Comércio Exterior

O comércio exterior mostra sinais de melhora, mas persistem desafios operacionais

O comércio exterior argentino atravessa um processo de transformação acelerada sob a gestão de Javier Milei. Com um enfoque centrado na desregulamentação, o governo impulsionou medidas destinadas a simplificar trâmites, ordenar o sistema de pagamentos e melhorar a transparência da operação. No entanto, persistem inconsistências normativas, gargalos técnicos e restrições operacionais que continuam afetando tanto importadores quanto exportadores.

Para analisar esse cenário, serindustria.com.ar conversou com Julieta Serena, sócia-gerente do Grupo Serena, secretária da Câmara de Comércio Exterior de Córdoba (CaCEC) e integrante da Comissão Operativa da Federação de Câmaras de Comércio Exterior da República Argentina (FECACERA), que oferece uma visão integral sobre os avanços e as pendências.

A advogada e despachante aduaneira considerou que a decisão mais relevante do governo em matéria de comércio exterior foi a eliminação das licenças automáticas e não automáticas. Nesse sentido, qualificou a medida como “muito favorável sobretudo para a previsibilidade das operações”, já que esses mecanismos haviam se tornado ao longo dos anos “um obstáculo” que afetava seriamente a concretização das importações.

“Havia certos produtos sensíveis, como têxteis ou brinquedos, em que realmente não havia certeza de conseguir concretizar a operação. Era preciso judicializar, e a judicialização também havia se tornado bastante difícil”, explicou. Ela acrescentou que, mesmo quando eram obtidas medidas cautelares contra o Estado, surgiam novos obstáculos, como a impossibilidade de registrar declarações. A eliminação desse esquema devolveu previsibilidade e reduziu custos.

Um sistema de pagamentos mais previsível
Outro ponto positivo destacado é a maior clareza no acesso ao mercado de câmbio. Serena reconheceu que ainda não existe a disponibilidade ideal para o importador. De toda forma, valoriza que “foi possível regularizar a maioria das dívidas comerciais e, além disso, ter certeza de quando seria possível pagar e que os prazos seriam cumpridos”.

A especialista lembrou que, antes do esquema atual, o último controle da SIMI era decisivo para determinar o prazo de pagamento e que, mesmo quando se estabeleciam 180 dias, “chegava o dia e não era possível processar o pagamento”. O resultado era um sobrecusto que atingia com força as PMEs, obrigadas a se financiar com brokers diante da falta de linhas bancárias. “Isso melhorou sem dúvida”, afirma.

Ela também considerou positiva a incorporação do mecanismo incluído no DNU 70/2023, que permite liberar mercadorias denunciadas garantindo posteriormente os valores que a Aduana considerar pertinentes. “Antes, a mercadoria ficava retida e podia demorar meses, gerando custos altíssimos de depósito e falta de insumos”, destacou.

Também ressaltou a habilitação para que exportadores compartilhem plantas mediante contrato e o desenvolvimento do monitoramento remoto de exportações, ainda em fase piloto. Para regiões afastadas dos grandes polos aduaneiros, afirmou que representa uma ferramenta valiosa. “Facilita o tempo da operação e evita deslocamentos longos”, apontou.

Regulamentos técnicos: uma reforma necessária, mas mal desenhada
Um dos pontos mais críticos levantados por Serena é a nova regulamentação dos regulamentos técnicos de segurança elétrica, brinquedos, aço e outros produtos. Ela reconheceu que o critério geral é positivo, mas questionou sua implementação. “Foi regulamentado com uma técnica legislativa ruim. Há pouca clareza sobre os produtos abrangidos e ampliaram o escopo para mercadorias que não deveriam estar sujeitas”, afirmou.

Nesse sentido, alertou que o espírito desses regulamentos é proteger o consumidor, mas a norma acabou incluindo insumos industriais ou produtos destinados a processos produtivos. A eliminação da exceção de uso idôneo, somada à confusa aceitação de certificações internacionais, aprofundou a complexidade.

