Sustentabilidade

Viagem histórica com biocombustível no Chile marca avanço da transição energética no transporte pesado

Rota chilena sediará a mais longa viagem com caminhão a biocombustível da América Latina
O Chile será palco do mais longo percurso já realizado na América Latina por um caminhão movido a biocombustível. A iniciativa resulta de uma parceria entre o Centro de Transporte e Logística (CTL) da Faculdade de Engenharia da Universidade Andrés Bello, a salmonicultora Cermaq Chile, a transportadora GLA e a Lipigas, responsável pelo fornecimento energético.

O projeto será colocado em prática no início de 2026, quando um trator-caminhão abastecido com bioGNL (biogás natural liquefeito) percorrerá a rota entre Chiloé e o Aeroporto de Santiago, transportando salmão fresco produzido pela Cermaq.

Parceria impulsiona transporte sustentável e redução de emissões
Segundo o CTL, o marco simboliza a consolidação de soluções energéticas sustentáveis aplicadas à logística. Para Rolando Campos, chefe de Projetos do Laboratório de Validação Tecnológica do CTL, a colaboração entre as empresas envolvidas tornou viável uma operação mais limpa, com redução de emissões e custos operacionais.

O principal objetivo da iniciativa é diversificar a matriz energética do transporte rodoviário, historicamente dependente do diesel, promovendo o uso do bioGNL na indústria salmonicultora e avançando rumo a operações com emissões zero.

Uso de bioGNL viabiliza neutralidade de carbono
Durante o trajeto, o caminhão operará com uma mistura composta por 15% de bioGNL e 85% de GNL, combinação que garante a neutralidade de carbono. De acordo com Helmuth Raddatz, engenheiro de projetos do CTL, o acordo assegura que, a partir de 2026, todas as operações da Cermaq e da GLA sejam 100% carbono neutro.

A proposta também representa um passo intermediário entre o uso de combustíveis fósseis e a futura adoção da eletromobilidade, ao utilizar energia proveniente de resíduos orgânicos.

Testes técnicos e dados reais sustentam o projeto
O acordo foi formalizado em dezembro, nas instalações da Cermaq em Quemchi, na ilha de Chiloé. O CTL ficou responsável pelo desenvolvimento de testes com metodologias robustas e dados reais de operação, avaliando desempenho energético, econômico, ambiental e operacional dos caminhões.

Essas análises deram origem a um relatório técnico que servirá de base para comparações e avaliações de mercado, criando condições para a futura ampliação do uso do bioGNL no transporte pesado.

Iniciativa cria precedente para a indústria
Para Alex Arzola, gerente de Logística e Comércio Exterior da Cermaq, o percurso representa um desafio logístico relevante e, ao mesmo tempo, estabelece um precedente para novas iniciativas sustentáveis no setor.

Na avaliação de Nicolás Hidalgo, subgerente de GNL e Biocombustíveis da Lipigas, o projeto demonstra a viabilidade de modelos logísticos mais sustentáveis, baseados em soluções energéticas limpas. Já Esteban Alveal, gerente-geral da GLA Chile, destacou o comprometimento técnico e profissional das equipes envolvidas.

Chile avança na liderança em energia limpa no transporte
Com a realização da viagem em 2026, o Chile deve se consolidar como referência regional na transição energética do transporte de cargas, especialmente no segmento de veículos pesados, segundo avaliação do CTL.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Logística

DHL e CMA CGM impulsionam logística marítima de baixo carbono com uso de biocombustíveis

A DHL Global Forwarding e a CMA CGM anunciaram uma parceria estratégica voltada à descarbonização do transporte marítimo de contêineres. A iniciativa prevê o uso conjunto de 8.990 toneladas métricas de biocombustível de segunda geração (Ucome), o que deve resultar em uma redução estimada de 25 mil toneladas de CO₂ equivalente nas emissões associadas às operações do serviço GoGreen Plus, da DHL.

A colaboração amplia as alternativas para que embarcadores reduzam, de forma prática, a pegada de carbono de suas cadeias logísticas internacionais, ao mesmo tempo em que impulsiona a adoção de combustíveis sustentáveis no transporte marítimo global.

Avanço na descarbonização do transporte marítimo

Segundo Casper Ellerbaek, Head Global de Ocean Freight da DHL Global Forwarding, a iniciativa marca um avanço relevante na agenda ambiental do setor. “Essa parceria reforça nosso compromisso com cadeias de suprimentos de baixo carbono. Ao ampliar o uso de combustíveis marítimos sustentáveis, ajudamos nossos clientes a cumprir metas climáticas e promovemos mudanças estruturais no setor”, afirma.

