Logística

Apagão logístico no Brasil: escassez de caminhoneiros ameaça abastecimento e eleva custo do frete

O Brasil pode enfrentar um apagão logístico nos próximos anos diante da redução expressiva no número de caminhoneiros em atividade. A queda na quantidade de motoristas habilitados para veículos pesados, aliada à baixa atratividade da profissão, acende um alerta no setor de transporte de cargas e coloca em risco o abastecimento nacional.

Dados da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) indicam que o número de condutores caiu mais de 60% na última década, evidenciando um problema estrutural que impacta diretamente a economia.

Número de caminhoneiros cai mais de 60% em dez anos

Em 2014, o país registrava cerca de 3,5 milhões de motoristas profissionais. Atualmente, esse contingente é de aproximadamente 1,3 milhão. A redução drástica revela a dificuldade de renovação da categoria.

Outro fator preocupante é o envelhecimento dos profissionais. A média de idade dos caminhoneiros ativos gira em torno de 46 anos, enquanto a entrada de jovens no setor é cada vez menor. Transportadoras relatam que processos seletivos, que antes eram concluídos em até dois meses, agora podem levar até seis meses para serem finalizados.

A escassez de mão de obra já impacta a dinâmica operacional das empresas e pode comprometer a fluidez do transporte rodoviário de cargas.

Baixa remuneração e insegurança afastam novos profissionais

Entre os principais motivos para o desinteresse pela carreira estão a baixa remuneração, o aumento dos custos de manutenção dos veículos e a insegurança nas estradas. O roubo de cargas e a falta de infraestrutura adequada nas rodovias brasileiras figuram entre as maiores queixas da categoria.

Profissionais do setor apontam que, ao longo dos anos, a atividade perdeu valorização, apesar de ser essencial para o funcionamento da cadeia de suprimentos no país. Sem melhorias nas condições de trabalho e na remuneração, a tendência é de agravamento da crise de mão de obra.

Dependência do transporte rodoviário amplia risco econômico

O cenário se torna ainda mais delicado diante da forte dependência do Brasil do modal rodoviário. Atualmente, cerca de dois terços de toda a carga transportada no país circula por estradas.

Com menos caminhoneiros disponíveis, o custo do frete tende a subir, refletindo diretamente nos preços dos produtos nos supermercados e no abastecimento da indústria. A falta de profissionais pode comprometer o escoamento da produção agrícola e industrial, afetando o crescimento econômico.

Especialistas defendem que, além da valorização do motorista, o país precisa investir na diversificação da matriz de transportes. A ampliação do modal ferroviário surge como alternativa estratégica para reduzir a pressão sobre as rodovias, permitindo o transporte de grandes volumes a longas distâncias com menor custo e maior segurança. Nesse modelo, o caminhão manteria papel fundamental na distribuição regional e na chamada “última milha”.

Sem medidas estruturais e políticas de incentivo à profissão, o Brasil corre o risco de enfrentar um gargalo logístico capaz de impactar toda a cadeia produtiva.

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Fonte: segundo reportagem exibida pela BAND TV.

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: ILUSTRATIVA / FREEPIK

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Transporte

Lei do Frete Mínimo pressiona transporte rodoviário e afeta caminhoneiros em Mato Grosso

A Lei do Frete Mínimo, criada após a greve dos caminhoneiros em 2018, voltou ao centro das discussões no setor de transporte rodoviário. Em Mato Grosso, caminhoneiros autônomos e empresas relatam impactos diretos na operação, com redução de oportunidades, aumento de custos e distorções no mercado de fretes.

A principal crítica é que a tabela de preços favorece caminhões de maior porte, deixando veículos menores ociosos e dificultando a competitividade no setor.

Preferência por caminhões maiores limita oportunidades

Na prática, a aplicação da tabela tem direcionado a contratação para caminhões com maior número de eixos, como os de nove eixos, considerados mais vantajosos dentro do cálculo oficial. Com isso, caminhões menores acabam ficando parados, à espera de carga.

Segundo o Movimento Pró-Logística, a metodologia adotada pela lei não reflete a realidade do transporte brasileiro e gera desequilíbrios no mercado, especialmente em estados dependentes do modal rodoviário, como Mato Grosso.