A isso se somam inconsistências evidentes. “Ampliou-se a possibilidade de trazer uma máquina de lavar por courier desde o Chile sem qualquer controle, mas uma lavadora industrial para uma fábrica fica sujeita a múltiplas exigências. São incoerências”, afirmou.

Apesar da simplificação administrativa, Serena destacou que várias restrições ainda geram incerteza operacional. Os bancos privados continuam atuando com critérios próprios e muitas vezes não enviam consultas ou pedidos de prorrogação ao Banco Central, o que afeta regularizações, cumprimentos de divisas ou pagamentos antecipados.

“Como sujeito administrativo, você não tem acesso direto ao Banco Central. Sempre depende do banco, e às vezes o banco não tem interesse em encaminhar o caso”, explicou. Essa intermediação, garantiu, pode resultar em descumprimentos formais que bloqueiam devoluções de IVA e penalizam o exportador.

Duplo controle, custos ocultos e assimetrias
Serena mencionou as distorções que afetam as províncias fora da região do AMBA. Observou que coexistem dois regimes de trânsito: um para fronteiras terrestres sob o Acordo de Transporte Internacional e outro para cargas que entram por portos. O segundo implica o uso obrigatório de um lacre eletrônico cujo custo pode chegar a US$ 800 em algumas regiões, especialmente no sul.

Apesar do monitoramento digital, muitas cargas são igualmente submetidas a verificações em Buenos Aires por diferenças mínimas de peso ou imagem. “Qualquer mercadoria que permanece em um terminal gera um sobrecusto altíssimo”, reclamou, acrescentando que isso impacta diretamente a competitividade.

Ela também apontou diferenças inexplicáveis nos prazos de permanência em depósitos fiscais, que são de 90 dias para cargas terrestres e de 30 para aéreas ou marítimas. “Não há justificativa alguma para essa distorção”.

Embora reconheça avanços na Ventanilla Única de Comércio Exterior (VUCE), Serena afirmou que a Aduana continua trabalhando majoritariamente em papel. “Os despachos de importação ainda são transportados fisicamente em pastas; os expedientes continuam sendo discutidos em papel”. A implementação de inteligência artificial, embora mencionada na agenda oficial, “ainda está muito longe”.

A especialista explicou que a exportação nunca teve a mesma complexidade operacional que a importação. No entanto, identificou uma área crítica: o regime de envios com deficiência. A falta de agilidade faz com que os exportadores evitem utilizá-lo e recorram a operações a título não oneroso, o que depois os expõe a sanções bancárias e bloqueios de IVA.

Ainda assim, reconheceu melhorias recentes, como a aceleração do Certificado de Tipificação de Insumo Produto (CTIT) para importações temporárias, que passou de demorar um ano para ser resolvido em um mês. “É muito favorável e estão trabalhando para reduzir ainda mais os prazos”.

Para Serena, o setor privado deve assumir um papel mais ativo na identificação de problemas e na proposição de soluções, especialmente em um país onde “a realidade de cada ponto operacional é diferente”.

O comércio exterior ainda enfrenta entraves, custos ocultos, assimetrias regionais e uma estrutura administrativa que não acompanha a velocidade dos negócios globais. No entanto, ela afirma que os avanços recentes não são menores e que o desafio agora é aprofundar a simplificação sem gerar contradições.

FONTE: Ser Industria
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Economia

Dólar fecha em leve baixa com mercado à espera de dados dos EUA

Sessão marcada por cautela e menor volume

O dólar encerrou a terça-feira em leve queda no mercado brasileiro, em meio a uma sessão esvaziada de indicadores econômicos e marcada pela expectativa por dados relevantes nos Estados Unidos ao longo da semana. A divisa norte-americana refletiu sinais mistos no exterior e a postura mais cautelosa dos investidores.

O dólar à vista recuou 0,26%, fechando a R$ 5,3186 na venda. No acumulado do ano, a moeda registra baixa de 13,92%. O dólar futuro para dezembro, o contrato mais negociado na B3, também caiu, perdendo 0,19%, para R$ 5,3300.