A ação conjunta combina o GoGreen Plus, da DHL, com o ACT+, solução de transporte sustentável da CMA CGM. Na operação, a armadora será responsável pelo fornecimento físico do biocombustível à sua frota, enquanto a DHL utiliza o modelo Book & Claim, que garante que os benefícios ambientais sejam atribuídos corretamente aos embarques contratados.

Redução significativa das emissões de CO₂

Com o uso de combustíveis alternativos, os clientes podem alcançar reduções de até 80% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), considerando todo o ciclo “well-to-wake”. A estratégia amplia o acesso a soluções de logística sustentável, mesmo quando o transporte não ocorre diretamente em navios abastecidos com combustível verde.

Compromisso com metas climáticas globais

A iniciativa reforça os compromissos de longo prazo das duas empresas com a agenda climática. A DHL tem como meta atingir emissões líquidas zero até 2050 em todas as suas operações globais. Já a CMA CGM vem investindo fortemente em frota de baixo carbono e combustíveis alternativos.

De acordo com Olivier Nivoix, vice-presidente executivo de Shipping da CMA CGM, a parceria demonstra o impacto da cooperação entre grandes players do setor. “O ACT+ oferece soluções escaláveis e confiáveis, apoiadas por uma frota preparada para operar com combustíveis alternativos. Desde 2008, reduzimos em 57% a intensidade de carbono das nossas operações marítimas e seguimos avançando rumo ao Net Zero até 2050”, destaca.

Soluções sustentáveis para o mercado global

O ACT+ foi desenvolvido para atender à crescente demanda por logística de baixo carbono, permitindo reduções de emissões de 10%, 25%, 50% ou até 83%, por meio do uso de biocombustíveis de segunda geração e, quando necessário, mecanismos complementares de compensação.

Já o GoGreen Plus integra a estratégia global da DHL para descarbonizar suas operações, utilizando combustíveis sustentáveis e tecnologias limpas. O modelo Book & Claim garante rastreabilidade e credibilidade ambiental, mesmo quando a substituição do combustível ocorre em outro ponto da rede logística.

As empresas afirmam que seguirão avaliando novas oportunidades para expandir o uso de soluções sustentáveis e fortalecer a descarbonização das cadeias globais de suprimentos.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Sustentabilidade

Petrobras inicia produção nacional de SAF e realiza primeira entrega do biocombustível de aviação

A Petrobras realizou, na sexta-feira (5), a primeira entrega de combustível sustentável de aviação (SAF) totalmente produzido no Brasil. Foram enviados 3 mil m³ do biocombustível às distribuidoras que atuam no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Galeão (RJ) — volume equivalente a aproximadamente um dia de consumo dos aeroportos fluminenses.

Brasil entra na rota mundial de produção de SAF

A companhia tornou-se a primeira do país a fabricar o produto integralmente em território nacional, atendendo às normas de sustentabilidade definidas pela ICAO (International Civil Aviation Organization). O SAF, capaz de substituir o querosene de aviação (QAV) sem ajustes nas aeronaves ou no sistema de abastecimento, é considerado uma alternativa imediata para reduzir as emissões de carbono do setor aéreo.

SAF da Petrobras reforça metas de descarbonização

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que o biocombustível obtido por coprocessamento no parque de refino atende rigorosos padrões internacionais e fortalece o compromisso da aviação com a descarbonização.

Ela afirmou que o produto é competitivo e contribui para que o mercado nacional avance no cumprimento do CORSIA, programa global de redução de emissões em voos internacionais. Segundo ela, o movimento antecipa demandas que em breve serão obrigatórias para o setor.

Setor aéreo terá obrigação de usar SAF a partir de 2027

De acordo com a Petrobras, a produção antecipada do combustível sustentável de aviação é estratégica diante das futuras exigências regulatórias. A partir de 2027, companhias aéreas brasileiras deverão utilizar o SAF em voos internacionais conforme as regras do CORSIA e, gradualmente, incorporá-lo também às operações domésticas pela Lei do Combustível do Futuro.

O biocombustível possui menor intensidade de carbono, já que combina matéria-prima de origem vegetal ao querosene mineral durante o processamento.

Matérias-primas e certificações ampliam competitividade

Atualmente, a Petrobras está certificada para usar óleo técnico de milho (TCO) — um resíduo industrial — ou óleo de soja como insumos renováveis. A parcela vegetal pode reduzir em até 87% as emissões líquidas de CO₂. O resultado final é quimicamente igual ao combustível tradicional, porém com parte sustentável.

