Exportação

Exportação de gado vivo: como funcionam a quarentena e a identificação obrigatória dos animais

A volta ao Uruguai do navio que levava quase 3 mil bovinos para a Turquia reacendeu o debate sobre a exportação de gado vivo. A embarcação Spiridon II não recebeu autorização para desembarcar parte dos animais devido à ausência de brincos ou chips eletrônicos, itens exigidos pelas autoridades turcas. Casos como esse não são inéditos, embora exportadores brasileiros afirmem que são exceções e que cada país segue regras próprias.

Brasil adota normas rígidas de controle sanitário
No Brasil, empresas que desejam enviar bovinos vivos ao exterior precisam atender a protocolos definidos pelo Ministério da Agricultura e às exigências sanitárias do país importador. Uma das etapas obrigatórias é a instalação de um estabelecimento de pré-embarque, área da fazenda onde os animais permanecem em quarentena para prevenção e controle de doenças. O local deve receber aprovação de fiscais federais, e o isolamento é acompanhado no início e no fim do período.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), Lincoln Silveira Bueno, o processo segue padrões rigorosos e eventuais falhas são pontuais. Ele afirma que “99,9% dos embarques chegam ao destino em segurança, cumprindo todas as normas”.

Quarentena, exames e identificação eletrônica
O ponto de partida para a exportação é verificar se o país comprador possui um certificado zoossanitário internacional específico. Esse documento determina exames, tratamentos e a duração mínima da quarentena, que nunca pode ser inferior a sete dias. Todos os bovinos passam por análises laboratoriais e devem possuir identificação eletrônica individual.

Durante as vistorias, fiscais também conferem as guias de trânsito animal, para confirmar a origem do rebanho. Alguns países limitam a compra de animais de determinadas regiões do Brasil, o que reforça a necessidade de controle documental.

Transporte marítimo exige navios autorizados e cuidados de bem-estar
O Ministério da Agricultura estabelece ainda orientações para o transporte marítimo e aéreo. No caso dos navios, a viagem só pode ocorrer em embarcações aprovadas pela Capitania dos Portos e conduzidas por profissionais treinados. As normas incluem oferta adequada de alimento, água potável, medicamentos e condições de bem-estar. Antes do embarque, um veterinário oficial inspeciona as instalações e pode solicitar ajustes.

Demanda internacional se mantém, mas tende a cair
Dados da Associação Brasileira de Exportadores de Animais Vivos (Abreav) mostram que o Brasil embarcou pouco mais de 1 milhão de bovinos no ano passado, um recorde histórico. A expectativa é de estabilidade em 2025 e queda acima de 20% em 2026, reflexo da redução de abates e da alta no preço do boi, fatores que podem direcionar compradores para outros fornecedores.

A maior parte dos animais é enviada a países muçulmanos, onde prevalece o consumo de carne fresca e a exigência de abate supervisionado por autoridade religiosa. Além de bovinos prontos para abate, o Brasil exporta bezerros, bois magros para engorda e animais destinados à reprodução. México, França e Austrália também figuram entre os principais exportadores globais.

Atividade enfrenta críticas, mas é considerada legal
Organizações não-governamentais contestam a exportação de animais vivos, alegando riscos de maus-tratos durante o transporte. O tema ganhou destaque após um navio que saiu de Rio Grande (RS) ser expulso do porto da Cidade do Cabo, na África do Sul, devido ao forte odor que indicava condições inadequadas para os 19 mil bovinos a bordo.

Apesar das críticas, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu no início do ano que a atividade está em conformidade com a legislação brasileira.

