Economia

Dólar fecha em alta e Bolsa tem forte queda após acordo tarifário entre EUA e União Europeia

O dólar fechou em alta de 0,54% segunda-feira (28), cotado a R$ 5,592, um dia depois dos Estados Unidos e da União Europeia chegarem a um acordo sobre tarifas de importação. Essa é a maior cotação para a moeda desde abril deste ano.

A pauta comercial ditou os negócios globalmente. Por aqui, o mercado monitorou os esforços do Brasil para evitar a ameaça tarifária do presidente Donald Trump, mas ainda não há sinais de que o lado norte-americano está disposto a negociar.

Pressionada pela percepção de risco sobre o Brasil, a Bolsa fechou em forte queda de 1,04%, a 132.129 pontos.

Estados Unidos e União Europeia concordaram em estabelecer tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos do bloco, mesma taxa acordada com o Japão na semana passada.

Segundo o presidente dos EUA, a UE gastará US$ 750 bilhões adicionais em produtos do setor de energia dos EUA, investirá US$ 600 bilhões no país e comprará “uma enorme quantidade” de equipamentos militares americanos, no valor de “centenas de bilhões de dólares”, como parte do acordo.

Já Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que a taxa básica de 15% deve ser aplicada a automóveis, semicondutores e produtos farmacêuticos, e que uma tarifa zero por zero foi estabelecida para certos produtos estratégicos, como aeronaves e peças de aeronaves, químicos e medicamentos genéricos. Nenhuma decisão foi tomada sobre vinhos e bebidas alcoólicas ainda.

O acordo é, de certa forma, uma vitória para Trump, avalia Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX. “Ele está conseguindo concessões importantes para os Estados Unidos, como abertura de mercados externos, acordos ou promessas de investimentos no país e ainda tarifas de importação a um nível bem mais alto do que o observado antes”, afirma.

Da ótica dos mercados, o entendimento encerra, ao menos por ora, uma novela que inspirou cautela globalmente. Grandes parceiros comerciais e duas das maiores potências econômicas do mundo, EUA e UE estavam em negociação sobre as tarifas desde o “dia da libertação”, em 2 de abril, quando o tarifaço empurrou os mercados financeiros para uma queda livre.

Se não chegassem a um acordo até 1º de agosto, Trump afirma que os produtos do bloco seriam taxados em 30%. A resolução deixa os mercados menos apreensivos, especialmente sobre os ativos norte-americanos: o dólar vinha se enfraquecendo nos últimos meses diante da perspectiva de que os EUA seriam os principais prejudicados por uma guerra comercial global.

Com o entendimento, o índice DXY, que compara a força do dólar em relação a seis outras moedas fortes, saltou 1,04%, a 98,65 pontos.

Para o Brasil, porém, não há muito espaço para otimismo. O prazo para negociar as sobretaxas de 50% a produtos brasileiros também é 1º de agosto, mas os canais de comunicação dos Estados Unidos estão, até agora, fechados.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem tentado dialogar com os norte-americanos há semanas e, a poucos dias do prazo, afirma que seguirá apostando na saída diplomática. O chanceler Mauro Vieira estará em Nova York nesta semana para uma conferência da ONU e já sinalizou disposição para viajar à capital Washington, caso o governo Trump queira sentar à mesa para negociar.

O próprio presidente Lula fez um apelo nesta segunda para que Trump “reflita sobre a importância do Brasil”.

“Espero que o presidente dos Estados Unidos resolva fazer aquilo que no mundo civilizado a gente faz: tem divergência? Tem, sente numa mesa, coloque a divergência do lado e vamos tentar resolver”, afirmou em discurso durante cerimônia da inauguração de usina termelétrica a gás natural no Rio de Janeiro.

Mas, ao que parece, há pouco espaço para um entendimento. Um funcionário da Casa Branca com acesso às tratativas ligadas às tarifas afirmou à Folha de S.Paulo na sexta-feira (25) que o governo Trump avalia não ter recebido engajamento relevante ou propostas significativas por parte do Brasil para negociar os tributos.

Membros do governo brasileiro viram nessa afirmação dois possíveis indicativos: o de que os americanos preparam a narrativa para culpar o governo Lula pela imposição das tarifas e um sinal de que Trump indica querer tratar mesmo de questões não comerciais, mas políticas -o que a gestão brasileira rechaça.

Na carta endereçada ao presidente Lula em 9 de julho, Trump atribuiu a decisão de elevar a tarifação do país, “em parte”, ao que vê como uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Também citou “centenas de ordens” judiciais que censurariam a liberdade de expressão.