Expansão da produção em refinarias pelo país

A primeira remessa foi produzida na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, já autorizada pela ANP a empregar até 1,2% de matéria-prima renovável na rota de coprocessamento.

A Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), também já concluiu testes para produzir o biocombustível. A expectativa é que, até 2026, a Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, e a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, iniciem a produção e comercialização do SAF.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Ueslei Marcelino

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Agronegócio

Brasil e México fecham parcerias em agro e biocombustível

Parcerias preveem intercâmbio de experiência e transferência de tecnologia entre dos dois países

Brasil e México fecharam, na quarta-feira (27), parcerias para aprofundar a cooperação nos setores da agropecuária, de biocombustíveis, fortalecimento comercial e atração de investimentos. Em evento de assinatura dos memorandos, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin destacou o impacto que a parceria terá em diversos setores, como o econômico e social.

“Quero destacar a importância do que acabamos de assinar. A importância social, que significa emprego, renda, novas oportunidades, vida digna para a população; a importância econômica, investimentos, crescimento do setor produtivo; importância científica e tecnológica, novas formas tecnológicas para a descarbonização; a importância ambiental”, afirmou Alckmin.

O memorando que trata de biocombustíveis é a base para futuras ações de cooperação, com o objetivo de impulsionar um crescimento do setor no México, aproveitando a reconhecida experiência que o Brasil possui na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar.

A parceria prevê o intercâmbio de experiências e a transferência de tecnologia, equipamentos, metodologias e experiências entre os dois países para acelerar o desenvolvimento do setor de matérias-primas e da indústria de biocombustíveis, estimulando a captura e armazenamento de carbono a partir da bioenergia. Isso abre caminho para o crescimento ordenado e sustentável da produção de biocombustíveis, como etanol, SAF e combustíveis marítimos sustentáveis.

A cooperação faz parte da estratégia do Brasil de aprofundar a integração econômica com o fortalecimento de parcerias em setores estratégicos, gerando benefício recíprocos para as duas maiores economias e democracias da América Latina.

Cooperação agropecuária

Em reunião na sede da chancelaria mexicana, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, Julio Sacristán, assinaram Memorando de Entendimento sobre cooperação entre os dois países em áreas de produção agrícola e pecuária, acompanhamento técnico de pequenos e médios produtores, soberania alimentar, sanidade animal e vegetal, promoção de pesquisa e inovação tecnológica, financiamento e seguro rural, além de instrumentos que facilitem a comercialização de produtos agrícolas.

O memorando prevê a criação de um grupo de trabalho com representantes das áreas técnicas de ambos os países que irá identificar as áreas de interesse comum, planejar, implementar e atualizar o Plano de Trabalho.

Na reunião com secretário de Agricultura, os dois países também se comprometeram a adequar as legislações sobre a rastreabilidade da carne bovina, sem prejuízo às exportações brasileiras de carne para o México.

Fonte: Canal Rural

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Agronegócio, Comércio Exterior, Exportação, Industria, Notícias, Sustentabilidade

Abiove Prevê Que Brasil Vai Exportar Mais Biodiesel em 2025

O Brasil vai colher 0,5% menos soja em 2025 do que o esperado até o mês passado, mas a safra ainda será recorde em 170,9 milhões de toneladas, estimou nesta quarta-feira (19) a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) em sua revisão mensal.

Isso representa um crescimento de 16,5 milhões de toneladas na comparação com o ciclo anterior, principalmente com a recuperação das produtividades na maioria das regiões após uma safra frustrada no ano passado.

A Abiove, por sua vez, elevou em 0,6% sua estimativa para a safra 2024 do Brasil para 154,39 milhões de toneladas, após uma consolidação dos números do ano passado, marcado por um recorde na exportação de farelo de soja.

Apesar de uma reavaliação no processamento de soja em 2024, ainda sobrou mais soja do que o previsto, o que resultou em aumento de 1 milhão de toneladas nos estoques iniciais do grão em 2025, para 4,14 milhões de toneladas.

Os estoques finais de 2025 também foram ampliados em 1,6% ante o levantamento do mês passado, para 9,1 milhões de toneladas, após a Abiove manter as estimativas de exportação e processamento de soja do Brasil em patamares recordes, de 106,1 milhões e 57,5 milhões de toneladas, respectivamente.

Fator biodiesel
As estimativas de produção, o consumo interno e a exportação de farelo de soja também não foram alteradas em relação ao mês passado.