Brasil amplia mercados para envio de bovinos vivos
Nos últimos meses, o país abriu novos mercados para diferentes finalidades. Líbano e Tanzânia autorizaram importações de bovinos e bubalinos para reprodução, enquanto a Turquia passou a permitir também a compra de animais reprodutivos, além daqueles destinados ao abate ou engorda.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Notícias

Bovinos retornam após bloqueio sanitário na Turquia

Cerca de 2.900 bovinos procedentes do Uruguai iniciaram seu retorno após permanecerem quase um mês a bordo de um cargueiro ancorado diante da costa da Turquia, devido a um bloqueio sanitário. A interrupção ocorreu depois que as autoridades turcas negaram o desembarque por supostas inconsistências na documentação sanitária, enquanto o Uruguai atribuiu o conflito a um desacordo comercial entre exportadores e importadores.

Marcelo Rodríguez, diretor de Serviços Pecuários do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP), explicou que os animais “estão no navio retornando ao Uruguai”, embora os responsáveis pela carga busquem redirecioná-los a outro mercado durante o trajeto. Assinalou ainda que os relatórios recebidos até agora indicam que os bovinos se encontram “em boas condições”, embora tenha reconhecido que não é possível verificar diretamente o estado atual do lote.

Problemas de identificação
Segundo o governo turco, a decisão de impedir a entrada foi tomada após detectar problemas nas identificações individuais. As inspeções no porto de Bandirma revelaram que alguns animais não portavam brincos nem chips eletrônicos, e que 469 bovinos não coincidiam com as listas de carga entregues pelas empresas importadoras. Por essas irregularidades, as autoridades locais rejeitaram a entrada da carga no país.

O Uruguai defendeu que o lote cumpriu a quarentena prévia ao embarque e superou todos os controles sanitários exigidos. Durante a viagem, morreram cerca de 40 animais, número que, segundo Rodríguez, é considerado habitual nesse tipo de travessia de longa distância.

Apesar do bloqueio sanitário, o vínculo comercial entre ambos os países se mantém. A Turquia é um dos principais destinos do gado em pé uruguaio e, segundo adiantou o MGAP, está previsto que nos próximos dias saia um novo envio de milhares de animais para esse mercado.

O Uruguai, com um rebanho de mais de 12 milhões de cabeças e forte orientação agroexportadora, enviou à Turquia mais de 269.000 bovinos no que vai de 2025, de acordo com dados oficiais.

FONTE: Todo Logistica News
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Exportação

Exportação de miúdos bovinos será ampliada com nova regra do Sisbi

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que permite às empresas inscritas no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) exportar subprodutos do abate de bovinos e bubalinos sem demanda no mercado interno. A proposta busca estimular o comércio internacional e ampliar o aproveitamento de produtos de origem animal.

Padronização e equivalência sanitária

Criado pelo governo federal, o Sisbi-POA tem como objetivo padronizar os procedimentos de inspeção sanitária em todo o país — englobando municípios, estados e o Distrito Federal. Com o projeto, empresas que atuam sob a fiscalização do Sisbi passarão a ter equivalência sanitária com as unidades registradas sob inspeção federal, o que abrirá novas oportunidades de exportação.

Projeto aprovado com ajustes de redação

O texto aprovado segue a versão analisada anteriormente pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, de autoria do ex-deputado Jerônimo Goergen (RS), com relatoria do deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB). A proposta faz alterações na Lei nº 1.283/1950, que regula a inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal, e determina que as exportações deverão ser realizadas por meio de estabelecimentos com fiscalização federal.

Próximos passos no Congresso

Como o projeto tramitou em caráter conclusivo, ele seguirá para o Senado Federal, a menos que haja recurso para votação no Plenário da Câmara. Para entrar em vigor, o texto precisa ser aprovado nas duas Casas Legislativas.

FONTE: Agrolink
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Agronegócio

Abates de bovinos, suínos e frangos registram recordes no primeiro trimestre

Aquisição de leite cru e produção de ovos também cresceram no período

A agropecuária brasileira registrou recordes no abate de bovinos, suínos e frangos no primeiro trimestre de 2025, mostram os resultados completos das Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro, e da Produção de Ovos de Galinha, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

O abate de bovinos cresceu 4,6% no primeiro trimestre de 2025, para 9,869 milhões de cabeças, em comparação ao mesmo período de 2024. Esse é o maior nível de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 1997. Em relação ao quarto trimestre de 2024, o aumento foi de 1,9%.