Caso Banco Master entra no radar, mas não afeta câmbio

Durante o dia, o mercado acompanhou as notícias sobre a prisão de Daniel Vorcaro, acionista controlador do Banco Master, acusado de uma possível fraude de R$ 12 bilhões. O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da instituição e suspendeu suas operações. Apesar da gravidade, o episódio não gerou impacto direto na cotação da moeda.

Oscilações limitadas e falta de direção externa

A terça-feira foi marcada por volatilidade restrita. O dólar oscilou entre a máxima de R$ 5,3471 (+0,27%) às 9h26 e a mínima de R$ 5,3155 (-0,32%) às 16h19, mantendo margens estreitas de negociação.

No cenário internacional, o desempenho da moeda americana continuou heterogêneo: subia frente ao peso chileno, mas caía em relação ao peso colombiano e ao peso mexicano. O índice DXY, que mede a força do dólar contra seis moedas fortes, mostrava estabilidade em 99,551 no fim da tarde.

Expectativas por dados e eventos dos EUA

O foco dos investidores permanece voltado para uma série de divulgações nos EUA:

Balanço da Nvidia

O mercado aguarda, nesta quarta-feira, o relatório da Nvidia, que pode influenciar a percepção sobre o valor das ações de tecnologia em meio ao avanço da inteligência artificial.

Ata do Federal Reserve

Também nesta quarta, será divulgada a ata do Fed, documento crucial para entender os próximos passos da política monetária norte-americana.

Payroll na quinta-feira

Na quinta, sai o novo payroll, primeiro após o fim da paralisação parcial do governo dos EUA. O dado pode oferecer pistas sobre a possibilidade de corte de juros em dezembro.

No fim da tarde, o mercado atribuía 51,1% de probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,75% a 4,00%, contra 48,9% de chance de redução de 0,25 ponto percentual, segundo o CME FedWatch.


Cenário favorece entrada de capital no Brasil

A combinação entre possíveis cortes de juros nos EUA e a manutenção da Selic em 15% continua sendo vista como atrativa para investidores estrangeiros, contribuindo para manter o dólar mais baixo frente ao real.

Pela manhã, o Banco Central realizou a venda de 45 mil contratos de swap cambial, referentes à rolagem do vencimento de 1º de dezembro.


Com informações de agências de mercado.
Texto: Redação

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Economia

Bolsa encerra sequência recorde de altas; dólar avança com cenário externo

Após 15 pregões consecutivos de valorização, o Ibovespa encerrou o dia em leve queda de 0,07%, aos 157.633 pontos. O recuo, embora modesto, colocou fim a uma sequência histórica de ganhos iniciada em 21 de outubro, período em que o principal índice da Bolsa de Valores acumulou alta de 9,48%.

Mesmo com a interrupção da série positiva, o desempenho em 2025 continua expressivo, com valorização acumulada de 31,15%. O pregão desta quarta-feira foi marcado pela volatilidade: o índice chegou a superar os 158 mil pontos na abertura, mas recuou até 0,74% no início da tarde, antes de ensaiar recuperação parcial nas horas finais.

Ações da Petrobras pesam no índice
A principal pressão sobre o Ibovespa veio das ações da Petrobras, impactadas pela queda no preço internacional do petróleo. Os papéis ordinários (PETR3) recuaram 2,99%, enquanto os preferenciais (PETR4) caíram 2,56%, puxando o índice para baixo.

A instabilidade no setor de energia refletiu o movimento global de correção dos preços do barril, após semanas de alta influenciada por tensões geopolíticas e cortes de produção.

Dólar sobe e reverte movimento de baixa
No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,29, alta de 0,37% (R$ 0,019). A moeda americana chegou a recuar para R$ 5,26 pela manhã, mas retomou força ao longo do dia, acompanhando a desvalorização de moedas de países emergentes diante do fortalecimento do dólar no exterior.

Apesar do avanço, a divisa ainda acumula queda de 1,64% em novembro e retração de 14,34% no ano. Na véspera, havia fechado em R$ 5,27, o menor nível desde junho de 2024.

