo que fala que não vai respeitar a ordem cronológica”, destaca a advogada Priscila Faricelli, sócia do Demarest. Para ela, é uma medida legítima do poder público, que sabe que tem muito pedido de compensação de crédito tributário parado para análise, mas a advogada aponta que a preferência na análise pode incentivar a judicialização por empresas que não são contempladas e que, pela ordem cronológica dos pedidos, vão se sentir prejudicadas.

Faricelli lembra que, recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou que prevalece a ordem cronológica para ressarcimento por parte do poder público para particular. O tema foi julgado em caso sobre devolução de créditos reconhecidos judicialmente, indicando que deve ser por precatório e não por pedido de restituição administrativa. “O Judiciário vem respeitando a ordem dos precatórios”, afirmou.

Segundo o Ministério da Fazenda, em relação às empresas não afetadas pelo tarifaço, não é correto dizer que elas serão prejudicadas pela priorização, pois “a concessão da restituição para um não implica em não restituição para outro”. “Seguiremos analisando todos os casos, para fazer a restituição daquilo que é devido”, afirma a pasta em nota.

Fonte: Valor Econômico

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Economia

Entenda como fica o IOF após derrubada de decreto

Câmbio, crédito e previdência privada voltam a alíquotas anteriores

A derrubada do decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)  provocou a terceira mudança nas alíquotas em pouco mais de um mês. As alíquotas que vigoravam até 22 de maio, quando o Ministério da Fazenda anunciou as mudanças, foram retomadas.

A revogação do decreto cria um desafio para o governo, ao provocar perda de R$ 12 bilhões em arrecadação para 2025, segundo a Receita Federal. No entanto, para o cidadão, as mudanças aliviam o bolso, com alíquotas menores sobre as operações de câmbio, de empréstimo para empresas e da previdência privada do tipo Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL).

Como não tinham sido objeto do decreto, o IOF de crédito para pessoas físicas, para o Pix e para modalidades isentas não foi alterado.

Entenda os efeitos da derrubada do decreto sobre o seu bolso:

Viagem ao exterior

Como estava

Unificação do IOF sobre operações de câmbio em 3,5%. A nova alíquota incidia sobre:

•     Transações de câmbio com cartões de crédito e débito internacional, compra de moeda em espécie, cartão pré-pago internacional, cheques de viagem para gastos pessoais;

•     Empréstimos externos para operações com prazo inferior a 365 dias, para tomadas de empréstimos feitas do Brasil no exterior;

•     Para operações não especificadas, a alíquota passou a ser de 0,38% na entrada (do dinheiro no país) e 3,5% na saída;

•     Isenção para retorno de investimentos estrangeiros diretos (que geram emprego) no Brasil. Saída de recursos pagava 3,5%.

Como voltou a ficar

As alíquotas voltam a ser as mesmas de antes do decreto:

•     1,1% para compra de moeda em espécie;

•     3,38% nas outras transações (cartões de crédito, débito, débito internacional e pré-pago);

•     Para operações não especificadas, alíquota voltou a 0,38%, sendo cobrada uma única vez;

•     Remessas ao exterior e empréstimo de curto prazo (inferior a um ano) voltam a ter alíquota de 1,1%.

A versão mais recente do decreto não tinha alterado as seguintes operações cambiais:

•     Operações interbancárias;

•     Importação e exportação;

•     Ingresso e retorno de recursos de investidor estrangeiro;

•     Remessa de dividendos;

•     Juros sobre capital próprio para investidores estrangeiros.

Crédito para empresas

Como estava

A tomada de crédito por qualquer pessoa jurídica tinha passado a pagar mais imposto.

•     Teto de IOF de operações de crédito para empresas em geral havia subido para 3,38% ao ano;

•     Para empresas do Simples Nacional, a cobrança havia aumentado para 1,95% ao ano;

•     Alíquota de 3% ao ano sobre risco sacado, operação de antecipação ou financiamento de pagamento a fornecedores.

•     Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC): alíquota de 0,38% sobre compra de cotas primárias, inclusive por bancos.

Como voltou a ficar

•     Teto de IOF de operações de crédito para empresas em geral voltou a 1,88% ao ano;

•     No caso de empresas do Simples Nacional, cobrança máxima retornou ao limite de 0,88% ao ano;

•     Risco sacado deixou de ser considerado operação de crédito e voltou a ficar isento;

•     Compra de cotas primárias do FIDC voltaram a ficar isentas.