Auxiliares de Lula ressaltam que não haverá concessão na parte política ligada ao tarifaço. O Brasil quer levar a conversa ao campo comercial.

Mas, segundo a agência de notícias Bloomberg, o governo Trump está preparando uma nova declaração como base legal para impor tarifas sobre o Brasil. O presidente republicano tem usado esse mecanismo para justificar seu tarifaço global, mas ainda não há detalhes do texto.

Trump também citou ter déficit com o Brasil, o que é incorreto, porque os EUA têm superávit com o país, então os americanos devem buscar alguma justificativa, fora da política, para deixar o decreto mais robusto.

“Agora, o Brasil entra no radar de Washington e uma nova tarifa de até 50% pode ser anunciada a partir de 1º de agosto. A medida, vista como retaliação política, eleva o grau de incerteza sobre o câmbio e as exportações brasileiras”, diz Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T XP.

Fora do âmbito comercial, os mercados também avaliarão as decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos na quarta-feira. A expectativa é que tanto o BC (Banco Central) quanto o Fed (Federal Reserve) mantenham suas taxas.

Fonte: Folha de São Paulo

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Internacional, Mercado Internacional

Minério tem novo ganho semanal com China sinalizando combate a guerras de preços

Minério de ferro de referência de agosto na Bolsa de Cingapura caía 0,3%, a US$96,15 a tonelada, mas subia 1,93% na semana.

Os preços dos contratos futuros de minério de ferro ampliaram ganhos nesta sexta-feira, registrando o segundo aumento em base semanal consecutivo, impulsionados pela melhora no sentimento do mercado depois que autoridades da China, principal mercado consumidor de minério, pediram medidas para conter a concorrência agressiva de preços.

O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 0,62%, a 732,5 iuanes (US$102,25) a tonelada. O contrato ganhou 3,08% esta semana.

O minério de ferro de referência de agosto na Bolsa de Cingapura caía 0,3%, a US$96,15 a tonelada, mas subia 1,93% na semana.

No início desta semana, a Comissão Central de Assuntos Financeiros e Econômicos solicitou medidas mais rígidas contra a concorrência agressiva de corte de preços entre as empresas.

Isso aumentou as esperanças de uma segunda rodada de reforma da oferta no setor siderúrgico, que enfrenta um excesso de oferta, o que poderia melhorar as margens do aço e aumentar a tolerância das usinas em relação aos preços dos ingredientes, disseram analistas.

Os estoques totais de minério de ferro nos portos da China caíram 0,15% em relação à semana anterior, para 133,4 milhões de toneladas em 4 de julho, de acordo com dados da consultoria SteelHome, o que também deu algum suporte aos preços.

No entanto, sinais de abrandamento da demanda, em parte devido ao controle de produção relacionado à proteção ambiental em Tangshan, o principal centro de produção de aço da China, limitaram o potencial de alta.

A produção média diária de ferro gusa, um indicador da demanda de minério de ferro, caiu 0,6% em relação à semana anterior, atingindo o nível mais baixo desde 19 de abril, com 2,41 milhões de toneladas em 3 de julho, segundo dados da consultoria Mysteel.

O dólar reduziu seus ganhos anteriores depois que o projeto de lei “One, Big, Beautiful Bill” do presidente dos EUA, Donald Trump, foi aprovado. Um dólar mais forte torna os ativos denominados nele mais caros para os detentores de outras moedas.

Fonte: InfoMoney


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Economia

Dólar renova mínima do ano com Oriente Médio e juros no radar; bolsa sobe

Em momentos de tensões geopolíticas, o dólar em geral é visto como um ativo seguro e tende a ser favorecido pelo sentimento de aversão ao risco que domina os mercados

O Ibovespa teve forte alta e o dólar à vista caiu ante o real nesta segunda-feira (16), pela primeira vez abaixo dos R$ 5,50 este ano, com agentes financeiros ainda atentos aos desdobramentos envolvendo o conflito entre Israel e Irã e à espera de decisões de política monetária nesta semana.

O dólar à vista teve queda de 0,98%, a R$ 5,4871 na venda, renovando o menor valor deste ano. Esse patamar também é o mais baixo desde 7 de outubro do ano passado, quando encerrou em R$ 5,4865.

Já o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subiu 1,49%, a 139.255,91 pontos.

