Evento

Mais que logística: como o ComexTech Forum aproximou tecnologia, soluções e relacionamentos

Não é só de contêineres, taxas e negociações que vive o comércio exterior. Por trás de cada operação internacional estão pessoas que precisam se adaptar, empresas que buscam soluções inovadoras e um mercado que se transforma a cada avanço tecnológico. Foi exatamente esse espírito de movimento e colaboração que marcou a terceira edição do ComexTech Forum, realizado no último dia 17 de setembro, no Expo São Paulo.

O evento, promovido pela Logcomex, reuniu milhares de profissionais de todo o Brasil em torno de um propósito: repensar o presente e projetar o futuro do comércio exterior e da logística. Foram mais de 20 painéis e palestras com especialistas nacionais e internacionais, cases de inovação, além de um ambiente fértil para networking e novas parcerias.

A tecnologia como motor da mudança

Para Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex, o grande diferencial do fórum é ser mais do que um encontro de negócios. “A essência é criar um evento colaborativo para a comunidade do comércio exterior. O setor é muito carente de encontros que vão além da teoria. Queremos que as empresas discutam tendências, exponham soluções e criem conexões reais. E a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, é o motor central dessa transformação digital.”

Com esse olhar, o ComexTech Forum não se limitou a ser vitrine da Logcomex, mas abriu espaço para que diferentes empresas pudessem apresentar suas soluções e contribuir para uma visão conjunta do mercado. 

Mary Anne de Amorim, Co-founder e CCO Fractal Intelligent Security, foi uma das especialistas que participaram das discussões no painel que trouxe o tema “Gestão de Riscos: fronteiras invisíveis na cadeia logística global”.  Para ela, casos recentes, como o escândalo da Faria Lima envolvendo hedge funds, lavagem de dinheiro e desvio de combustível, mostram o quanto práticas ilícitas comprometem a eficiência logística, a credibilidade das empresas e até a imagem do Brasil no cenário internacional. “O ecossistema precisa ser seguro, e cada parte dele tem uma responsabilidade”, destacou, reforçando a importância de provocar o público a assumir seu papel nesse processo.

O papel das parcerias na eficiência e inovação logística

Para Marcelo Borges, CEO da Tramontina Logistics nos Estados Unidos, que também marcou presença em um dos paineis no palco do ComexTech Forum,  os desafios complexos da logística mundial estão fortemente ligados a fatores externos como a concentração do supply chain na Ásia, questões geopolíticas e tarifas comerciais que redirecionam rotas marítimas. Segundo Borges um dos maiores gargalos do Brasil segue sendo a infraestrutura portuária, rodoviária e ferroviária, que encarece custos, aumenta prazos e dificulta a competitividade internacional. “Uma coisa puxa a outra: atrasos afetam a produção, estoques precisam ser maiores e o produto acaba viajando mais dentro do país antes de ser exportado”, explicou. O CEO reforçou ainda que parcerias estratégicas, como a da Tramontina com a PLEX, têm sido fundamentais para reduzir impactos, otimizar processos e encontrar soluções em meio a cenários de alta complexidade.

Essa visão foi compartilhada por Luciano Zucki, Co-Founder & Director da PLEX, que destacou a solidez e o sucesso da parceria. “Essa parceria é baseada nas fortalezas de cada empresa. Nós contribuímos com a logística internacional, o customs clearance dos embarques e a entrega até a Tramontina, enquanto eles fazem a distribuição e abertura de novos canais de venda. Estamos formatando projetos para alavancar ainda mais essa colaboração e temos muito orgulho em ver nossas marcas caminhando juntas”, afirmou.

Luciano ressaltou também a importância da presença no ComexTech Forum, tanto pela visibilidade da parceria quanto pela oportunidade de mostrar a estrutura da PLEX nos Estados Unidos e reforçar seu posicionamento no mercado internacional.

Pessoas no centro das transformações

O debate sobre inovação não ficou restrito a algoritmos e softwares. O empresário e palestrante Marcelo Toledo provocou o público ao destacar que, por trás de qualquer transformação empresarial, estão sempre as pessoas. “O principal desafio não é tecnologia, é gente. Conforme a empresa cresce, cresce também a complexidade. É preciso saber liderar, criar processos e, principalmente, incentivar mudanças de comportamento. E isso exige sair da zona de conforto, algo que nunca é fácil.”