Mas a Abiove elevou a previsão de exportação de óleo de soja em 27,3% em relação à estimativa de fevereiro, para 1,4 milhão de toneladas, após o governo brasileiro decidir pela manutenção da mistura de biodiesel no diesel em 14%.

A expectativa era de um aumento na mistura para 15% a partir de março, algo que não aconteceu com o governo citando preocupações inflacionárias relativas aos preços dos alimentos — o óleo de soja é a principal matéria-prima do biodiesel, respondendo por cerca de 74% do total em 2024.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse ao fazer o anúncio em fevereiro que a mistura será mantida em 14% até o governo ver resultados nos preços dos alimentos, tema que tem afetado a popularidade do presidente Lula.

Se elevou a previsão de exportação, a Abiove cortou em 3,8% a estimativa de consumo de óleo de soja no Brasil em 2025, para 10,1 milhões de toneladas.

Em 2024, segundo dados da agência reguladora ANP, mais de 7 bilhões de litros de óleo de soja foram destinados à produção de biodiesel.

Fonte: Forbes
Abiove Prevê Que Brasil Vai Exportar Mais Biodiesel em 2025

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Biodiesel tem menor preço em quase 5 meses no Brasil com pressão do mercado de óleo de soja

Os preços do biodiesel no mercado brasileiro cederam quase 7% no acumulado do ano até o início de março, segundo dados da agência reguladora ANP, e têm possibilidade de cair mais, considerando a entrada da safra recorde de soja e a queda das cotações internacionais do óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível.

Especialistas no mercado também citam a própria manutenção da mistura de 14% no biodiesel no diesel no Brasil, que deveria ter subido para 15% a partir do início de março –algo que não aconteceu por preocupações inflacionárias, conforme decisão do governo brasileiro.

Com o recuo nos preços do biodiesel para 5,797 reais por litro na média do país, de acordo com levantamento da ANP divulgado nesta semana, o biocombustível passou ao menor nível desde o final de outubro de 2024, após ter oscilado no ano passado nos maiores patamares em quase três anos.

“Temos visto essas correções nos preços do óleo de soja, já demonstrado uma queda pela postergação da mistura (de biodiesel). Obviamente, menor demanda de biodiesel significa menor demanda por óleo”, disse o analista de inteligência de mercado da StoneX Leonardo Rossetti.

Nos cálculos da consultoria, o óleo de soja responde por entre 82% e 85% da matéria-prima do biodiesel, considerando também uma parcela incluída em “outros materiais graxos” em dados compilados da ANP.

Na avaliação de Rossetti, apesar da mistura menor, deve haver algum crescimento da demanda por biodiesel no país pelo aumento do mercado de diesel, “mas muito menor” do que as expectativas iniciais.

Mas a safra recorde no Brasil, com produção próxima de 170 milhões de toneladas, o que significaria um aumento de cerca de 10% ante a temporada passada, um processamento de soja também recorde no país e uma queda na bolsa de Chicago –por incertezas sobre a demanda nos EUA — trazem uma perspectiva de alívio de custos.

“Visto este cenário e preços internacionais em queda, existe espaço para o óleo ceder um pouco e o biodiesel seguir”, disse o especialista da StoneX.

Desde o pico do ano, o preço do óleo de soja na bolsa de contratos futuros de Chicago recuou mais de 10%, para 42,60 centavos de dólar por libra-peso.

A conjuntura pode beneficiar empresas como Oleoplan, Be8, Potencial, Olfar, JBS e Três Tentos, que juntos representaram cerca de 50% das vendas totais de biocombustível em 2024, conforme dados de relatório da Moody’s divulgado nesta quinta-feira.

A agência ressaltou ainda a importância da mistura obrigatória para o crescimento da produção de biodiesel no Brasil, que mais do que dobrou desde 2017 para 9,1 bilhões de litros em 2024.

CHANCE PARA A MISTURA MAIOR?

Uma queda no preço do petróleo e do dólar em relação ao real também são fatores que colaboram para pressionar os combustíveis, o que na visão do sócio-diretor da Raion Consultoria, Eduardo Oliveira de Melo, poderia ser uma conjuntura favorável para um corte do preço do diesel, pela Petrobras, e a retomada pelo governo dos planos da mistura de 15%.

“Alterando de B14 para B15, nos atuais custos, traria um impacto de 2 centavos, média Brasil, sobre o preço do diesel B (com a mistura de biodiesel). É claro que a gente tem que entender que não é um impacto muito significativo”, disse Melo, lembrando que o diesel fóssil é mais barato que o biocombustível. Mas ele avalia que o governo poderia também aproveitar esse momento.

