Negócios

Licitação da Hidrovía tem três empresas interessadas na concessão por 25 anos

O governo argentino confirmou a participação de três companhias na licitação da Hidrovía, processo que definirá a concessão das obras de dragagem e balizamento da Vía Navegable Troncal, considerada o principal corredor fluvial da região.

As empresas habilitadas para disputar a administração da hidrovia pelos próximos 25 anos são a belga Jan De Nul, a também belga DEME (Dredging, Environmental & Marine Engineering) e a brasileira DTA Engenharia. Todas possuem capital privado e atuação internacional no setor de infraestrutura portuária.

Ausência de empresas dos Estados Unidos

Apesar da expectativa inicial, não houve participação de empresas norte-americanas na disputa. O possível interesse de dragadoras dos Estados Unidos chegou a ser mencionado nos bastidores, mas não se concretizou na fase de apresentação de propostas.

A definição dos concorrentes encerra uma etapa estratégica do processo de concessão da Hidrovía Paraná-Paraguai, rota fundamental para o escoamento da produção agrícola e industrial argentina.

Investimento estimado em US$ 10 bilhões

De acordo com o ministro da Economia, Luis Caputo, as empresas participantes assumiram o compromisso de investir cerca de US$ 10 bilhões ao longo dos 25 anos de contrato.

O ministro afirmou que o processo foi estruturado para garantir ampla participação e transparência. Segundo ele, a licitação contou com apoio de entidades representativas do setor produtivo, como a Sociedade Rural, a Bolsa de Comércio de Rosário, a União Industrial Argentina, a Câmara de Portos Privados, além de agroexportadores e governos provinciais.

Caputo também destacou que o processo recebeu auditoria das Nações Unidas, assegurando conformidade com padrões internacionais.

Participação considerada expressiva

O diretor executivo da Agencia Nacional de Puertos y Navegación, Iñaki Arreseygor, avaliou positivamente o número de interessados. Segundo ele, a expectativa mínima era contar com dois concorrentes, e a confirmação de três empresas fortalece a competitividade da disputa.

A concessão da Hidrovía é considerada estratégica para a logística e o comércio exterior argentino, já que a via concentra grande parte das exportações do país.

A próxima etapa do processo envolve a análise técnica e econômica das propostas apresentadas.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Internacional

Hidrovía: governo abre propostas e Estados Unidos pode entrar na disputa pela concessão

O governo argentino avança nesta terça-feira com a abertura dos envelopes da licitação da Hidrovía, etapa que revelará quais empresas formalizaram ofertas para assumir a concessão de dragagem e balizamento da Vía Navegable Troncal.

O processo ocorre em meio a questionamentos apresentados à Procuraduría de Investigaciones Administrativas (PIA) pelo engenheiro José María Lojo, ex-presidente do Consórcio de Gestão do Porto La Plata e atual titular do Conselho Portuário Argentino. A denúncia envolve o presidente Javier Milei, o ministro da Economia Luis Caputo e o titular da ANPyN, Iñaki Arreseigor, por supostas irregularidades no processo.

Jan De Nul lidera corrida pela concessão

A principal candidata à concessão é a belga Jan De Nul, atual responsável pelos serviços de dragagem. A empresa larga em vantagem por sua experiência acumulada no sistema troncal de navegação argentino.

Nos bastidores da Casa Rosada, há expectativa de que pelo menos mais uma companhia apresente proposta. A presença de concorrência é vista como essencial para dar maior respaldo político ao processo e evitar críticas sobre eventual favorecimento.

Entre as possíveis concorrentes estão a também belga DEME e a neerlandesa Van Oord. Já a Boskalis, que chegou a ser citada anteriormente como interessada, praticamente não deve participar.

Empresas dos EUA podem mudar o cenário

Uma eventual entrada de companhias norte-americanas pode alterar significativamente o panorama da disputa. Nomes como Great Lakes Dredge & Dock Company e Weeks Marine são apontados como possíveis interessados.

Caso isso se confirme, o movimento teria peso geopolítico relevante, sinalizando apoio da diplomacia dos Estados Unidos e reconfigurando o equilíbrio da concorrência. A presença americana poderia gerar incertezas quanto à permanência da atual operadora à frente da hidrovia pelos próximos 30 anos.