Networking, aprendizado e celebração

A CEO do RêConecta News, Renata Palmeira, ressaltou que o evento cumpriu seu papel ao unir quem faz o comércio exterior acontecer.  “O ComexTech Forum envolveu pessoas, conectou tomadores de decisão e abriu caminhos para novos relacionamentos e negócios. É sobre colocar gente no centro e buscar soluções para o mercado.”

Mais do que debates sobre inteligência artificial, logística e economia, o ComexTech Forum foi também um espaço para fortalecimento de parcerias estratégicas. A feira de expositores mostrou a força das empresas que apoiam e investem na modernização do setor, e o encerramento ficou por conta de um show da dupla Bruno & Marrone, que trouxe leveza e celebração após um dia intenso de conhecimento.

No fim, a mensagem que ficou ecoando no Expo São Paulo é clara: o futuro do comércio exterior será construído por meio da tecnologia, mas sustentado pelas conexões humanas.

TEXTO E IMAGENS: REDAÇÃO/DAIANA BROCARDO

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA: veja a lista de produtos afetados divulgada pelo governo

O Governo do Brasil publicou na última sexta-feira (12) a tabela de produtos impactados pelas tarifas adicionais impostas unilateralmente pelos Estados Unidos. A medida integra o Plano Brasil Soberano, que estabelece critérios para acesso a linhas de crédito emergenciais e busca mitigar os efeitos do chamado tarifaço norte-americano.

Em Brasília, o tema teve reforço catarinense: o superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares Bastos Gama, reuniu-se com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para discutir diretamente os reflexos das tarifas sobre empresas que utilizam o Porto de Itajaí como rota de exportação. “Nosso compromisso é garantir que os empresários catarinenses tenham o suporte necessário para enfrentar este momento. O Porto de Itajaí não é apenas um elo logístico: é um vetor de desenvolvimento econômico. Estamos atuando junto ao governo federal para ampliar alternativas comerciais e proteger empregos e investimentos na nossa região”, destacou João Paulo Tavares Bastos Gama.

Após o encontro, Alckmin ressaltou avanços nas negociações comerciais com o México e reforçou que o governo federal está ampliando relações com países da Ásia, a fim de diversificar mercados e reduzir a dependência das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Produtos afetados pelo tarifaço

De acordo com a Portaria Conjunta MDIC/MF nº 4, de 11 de setembro de 2025, serão atingidos 9.777 códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), divididos em duas listas:

  • 9.075 códigos entram automaticamente no cálculo do faturamento com exportações aos EUA.
  • 702 códigos exigirão autodeclaração das empresas comprovando impacto efetivo nas vendas.

Crédito emergencial para exportadores

O Plano Brasil Soberano destina R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para linhas de crédito a juros acessíveis. A prioridade será para empresas que registraram ao menos 5% do faturamento total em exportações de produtos atingidos entre julho de 2024 e junho de 2025.

Além disso, outras companhias poderão acessar R$ 10 bilhões via BNDES, também em condições especiais.

Critérios e prazos de financiamento

Para acessar os recursos, as empresas precisam estar regulares junto à Receita Federal e à PGFN. As linhas de financiamento contemplam:

  • Capital de giro;
  • Produção de bens afetados;
  • Aquisição de bens de capital;
  • Investimentos em adaptação e inovação.

Os prazos variam de 5 a 10 anos, com carência de 12 a 24 meses. O limite chega a R$ 150 milhões por empresa em investimentos e até R$ 200 milhões em capital de giro para grandes empresas (R$ 35 milhões para pequenas e médias).

Brasil Soberano: proteção ao setor produtivo

O Plano Brasil Soberano, lançado em 13 de agosto, reúne medidas emergenciais para enfrentar a elevação unilateral de até 50% nas tarifas de importação dos EUA sobre produtos brasileiros.

A iniciativa atua em três eixos principais:

  • Fortalecimento do setor produtivo;
  • Proteção aos trabalhadores;
  • Diplomacia comercial.

Com isso, o objetivo é preservar empregos, ampliar mercados estratégicos e assegurar competitividade às exportações brasileiras, com o Porto de Itajaí exercendo papel central na conexão do Brasil com o mundo.

