Exportação

Guerra no Oriente Médio muda rota de navios com commodities brasileiras e encarece exportações

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a afetar a logística de exportações brasileiras de commodities. Navios carregados com produtos do agronegócio do Brasil que seguiam para países da região estão interrompendo a viagem antes do destino final e descarregando mercadorias em portos considerados seguros.

Segundo relatos de traders e exportadores, a carga está sendo retirada das embarcações em portos fora da zona de conflito e depois segue por transporte terrestre até o destino final.

A mudança logística envolve remessas com destino a países como Israel, Iraque, Irã, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, áreas que têm enfrentado tensões militares e riscos para o transporte marítimo.

Navios interrompem viagens e redirecionam cargas

De acordo com um operador do mercado de açúcar, algumas companhias marítimas estão declarando o chamado “fim de viagem” em determinadas rotas. Na prática, isso significa que os navios não chegam ao destino originalmente contratado.

Em vez disso, a carga é descarregada em um porto intermediário e os clientes precisam organizar a retirada e o transporte até o destino final.

Alguns contêineres de açúcar brasileiro já passaram por esse processo. As mercadorias foram descarregadas em portos alternativos e seguiram por via terrestre. Nesse caso, os custos adicionais da nova logística foram repassados aos compradores.

Exportadores de carne recebem aviso de redirecionamento

Uma empresa brasileira de médio porte do setor de exportação de carne bovina informou ter recebido um comunicado da Mediterranean Shipping Company (MSC) anunciando o encerramento de viagens para cargas destinadas ao Golfo Pérsico.

Dois contêineres da companhia, que estavam a caminho de Dubai, podem ser desviados para outro porto fora da área de risco. Nesse caso, os custos extras devem ser pagos pelo próprio exportador.

No aviso enviado aos clientes, a transportadora informou que toda carga atualmente em trânsito será desviada para o porto seguro mais próximo, onde será descarregada e disponibilizada para retirada.

Além disso, será aplicada uma taxa adicional obrigatória de US$ 800 por contêiner para cobrir despesas decorrentes da mudança de rota. Custos de movimentação, armazenagem e outras taxas portuárias também passam a ser responsabilidade do dono da carga.

Mudança de destino depende de nova reserva

Exportadores que desejarem enviar a mercadoria para outro destino precisarão fazer uma nova reserva de transporte marítimo.

Outra alternativa é solicitar a mudança do porto final — processo conhecido como Change of Destination (COD). No entanto, a aceitação desse pedido dependerá de fatores como:

• viabilidade operacional
• rotas disponíveis dos navios
• evolução da situação de segurança no Oriente Médio

Mesmo quando aceito, o pedido não garante que a carga chegará exatamente ao destino solicitado e não elimina custos extras gerados pelo conflito.

Seguro marítimo e Canal de Suez geram novas preocupações

Outro desafio envolve o seguro de guerra para transporte marítimo. Para navios que já estavam em viagem rumo ao Oriente Médio, as condições permanecem inalteradas.

Já para novos embarques, seguradoras passaram a cancelar coberturas ou revisar contratos individualmente, geralmente com prêmios mais elevados.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Roberto Perosa, afirmou que o conflito também tem provocado restrições no tráfego do Canal de Suez.

Uma alternativa para os navios é contornar o Cabo da Boa Esperança, rota mais longa que liga o Atlântico ao Índico.

Segundo Perosa, o impacto ainda é limitado, mas tende a crescer.

Empresas que já enviaram mercadorias à região devem negociar soluções logísticas e compensações com importadores. A prioridade, segundo ele, é garantir que clientes recebam produtos que já foram pagos.

Exportações de carne podem sofrer impacto bilionário

As exportações brasileiras de carne bovina para o Oriente Médio movimentaram cerca de US$ 2 bilhões em 2025.

Entretanto, a guerra envolvendo o Irã e possíveis restrições no Estreito de Ormuz podem afetar até US$ 6 bilhões em negócios, estima a Abiec.