Debates técnicos e ausência da província de Buenos Aires

Durante o ano passado, foram realizadas mesas de participação no âmbito da licitação da Hidrovía, com contribuições de usuários do sistema e representantes provinciais. Nessas discussões, surgiram demandas técnicas, econômicas e estratégicas relacionadas à competitividade e à eficiência logística.

Apesar da importância da província no comércio exterior argentino, a província de Buenos Aires não esteve representada nesses encontros, o que chamou atenção diante de seu peso portuário e produtivo.

Canal Magdalena perde protagonismo

Paralelamente, o debate sobre o Canal Magdalena perdeu espaço na agenda política. O projeto, historicamente defendido como alternativa estratégica para garantir saída direta ao mar sem dependência do Canal Punta Indio, ficou em segundo plano.

O governador Axel Kicillof, que em gestões anteriores defendia abertamente a iniciativa, reduziu suas manifestações públicas sobre o tema nos últimos meses.

Concessão estratégica para o comércio exterior

A Hidrovía Paraná-Paraguai é considerada eixo central do comércio exterior argentino, concentrando grande parte das exportações agrícolas e industriais do país. Por isso, a nova concessão é vista como decisão estratégica tanto do ponto de vista econômico quanto geopolítico.

A abertura das propostas deve indicar o nível real de concorrência no processo e o grau de interesse internacional pela principal via de escoamento da produção argentina.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
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Logística

Argentina avalia rota ferroviária bioceânica para acesso a portos do Chile

O governo da Argentina iniciou tratativas para avançar na criação de uma rota ferroviária bioceânica com destino aos portos do Chile, com o objetivo de garantir uma saída logística direta ao Oceano Pacífico. A iniciativa é considerada estratégica para ampliar a competitividade do comércio exterior argentino e fortalecer a integração regional.

Investimento bilionário e corredor entre Argentina e Chile

O projeto prevê um investimento estimado em cerca de US$ 4 bilhões e propõe a implantação de um corredor ferroviário internacional, conectando regiões produtivas argentinas aos terminais portuários chilenos. A proposta está baseada na recuperação de trechos das linhas San Martín e Sarmiento, segundo informações divulgadas pela imprensa local.

O traçado em estudo ligaria a província de San Juan ao sul de Mendoza, criando um novo eixo de transporte de cargas entre os dois países.

Passo Planchón–Vergara é apontado como rota estratégica

O cruzamento da Cordilheira dos Andes deve ocorrer pelo passo Planchón–Vergara, nas proximidades da cidade de Curicó, na Região do Maule, no Chile. A escolha se deve às condições climáticas mais estáveis e à maior operabilidade durante o inverno, quando comparada a outros passos internacionais.

Conexão com Vaca Muerta amplia alcance logístico

Do lado argentino, o plano também contempla a construção de um ramal ferroviário entre General Alvear (Mendoza) e Vaca Muerta, em Neuquén. A ligação permitiria o transporte de recursos energéticos e produtivos para diferentes polos industriais, ampliando a eficiência da logística regional.

Desafios incluem infraestrutura e financiamento

Apesar do respaldo político, o projeto enfrenta obstáculos relevantes. Entre os principais desafios estão a reconstrução de vias férreas, a atualização dos padrões técnicos e a adaptação às exigências atuais do transporte ferroviário de cargas.

Para viabilizar a iniciativa, o governo avalia modelos de parceria público-privada (PPP) e sistemas de concessão, alternativas consideradas essenciais para garantir o financiamento do corredor.

Integração logística e ganho de competitividade

O corredor ferroviário bioceânico é visto como uma alternativa estratégica para reduzir custos logísticos, diversificar rotas de exportação e aproximar a Argentina dos mercados asiáticos, por meio dos portos chilenos do Pacífico.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Comércio Exterior

Argentina vê oportunidade geopolítica inédita para fortalecer o comércio exterior

O comércio exterior argentino voltou ao centro do debate econômico, não como um tema isolado, mas como um pilar estrutural do modelo de crescimento do país. Em um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas, reconfiguração das cadeias globais de valor e disputa entre grandes potências, a inserção internacional da Argentina surge simultaneamente como desafio e oportunidade.