Perspectivas de curto prazo
Analistas destacam que, mesmo após a leve correção, o mercado segue otimista com o desempenho da bolsa brasileira, sustentado por expectativas positivas sobre juros, fluxo estrangeiro e melhora no ambiente fiscal. Já o câmbio deve continuar refletindo a combinação entre fatores externos e percepção de risco local.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/B3

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Economia

Dólar hoje recua e volta a ficar abaixo de R$ 5,30 com otimismo sobre o fim do shutdown nos EUA

O dólar à vista abriu em queda nesta terça-feira (11), refletindo o aumento do apetite por risco entre investidores após o Senado dos Estados Unidos aprovar uma proposta que pode encerrar a paralisação do governo norte-americano. No cenário interno, o mercado acompanha os novos dados de inflação (IPCA) e a ata do Copom, que reforçou a manutenção dos juros em patamar elevado por mais tempo.

Cotação do dólar hoje

Por volta das 9h13, o dólar à vista recuava 0,38%, cotado a R$ 5,287 na venda. O contrato futuro de dezembro, o mais negociado na B3, tinha leve queda de 0,02%, negociado a R$ 5,312.

Dólar comercial
Compra: R$ 5,287
Venda: R$ 5,287

Dólar turismo
Compra: R$ 5,427
Venda: R$ 5,607

Contexto internacional favorece mercados emergentes

A aprovação no Senado norte-americano, por 60 votos a 40, de uma proposta para encerrar o shutdown impulsionou o otimismo global. O texto segue agora para análise na Câmara dos Deputados dos EUA. A perspectiva de estabilidade fiscal reduziu a aversão ao risco e fortaleceu moedas de países emergentes, como o real.

Apesar disso, o mercado ainda demonstra cautela diante da valorização das ações de tecnologia em Wall Street, que têm pressionado alguns índices acionários.

Copom reforça tom cauteloso sobre juros

No Brasil, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, indicou que a taxa Selic de 15% ao ano deve ser suficiente para conduzir a inflação à meta, mas destacou que os juros elevados precisarão ser mantidos por um período “bastante prolongado”. O documento reforça a postura conservadora do Banco Central diante do cenário fiscal e da incerteza internacional.

Inflação tem menor alta para outubro desde 1998

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,09% em outubro, após alta de 0,48% em setembro. Foi o menor resultado para o mês desde 1998, quando o índice subiu apenas 0,02%. No acumulado do ano, a inflação soma 3,73%, e em 12 meses, chega a 4,68%. Em outubro de 2024, a variação havia sido de 0,56%.

Perspectiva

Com o alívio internacional e sinais de controle da inflação doméstica, o real tende a se beneficiar no curto prazo. No entanto, analistas ainda apontam que a volatilidade deve permanecer enquanto persistirem incertezas sobre a política fiscal dos EUA e o ritmo da economia global.

FONTE: InfoMoney e Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Prakash Singh/Bloomberg

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Economia

Dólar recua com mercados globais mais tranquilos e expectativa pelo Copom

O dólar terminou a quarta-feira (5) em queda no Brasil, refletindo o movimento de desvalorização da moeda norte-americana frente a divisas de países exportadores de commodities. O recuo acompanha o alívio nos mercados internacionais, após a diminuição dos temores de uma correção acentuada nas bolsas dos Estados Unidos.

Oscilação e busca por ativos de risco

Nas primeiras horas do dia, a moeda americana permaneceu próxima da estabilidade, mas perdeu força durante a manhã, acompanhando a valorização de moedas como o peso mexicano e o peso chileno. A demanda por dólar diminuiu diante de um cenário global de maior interesse por ativos de risco, refletindo confiança dos investidores.

Durante a sessão, a moeda chegou a atingir a mínima de R$ 5,3579 (-0,76%) por volta das 13h15.

Ibovespa atinge novo recorde e juros em foco

O clima favorável nos mercados também impulsionou os ativos brasileiros. As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) recuaram, enquanto o Ibovespa bateu recorde, ultrapassando 153 mil pontos.

