Tecnologia

Navios gigantes lideram corrida tecnológica contra o colapso ambiental

Navios gigantes, sistemas autônomos e tecnologias de captura de carbono já operam em escala real para enfrentar a crise ambiental. Do Oceano Pacífico à Islândia, projetos retiram toneladas de plástico por hora, tratam resíduos com robôs de alta precisão e transformam CO₂ em pedra, demonstrando que a inovação ambiental deixou de ser promessa e passou a gerar resultados mensuráveis.

Do oceano aberto à limpeza em larga escala

No Pacífico Norte, entre Califórnia e Havaí, o sistema The Ocean Cleanup opera com barreiras flutuantes superiores a dois quilômetros e cortinas submersas de quatro metros para concentrar plástico em alto-mar. O modelo conhecido como System 03 utiliza duas embarcações e uma estrutura em formato de “U”, navegando a menos de 5 km/h para evitar impactos à fauna marinha.

A área coberta a cada hora equivale a mais de 14 mil campos de futebol. O material recolhido é removido periodicamente para triagem e reciclagem, consolidando uma operação contínua de limpeza oceânica.

Outro exemplo é o catamarã Manta, desenvolvido pela organização The SeaCleaners. Com 70 metros de comprimento e quase 50 de largura, a embarcação consegue recolher entre 1 e 3 toneladas de resíduos por hora, alcançando até um metro de profundidade. Parte do lixo é reciclada, enquanto o rejeito não reciclável passa por pirólise, gerando até 75% da energia necessária para o próprio funcionamento do navio.

Rios: onde o plástico começa a trajetória

Grande parte do lixo marinho tem origem fluvial. Em Los Angeles, o Interceptor 007 atua no canal do riacho Ballona como sistema autônomo de retenção. Desenvolvido pela própria The Ocean Cleanup, o equipamento usa barreiras flutuantes para direcionar resíduos até uma esteira movida a energia solar, que deposita o material em contêineres monitorados por sensores.

Durante períodos de chuva intensa, a capacidade chega a 50 toneladas por dia. Dados operacionais indicam redução de até 75% do plástico encontrado em praias próximas.

Na Guatemala, o Interceptor 006 foi instalado para conter resíduos que descem pelo rio Las Vacas até o Motagua, com potencial de impedir que cerca de 1,5 milhão de quilos de lixo por ano cheguem ao Caribe. Já na Itália, o sistema River Cleaning utiliza módulos flutuantes que aproveitam a própria correnteza para capturar até 85% dos detritos superficiais, sem bloquear a passagem de peixes.

Triagem automatizada amplia eficiência da reciclagem

A remoção de resíduos exige uma etapa decisiva: a separação. Empresas como a finlandesa ZenRobotics utilizam robôs industriais equipados com sensores multiespectrais, câmeras 3D e detectores de metal para classificar materiais com precisão.

Os braços robóticos realizam até 4 mil seleções por hora e processam mais de 45 toneladas no mesmo período. A taxa de recuperação pode alcançar 98%, reduzindo drasticamente o envio de resíduos para aterros e elevando o valor econômico da reciclagem. Além disso, a automação diminui a exposição de trabalhadores a ambientes insalubres.

Purificação do ar e captura direta de carbono

A corrida tecnológica também alcança a atmosfera. Em Xi’an, na China, uma torre de purificação com mais de 100 metros utiliza energia solar para aquecer o ar poluído e filtrá-lo internamente, gerando mais de 10 milhões de metros cúbicos de ar limpo por dia e melhorando os índices de qualidade do ar em uma área de até 10 km².

Na Islândia, a planta Climeworks Mammoth aposta na captura direta de carbono. O sistema filtra CO₂ da atmosfera, concentra o gás por aquecimento com energia geotérmica e o injeta em formações basálticas subterrâneas. Em menos de dois anos, o carbono se mineraliza e se transforma em rocha, impedindo seu retorno à atmosfera.

Tecnologia integrada contra a crise climática

O diferencial dessas iniciativas está na integração: navios gigantes, barreiras fluviais, inteligência artificial, reciclagem automatizada e captura de CO₂ atuam de forma complementar. A contenção ocorre nos rios, a limpeza avança nos oceanos, a triagem otimiza o reaproveitamento e a captura de carbono reduz emissões atmosféricas.

A combinação dessas frentes indica que a resposta ao avanço da poluição plástica e das mudanças climáticas já acontece em escala industrial, com impacto local e potencial global.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Internacional

Projeto piloto histórico de captura de carbono é concluído na China

Global Centre for Maritime Decarbonisation (GCMD), de Cingapura, concluiu com sucesso o primeiro projeto piloto do mundo a demonstrar toda a cadeia de valor para o dióxido de carbono (CO₂) capturado a bordo de navios.

O projeto foi realizado em duas fases principais. A primeira envolveu a transferência ship-to-ship (STS) de 25,44 toneladas métricas de CO₂ liquefeito (LCO₂) do porta-contêiner Ever Top para a embarcação receptora Dejin 26, administrada pela Shanghai Qiyao Environmental Technology Co., Ltd. (SMDERI-QET). O CO₂ foi então descarregado do Dejin 26 para um caminhão-tanque em um píer localizado em Zhoushan, na província de Zhejiang.

Ever Top foi adaptado em 2024 com um sistema de captura e armazenamento de carbono a bordo (Onboard Carbon Capture and Storage – OCCS). Desenvolvido pelo Shanghai Marine Diesel Engine Research Institute, que integra a China State Shipbuilding Corporation, o sistema OCCS captura mais de 80% das emissões de carbono da embarcação, com 99,9% de pureza. A tecnologia permite que o gás seja liquefeito e transferido ainda no mar, dispensando infraestrutura portuária especializada e tornando o descarregamento de CO₂ mais flexível e acessível.

A segunda fase, coordenada pelo GCMD, supervisionou o transporte do CO₂ por mais de 2.000 km até a Mongólia Interior. Lá, em uma unidade conjunta da GreenOre e da Baotou Steel, o CO₂ foi utilizado com sucesso na produção de carbonato de cálcio de baixo carbono – um componente essencial em materiais de construção sustentáveis.

O piloto, realizado sob condições reais de regulamentação e logística, marca a primeira vez em que o CO₂ capturado a bordo de um navio foi totalmente rastreado desde a captura até sua aplicação final. Um dos principais desafios foi a classificação do CO₂ capturado. Inicialmente classificado como resíduo perigoso — o que exigiria seu descarte — o gás foi reclassificado como “carga perigosa” após articulações com os reguladores, permitindo assim seu reaproveitamento.

Segundo o GCMD, a iniciativa demonstra como a captura e armazenamento de carbono a bordo (OCCS) pode ser integrada aos caminhos de descarbonização industrial — especialmente na produção de materiais de construção, onde a mineralização do CO₂ pode compensar as emissões intensivas da produção de cimento.

O projeto se baseia em resultados de um estudo anterior do GCMD, que identificou a produção de concreto como um caso de uso de alto impacto para o CO₂ capturado.

Fonte: Splash 247

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