Exportação

Brasil reage às cotas chinesas sobre carne bovina e tenta conter perdas bilionárias

O Brasil reagiu às cotas impostas pela China à carne bovina e iniciou uma ofensiva diplomática e comercial para reduzir os impactos da medida sobre o setor exportador. As restrições chinesas colocam em risco um dos principais eixos do comércio bilateral e podem gerar perdas bilionárias já a partir de 2026.

Em nota divulgada na quarta-feira (31), os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), da Agricultura e Pecuária (Mapa) e das Relações Exteriores (MRE) informaram que acompanham a decisão “com atenção” e que atuarão de forma integrada com o setor privado para defender os interesses da cadeia produtiva da carne bovina brasileira.

Diálogo bilateral e possível atuação na OMC

Segundo o governo, o tema será tratado tanto no diálogo bilateral com Pequim quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Embora as salvaguardas não tenham sido justificadas por práticas desleais, como dumping ou subsídios ilegais, autoridades brasileiras avaliam que a iniciativa gera distorções relevantes em um mercado no qual o Brasil se consolidou como fornecedor estratégico.

O comunicado oficial ressalta que as medidas chinesas são aplicáveis a importações de todas as origens, mas o impacto sobre o Brasil tende a ser mais expressivo devido ao elevado volume exportado ao país asiático.

Cotas e sobretaxa afetam volumes e preços

As restrições chinesas à carne bovina entraram em vigor no dia 1º e terão validade inicial de três anos. As novas regras fixam uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para as importações do produto brasileiro. O volume que ultrapassar esse limite será taxado com uma sobretaxa de 55%, além da tarifa de importação de 12% já existente.

A combinação de cotas e tarifas deve afetar diretamente os volumes embarcados e a formação de preços, reduzindo a competitividade da carne brasileira no mercado chinês.

China é principal destino da carne brasileira

A China ocupa atualmente a posição de maior importador mundial e segundo maior consumidor de carne bovina, atrás apenas dos Estados Unidos. Nos últimos anos, tornou-se o principal destino das exportações brasileiras, com influência decisiva sobre os preços internacionais do produto.

Em 2024, mais de um terço da carne bovina exportada pelo Brasil teve como destino o mercado chinês, evidenciando o grau de dependência comercial do setor em relação ao país asiático.

Setor estima perdas de até US$ 3 bilhões

Para a indústria brasileira, o impacto financeiro pode ser expressivo. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) estima que as salvaguardas impostas pela China possam resultar em uma perda de até US$ 3 bilhões em receita em 2026, caso não haja flexibilização das regras ou redirecionamento relevante das exportações.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Ladeira/Folhapress

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