No câmbio, os investidores se mantiveram atentos ao comunicado do Copom, divulgado após as 18h30. O mercado já precificava quase 100% de chance de manutenção da Selic em 15% ao ano, mas especulava sobre possíveis sinais de corte nos próximos meses, em dezembro ou janeiro. Analistas destacam que a combinação de juros altos no Brasil e o início do ciclo de redução de taxas nos Estados Unidos tem beneficiado a valorização do real.

Dólar frente às principais moedas globais

Mesmo com a queda em relação às moedas de mercados emergentes, o dólar permaneceu estável diante das principais divisas globais. Às 17h27, o índice DXY, que acompanha o desempenho da moeda americana frente a seis moedas fortes, marcava 100,17 pontos, mantendo estabilidade.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcos Brindicci/Reuters

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Exportação

A recuperação da Argentina impulsiona exportações e turismo do Brasil

A recuperação econômica da Argentina trouxe um impulso à economia brasileira neste ano, com um aumento expressivo nas exportações de bens e um salto no turismo argentino. No primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras para a Argentina atingiram o equivalente a 0,8% do PIB do Brasil, ante 0,5% no mesmo período de 2024.

Dados do governo brasileiro mostram que esse crescimento continuou no terceiro trimestre. De julho a setembro, as exportações para a Argentina subiram 34,6%, em comparação com um aumento de 4,7% nas exportações totais do Brasil.

Francisco Pessoa Faria, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), calculou que o turismo argentino no Brasil acrescentou o equivalente a 0,2% do PIB brasileiro no primeiro semestre do ano, ante 0,08% no mesmo período do ano passado.

No total, as exportações de serviços para a Argentina cresceram de 0,12% do PIB no início de 2024 para 0,25% no primeiro semestre de 2025, segundo dados da agência de estatísticas oficial da Argentina, o INDEC.

Gastos com viagens quase dobram

De janeiro a junho, o Brasil exportou US$ 2,69 bilhões em serviços para a Argentina — o dobro dos US$ 1,33 bilhão do mesmo período de 2024. O principal motor foi o gasto de turistas argentinos no Brasil, que totalizou US$ 2,14 bilhões, ante US$ 918 milhões um ano antes.

Em contrapartida, as importações brasileiras de serviços caíram 11,9% em 2025, para US$ 869,7 milhões. Isso resultou em um superávit de US$ 1,82 bilhão na balança de serviços do Brasil, muito superior aos US$ 337,3 milhões registrados no primeiro semestre de 2024.

Economistas afirmam que essa retomada tem sido positiva para o Brasil, embora haja incerteza sobre sua duração. Apesar de um swap cambial de US$ 20 bilhões para apoiar a Argentina e dos bons resultados nas eleições de meio de mandato de 26 de outubro, o presidente Javier Milei deve implementar medidas que podem pesar sobre a economia argentina.

O impulso econômico sob Milei tem aumentado a demanda por produtos brasileiros, afirmou Gustavo Pérego, sócio da consultoria argentina Abeceb. “No ano passado, a Argentina passou por um processo de reestruturação econômica. Houve uma forte queda na primeira metade do ano, seguida de recuperação na segunda.”

Vendas de automóveis impulsionam superávit comercial

Automóveis e autopeças são os principais produtos exportados do Brasil para a Argentina, disse Pérego. O aumento se deveu aos controles cambiais do governo anterior, que restringiram o acesso de importadores a dólares, reduzindo a oferta de carros no mercado local.

Para resolver isso, o governo argentino implementou em 2024 medidas para quitar dívidas com importadores e melhorar o poder de compra dos consumidores. “Quando a situação se normalizou, a demanda por carros e motocicletas disparou”, afirmou Pérego. “E grande parte desses veículos é fabricada no Brasil.”

De janeiro a setembro, o Brasil exportou US$ 14,2 bilhões em bens para a Argentina — um aumento de 47,2% em relação ao mesmo período de 2024 —, enquanto as importações de produtos argentinos caíram 1,8%, para US$ 9,5 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O superávit comercial virou a favor do Brasil, chegando a US$ 4,7 bilhões, ante um déficit de US$ 50,5 milhões em 2024.