O aumento do número de cabeças abatidas na comparação com o primeiro trimestre de 2025 foi de 435,61 mil, com altas em 22 das 27 unidades da federação. O mês de maior atividade no abate de bovinos foi janeiro, quando foram abatidas 3,35 milhões de cabeças, 4,8% a mais do que em janeiro de 2024.

O abate de fêmeas apresentou alta de 11,3% contra igual período de 2024, o que demonstra a continuação da tendência de aumento dessa categoria nos primeiros meses de 2025, segundo o IBGE.

Na criação de suínos, o aumento de abates foi de 1,6% no primeiro trimestre de 2025, em relação ao primeiro trimestre de 2024, para 14,325 milhões de cabeças. Foram 230,99 mil cabeças a mais, um aumento puxado por altas em 17 das 26 unidades da federação que participam da pesquisa.

Já o abate de frangos cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2025, para 1,639 bilhão de aves. Foram 37,17 milhões de cabeças a mais, com expansão dos abates em 20 das 26 unidades da federação acompanhadas pela pesquisa. No primeiro trimestre, o Brasil ainda tinha o status de livre de gripe aviária, depois suspenso devido ao caso registrado em uma granja comercial em Montenegro (RS) em maio.

Leite

A aquisição de leite cru feita por estabelecimentos sob inspeção sanitária (federal, estadual ou municipal) subiu 3,4% no primeiro trimestre de 2025 em comparação a igual trimestre de 2024, para 6,49 bilhões de litros. O IBGE informou ainda que, frente ao quarto trimestre de 2024, a aquisição de leite caiu 4,3%.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2024, a alta de 3,4% significou um acréscimo de 210,55 milhões de litros de leite captados em nível nacional. Houve aumento em 19 das 26 unidades da federação participantes da Pesquisa Trimestral do Leite.

A região Sul respondeu pela maior proporção na captação de leite cru no país, com 39,6% do total, seguida pelas regiões Sudeste (36,3%), Centro-Oeste (10,9%), Nordeste (9,3%) e Norte (3,9%). No caso da região Nordeste, o primeiro trimestre foi recorde na aquisição de leite, puxado por aumento da produtividade, segundo a gerente da pesquisa, Angela Lordão.

“O Sul do país apresentou o maior volume adquirido em primeiro trimestre para a grande região. Paraná foi o estado que teve o maior crescimento (10,1%) em relação ao mesmo período do ano anterior”, afirma Lordão. Ela acrescenta que houve uma demanda boa para os derivados lácteos, com redução nos custos de produção no segundo semestre do ano passado, o que interferiu na atividade, aumentando o investimento.

O preço médio do leite pago ao produtor que foi de R$ 2,76, um aumento de 22,1% versus o primeiro trimestre de 2024 e estabilidade em relação ao quarto trimestre de 2024.

Ovos

A produção de ovos de galinha cresceu 8,3% no primeiro trimestre de 2025, para 1,196 bilhão de dúzias, em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre de 2024, houve queda de 1% na produção.

Vinte e cinco dos 26 Estados apresentaram alta da produção no primeiro trimestre de 2025, ante igual período de 2024, o que resultou em 92,14 milhões de dúzias a mais.

Mais da metade das granjas (55% ou 1.132 delas), produziram ovos para o consumo, o que respondeu por 83% do total de ovos produzidos. Por outro lado, 925 granjas (45%) produziram ovos para incubação, ou 17% do total de ovos produzidos.

A gerente da pesquisa, Angela Lordão, explicou que o primeiro trimestre do ano é geralmente um período de menor oferta de ovos, por causa do calor, e este ano ainda houve aumento nos custos de alimentação. A combinação afetou os preços, apontou. Pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os preços de ovos de galinha subiram 31,7% no primeiro trimestre de 2025.