Distorções na tabela e impacto direto no autônomo

De acordo com o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, a lei foi criada de forma emergencial e ainda carrega falhas estruturais. Ele explica que os critérios de cálculo consideram custos de um caminhão novo, enquanto a frota brasileira possui idade média superior a 20 anos.

“A tabela acabou incentivando o uso de caminhões maiores. Hoje, quem tem caminhão de 5, 6 ou 7 eixos enfrenta grande dificuldade para conseguir frete”, afirma.

Essa realidade é sentida no dia a dia pelos profissionais. O caminhoneiro Rodrigo Nicolau Macedo relata períodos de até quatro dias parado à espera de carga. “O mercado está priorizando caminhão de nove eixos. Quem tem caminhão menor fica de lado”, comenta.

Empresas também enfrentam dificuldades operacionais

O impacto da Lei do Frete Mínimo também atinge as transportadoras. Segundo o empresário Márcio Roberto, veículos menores praticamente deixaram de operar por não conseguirem se enquadrar na tabela.

“Para caminhões menores, o frete não fecha. A gente acaba priorizando rodotrens porque é o que viabiliza o custo”, explica. Segundo ele, empresas com frota reduzida são as mais prejudicadas.

Modelo atual gera insegurança e custos elevados

Entre os caminhoneiros, há consenso de que o modelo precisa ser revisto. Para Thiago Pedroso Esteves, o cálculo deveria considerar a distância percorrida, e não apenas o tipo de veículo. “O ideal seria um equilíbrio. O frete deveria ser calculado por quilômetro rodado”, defende.

Já Daniel dos Santos Rodrigues afirma que muitos valores praticados no mercado não seguem a tabela oficial. “Para cobrir os custos, o frete teria que girar em torno de R$ 7 por quilômetro, mas isso raramente acontece”, relata.

Fiscalização eletrônica e reflexos no preço final

A fiscalização da Lei do Frete Mínimo ganhou força com a implementação do controle eletrônico pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A partir da emissão do MDF-e, o frete passou a ser automaticamente monitorado.

Segundo o Movimento Pró-Logística, a medida aumentou a insegurança no setor. “Essa fiscalização eletrônica deixou o mercado apreensivo. O custo acaba sendo repassado ao consumidor”, afirma Edeon.

Outro ponto de crítica é a falta de flexibilização para o frete de retorno. A legislação permite apenas pequeno desconto, o que torna inviável o transporte de volta e faz com que muitos caminhões rodem vazios.

“Quando não há carga compatível com a tabela, o caminhão retorna vazio. E caminhão vazio não paga conta”, resume um dos motoristas ouvidos.

Impactos se estendem à economia

Com custos elevados, insegurança jurídica e dificuldades operacionais, o setor avalia que os efeitos da lei ultrapassam o transporte e chegam ao consumidor final, com reflexos diretos nos preços dos produtos.

Enquanto não há revisão no modelo, caminhoneiros, transportadoras e produtores seguem tentando se adaptar a uma realidade que pressiona margens e reduz a competitividade do transporte rodoviário brasileiro.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Informação

Paralisação de caminhoneiros: o que se sabe até agora.

O setor de transporte rodoviário de cargas volta ao centro das atenções. A notícia de que caminhoneiros de diversas regiões do país articulam uma paralisação nacional para esta quinta-feira (04), em defesa de melhorias estruturais e trabalhistas para a categoria, está entre os assuntos mais comentados da semana. Embora o movimento não tenha caráter político e siga sendo apresentado como uma mobilização social, entidades representativas divergem quanto à adesão e à formalização de uma possível greve. 

Mobilização cresce, mas não há consenso 

Janderson Maçaneiro, conhecido como Patrola e presidente da Associação Catarinense dos Transportadores Rodoviários de Cargas, explica que uma greve oficial exige trâmites legais envolvendo Sindicatos, Federações e Confederações — processo que, segundo ele, ainda não foi feito até o momento. Apesar disso, um protocolo informando a intenção de paralisação já foi entregue ao Governo Federal. 

