Transporte

Caminhão elétrico cruza o Brasil com 91 recargas e expõe desafios da mobilidade sustentável

A Aurora Lab concluiu, neste ano, uma expedição inédita: levar um caminhão elétrico de Porto Alegre a Fortaleza. A jornada, realizada em 100 dias e marcada por 91 recargas, buscou testar a viabilidade do transporte de carga pesado movido a eletricidade no Brasil e mapear os principais gargalos da infraestrutura nacional.

Para entender o projeto, o Mobilidade Estadão conversou com Gabi Vuolo, diretora executiva da empresa e idealizadora da iniciativa.

Como nasceu a expedição elétrica pelo Brasil

Segundo Gabi Vuolo, a proposta surgiu no fim do ano passado, quando o time discutia ações para a COP-30. A meta era usar as estradas como um “laboratório real” para avaliar os obstáculos da descarbonização do transporte rodoviário, ainda pouco explorada no setor de cargas.

A executiva explica que o objetivo era simples e ambicioso ao mesmo tempo: comprovar se um veículo totalmente elétrico conseguiria cruzar o País e, ao mesmo tempo, identificar os entraves vividos pelos caminhoneiros.

Infraestrutura limitada e barreiras antes da largada

A expedição encontrou três grandes dificuldades antes mesmo de iniciar o trajeto.

A primeira foi conseguir uma empresa disposta a alugar um caminhão elétrico para a rota completa. A segunda barreira foi ainda mais sensível: nenhuma seguradora aceitou cobrir a viagem, revelando o despreparo do mercado para esse segmento.

O terceiro ponto crítico envolveu a escassez de eletropostos, já que a maioria é pensada para carros de passeio e se torna ainda mais rara conforme se avança para o Norte e Nordeste. Para contornar o problema, a equipe desenvolveu um adaptador que permitiu carregar o veículo em diferentes tipos de sistemas, incluindo tomadas 220V trifásicas. Com autonomia de apenas 150 km por carga, cada parada exigiu planejamento minucioso.

De Sul ao Nordeste: onde o caminhão conseguiu recarregar

No total, foram registradas 91 recargas:

  • Sul: 9 recargas (7 em eletropostos)
  • Sudeste: 34 recargas (20 em eletropostos)
  • Nordeste: 48 recargas (apenas 7 em eletropostos)

A meta original era seguir até Brasília e finalizar o trajeto em Belém, mas a dificuldade crescente de encontrar pontos de recarga ao Norte levou a equipe a encerrar o percurso em Fortaleza, por segurança.

Repercussão na COP-30

Ao apresentar o caminhão na COP-30, Gabi se surpreendeu com o interesse do público. Segundo ela, as discussões giraram em três eixos principais:

  • necessidade de regulamentação para eletropostos e veículos
  • responsabilidade das empresas na transição energética
  • mudança cultural para ampliar a aceitação da mobilidade elétrica

Principais entraves para descarbonizar o transporte de cargas

Entre os desafios centrais, está a baixa autonomia dos veículos disponíveis hoje. “Nenhum caminhoneiro percorre apenas 150 km por dia”, afirma Gabi. Além disso, o tempo de recarga ainda é um fator limitante — em alguns pontos, foram necessárias oito horas para completar a bateria.

Com uma frota estimada em 2 milhões de caminhoneiros, segundo o Censo de 2019, a executiva considera que o avanço da mobilidade elétrica no transporte de carga ainda depende de tecnologias mais maduras e infraestrutura mais robusta.

Comparativo de custos: diesel x elétrico

A equipe também comparou o custo total da viagem com um caminhão movido a diesel. Um veículo com rendimento médio de 2,5 km/l teria consumido cerca de 2.423 litros, o que resultaria em um gasto aproximado de R$ 14.665.

No trajeto elétrico, foram gastos R$ 14.900 — porém, sem emitir 6,5 toneladas de CO₂ na atmosfera ao longo dos 6 mil quilômetros rodados. Para Gabi, a diferença mínima valida o potencial da eletrificação no transporte pesado.

FONTE: Mobilidade Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mobilidade Estadão

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Caminhão 100% elétrico realiza transporte de carga pesada inédito no Brasil

Pela primeira vez no país, um caminhão totalmente elétrico percorreu mais de 250 km transportando 27 toneladas de carga, incluindo a subida da Serra da Anchieta, entre o Porto de Santos e Paulínia (SP). O veículo utilizado foi o Electric Tractor SE 437, fabricado pela Sany Irmen, em operação conjunta da Syngenta e da transportadora Gelog.

Veículos pesados elétricos ganham espaço na logística brasileira

O teste demonstrou a viabilidade de caminhões elétricos em rotas complexas e reforçou a estratégia de logística sustentável no país. Segundo Alessandra Gamero, Diretora de Logística Integrada da Syngenta, a operação combina tecnologia, eficiência e responsabilidade ambiental.

Ronaldo Vaciloto, Gerente de Transporte da empresa, destacou que a matriz elétrica majoritariamente renovável do Brasil potencializa o impacto positivo da iniciativa.

Alinhamento com metas ESG e descarbonização do transporte

A operação também está integrada às metas globais de ESG da Syngenta, que incluem a redução de 38% das emissões de CO₂ até 2030. Para a Gelog, responsável pelo caminhão, investir em soluções inovadoras é estratégico para acelerar a descarbonização do transporte de cargas no país.

Crescimento do mercado de caminhões elétricos

O mercado brasileiro de caminhões elétricos deve crescer 25,6% ao ano entre 2025 e 2031, segundo levantamento da Fenatac/Gigantes Elétricos. Operações pioneiras como esta funcionam como vitrine para adoção em larga escala, com potencial de redução de até 76,5% nos custos operacionais em comparação aos veículos a diesel.

FONTE: Vrum Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Syngenta Brasil

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