Previdência VGBL

Como estava

•     Isenção para aportes de até R$ 300 mil ao ano (R$ 25 mil por mês) até o fim de 2025 e de aportes anuais de até R$ 600 mil (R$ 50 mil por mês) a partir de 2026. Acima desse valor, cobrança de 5%;

•     Isenção para a contribuição patronal (do empregador).

Como voltou a ficar

•     Alíquota zero para aportes mensais de qualquer valor.

Bets, fintechs e investimentos incentivados

No início de junho, o governo reverteu parte das elevações do IOF, mas editou uma medida provisória (MP) que aumenta outros tributos <https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-06/nova-mp-deve-reforcar-arrecadacao-em-r-105-bi-neste-ano>. Embora enfrente resistências no Congresso Nacional, a MP continua em vigor pelos próximos quatro meses.

Caso a MP, que não trata do IOF, seja aprovada, o aumento da contribuição das bets de 12% para 18% entrará em vigor nos próximos três meses. Da mesma forma, a elevação de 9% para 15% da alíquota das fintechs (startups do setor financeiro) e o endurecimento das regras de compensações tributárias (ressarcimento de impostos supostamente pagos a mais) por grandes empresas.

Outras medidas de aumento de Imposto de Renda (IR) para a população mais rica só entrarão em vigor em 2026, caso a MP seja aprovada.

Estão nessa situação o fim da isenção para títulos privados incentivados (LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures) e a elevação de 15% para 20% do Imposto de Renda dos Juros sobre Capital Próprio (JCP), tipo de remuneração paga aos acionistas de empresa.

Fonte: Agência Brasil

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Investimento

Congresso aprova crédito de R$ 816,6 milhões para investimentos em ferrovias no Nordeste

Recursos serão destinados a companhias ferroviárias; texto segue para sanção

O Congresso Nacional aprovou nesta terça-feira 17 projeto que abre crédito suplementar de 816,6 milhões de reais para o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). Os recursos serão destinados a companhias ferroviárias para financiar projetos do setor produtivo que já tenham recebido aporte do FDNE.

O texto, aprovado em votação simbólica — que ocorre quando há acordo sobre a proposta e não é preciso o registro individual dos votos — segue agora para sanção presidencial.

Segundo o relator, senador Cid Gomes (PSB-CE), o objetivo é fortalecer a infraestrutura logística. “Dessa forma, o crédito suplementar auxilia na consolidação e continuidade dos projetos em andamento, assegurando o cumprimento dos contratos e a efetivação dos investimentos já iniciados”, afirma o senador.

De acordo com a justificativa do governo federal, o valor a ser repassado às concessionárias é proveniente da incorporação do excesso de arrecadação de doações nacionais e sua disponibilização não causa impacto negativo no Orçamento da União.

Fonte: Carta Capital

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Internacional, Mercado Internacional, Negócios

Nota de crédito da Argentina sobe, e Fitch aponta avanço na estabilização do país

A pontuação de crédito da Argentina foi elevada para ‘CCC+’ pela Fitch Ratings nesta segunda-feira (12). A agência de classificação de risco citou o reflexo do lançamento “de um novo programa do FMI e a importante liberalização do mercado de câmbio que reforçaram a liquidez externa e a durabilidade do programa de estabilização econômica do presidente Javier Milei“.

Em nota, a Fitch ressaltou que a recuperação econômica argentina e a desinflação superaram as expectativas e os desenvolvimentos aumentaram a capacidade do governo Milei de efetuar os pagamentos da dívida a curto prazo.

Apesar de a inflação do país ter subido para 3,7% em março após cinco meses abaixo dos 3%, a Fitch disse que a “liberalização cambial não parece ter representado um retrocesso para a inflação, pois não implicou em uma depreciação significativa e teve repasse limitado, pois é um regime mais sustentável que ajudou a acalmar o comportamento dos agentes formadores de preços”.

É esperado que a inflação da Argentina caia para abaixo de 2% até o quarto trimestre de 2025, segundo a agência.

A Fitch ressaltou ainda que as eleições legislativas de meio de mandato em outubro serão um ponto determinante para a dinâmica das reservas internacionais e do acesso ao mercado, já que são um teste do apoio do projeto econômico de Milei.

A agência afirma que a economia argentina vem se recuperando rapidamente e aumentando a renda real. As reformas microeconômicas e os esforços de desregulamentação, além de investimentos em energia e mineração, estão melhorando as perspectivas econômicas e, portanto, é esperada uma forte recuperação do PIB de 5,6% em 2025.

Fonte: CNN Brasil

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