Para Patrola, o clima é de forte mobilização. “O que eu estou percebendo é o maior movimento de mobilização social após 2018. O povo está vindo em busca de auxílio dos caminhoneiros. A grande maioria não concorda com a paralisação, mas nunca houve unanimidade. Acredito que teremos pontos de paralisação em Santa Catarina e em todo o Brasil. Se houver adesão dos caminhoneiros e de outras entidades da sociedade civil, poderemos ter a maior paralisação da década,” fala.  

Sindicatos negam convocação 

Apesar da repercussão nacional, nem todas as lideranças apoiam o movimento. 
O Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres de Navegantes e Região (Sinditac), afirmou em nota publicada nas redes sociais, que “não está convocando, apoiando ou organizando qualquer paralisação para o dia 4.” 

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNAT), procurada pela imprensa, também declarou que não há qualquer movimento da base indicando greve.  

Movimento busca formalização jurídica 

Na de terça-feira (2), o desembargador aposentado Sebastião Coelho e o representante da União Brasileira dos Caminhoneiros, Chicão Caminhoneiro, divulgaram um vídeo anunciando o protocolo da ação que daria legalidade formal ao movimento. 

Chicão afirmou. “Estaremos protocolando o movimento para trazermos a legalidade jurídica dessa ação que vamos iniciar a partir do dia 4. Teremos todo o suporte jurídico necessário para o ato e dentro da lei.” O desembargador Coelho complementou. “O movimento tem o meu apoio. Estarei lá para dar assistência jurídica em todo o processo, que deve ser vitorioso diante da pauta apresentada pela categoria.” 

Ambos reforçaram que não se trata de um movimento político, mas de uma pauta legítima de reivindicações. 

Principais reivindicações da categoria 

Entre as demandas apresentadas pelos caminhoneiros, segundo Chicão, estão: 

  • Estabilidade contratual 
  • Garantia do cumprimento das leis vigentes 
  • Reestruturação do Marco Regulatório do Transporte de Cargas 
  • Aposentadoria especial após 25 anos de atividade 

Os organizadores afirmam que a realidade da profissão se deteriorou, com remuneração baixa, dificuldades de cumprir exigências legais por falta de infraestrutura e insegurança nas rodovias — um cenário que, para eles, esgotou a paciência da categoria. 

Incerteza sobre adesão 

Apesar do avanço da mobilização nas redes sociais ainda não há previsão clara sobre a adesão nacional ao movimento. A Associação Catarinense dos Transportadores Rodoviários de Cargas acredita que haverá pontos de paralisação, mas reforça que a adesão dependerá do engajamento dos profissionais e de outras entidades representativas, além da sociedade civil. “A nossa entidade segue os ritos que as leis determinam, porque não podemos colocar o caminhoneiro numa condição em que possa ser multado, processado ou perseguido. Portanto estamos fora do movimento, não estamos participando ou organizando. Nós vamos acompanhar e auxiliar os caminhoneiros da melhor forma possível, mas não somos organizadores, nem incentivadores desse movimento. No entanto reconhecemos a necessidade de um movimento social democrático nas questões políticas, de legislação, de judiciário e tudo o que país vem enfrentando”, destaca Patrola.  

O RêConecta News seguirá acompanhando os desdobramentos e publicará atualizações assim que novas informações forem confirmadas. 

Fontes: Metrópoles e portal ND Mais 

TEXTO: REDAÇÃO 

IMAGEM: Valter Campanato/Agência Brasil (2015) 

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Logística, Transporte

Crise de caminhoneiros no Brasil: especialista alerta para novo risco de paralisação do transporte

A escassez de caminhoneiros no Brasil já pressiona o setor de transporte e preocupa especialistas que veem risco real de um apagão logístico nos próximos anos. A avaliação é do pesquisador De Leon Petta, que relaciona o problema ao avanço da crise demográfica brasileira. O tema foi detalhado em vídeo publicado no canal Geopolítica Mundial, no YouTube.

O transporte rodoviário, responsável por cerca de 60% das cargas movimentadas no país, depende de profissionais cuja média de idade cresce rapidamente. De acordo com Petta, a categoria perde trabalhadores todos os anos enquanto setores como agronegócio, indústria e comércio eletrônico ampliam a demanda.

