Agronegócio

Carne premium brasileira ganha espaço no mercado global e fortalece exportações

Maior produtor mundial de carne bovina, o Brasil também vem consolidando sua presença no mercado de carnes premium, impulsionado pela valorização da qualidade, da genética e da padronização produtiva. Em 2025, o segmento operou em um cenário favorável, inclusive no mercado externo, o que sustentou o crescimento das exportações. Para 2026, o principal desafio será manter a oferta de animais diante do aumento recente do abate de fêmeas.

Ainda assim, as perspectivas seguem positivas. A redução do rebanho nos Estados Unidos — outro grande fornecedor global de carne de alta qualidade — abre espaço para que o produto brasileiro avance em mercados estratégicos.

Demanda internacional impulsiona carne premium brasileira

De acordo com Maychel Borges, gerente do programa Certified Angus Beef no Brasil, a escassez global de carne de qualidade favorece diretamente o país. “Os consumidores de carne premium ficaram desabastecidos, e o Brasil é o único país capaz de atender essa demanda com volume e qualidade”, afirma.

Em 2025, cerca de 550 mil animais passaram pelo programa, um crescimento entre 18% e 20% em relação a 2024. Aproximadamente 70% eram fêmeas. Entre os principais destinos estão China, México, Chile, Arábia Saudita, Líbano e Israel. A expectativa é de fortalecimento desse movimento em 2026, já que a recomposição do rebanho norte-americano deve ocorrer apenas a partir de 2027.

Oferta de gado é o principal desafio para 2026

A meta do programa Certified Angus Beef é, no mínimo, repetir o volume de abates de 2025. O maior obstáculo, porém, é a disponibilidade de animais. A queda na venda de sêmen e a redução dos investimentos em tecnologia, motivadas pela pressão sobre o preço da arroba, resultaram em maior envio de fêmeas ao abate.

“Projetamos uma oferta mais restrita de animais em 2026, o que limita um pouco nossas metas”, explica Borges.

Hereford cresce e amplia presença internacional

O Programa Carne Certificada Hereford também registrou avanços. Segundo Felipe Azambuja, gerente do programa, o crescimento está ligado ao trabalho contínuo de comunicação com o consumidor.

O ágio da carne certificada sobre a convencional varia entre 10% e 50%, dependendo do corte. “O consumidor sabe que não terá surpresas: encontra marmoreio, suculência e maciez garantidas pelo processo de certificação”, afirma. Para os pecuaristas, os bônus podem chegar a 10%.

As exportações da carne Hereford atingiram 263 toneladas, alta de 54% em relação ao ano anterior, com destinos como Maldivas, Portugal, México e Itália. Segundo Azambuja, tarifas impostas pelos Estados Unidos a outros países favoreceram o produto brasileiro. “Alguns mercados reduziram compras dos EUA e buscaram alternativas”, explica. Novas aberturas de mercado são esperadas para 2026.

Copa do Mundo e consumo de carne premium

Outro fator que pode estimular a demanda em 2026 é a Copa do Mundo, marcada para ocorrer entre junho e julho. A expectativa é de aumento no consumo de carnes nobres, especialmente para churrascos. “A tendência é de maior consumo de carne premium, especialmente se o Brasil avançar na competição”, destaca Azambuja.

Genética e qualidade transformam cortes bovinos

A evolução genética e o manejo mais eficiente transformaram o perfil da carne bovina brasileira. Hoje, cortes do dianteiro, antes destinados a cozidos, passaram a ganhar espaço nas grelhas.

István Wessel, da Carnes Wessel, lembra que, nos anos 1970, o churrasco se limitava a poucos cortes tradicionais. “Hoje, cortes do dianteiro se tornaram protagonistas graças à melhoria genética, ao abate mais jovem e à alimentação balanceada”, afirma.

Entre os destaques estão flat iron, denver steak e short ribs, que passaram a oferecer maciez e sabor comparáveis aos cortes nobres tradicionais. Em dezembro, as vendas da empresa cresceram cerca de 10% em relação ao mesmo mês de 2024.

O chef parrillero Chico Mancuso, do restaurante Rincon Escondido, confirma a mudança: “A evolução genética trouxe sabor e qualidade a cortes antes subvalorizados”. Já Henrique Freitas, consultor das casas Corrientes 348 e Assador, destaca que o consumidor aprendeu a reconhecer qualidade ao longo dos últimos 15 anos. “Quem experimenta carne premium dificilmente volta atrás”, afirma.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Reis/Valor

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