Para Martín Tanco, especialista em comércio internacional com mais de 40 anos de experiência no assessoramento a empresas, o setor externo é hoje um dos poucos espaços capazes de gerar um círculo virtuoso sustentável para a economia argentina.

“O comércio exterior é central em qualquer plano econômico, tanto pela geração de divisas quanto pelo impacto positivo sobre o emprego, a produtividade e o crescimento das exportações”, avalia.

Reconfiguração global abre janela estratégica para a Argentina

Segundo Tanco, o país vive uma oportunidade geopolítica única, impulsionada, entre outros fatores, pela política de tarifas elevadas dos Estados Unidos, que acelerou o redesenho das cadeias produtivas globais e abriu espaço para novos fornecedores internacionais.

No entanto, o especialista ressalta que essa oportunidade não é automática. Para aproveitá-la, as empresas argentinas precisam agir rapidamente, investindo em planejamento estratégico, financiamento, inovação tecnológica e, sobretudo, em certificações internacionais, exigidas pelos mercados desenvolvidos.

Superávit comercial e mudança na matriz produtiva

Os números recentes reforçam o peso do setor externo. Em 2024, a Argentina registrou um superávit comercial recorde, impulsionado principalmente pelas exportações agroindustriais e energéticas. Em 2025, o saldo positivo foi mantido, com crescimento de 24% nas exportações, puxado por soja, trigo e petróleo.

Apesar do avanço em volume, os preços internacionais seguem limitados. “Os preços não são os melhores, mas cresce o potencial da energia, do lítio e da mineração”, observa Tanco, destacando uma transformação gradual na fonte de geração de dólares da economia.

Atualmente, cerca de 73% das divisas ainda vêm da agroindústria, concentrada no corredor central do país, enquanto 27% têm origem na energia e na mineração. As projeções para 2030, no entanto, indicam uma virada histórica: energia e mineração devem responder por 53%, superando o agro, com 47%.

Impacto regional e desafios logísticos

Essa transformação não é apenas setorial, mas também territorial. O deslocamento do eixo produtivo para as regiões andina e patagônica redesenha o mapa econômico argentino e impõe novos desafios em infraestrutura, logística e acesso a mercados internacionais.

Apesar dos avanços, a concentração das exportações em poucos complexos produtivos segue sendo uma limitação estrutural.

Importações, normalização e risco da restrição externa

Do lado das importações, o crescimento recente gera leituras distintas. Para Tanco, o aumento das compras externas reflete, em parte, a normalização da economia após um período de forte controle cambial.

“Viemos de um regime extremamente restritivo. A liberação elevou as importações, que agora tendem a se estabilizar”, explica. Segundo ele, há hoje uma relação mais saudável entre importações e exportações, com as compras externas acompanhando a expansão das vendas ao exterior.

A dúvida histórica permanece: a Argentina conseguirá crescer sem esbarrar na restrição externa? Para o especialista, o contexto global pode favorecer uma ruptura desse padrão.

Geopolítica, acordos e competitividade internacional

Em um mundo polarizado entre Estados Unidos, União Europeia e o eixo Rússia–China, a Argentina tem a vantagem de estar fora dos principais focos de conflito. Ainda assim, precisa avançar na integração às regras do comércio internacional.

Entre as prioridades estão o fortalecimento da presença no G20, o cumprimento do Acordo de Paris e a busca pela adesão à OCDE. No mapa comercial, Brasil, China, Estados Unidos e União Europeia seguem como principais parceiros.

Enquanto os EUA se destacam como fonte de investimentos, a China é vista como um parceiro mais previsível, avançando de forma silenciosa na aquisição de ativos estratégicos.

Infraestrutura, logística e decisões-chave para o futuro

Para consolidar o comércio exterior como motor de desenvolvimento, Tanco aponta uma dívida histórica em logística internacional. Projetos como o dragagem da Hidrovia Paraná–Paraguai, o Canal Magdalena, a melhoria das rodovias e dos acessos portuários são fundamentais para reduzir custos e elevar a competitividade.

