Portos

China anuncia ação judicial para recuperar controle de portos no Canal do Panamá

O governo da China informou que adotará medidas legais para defender os interesses de sua empresa de Hong Kong que administrava os portos de Balboa e Cristóbal, no Canal do Panamá, após a revogação da concessão pelas autoridades panamenhas.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, declarou em Pequim que o país atuará para proteger os direitos legítimos de suas companhias e assegurar segurança jurídica aos investimentos em infraestrutura estratégica.

Disputa envolve concessão bilionária

Os terminais de Balboa e Cristóbal eram operados há mais de 25 anos pela empresa CK Hutchison Holdings, por meio da subsidiária Panama Ports Company.

Ao longo desse período, foram investidos mais de US$ 1,8 bilhão em infraestrutura portuária, modernização de guindastes e sistemas de movimentação de carga. Os dois terminais estão posicionados em áreas estratégicas nas entradas do canal, considerado uma das rotas marítimas mais relevantes do planeta.

Após decisão da Suprema Corte do Panamá apontar supostas irregularidades contratuais, o governo local assumiu temporariamente o controle das operações e transferiu a concessão para operadores europeus.

Portos passam a operadores europeus

O terminal de Balboa passou à gestão da APM Terminals, ligada ao grupo dinamarquês Maersk. Já o porto de Cristóbal foi concedido à Terminal Investment Limited, empresa associada à suíça MSC.

A mudança administrativa coloca em risco os investimentos chineses acumulados ao longo de décadas e amplia a tensão diplomática em torno do controle de ativos estratégicos no comércio marítimo internacional.

Canal do Panamá no centro da geopolítica

O episódio reforça a crescente disputa geopolítica em torno do Canal do Panamá, responsável por cerca de 5% a 6% do comércio marítimo global. A via é essencial para as rotas entre Ásia, América e Europa.

A China figura entre os principais usuários do canal, respondendo por aproximadamente 21% do volume de cargas transportadas. O governo chinês sustenta que a ação judicial não busca apenas proteger uma empresa específica, mas garantir previsibilidade jurídica para investimentos internacionais em infraestrutura crítica.

Analistas avaliam que pressões ligadas a interesses dos Estados Unidos podem ter influenciado a decisão panamenha, refletindo a tradicional influência de Washington sobre projetos estratégicos na América Latina.

Crescente presença chinesa na América Latina

A disputa ocorre em um contexto de expansão da presença econômica chinesa na região. Entre 2003 e 2022, os investimentos da China na América Latina superaram US$ 187 bilhões, abrangendo portos, energia, telecomunicações e obras de infraestrutura.

O intercâmbio comercial entre a China e os países latino-americanos ultrapassa US$ 500 bilhões, consolidando o país asiático como parceiro estratégico. Atualmente, Pequim representa cerca de 16,9% do comércio total da região com o mundo, superando a União Europeia e aproximando-se da participação norte-americana.

O caso dos portos panamenhos evidencia que a disputa vai além do campo empresarial, envolvendo interesses geopolíticos, influência estratégica e controle de rotas fundamentais para o comércio global.

FONTE: Brasil de Fato
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP

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Portos

Panamá assume controle de portos de Hong Kong no Canal do Panamá

O governo do Panamá assumiu nesta segunda-feira (23) o controle de dois portos estratégicos no Canal do Panamá que eram operados pela empresa CK Hutchison, sediada em Hong Kong. Os terminais de Balboa, no lado do Pacífico, e de Cristóbal, no Atlântico, estavam sob gestão da companhia desde 1997.

A decisão foi tomada após a Suprema Corte do Panamá declarar a concessão inconstitucional em janeiro de 2026, alegando que o contrato apresentava “viés desproporcional em favor da empresa”, prejudicando os interesses do Estado. A concessão havia sido renovada por mais 25 anos em 2021.

Reações internacionais e contexto político

A revogação ocorre em meio a tensões internacionais. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), ameaçou retomar o controle do canal, alegando que a via estratégica estaria sob influência chinesa.