Cenário exterior

Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo a fraqueza da moeda norte-americana no exterior, com o dólar devolvendo ganhos obtidos na semana anterior na esteira da escalada do conflito entre Israel e Irã.

Em momentos de tensões geopolíticas, o dólar em geral é visto como um ativo seguro e tende a ser favorecido pelo sentimento de aversão ao risco que domina os mercados. Esse cenário foi observado na sexta, quando a moeda dos Estados Unidos avançou sobre seus pares.

Neste pregão, no entanto, o dólar não conseguia sustentar seus ganhos, já que os investidores seguem demonstrando uma certa aversão a ativos dos EUA em meio às incertezas provocadas pela política comercial errática do presidente Donald Trump, que gera preocupações de desaceleração econômica global.

Os mercados estão ansiosos com a aproximação do prazo que Trump estabeleceu para fechar acordos comerciais, que se dá em três semanas, com os EUA distantes de entendimentos com seus principais parceiros, como Japão e União Europeia.

O receio pelo retorno das taxas punitivas no próximo mês ofuscava momentaneamente os temores gerados pela guerra no Oriente Médio.

“As tensões geopolíticas têm proporcionado pouco impulso ao dólar até o momento, refletindo a persistente desconfiança dos mercados em seu status de porto-seguro”, disse Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.

“Os investidores estão relutantes em desfazer suas posições vendidas em dólar.”

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,29%, a 97,991.

Os agentes financeiros também estão se posicionando para uma série de decisões de política monetária nesta semana, incluindo do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil.

A autoridade monetária norte-americana divulgará sua decisão na quarta, com ampla expectativa de que mantenha a taxa de juros inalterada mais uma vez, enquanto avalia os impactos econômicos das políticas do governo Trump.

Cenário no Brasil

Já o BC brasileiro entrará no encontro desta semana com suas opções em aberto, com as apostas de investidores divididas entre a manutenção dos juros em 14,75% ano – com 68% de chance – e uma alta de 0,25 ponto percentual – com 32% – para o anúncio de quarta-feira (18), segundo dados da LSEG.

“Não há consenso se o Copom manterá a Selic ou se vai promover um último ajuste. A inflação continua pressionada, e a incerteza fiscal voltou ao centro do debate”, afirmou Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T XP, em nota.

Na frente de dados, a economia no Brasil iniciou o segundo trimestre com crescimento acima do esperado em abril, de acordo com dados do BC.

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve expansão de 0,2% em abril, ante projeção de ganho de 0,1%.

Fonte: CNN Brasil


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Economia, Internacional

Um touro brasileiro chega a Wall Street: JBS aprova em assembleia dupla listagem na Bolsa de Nova York

Companhia da família Batista obtém aval de seus acionistas para seguir adiante com plano e deve começar a ser negociada na maior bolsa de valores do mundo a partir de junho

A dupla listagem da JBS na Bolsa de Nova York (NYSE) foi finalmente aprovada pelos acionistas da companhia de alimentos da família Batista. Em assembleia geral, eles deram seu aval para que a empresa chegue à maior bolsa de valores do mundo.

A assembleia se iniciou por volta das 10h e, em menos de meia hora, a empresa divulgou o resultado por meio de um fato relevante na manhã desta sexta-feira, dia 23 de maio, publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“O resultado da assembleia demonstra que os acionistas estão confiantes nos benefícios gerados a partir da dupla listagem e na adequação da estrutura societária ao perfil global e diversificado da companhia”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, em nota divulgada após a aprovação.

Em uma carta enviada por Wesley Batista, acionista e membro do conselho de administração da companhia, aos funcionários da empresa logo depois da notícia, obtida pelo NeoFeed, fica mais claro o que a JBS almeja com a dupla listagem.

“Tendo acesso a um leque maior de investidores, estou certo de que vamos viver um novo ciclo de oportunidades”, escreveu Batista. “Este marco nos permitirá ampliar ainda mais a capacidade de crescimento da empresa a um custo mais acessível, acelerar nossa estratégia de diversificação e agregar ainda mais valor ao nosso negócio, aos nossos fornecedores, consumidores e comunidades onde operamos”, emendou.

A JBS ainda não divulgou mais detalhes sobre o placar da votação da assembleia, o que deverá ser divulgado na ata da mesma reunião.

A aprovação já era esperada pelo mercado, mesmo com os contornos de emoção que o fato ganhou nesta semana. Até ontem, dia 22 de maio, ainda estava incerto se a companhia dos Batista iria conseguir de fato a dupla listagem pela diferença entre a quantidade de votos a favor e contra a operação.