Uma profissão que envelhece e perde força de trabalho

Dados citados pelo pesquisador mostram que a idade média dos motoristas gira em torno de 45 anos. Em 2013, aproximadamente 15% tinham mais de 60 anos. Em 2023, esse grupo já representava 29%.

O número de jovens é mínimo: apenas 4% têm até 30 anos, enquanto mais de 11% já ultrapassam os 70. Petta estima que 60% dos caminhoneiros ativos devem se aposentar até a próxima década, o que pode gerar um desequilíbrio estrutural na oferta de motoristas habilitados.

Barreiras financeiras afastam novos profissionais

Entrar na profissão também ficou caro. O custo para obter habilitação nas categorias C, D ou E pode chegar a vários milhares de reais, dependendo do estado. Para atuar como autônomo, o investimento é ainda maior, já que um caminhão novo ou seminovo pesado pode ultrapassar centenas de milhares de reais.

Além disso, a rotina de longas viagens, prazos rígidos e desgaste físico torna a carreira menos atrativa para jovens.

Estradas ruins e insegurança agravam o cenário

A precariedade das rodovias brasileiras se soma ao problema. Motoristas relatam falta de pontos de parada adequados, banheiros limpos, áreas seguras e locais apropriados para descanso.

A criminalidade também pesa: mais de 17 mil roubos de carga foram registrados em 2023, gerando perdas que superaram R$ 1,2 bilhão. Em 2024, o índice continuou acima das 10 mil ocorrências. Assaltos e sequestros-relâmpago afastam ainda mais possíveis novos motoristas da categoria.

Menos motoristas, mais cargas: a conta não fecha

Entre 2014 e 2024, o Brasil perdeu cerca de 20% dos motoristas profissionais, caindo de 5,5 milhões para cerca de 4,4 milhões. Em estados como São Paulo, a redução superou 30% em determinados períodos.

Enquanto isso, o agronegócio cresce, o e-commerce se expande e cadeias industriais continuam altamente dependentes das estradas. Empresas relatam aumento do frete, dificuldade de contratação e atrasos frequentes na distribuição.

Efeitos econômicos já começam a aparecer

Petta destaca que o transporte é um componente central do custo logístico brasileiro, que historicamente pesa no PIB. Com menos motoristas disponíveis, empresas elevam salários e benefícios para atrair profissionais — custos que acabam repassados aos produtos finais, dos alimentos aos combustíveis.

Especialistas afirmam que o problema adiciona mais pressão a um sistema já marcado por infraestrutura limitada e ineficiências estruturais.

O problema é global, mas o Brasil está mais vulnerável

Relatório da International Road Transport Union (IRU) mostra que 36 países — que juntos representam 70% do PIB mundial — somam 3,6 milhões de vagas abertas para motoristas. A entidade classifica o cenário como crise global de mão de obra.

A média de idade internacional é semelhante à brasileira, mas países desenvolvidos têm conseguido implementar medidas mais rápidas, como redução da idade mínima para condução, bônus de contratação, áreas de descanso padronizadas e testes com veículos autônomos.

Por que o Brasil está em posição mais frágil

Segundo Petta, o Brasil combina fatores que tornam a situação mais crítica: envelhecimento acelerado, rodovias deficientes, criminalidade alta e dificuldade para adotar tecnologias de automação devido à falta de infraestrutura adequada.

O pesquisador afirma que soluções como caminhões autônomos devem demorar a gerar impacto real.

Risco ao abastecimento já é uma preocupação concreta

Para Petta, a crise está em curso. Empresas relatam dificuldade crescente de contratação e sobrecarga dos profissionais ativos. Sem ação coordenada entre governo, transportadoras e entidades de formação, o país pode enfrentar atrasos recorrentes, custos mais elevados e até falta localizada de produtos.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Click Petróleo e Gás

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Agronegócio

Fiscalização eletrônica da tabela do frete acende alerta no agronegócio brasileiro

A partir de 6 de outubro, entrou em vigor a fiscalização eletrônica da tabela de piso mínimo do frete rodoviário, implementada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A medida revelou uma prática até então tolerada: o descumprimento da tabela de frete, vigente desde 2018, quando foi criada pela Lei 13.703 após a greve dos caminhoneiros.