“Tivemos, ainda, uma demanda que foi particularmente aquecida, tanto pela Quaresma, quanto por um aumento nas exportações, impulsionada por uma inflação do preço do ovo nos Estados Unidos”, disse.

Fonte: Globo Rural

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Exportação, Internacional, Negócios

Argentina está prestes a fechar acordo para exportação de miúdos bovinos à China

Autoridades chinesas têm visita marcada ao país sul-americano em 8 de junho de 2025 para novas rodadas de diálogo, segundo informações da Reuters

A Argentina está cada vez mais próxima de fechar um acordo com a China que permitirá a exportação de subprodutos de carne bovina ao país asiático, conforme revelou uma reportagem da agência Reuters, enviada de Pequim.

Fontes com conhecimento direto das negociações relataram que os dois países estão em fase final de acertos técnicos, com o governo chinês mostrando pressa em diversificar suas fontes de importação alimentar em meio a um cenário global incerto.

Segundo Georges Breitschmitt, presidente do Instituto de Promoção da Carne Bovina da Argentina (IPCVA), a conclusão das negociações parece iminente. “Estamos nos aproximando do encerramento das conversas entre os dois governos. Restam apenas ajustes técnicos específicos”, afirmou ele em entrevista concedida à Reuters durante visita à capital chinesa.

Breitschmitt destacou ainda que o ritmo das conversas se intensificou, embora não haja uma data oficial definida para a assinatura do acordo. Uma segunda fonte consultada pela agência também indicou que a conclusão deve ocorrer “muito em breve”.

Conforme apurou a Reuters, autoridades chinesas têm visita marcada à Argentina no próximo dia 8 de junho para dar continuidade às discussões técnicas e avançar rumo à formalização do pacto.

Esse movimento acontece em um momento estratégico, com a China ampliando seus canais de fornecimento agrícola diante das tensões comerciais persistentes com os Estados Unidos. Buenos Aires e Brasília despontam como parceiros relevantes nesse novo arranjo comercial impulsionado por Pequim.

Atualmente, a China já representa o principal destino da carne bovina argentina, absorvendo cerca de dois terços das exportações do setor, que somam aproximadamente 30% da produção total do país. No entanto, quando se trata de subprodutos — como miúdos, peles e ossos — o fluxo comercial segue outra lógica, com maior presença em mercados diversos e consumo doméstico reduzido.

A reportagem da Reuters observou que nem as autoridades chinesas nem a embaixada argentina em Pequim responderam aos pedidos de comentário sobre o tema. A agência também informou que tentativas de contato por telefone não foram atendidas.

Fonte: Compre Rural

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Agronegócio, Comércio Exterior, Exportação, Negócios, Notícias, Pessoas

Abertura dos mercados da União Econômica Eurasiática (UEEA) para erva-mate

Desde o início de 2023, já foram abertos 258 novos mercados

governo brasileiro recebeu, com satisfação, a notícia de abertura de mercados nos cinco países integrantes da União Econômica Eurasiática (UEEA) – Rússia, Belarus, Armênia, Cazaquistão e Quirguistão – para as exportações, de forma simplificada, de erva-mate do Brasil.

Trata-se de mais uma abertura comercial na UEEA. Anteriormente, neste ano, foram autorizadas as exportações de amêndoas de cacau, suínos vivos, sêmen e embriões bovinos (“in vivo” e “in vitro”), e bovinos vivos reprodutores e de produção.

Nos primeiros nove meses de 2024, o Brasil exportou mais de US$ 1 bilhão em produtos agrícolas para a UEEA, com destaque para soja, carne bovina, café e açúcar.

Com os anúncios recentes, o Brasil alcançou sua 180ª abertura de mercado neste ano, totalizando 258 aberturas em 60 destinos desde o início de 2023.

Esses resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Abertura dos mercados da União Econômica Eurasiática (UEEA) para erva-mate — Ministério da Agricultura e Pecuária (www.gov.br)

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