Esse valor inclui cargas que passam pelo hub logístico da região antes de seguir para outros mercados — cerca de 30% a 40% de tudo o que o Brasil enviou no ano passado.

Companhias marítimas também já suspenderam novas reservas de contêineres refrigerados para cargas com destino ao Oriente Médio ou que precisem transitar pela região.

No caso do mercado global de açúcar, operadores afirmam que ainda não houve interrupções relevantes no fluxo de comércio.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Informação, Tributação

Tarifa de Trump obriga Brasil a acelerar busca por novos mercados de exportação

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, provocou uma reação em cadeia no comércio exterior do Brasil. Com os EUA respondendo por uma fatia expressiva das exportações brasileiras — 40% do total no primeiro semestre deste ano, somando-se à China —, setores estratégicos, como agronegócio e aviação, estão em alerta.

O tarifaço obriga empresas brasileiras a repensarem suas rotas comerciais. Produtos como carne bovina, suco de laranja, café e pescado são alguns dos mais afetados. De acordo com dados do comércio exterior, só no primeiro semestre de 2025, os americanos compraram quase 8% da carne exportada pelo Brasil, 56% do pescado e 16% do café. “Redirecionar esses produtos não é uma tarefa simples. São décadas de negociações e avaliações técnicas para conquistar a confiança de novos mercados”, explicou o economista André Galhardo, em entrevista à Rede Globo.

Além das barreiras comerciais, o Brasil também precisa lidar com obstáculos culturais na busca por novos mercados. Países como a Índia, por exemplo, não consomem determinados produtos por motivos religiosos, o que impede a exportação de itens como carne bovina. Adaptar-se a esses novos destinos exige mais do que estratégia comercial — é necessário compreender profundamente os hábitos e preferências de consumo de cada população.

A resposta do governo brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou uma ofensiva diplomática para minimizar os impactos das sanções americanas. O ministro Carlos Fávaro declarou que o foco agora será abrir novas frentes no Oriente Médio, no Sul Asiático e no Sul Global — regiões com grande potencial consumidor. “Vamos reforçar as ações diplomáticas e buscar mercados alternativos. Já estamos em diálogo com entidades dos setores mais afetados para diversificar as exportações e reduzir os impactos internos, como a queda dos preços das commodities”, afirmou o ministro em pronunciamento oficial.

As medidas vêm sendo articuladas em parceria com os adidos agrícolas, que atuam como pontes entre o Brasil e outros países, levantando dados sobre demanda, legislações sanitárias e oportunidades comerciais.

Entre as novas apostas, destaca-se o mercado de carne caprina na Nigéria, país com mais de 220 milhões de habitantes e grande consumo dessa proteína. Outro exemplo está nas mangas: mesmo com produção limitada, os EUA importaram mais de US$ 570 milhões em mangas frescas em 2023, sendo o Brasil um dos principais fornecedores.

Dependência crítica do setor aéreo

Mesmo com alguma diversificação, o setor aeronáutico ainda depende fortemente dos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2025, 65% das exportações do setor tiveram como destino o mercado americano. Trata-se de um segmento técnico, com ciclos longos de negociação e alto valor agregado.

Diversificação é palavra de ordem

Com o comércio exterior brasileiro pressionado, o governo e especialistas avaliam que o momento é propício para repensar a pauta exportadora e investir em produtos estratégicos para a economia do século 21. O Mapa tem incentivado a exportação de novos produtos e a entrada em mercados menos tradicionais, com base em relatórios detalhados que consideram hábitos de consumo, conjuntura política e ambiente regulatório. “Temos uma estratégia clara de diversificação. Estamos mapeando oportunidades que muitas vezes o setor produtivo ainda não enxergou, e que podem garantir mais resiliência ao agro exportador brasileiro”, explicou um porta-voz do Ministério da Agricultura.

FONTES: G1 / CNN / AGÊNCIA BRASIL

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: PORTO DE SANTOS / DIVULGAÇÃO

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