Produtos manufaturados do setor de transporte dominam as exportações brasileiras para o parceiro do Mercosul. Veículos de passeio responderam por 21,9% do total exportado à Argentina, somando US$ 3,1 bilhões nos nove primeiros meses do ano — mais que o dobro dos US$ 1,4 bilhão de 2024. Autopeças representaram 9,7%, veículos comerciais leves 6,4% e veículos rodoviários 5,5%.

Pérego prevê que o PIB argentino cresça 4% neste ano, após uma contração de 1,7% em 2024. “Isso estimula a demanda por carros, o que, por sua vez, impulsiona as exportações brasileiras.” Uma pesquisa de mercado do Banco Central da Argentina, o relatório REM (equivalente ao Focus brasileiro), projeta crescimento de 3,9% do PIB em 2025.

No entanto, ele alertou que as exportações de automóveis brasileiros para a Argentina dificilmente manterão o mesmo ritmo de expansão. “Havia uma demanda reprimida, então as vendas dispararam entre o fim de 2024 e este ano. Isso deve se normalizar.”

Concorrência dos elétricos chineses

Pérego também destacou a concorrência dos veículos elétricos chineses, que a Argentina atualmente importa com isenção de impostos sob um programa que permite a entrada de 50 mil veículos neste ano e mais 50 mil em 2026. O país pode ter até 200 mil veículos elétricos em circulação em três ou quatro anos, disse ele.

A economia argentina deve desacelerar em 2026, com crescimento previsto de 3%, um ponto percentual abaixo de 2025.

Faria, da FGV Ibre, afirmou que as mudanças na demanda argentina têm grande impacto na indústria automotiva brasileira. Nos 12 meses encerrados em junho de 2025, a Argentina respondeu por 8,6% das exportações totais de manufaturados do Brasil e 48,4% das exportações de veículos automotores, reboques e carrocerias.

Ariane Benedito, economista-chefe da fintech PicPay, projetou crescimento de até 5,5% do PIB argentino neste ano. “É uma recuperação significativa, mas a economia argentina continua vulnerável”, afirmou. A volatilidade cambial é uma preocupação central, dependendo de como Milei implementará seu plano econômico. A inflação também preocupa, impulsionada pelo forte consumo. “O cenário base depende de quanto a terapia de choque de Milei vai custar em termos de desaceleração econômica.”

Ela também apontou uma provável desaceleração global em 2026, o que afetaria o Brasil. O PicPay projeta crescimento de 1,7% do PIB brasileiro em 2026, ante 2,2% neste ano.

Ainda assim, Benedito disse que a posição geográfica do Brasil lhe dá vantagem no fornecimento de produtos automotivos à Argentina. Essa relação comercial ajudou o Brasil a evitar queda no volume e no valor das exportações em 2025, apesar das novas tarifas dos EUA.

Turismo argentino

Faria também destacou o impulso do turismo argentino. De janeiro a setembro, 2,79 milhões de argentinos visitaram o Brasil, ante 1,47 milhão no mesmo período do ano passado, segundo a Embratur. Os argentinos agora representam 39% de todos os turistas estrangeiros no país, contra 30% em 2024.

“O fluxo de turistas argentinos em 2025 foi impulsionado pelo câmbio”, disse Faria. Em abril, a Argentina substituiu seus rígidos controles cambiais — em vigor desde o fim de 2019 — por uma banda de câmbio flutuante administrada entre 1.000 e 1.400 pesos por dólar, ampliada em 1% ao mês. Também foram retiradas as restrições à compra de dólares.

Historicamente, a Argentina é um mercado emissor forte quando sua moeda está relativamente estável, e o Brasil é o destino de praia mais próximo, observou Pérego. “Foi assim no último verão e provavelmente será novamente no próximo. Os argentinos são atraídos ao Brasil por dois motivos: praias quentes e custos mais baixos. Um feriado de 10 ou 15 dias na praia na Argentina pode sair mais caro do que no sul do Brasil”, disse ele, especialmente para quem viaja de carro ao Rio Grande do Sul ou Santa Catarina.