Fontes

  • Portaria Conjunta MDIC/MF nº 4, de 11/09/2025
  • Plano Brasil Soberano – Governo Federal
  • Secretaria de Comunicação do Porto de Itajaí (Secom)
  • Vice-presidência da República – declarações do vice-presidente Geraldo Alckmin

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: PORTO DE ITAJAÍ

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Comércio, Comércio Exterior, Exportação

Exportações brasileiras para a China recuam 7,5% em meio a tensões globais e China amplia domínio sobre importações

A guerra tarifária entre China e EUA, a queda nos preços das commodities e a diversificação dos fornecedores chineses mudaram o cenário da balança comercial entre Brasil e seu principal parceiro asiático.

A relação comercial entre Brasil e China passou por transformações importantes no primeiro semestre de 2025. Pela primeira vez em uma década, as exportações brasileiras para a China caíram significativamente, somando US$ 47,7 bilhões — queda de 7,5% em comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Essa retração ocorre em um contexto internacional conturbado, com destaque para a intensificação da guerra tarifária entre Estados Unidos e China, iniciada pelo presidente norte-americano Donald Trump. Em resposta, a China acelerou sua estratégia de diversificação de fornecedores, reduzindo sua dependência de parceiros tradicionais como o Brasil.

Queda nas exportações e perda de superávit

Apesar de seguir como principal destino das exportações brasileiras, com 28,7% de participação, o volume embarcado sofreu fortes baixas em produtos-chave. A soja, principal item exportado, registrou crescimento de 5% no volume, mas a queda nos preços derrubou o valor negociado para US$ 18,9 bilhões — uma redução de 6% na receita.

Outro destaque negativo foi o petróleo bruto, que sofreu sua maior retração em cinco anos, com queda de 7% no volume e de 15% no faturamento, totalizando US$ 9,3 bilhões. O impacto foi significativo na balança comercial, que, embora ainda positiva, teve seu superávit com os chineses reduzido para US$ 12 bilhões — o menor desde 2019 e quase metade do registrado no primeiro semestre de 2024.

China amplia presença no mercado brasileiro

Na contramão, as importações do Brasil vindas da China cresceram 22%, atingindo um novo recorde: US$ 35,7 bilhões. A participação chinesa nas compras brasileiras subiu para 26,3%, o maior percentual já registrado no comércio bilateral.

Esse crescimento foi impulsionado especialmente pelo aumento nas importações de veículos híbridos e aço. As compras de carros híbridos somaram US$ 1,38 bilhão — alta de 52% —, enquanto os laminados planos de aço cresceram impressionantes 318%, totalizando US$ 294 milhões.

Segundo especialistas, esses picos foram influenciados por uma corrida de antecipação às novas tarifas sobre veículos elétricos no Brasil, que subiram de 25% em julho de 2024 para 30% em julho de 2025. Mesmo com uma pequena retração em relação a 2024, os veículos chineses ganharam protagonismo, aparecendo pela primeira vez como o segundo bem mais vendido para o Brasil.

De acordo com o Icomex/FGV, entre 2002 e 2025, o Brasil passou de 17º para 6º maior mercado da indústria automotiva chinesa, representando 5,6% das vendas globais de veículos do país asiático.

Crescimento das exportações de industrializados e terras-raras

Apesar da concentração ainda alta em commodities, os embarques de bens industrializados brasileiros para a China avançaram. Destaque para o crescimento nas vendas de torneiras, dispositivos de aquecimento e aferidores de gases, além da valorização das exportações de terras-raras — compostos essenciais para a indústria de eletrônicos, turbinas e baterias de carros elétricos.

As exportações brasileiras de compostos de terras-raras para a China somaram US$ 6,7 milhões no semestre, mais que o triplo do valor registrado em todo o ano de 2024. O aumento coincide com o fortalecimento da presença do Brasil nesse mercado estratégico, impulsionado por acordos internacionais envolvendo China e EUA.

Contexto geopolítico influencia comércio bilateral

O cenário de tensões entre as duas maiores economias do mundo impactou diretamente a dinâmica do comércio internacional. A China, que encerrou o semestre com um superávit comercial global de US$ 586 bilhões, vem ganhando espaço como fornecedora global com preços competitivos e alta capacidade produtiva.

Segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o avanço da China sobre o mercado brasileiro reflete uma mudança estrutural no comércio global: “A China hoje concorre com tudo, produz de tudo e tem preço competitivo em tudo. O mundo está se adaptando a essa nova realidade”.

FONTES: ICL NOTÍCIAS / COMEX DO BRASIL / FGV / MDIC
TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: FREEPIK

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