Em nota, a CK Hutchison classificou a tomada dos portos como ilegal, afirmando que “as ações do governo panamenho representam sérios riscos às operações, bem como à saúde e segurança nos terminais de Balboa e Cristóbal”.

Importância estratégica dos portos

Os terminais são cruciais para o comércio global, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico e representando aproximadamente 5% do transporte marítimo mundial.

Durante o período de transição de 18 meses, a operação ficará a cargo de empresas internacionais:

  • O porto de Balboa será administrado pela APM Terminals, subsidiária da dinamarquesa Maersk, em contrato de US$ 26 milhões;
  • O porto de Cristóbal será operado pela Investment Limited, do grupo MSC, com contrato de US$ 16 milhões.

A CK Hutchison deve recorrer da decisão na Câmara de Comércio Internacional (CCI). A China ameaçou multar o Panamá pelo cancelamento da concessão, enquanto o embaixador dos EUA no país, Kevin Cabrera, afirmou que a empresa não estava desempenhando suas funções de maneira satisfatória.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Portos

Panamá negocia com Maersk para operação temporária de portos estratégicos do Canal

O governo do Panamá confirmou que está em negociação com a dinamarquesa Maersk para a operação temporária de portos estratégicos do Canal do Panamá, após a Justiça anular a concessão da empresa de Hong Kong CK Hutchison. Os terminais afetados estão localizados nas duas extremidades da via interoceânica, considerada essencial para o comércio marítimo global.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (30) pelo presidente panamenho José Raúl Mulino, que afirmou que as conversas envolvem uma subsidiária do grupo APM Moller Maersk, reconhecida pela experiência e capacidade técnica para assumir, de forma transitória, a administração dos terminais.

Decisão judicial e críticas internacionais

A Suprema Corte de Justiça do Panamá declarou inconstitucionais os contratos que permitiam à Panama Ports Company (PPC), ligada à CK Hutchison, operar desde 1997 os portos de Balboa e Cristóbal. A decisão provocou reação imediata da China, que classificou o movimento como prejudicial aos interesses de suas empresas.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que Pequim adotará todas as medidas necessárias para proteger seus direitos comerciais. Autoridades de Hong Kong também condenaram o que consideram interferência de governos estrangeiros em relações econômicas privadas.

Transição administrativa e nova concessão

Segundo Mulino, os contratos anulados são “leoninos” e desfavoráveis ao país. Ele garantiu que, até a implementação da decisão judicial, haverá continuidade das operações atuais, seguida de uma transição administrativa ordenada. Ao final do processo, o Panamá pretende lançar uma nova concessão sob condições mais vantajosas.

A Maersk confirmou, em comunicado, estar disposta a assumir a gestão provisória para mitigar riscos ao fluxo logístico e evitar impactos nos serviços essenciais ao comércio regional e internacional.

Importância estratégica do Canal do Panamá

O Canal do Panamá é utilizado principalmente por Estados Unidos e China e responde por cerca de 5% do comércio marítimo mundial. Apenas os EUA concentram aproximadamente 40% do tráfego de contêineres que passam pela rota.

Apesar das alegações do ex-presidente americano Donald Trump, que voltou a ameaçar “retomar” o canal sob o argumento de influência chinesa, o governo panamenho nega qualquer controle de Pequim sobre a via, administrada por uma entidade pública autônoma.

Impacto econômico e venda em suspenso

A decisão judicial ocorre em meio à tentativa da CK Hutchison de vender sua participação nos portos panamenhos a um consórcio liderado pela BlackRock, em um negócio avaliado em US$ 22,8 bilhões. O acordo, anunciado em março de 2025, perdeu força após alertas da China sobre possíveis prejuízos a seus interesses globais.

Após o anúncio do Panamá, as ações do conglomerado controlado pelo bilionário Li Ka-shing recuaram 4,6% na Bolsa de Hong Kong.

Para o economista Kelvin Lam, da consultoria Pantheon Macroeconomics, a decisão judicial dificilmente pode ser dissociada da pressão política dos Estados Unidos. Segundo ele, o episódio tende a aumentar a cautela de investidores estrangeiros em projetos de infraestrutura estratégica na região.

FONTE: Istoé Dinheiro
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP/Arquivos

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