No entanto, Pérego observou que o Brasil ficou mais caro para os argentinos ao longo de 2025 devido à valorização do real. A cotação do dólar caiu para R$ 5,38 em 31 de outubro, ante R$ 6,19 no fim de dezembro de 2024, segundo o Banco Central.

Roberto Dumas Damas, professor do Insper, alertou que, apesar dos ganhos eleitorais de Milei, a Argentina ainda enfrenta alta dívida externa e baixas reservas. “A eleição dá mais tempo a Milei, mas o país ainda precisa de reformas”, disse.

“O único caminho real é algo semelhante ao que o Brasil fez em janeiro de 1999: deixar a moeda flutuar, elevar fortemente os juros, definir uma meta de inflação e aprovar uma lei que garanta plena independência ao Banco Central da Argentina.”

FONTE: Valor Econômico
IMAGEM: Rogerio Vieira/Valor

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Economia

Banco Central inicia rolagem de swaps cambiais em novembro de 2025.

Banco Central anuncia início da rolagem de swaps cambiais

O Banco Central do Brasil (BC) informou que a rolagem dos contratos de swap cambial com vencimento em 1º de dezembro de 2025 terá início no dia 3 de novembro de 2025. A operação faz parte da estratégia da autoridade monetária para administrar a liquidez do mercado de câmbio e reduzir a volatilidade da moeda.


Leilões poderão ter volumes ajustados conforme a demanda

De acordo com o BC, o volume diário ofertado poderá ser alterado conforme as condições de mercado. A instituição também poderá aceitar propostas em valores inferiores ao montante inicialmente previsto, dependendo da demanda dos investidores pelos contratos.


Detalhes dos leilões serão divulgados pelo Depin

As condições específicas de cada leilão de swap cambial — como prazos, quantidades e taxas — serão comunicadas posteriormente por meio de comunicado oficial do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Depin).

FONTE: Banco Central do Brasil
TEXTO: Redação

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Economia

Dólar cai abaixo de R$ 5,40 e Ibovespa atinge maior nível do mês com avanço de mineradoras e bancos

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (20) em queda, cotado a R$ 5,371, recuo de 0,63% (R$ 0,034) em relação ao fechamento anterior. É a primeira vez em 11 dias que a moeda norte-americana fecha abaixo de R$ 5,40, registrando o menor valor desde 9 de outubro. Na mínima do dia, chegou a ser negociada a R$ 5,36.

Com o resultado, o dólar acumula queda de 13,09% em 2025, acompanhando o movimento global de valorização de moedas emergentes e a redução das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, após declarações do ex-presidente Donald Trump sobre tarifas de importação.

Ibovespa encosta nos 145 mil pontos e renova máxima de outubro

O Ibovespa, principal índice da B3, também teve um dia de forte desempenho. O indicador avançou 0,77%, fechando aos 144.509 pontos, o maior nível desde 1º de outubro. O resultado foi impulsionado pelo bom desempenho de ações de mineradoras e bancos, refletindo o otimismo dos investidores com o cenário interno e externo.

Entre os fatores domésticos, pesou positivamente a revisão para baixo das projeções de inflação no Boletim Focus do Banco Central, além de notícias corporativas favoráveis envolvendo grandes empresas listadas na bolsa.

Fatores externos também favoreceram o mercado

No cenário internacional, indicadores econômicos da China apresentaram melhora, elevando o apetite global por risco e fortalecendo os mercados emergentes, incluindo o Brasil.

A trajetória de queda do dólar segue influenciada pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Com a Selic mantida em 15% ao ano, o país segue atrativo para investidores estrangeiros, especialmente diante das expectativas de cortes nas taxas de juros americanas nos próximos meses.