Em documento publicado na CVM na manhã de quinta-feira, os votos parciais apontavam para uma aprovação de pouco mais de 246 milhões de ações e uma rejeição de pouco mais de 271 milhões de papeis, o que significava que havia uma diferença pequena dentro do universo que ainda pode votar.

Nas contas do site NeoFeed, naquele momento, cerca de 70% dos acionistas minoritários da JBS exerceram seu direito de voto à distância. Dos 30% restantes que podem ter se inscrito, informação que não era pública, para participar presencialmente da assembleia geral, a empresa precisava de menos de 12% de aprovação das cerca de 210 milhões de ações que ainda podem manifestar seu voto, igual a 25 milhões de papéis.

A JBS almejava a dupla listagem desde 2023 e, em março passado, fechou um acordo importante recentemente com a BNDESPar para que o braço de participações do banco estatal se abstivesse da votação na assembleia.

E o que acontece agora? A JBS divulgou, no fato relevante, um cronograma dos próximos passos. Dentro de uma semana, no dia 30 de maio, a companhia espera obter a aprovação do registro da nova empresa. Na prática, os órgãos reguladores, como a americana SEC e as brasileiras CVM e B3, irão autorizar a JBS a listar suas ações no novo formato.

A data prevista para as ações da JBS saírem da B3, deixando apenas os BDRs, que espelham as ações listadas na Bolsa de Nova York, é o dia 6 de junho. No dia 9 do mesmo mês, os BDRs começam a ser negociados e quem tiver ações da JBS irá receber automaticamente os BDRs, numa proporção de um BDR para duas ações da JBS que possuía.

A expectativa é que esses novos papeis apareçam na carteira dos acionistas no dia 11 de junho. A partir daí, os investidores poderão trocar esses BDRs por ações diretamente nos EUA, caso tenham uma conta em uma corretora americana.

Finalmente, no dia 12 de junho de 2025, a JBS começará oficialmente a ser negociada na bolsa de Nova York. A empresa ainda informou que pagará R$ 2,21 bilhões em dividendos aos acionistas, ou R$ 1 por ação.

Para viabilizar a mudança, a JBS ainda criou duas novas empresas no exterior, a LuxCo e a JBS N.V. A sigla N.V. vem do holandês “Naamloze Vennootschap”, que significa, literalmente, “sociedade anónima”. O movimento é burocrático, e comum nesse tipo de caso.

Agora, ao invés da JBS S.A. ser a empresa mãe, ela é incorporada por essa empresa internacional (JBS N.V.). Nesse modelo, a JBS S.A. responde à JBS Participações, que por sua vez, é controlada pela JBS N.V.

A JBS S.A. continua como a empresa que controla marcas como Friboi, Seara e Pilgrim’s. Já a JBS N.V. é a empresa que terá seu CNPJ listado na NYSE e que replicará BDRs na B3.

As ações da companhia na B3 entraram em leilão no pregão desta sexta-feira, dia 23 de maio, e estavam sendo negociadas por cerca de R$ 43 às 10h55. Na quinta-feira, haviam encerrado o dia em R$ 42,25.

Fonte: AG Feed

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Internacional, Mercado Internacional, Negócios

Bolsas de NY despencam com independência do BC americano em xeque

Ameaças de Trump de demitir Jerome Powell, presidente do Fed, assustam agentes de mercado e investidores.

Os índices acionários das bolsas de Nova York operaram em forte queda, nesta segunda-feira, desde a abertura, com a preocupação crescente em torno de uma interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na atuação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

O índice Dow Jones registrou queda de 2,5%, aos 38.170 pontos; o S&P 500 recuou 2,4%, a 5.158 pontos, e o índice de tecnologia Nasdaq caiu 2,6%, aos 15.870 pontos. Os três principais indicadores do mercado acionário americano chegaram a cair mais de 3%, durante algumas horas do pregão.

O feriado prolongado não ajudou a acalmar as preocupações dos investidores, à medida que a venda de ativos ligados aos Estados Unidos segue ganhando tração.

Na sexta-feira, o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, disse que Trump está estudando a possibilidade de demitir Jerome Powell, presidente do Fed. Essa possibilidade, aventada pela Casa Branca, também pode explicar um aumento acentuado nos rendimentos de longo prazo nos títulos do Tesouro, os treasuries, nesta manhã.

“Se Trump demitisse Powell, a reação do mercado provavelmente seria negativa, já que a independência do Fed é altamente valorizada”, aponta Kathy Jones, estrategista-chefe de renda fixa da Schwab.