Com o novo sistema, a ANTT passou a cruzar informações em tempo real por meio do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), permitindo identificar irregularidades nas operações de transporte. O setor agropecuário, um dos mais impactados, teme aumento de custos logísticos, insegurança jurídica e dificuldades no escoamento de grãos e fertilizantes.

Mercado operava fora da tabela desde 2018

Segundo Fernando Bastiani, pesquisador do Esalq-Log/USP — grupo que participou da criação da regra —, a fiscalização era praticamente inexistente, e o mercado funcionava com base na oferta e demanda. “Agora as empresas estão tentando se adequar, e o mercado ficou praticamente paralisado”, afirma.

Ele explica que, em 2025, os preços do frete ficaram acima do piso durante a safra, mas, nas rotas longas, como Mato Grosso a Santos (SP) e Paranaguá (PR), muitos contratos não respeitavam os valores mínimos.

A plataforma Fretebras, referência no transporte de cargas, confirma o impacto imediato. De acordo com Federico Veja, CEO da empresa, a demanda por embarques caiu 20%, enquanto a oferta de caminhoneiros subiu na mesma proporção. “A tabela estabelece um piso real, o que favorece os motoristas, mas pressiona os custos das commodities agrícolas, como a soja”, explicou.

Entidades do agro contestam metodologia da tabela

Mais de 50 entidades do agronegócio enviaram ofício à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pedindo uma revisão da metodologia da tabela da ANTT. O documento solicita que a bancada leve a discussão aos ministérios da Agricultura, Transportes, Fazenda e à Casa Civil, para a abertura de um diálogo técnico sobre o tema.

As instituições argumentam que os critérios de cálculo do piso mínimo são imprecisos e desatualizados, desconsiderando diferenças regionais, tipos de carga, rotas e até a idade média da frota nacional, estimada em 20 anos.

No setor de fertilizantes, o Sindiadubos (Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas) estima aumento de custos entre 35% e 50%, dependendo da rota.

“Essa nova precificação pode gerar distorções não apenas no transporte, mas também no preço dos alimentos”, afirma Veríssimo Cubas, gerente executivo da entidade.

Como muitas viagens são realizadas com retorno vazio, o cálculo da ANTT para incluir o frete de ida e volta amplia ainda mais os custos.

Logística de grãos também sente os efeitos

No mercado de grãos, a tabela tem incentivado o uso de caminhões de nove eixos, que possuem preço proporcionalmente menor que os de sete eixos ou menos, o que gera desequilíbrio na oferta.

“Isso distorce o mercado e causa escassez de caminhões maiores”, comenta Bastiani.

A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) também se manifestou. De acordo com sua diretora executiva, Andressa Silva, o frete de veículos menores pode representar até 25% do custo total do produto transportado. Ela alerta ainda que muitos embarcadores desconhecem as novas regras do MDF-e e podem ser multados indevidamente.

Caminhoneiros defendem rigor; ANTT garante diálogo

Para os caminhoneiros autônomos, a fiscalização é positiva. Wallace Landim, o Chorão, presidente da Abrava, afirma que tradings e embarcadores estão boicotando motoristas com veículos menores como forma de pressão. “São empresas que atuavam fora da lei e agora cancelam contratos para evitar a tabela. Tenho recebido várias reclamações do Centro-Oeste”, relatou.

