Internacional

Davos 2026: Brasil busca se posicionar como porto seguro para investimentos

O Fórum Econômico Mundial 2026, iniciado nesta segunda-feira (19) em Davos, na Suíça, reúne líderes globais sob o tema “A Spirit of Dialogue”. Em um ambiente marcado por tensões geopolíticas e incertezas econômicas, o Brasil chega ao encontro com a estratégia de reforçar uma imagem de previsibilidade e segurança para negócios, priorizando uma agenda técnica em vez de discursos políticos.

Agenda brasileira sem protagonismo presidencial

Diferentemente de outras edições, o país não conta com uma comitiva liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ou do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Ainda assim, o governo tenta utilizar o WEF como extensão de uma agenda construída ao longo dos últimos meses, centrada em três eixos considerados estratégicos: acesso a mercados, segurança institucional e infraestrutura digital do Estado.

Acordo Mercosul–UE reforça credenciais comerciais

O primeiro pilar da estratégia brasileira chega fortalecido a Davos com a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, firmada na sexta-feira (17), após mais de 25 anos de negociações. O anúncio ocorre em um momento sensível, já que o próprio WEF aponta o confronto geoeconômico como um dos principais riscos globais de curto prazo, com comércio, tecnologia e finanças cada vez mais utilizados como instrumentos de disputa entre países.

Para o Brasil, o acordo funciona como um sinal concreto de abertura comercial e integração às cadeias globais, em um fórum onde investidores e governos reavaliam riscos e redesenham estratégias internacionais.

Previsibilidade institucional entra no centro do discurso

O segundo eixo apresentado pelo país é institucional. Em meio ao debate recorrente sobre a queda de confiança em governos, empresas e meios de comunicação — tema frequente em relatórios como o Edelman Trust Barometer —, o Brasil busca se afastar da imagem de instabilidade.

A mensagem levada a Davos é pragmática: o país pretende ser visto como um grande mercado com regras claras, segurança jurídica e contratos previsíveis, capazes de sustentar decisões de investimento de longo prazo em um cenário global cada vez mais seletivo.

Infraestrutura digital como ativo econômico

A terceira frente é a agenda digital, que explica a participação da ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck. Ela integra uma programação paralela ligada à Colaboração Digital Global do WEF, iniciativa na qual o Brasil assumiu a presidência de um dos grupos estratégicos.

O foco está no fortalecimento da infraestrutura digital do Estado, incluindo sistemas de identidade, credenciais e serviços públicos digitais. Esse tema ganha relevância para o setor privado por impactar diretamente processos como abertura de empresas, compliance, contratações públicas e acesso a serviços, posicionando a eficiência administrativa como diferencial competitivo.

Crescimento e produtividade no debate regional

A participação brasileira também se dá por meio do debate sobre crescimento econômico e produtividade na América Latina. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, participa da sessão “Breaking Latin America’s Growth Ceiling”, ao lado de lideranças como Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e Julio Velarde, presidente do Banco Central do Peru.

O pano de fundo das discussões regionais em Davos é o desafio de atrair investimentos e sustentar o crescimento em um mundo mais protecionista, fragmentado e cauteloso ao risco.

Mensagem final: foco em negócios

Em Davos 2026, o Brasil busca menos visibilidade política e mais credibilidade econômica. A estratégia é demonstrar, por meio de acordos, reformas e agendas técnicas, que o país está disposto a fazer negócios em um cenário internacional no qual a política voltou a influenciar diretamente o fluxo de comércio e investimentos.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: World Economic Forum/Chris_Heeney

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