Em paralelo, investidores se preparam para uma importante bateria de resultados corporativos ao longo desta semana, como da montadora de automóveis elétricos Tesla, da Alphabet (dona do Google) e da fabricante de aeronaves Boeing.

Segundo a FactSet, até o fim da semana passada, 12% das empresas do S&P 500 informaram os resultados do 1º trimestre de 2025. Dessas empresas, 71% informaram lucros por ação real acima das estimativas, percentual que está abaixo da média de 5 anos de 77% e abaixo da média de 10 anos de 75%.

“No total, as empresas estão informando lucros 6,1% acima das estimativas, o que está abaixo da média de 5 anos de 8,8% e abaixo da média de 10 anos de 6,9%”, aponta o analista da FactSet, John Butters.

Fonte: Valor Investe

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Internacional, Logística, Mercado Internacional, Negócios

Embraer lidera ganhos no Ibovespa após rumores de Boeing barrada na China

Expectativa dos investidores é de que a empresa brasileira possa suprir parte da demanda chinesa com a venda de aeronaves

As ações da Embraer disparavam nesta terça-feira (15) e lideravam os ganhos do Ibovespa, devido aos rumores de que a China bloqueou a compra de aeronaves da americana Boeing. Com isso, a expectativa dos investidores é de que a companhia brasileira possa suprir parte da demanda chinesa com a venda de aeronaves.

Por volta das 11h15, EMBR3 subia 3,89%, cotada a R$ 65,17.

As ações ordinárias da Embraer chegaram a avançar mais de 4% pela manhã, isolando a empresa como a maior contribuidora para a alta do Ibovespa, com 117 pontos.

O principal índice acionário da bolsa brasileira tinha leve alta de 0,12% no horário acima, aos 129.611 pontos.

A China ordenou que suas companhias aéreas não aceitem mais recebimento de jatos Boeing em resposta à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 145% sobre os produtos chineses. A informação foi publicada inicialmente pela Bloomberg News, citando fontes familiarizadas com o assunto.

Além disso, Pequim também ordenou que as companhias aéreas chinesas suspendam as compras de equipamentos e peças relacionadas a aeronaves de empresas norte-americanas.

As ações da Boeing – que vê a China como um de seus maiores mercados em crescimento e onde a rival Airbus detém uma posição dominante – caíram 3% antes da abertura dos mercados.

Fonte: CNN Brasil

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Economia, Gestão, Industria, Informação, Internacional, Tributação

Dólar fecha em forte alta e Bolsa cai com temores de recessão nos EUA e incertezas sobre tarifas

De um lado, há temores sobre os impactos da política tarifária do presidente Donald Trump, marcada, até agora, por constantes idas e vindas. De outro, dados fracos indicam que a economia dos EUA está perdendo fôlego, com investidores atentos a sinais de recessão.

 

O dólar disparou 1,13% nesta segunda-feira (10) e encerrou o dia cotado a R$ 5,854, com a aversão ao risco tomando os mercados globais em meio a incertezas em relação à economia dos Estados Unidos.

De um lado, há temores sobre os impactos da política tarifária do presidente Donald Trump, marcada, até agora, por constantes idas e vindas. De outro, dados fracos indicam que a economia dos EUA está perdendo fôlego, com investidores atentos a sinais de recessão.

A confluência de fatores levou a um forte movimento de vendas em Wall Street. Por lá, os principais índices acionários tombaram de forma generalizada. O S&P 500 caiu 2,70%, a 5.614 pontos, estendendo as perdas de 3,1% na semana passada -o pior desempenho semanal em seis meses.

O Nasdaq Composite afundou 4%, a 17.468 pontos, no que foi o pior dia de negociações em dois anos e meio. Já o Dow Jones perdeu 2,08%, a 41.911 pontos.

Por aqui, a Bolsa registrou queda de 0,41%, a 124.519 pontos.

O movimento desta sessão foi desencadeado por falas de Trump no domingo, em entrevista à Fox News.

Ele se recusou a responder se a maior economia do mundo entrará ou não em recessão ainda em 2025. “Detesto fazer previsões como essas”, disse.

“Há um período de transição, porque o que estamos fazendo é muito grande. Estamos trazendo riqueza de volta para a América. Isso é algo grande, e sempre há períodos, leva um pouco de tempo.”