A ANTT, por sua vez, informou que mantém diálogo com o setor, esclarecendo dúvidas e promovendo eventos como o 1º Encontro Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas, realizado em 2 de outubro. Sobre as multas, o órgão afirma que os dados ainda estão sendo consolidados, mas as penalidades para embarques fora da tabela variam de R$ 550 a R$ 10,5 milcaminhoneiros não são multados.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wenderson Araújo / CNA

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Comércio Exterior, Economia, Importação, Mercado Internacional, Negócios, Notícias

Estudo aponta elevação artificial de preços por multinacionais de pneus no Brasil

Consultoria revela aumento de até 46% em insumos importados, impactando o setor e os caminhoneiros

Um relatório da Charles River Associates (CRA), consultoria global especializada em investigações econômicas, aponta que as indústrias multinacionais de pneus instaladas no Brasil podem estar pagando até 46% a mais pela importação de matéria-prima. O estudo, encomendado pela Sunset Tires, sugere que essa diferença ocorre quando as fábricas brasileiras importam insumos de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

O estudo analisou a importação de quatro componentes essenciais para a produção de pneus: negro de fumo, borrachas de estireno-butadieno (SBR), borracha de butadieno (BR) e borracha natural tecnicamente especificada (TSNR). Juntos, esses insumos representam cerca de 70% do custo total de matéria-prima na fabricação de pneus. A maior discrepância de preço foi registrada no negro de fumo, que apresentou uma diferença de até 46% quando comparado ao preço pago por fabricantes que não pertencem ao mesmo grupo econômico.

A CRA destaca que, sendo commodities, os insumos não deveriam apresentar variações significativas de preço entre fabricantes. No entanto, as fábricas brasileiras que importam de empresas relacionadas parecem pagar valores bem superiores. “Esse comportamento pode indicar uma elevação artificial dos preços da matéria-prima”, alerta o relatório da consultoria.

Além de questionar a elevação nos preços, o estudo também rebate a alegação da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), que justifica o pedido de aumento do Imposto de Importação sobre pneus com base na concorrência desleal de produtos estrangeiros. A ANIP argumenta que os pneus importados têm custo inferior ao dos insumos usados na sua produção no Brasil. No entanto, a CRA desmentiu essa tese, mostrando que o preço médio dos pneus importados ao Brasil é de US$ 2,90 por quilo, enquanto o custo da matéria-prima local é de US$ 1,63 por quilo.

A polêmica envolve ainda a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que está analisando o pedido da ANIP de elevação da alíquota de importação de pneus de 16% para 35%. Representantes da Sunset Tires e da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP) contestam veementemente a proposta, afirmando que a medida pode prejudicar caminhoneiros autônomos e impactar toda a cadeia de transporte e logística no país.

Ricardo Alípio da Costa, presidente da ABIDIP, destaca que o momento é crítico, com o dólar em alta e os custos de frete marítimo em patamares elevados. Ele alerta que qualquer aumento no custo dos pneus poderia gerar um impacto em cadeia, elevando os custos de transporte e, consequentemente, os preços dos alimentos e outros bens essenciais. “O setor de transporte não pode ser sacrificado para proteger uma indústria que não consegue competir de forma eficiente com os fabricantes asiáticos”, criticou.

Janderson Maçanero, conhecido como Patrola, um dos líderes dos caminhoneiros, também manifestou preocupação com o aumento do custo dos pneus. Segundo ele, a categoria não aceitará elevações que possam aumentar ainda mais os custos do transporte rodoviário, que já enfrenta dificuldades com o preço dos combustíveis e dos fretes. “Em 2018, paramos o Brasil por causa de 20 centavos no diesel. Agora, estamos falando de um aumento de R$ 800 por pneu. Não vamos aceitar isso”, afirmou.

Causa espanto que os representantes da indústria de pneumáticos façam uma acusação genérica sem provas que prejudica a imagem dos importadores e exportadores idôneos”, frisa Samer Nasser, diretor de Relações Institucionais da Sunset Tires, afirmando: “Ao contrário do que têm dito Klaus Curt Müller, presidente da ANIP, a todos os meios de comunicação e, inclusive, em audiência pública na Câmara dos Deputados, das declarações de Damian Seltzer, presidente da Bridgestone, sobre uma ‘concorrência desleal’, e da alegação de que pneus asiáticos estariam sendo vendidos abaixo do custo da matéria-prima, o estudo da Charles River Associates revela que o setor importador atua de maneira absolutamente dentro das regras e normas do nosso país”.

Fonte: Jornal de Brasilia
Estudo aponta elevação artificial de preços por multinacionais de pneus no Brasil | Jornal de Brasília (jornaldebrasilia.com.br)

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