O debate sobre as retenções às exportações também segue no radar, já que sua eliminação costuma gerar aumento imediato dos embarques. Além disso, a nova geografia produtiva exige repensar a estratégia portuária diante da concorrência dos portos chilenos.

Nesse cruzamento entre infraestrutura, política comercial e estratégia empresarial, está em jogo o futuro do comércio exterior argentino. Para Tanco, a chave será “fortalecer a competitividade e a resiliência para enfrentar riscos políticos e econômicos em um cenário global cada vez mais fragmentado”.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Exportação

Exportações argentinas devem atingir segundo maior recorde da história em 2025

As exportações argentinas de bens devem alcançar US$ 86,5 bilhões em 2025, configurando o segundo maior valor nominal da história do país. A estimativa consta em um relatório do consultor Marcelo Elizondo, elaborado com base nos dados do INDEC até novembro e em uma projeção considerada conservadora para dezembro.

Mesmo diante da queda dos preços internacionais, o desempenho reforça a resiliência do comércio exterior argentino, segundo a análise.

Superávit comercial permanece positivo

O estudo projeta importações em torno de US$ 75,8 bilhões, o que resultaria em um superávit comercial de US$ 10,7 bilhões em 2025. O saldo positivo evidencia o equilíbrio das contas externas, apesar de um cenário global mais desafiador.

De acordo com Elizondo, o resultado fica levemente abaixo do recorde histórico de 2022, quando as exportações somaram US$ 88,446 bilhões, impulsionadas por preços mais elevados. Ainda assim, o número supera o antigo pico de 2011, de US$ 84,051 bilhões.
“Em 2025, a Argentina terá registrado o segundo maior volume nominal anual de vendas externas de sua história”, destacou o consultor.

Queda de preços é compensada por aumento de volume

Entre novembro de 2024 e novembro de 2025, os preços de exportação apresentaram retração média de 3%. A maior queda foi observada no setor de combustíveis e energia (-8,7%), seguido por produtos primários (-2,6%) e manufaturas de origem agropecuária (-1,6%).

Apesar disso, o volume exportado cresceu expressivos 28%, o que permitiu um avanço de 24% no valor total exportado em relação ao ano anterior. Para dezembro, a previsão é de embarques próximos a US$ 7 bilhões, considerados prudentes pelo relatório.

Perfil das exportações e principais destinos

As manufaturas de origem agropecuária lideraram a pauta exportadora, com 35% do total. Em seguida aparecem as manufaturas industriais (26%), os produtos primários (25%) e combustíveis e energia (13%).

No ranking dos mercados de destino, o Brasil manteve-se como principal comprador, seguido por China, Estados Unidos, Chile e Índia, reforçando a diversificação geográfica das vendas externas argentinas.

Serviços e participação no comércio global

No segmento de exportações de serviços, o valor estimado é de US$ 17,8 bilhões em 2025. Já as importações devem alcançar US$ 30 bilhões, resultando em déficit na conta de serviços. Ainda assim, a participação da Argentina no comércio mundial permanece próxima de 0,3%.

Cenário internacional segue desafiador

O relatório aponta que o comércio global deve superar US$ 35 trilhões em 2025. Mesmo nesse ambiente de crescimento, impulsionado por Ásia Oriental, África e países do Sul Global, a Argentina conseguiu manter sua fatia tradicional, apesar de tensões geopolíticas e do aumento dos custos logísticos.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Sustentabilidade

Licitação da Hidrovia Paraguai-Paraná reacende polêmicas e levanta dúvidas sobre transparência e impacto ambiental

A Hidrovia Paraguai-Paraná, principal eixo do comércio fluvial da Argentina, voltou ao centro do debate público com o lançamento da Licitação Pública Nacional e Internacional nº 1/2025, que definirá a nova concessão da Via Navegável Troncal. O processo, publicado no Boletim Oficial em 19 de dezembro de 2025, é marcado por questionamentos judiciais, críticas técnicas e alertas sobre riscos econômicos e ambientais.