A falta de uma resposta que descartasse esse cenário acirrou preocupações entre os investidores, já temorosos sobre os efeitos da política comercial do republicano. Na terça-feira passada (4), o presidente impôs tarifas de 25% sobre as importações do Canadá e do México, mas fez dois grandes recuos já nos dias seguintes.

Na quarta, concedeu isenção para fabricantes de automóveis e, na quinta, para todos os produtos que atendiam às regras do acordo comercial USMCA de 2020. Tarifas separadas de 25% sobre as importações de aço e alumínio devem entrar em vigor esta semana.

Na análise de Alison Correia, analista de investimentos e sócio-fundador da Dom Investimentos, as expectativas do mercado em relação a Trump estão se esgotando.

“Ano passado teve aquela corrida toda sobre a política de Trump, mas, de tanto bater, ameaçar e voltar atrás, o mercado cansou. Em qualquer tipo de exposição e aumento de tarifas, as empresas, sabendo que também terá contra-ataque por parte dos países, precisam se antecipar sobre quando vai rolar, se vai rolar, e reprecificar os seus balanços. E isso ninguém está conseguindo fazer, porque não há clareza sobre as tarifas. Trump está até perdendo credibilidade.”

O dólar disparou no final do ano passado sob a sombra das ameaças tarifárias. Isso porque o aumento de tarifas, além de estimular uma guerra comercial ampla, tem o potencial de encarecer o custo de vida dos norte-americanos, o que pode comprometer a briga do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) contra a inflação e forçar a manutenção da taxa de juros em patamares elevados.

Quanto maiores os juros por lá, mais atrativos ficam os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os chamados treasuries, o que fortalece o dólar globalmente.

Questionado se as tarifas poderiam novamente gerar inflação, Trump respondeu: “Você pode ver isso acontecendo. Enquanto isso, adivinhe? As taxas de juros estão baixas.”

Os recuos de Trump fortalecem a tese de que as tarifas têm sido usadas como ferramenta de barganha, mas ainda inspiram cautela.

“O mercado não tem medo de notícias ruins; o mercado tem medo do escuro. Os anúncios das tarifas lembram o conto do ‘Menino que Gritava Lobo’, onde o menino mentia sobre um lobo que comia as ovelhas e, quando ele de fato comeu, ninguém acreditava mais no menino”, diz Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos.

“Trump anuncia tarifas, depois suspende. Anuncia e suspende. Depois de várias vezes nessa dança, essa estratégia começa a perder a elasticidade e a não ter o mesmo impacto no mercado. Perde a eficácia. Há muita volatilidade, especialmente no câmbio, mas os anúncios de tarifas não têm atingido o mercado com tanta contundência quanto nas primeiras vezes.”

Segundo economistas, o vai-e-vem do “tarifaço” está dificultando o planejamento futuro dos empregadores. Sinal disso é a deterioração da confiança das empresas e dos consumidores desde janeiro, que apagou todos os ganhos obtidos após a vitória eleitoral de Trump em novembro.

Além disso, o apelidado “índice do medo” disparou às máximas do ano. O VIX (Volatility Index, na sigla em inglês) leva essa alcunha por mensurar o sobe e desce da carteira teórica do S&P 500, que reúne as 500 ações mais relevantes listadas na Bolsa de Nova York. O indicador subiu quase 20%, a 28,01 pontos, nível mais alto de 2025.

O VIX tem avançado desde o dia 20 de fevereiro, após dados sobre a atividade econômica dos Estados Unidos terem vindo mais fracos do que o esperado.

“PMI, atividade industrial relatório de emprego ADP, ‘payroll’. Muitos dados abaixo do esperado demonstram um desaquecimento da economia norte-americana e um contexto interno preocupante”, diz Alison Correia, da Dom Investimentos.

Em discurso na sexta, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que os principais indicadores econômicos permanecem “sólidos”, com “progresso contínuo”, e que banco central dos Estados Unidos não terá pressa em reduzir a taxa de juros enquanto aguarda mais clareza sobre como as políticas de Trump afetam a economia.

“O novo governo está em processo de implementação de mudanças significativas em quatro áreas distintas: comércio, imigração, política fiscal e regulamentação. A incerteza sobre as mudanças e seus prováveis efeitos continua alta”, disse.

As atenções estão voltadas agora ao CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) na quarta-feira, indicador oficial da inflação norte-americana.

FONTE: Jornal de Brasilia
Dólar fecha em forte alta e Bolsa cai com temores de recessão nos EUA e incertezas sobre tarifas | Jornal de Brasília

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