Especialistas apontam que o movimento tende a se manter enquanto o ambiente externo permanecer estável e os fundamentos econômicos internos continuarem positivos.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Valter Campanato/Agência Brasi

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Economia

Dólar pode cair para R$ 4,90 nos próximos meses, avalia economista do Bradesco

O dólar deve permanecer próximo de R$ 5 e pode até recuar para R$ 4,90 nos próximos meses, segundo projeção do economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa. A análise foi apresentada durante evento da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), em São Paulo, na última sexta-feira (30).

Real fortalecido diante da fraqueza global do dólar

De acordo com Honorato, a trajetória recente do real reflete a fraqueza internacional da moeda americana. Ele estima que cerca de 70% da valorização do real desde o início do ano está ligada a esse movimento global.

“Vejo mais chances do dólar ficar próximo a R$ 5, ou até um pouco abaixo, nos próximos seis a nove meses, do que alcançar R$ 5,50”, destacou.

O economista acrescentou que, caso a moeda brasileira acompanhasse de forma mais direta o comportamento de outros países emergentes, a cotação estaria entre R$ 4,60 e R$ 4,90.

Crítica à moeda do Brics

Honorato também criticou a possibilidade de criação de uma moeda única do Brics — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Para ele, a proposta seria “muito ruim” e deveria ser evitada pelo Brasil.

“Acho que o Brasil deveria fugir dessa ideia como o diabo foge da cruz”, afirmou.

Segundo o economista, a volatilidade gerada por governos como o de Donald Trump nos Estados Unidos faz com que países latino-americanos se aproximem ainda mais da China.

Inflação e política monetária

Sobre a política monetária, Honorato avaliou que a desaceleração da atividade doméstica e um câmbio mais estável devem abrir espaço para o início de um ciclo de cortes na Selic.

No entanto, ele considera “praticamente impossível” que a inflação brasileira atinja a atual meta de 3%. “É muito improvável, porque temos um governo que gasta bastante e incentiva a demanda”, explicou.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Internacional

Restrições de Câmbio Estrangeiro Ainda Mais Flexibilizadas

As novas medidas beneficiam os exportadores que transferem para a Argentina e vendem, por meio do mercado de câmbio, os fundos desembolsados sob o novo pré-financiamento.

A Comunicação “A” 8296, emitida pelo Banco Central da Argentina (BCRA), entrou em vigor em 8 de agosto de 2025, introduzindo alterações nas normas de câmbio estrangeiro.

A Comunicação estabelece, especialmente, que os exportadores que, a partir de 8 de agosto de 2025, transferirem para a Argentina e venderem, através do mercado de câmbio (Mercado de Câmbio), novo pré-financiamento de exportação com vida média de no mínimo três anos, com pelo menos um ano de carência, ou dois anos, com pelo menos 18 meses de carência, concedido por instituições financeiras estrangeiras ou por instituições financeiras locais financiadas por linhas de crédito do exterior, poderão:

  • Manter os recursos de exportação em contas em moeda estrangeira, seja na Argentina ou no exterior. Esses fundos podem ser acumulados até 125% do valor necessário para cobrir o principal e os juros do mês corrente e dos seis meses seguintes. Qualquer excesso deve ser vendido no Mercado de Câmbio.
  • Acessar o Mercado de Câmbio para constituir garantias, seja no país ou no exterior, para assegurar o pagamento desse pré-financiamento na data de vencimento.

Nestes casos, as instituições financeiras intervenientes devem:

  • Verificar o cumprimento das condições de elegibilidade,
  • Obter uma declaração juramentada do cliente comprometendo-se a não aplicar a moeda estrangeira antes do vencimento sem a aprovação prévia do BCRA,
  • Monitorar tanto as permissões de exportação quanto as garantias constituídas, para garantir a rastreabilidade dos fundos.

A Comunicação também estabeleceu que novos endividamentos financeiros com vida média de pelo menos dois anos e pelo menos 18 meses de carência para o pagamento do principal serão considerados operações autorizadas para aplicação de recursos de exportação de bens e serviços, desde que os fundos desse endividamento sejam transferidos para a Argentina e vendidos através do Mercado de Câmbio a partir de 8 de agosto de 2025.

Fonte: Marval

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