O que prevê a nova licitação da Hidrovia

O edital abrange o trecho que vai do quilômetro 1.238 do rio Paraná até as águas profundas do rio da Prata exterior, no km 239,1 do canal Punta Indio. Desde junho de 2021, esse segmento está sob gestão da Administração Geral de Portos (AGP), conforme o Decreto 427/21.

Trata-se da terceira tentativa de licitação desde o fim da concessão original dos anos 1990. As iniciativas anteriores foram alvo de impugnações e críticas da Procuradoria de Investigações Administrativas, que apontou falhas nos procedimentos e na condução administrativa.

Concorrência limitada e suspeitas de esvaziamento

No chamado anterior, previsto inicialmente para janeiro de 2025 e prorrogado até fevereiro, apenas a empresa belga DEME apresentou proposta. A baixa concorrência levantou dúvidas sobre a efetiva competitividade do certame e levou à atuação da Comissão Nacional de Defesa da Concorrência.

Após o episódio, autoridades do governo defenderam a licitação e alegaram que houve manobras para inviabilizar a comparação de propostas econômicas. Segundo a versão oficial, o esvaziamento da disputa teria prejudicado diretamente os produtores argentinos.

A DEME ofereceu executar serviços de dragagem e manutenção sem aumento de custos, com valores até 30% inferiores aos praticados anteriormente pela Jan De Nul, que mantinha contrato direto após a anulação da licitação de 2021/2022.

Histórico judicial e fragilidades no processo

A licitação também é analisada à luz da Causa Cuadernos, investigação em que o empresário Benjamín Romero, do grupo EMEPA e sócio local da Jan De Nul, admitiu pagamentos ilegais relacionados à prorrogação da concessão. O caso foi encaminhado para julgamento oral, apesar de tentativas de encerramento mediante reparação financeira.

No caminho até o novo edital, foram realizadas mesas de trabalho com participação restrita e repetição dos mesmos convidados, sem abertura a novos interessados. Na prática, os encontros funcionaram como apresentações formais, sem debates técnicos aprofundados.

Ausência de estudo ambiental gera críticas

Outro ponto sensível foi a realização de uma audiência pública sem a apresentação de um estudo de impacto ambiental. A ausência do documento provocou forte rejeição entre especialistas e participantes, colocando em xeque a sustentabilidade do projeto.

A Hidrovia Paraguai-Paraná é essencial para o escoamento da produção agroexportadora e possui impacto direto sobre ecossistemas e economias regionais, o que reforça a necessidade de análises ambientais consistentes.

Falta de consultas técnicas estratégicas

Não há registros de consultas formais a órgãos técnicos fundamentais, como a Prefectura Naval Argentina, o Instituto Nacional da Água, o Serviço de Hidrografia Naval ou o Serviço Meteorológico Nacional. Também não foram consideradas parcerias internacionais, como o memorando firmado entre a AGP e o US Army Corps of Engineers, voltado à gestão de recursos hídricos e proteção ambiental.

Fatores estruturais, como mudanças climáticas, variações nos ciclos hidrológicos e alterações no uso do solo no Brasil e no Paraguai, também ficaram fora do planejamento. Entre 2022 e 2025, o nível do rio Paraná chegou a cair mais de dois metros na região de Rosário, afetando diretamente os custos logísticos e de exportação.

Custos adicionais e impacto na competitividade

Além de dragagem e balizamento, a concessão exige serviços como contenção de derramamentos, salvamento, remoção de embarcações afundadas e manutenção de equipamentos de navegação. Essas atividades já são realizadas por órgãos públicos ou empresas privadas, mas passarão a ser responsabilidade do concessionário por 25 anos.

A incorporação de dívidas históricas da AGP ao contrato tende a elevar o valor dos pedágios, pressionando ainda mais a competitividade do setor produtivo argentino.

Um processo estratégico sob alerta

A Licitação 1/2025 da Hidrovia Paraguai-Paraná evidencia os desafios de administrar uma infraestrutura fluvial estratégica. Entre antecedentes judiciais, críticas à transparência, ausência de estudos ambientais e riscos econômicos, especialistas defendem um processo mais técnico, participativo e rigoroso para garantir benefícios reais aos produtores e à economia do país.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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