“Caso… quisesse amenizar (o impacto de um eventual aumento da mistura para B15), seria uma excelente oportunidade, de repente, fazer um corte no diesel A, porque as referências internacionais, ainda mais com a apreciação do câmbio, favorecem para esse movimento. E é uma redução que já é esperada. A gente tem aí uma expectativa que aconteça, não sabemos quando”, afirmou.

Na avaliação da Raion, haveria espaço para o diesel da Petrobras ser reduzido em 40 centavos de real por litro nas refinarias, após a Petrobras ter aumentado o preço do combustível em mais de 6% ao final de janeiro e o petróleo Brent ter recuado cerca de 6% desde então.

“Então, o que o governo poderia fazer? Poderia, de repente, utilizar isso como oportunidade para poder fazer um corte do diesel A, concomitante à entrada do B15, porque aí ele poderia amenizar esse impacto ainda que ele não fosse tão relevante”, argumentou.

Uma fonte do governo que acompanha o setor avalia que o raciocínio faz sentido. “Se a tendência se mostrar de queda (do biodiesel), melhora bastante a situação deles (dos produtores)”, afirmou, na condição de anonimato.

Melo defendeu ainda que o Brasil deveria regulamentar a importação de biodiesel para “criar um ambiente mais competitivo no mercado, traduzindo em menores custos do biocombustível para o consumidor”. Ele lembrou que várias entidades do mercado já se posicionaram a favor de possível regulamentação.

(Por Roberto Samora e Marta Nogueira)

FONTE: Reuters
Biodiesel tem menor preço em quase 5 meses no Brasil com pressão do mercado de óleo de soja

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Governo mantém mistura de biodiesel em 14% para conter alimentos

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu suspender o aumento da mistura de biodiesel ao diesel para 15%, mantendo o percentual atual de 14%, vigente desde março de 2024. A medida busca priorizar a destinação da soja para a alimentação e, assim, conter a alta nos preços dos alimentos.

A soja é a principal matéria-prima do biodiesel no Brasil e desempenha papel essencial na produção de óleo de cozinha e ração animal. Reduzindo a demanda da oleaginosa para biocombustíveis, o governo espera aumentar sua oferta no mercado alimentício, ajudando a reduzir a inflação dos alimentos. “O preço dos alimentos é a grande prioridade do nosso governo”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Impactos
Embora o governo justifique a decisão com base no controle da inflação, associações do setor e analistas de mercado argumentam que a expansão do biodiesel e do etanol de milho não teria impacto significativo nos preços dos alimentos. A hipótese foi levantada no início deste mês pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além da decisão sobre a mistura do biodiesel, o CNPE aprovou a criação de uma operação conjunta entre órgãos do governo federal para combater fraudes na mistura obrigatória do biocombustível ao diesel. Segundo o ministro Silveira, a concorrência desleal gerada por essas fraudes desestimula investimentos no setor e compromete a sustentabilidade da cadeia de suprimentos.

Reforço na fiscalização
Diante desse cenário, o governo determinou a criação de um grupo de trabalho para ampliar a fiscalização na mistura do biodiesel. O objetivo é garantir uma concorrência justa e evitar irregularidades que pressionam o preço do diesel comercial. O grupo também analisará formas de ampliar o uso de outras oleaginosas na fabricação do biodiesel, reduzindo a dependência da soja.
A decisão do CNPE também leva em conta o impacto do aumento da mistura de biodiesel no preço final do diesel. O biocombustível tende a ser mais caro que o diesel fóssil, e essa relação de custo pode afetar o transporte de cargas e, consequentemente, a inflação geral.
No início do mês, a Petrobras elevou em mais de 6% o preço médio do diesel para distribuidoras, chegando a R$ 3,72 por litro. Esse foi o primeiro reajuste no valor do combustível em mais de um ano. Apesar do aumento, o governo minimizou os impactos e afirmou que monitora eventuais reações de categorias como os caminhoneiros. Até o momento, não há registros de alertas sobre insatisfação por parte desses profissionais.
A decisão do governo sobre a mistura do biodiesel sinaliza um compromisso com o controle da inflação dos alimentos, mas gera preocupações no setor energético e entre produtores de biocombustíveis. Os próximos meses serão decisivos para avaliar os efeitos dessa medida no abastecimento de combustíveis e na economia como um todo.

FONTE: O Estado CE
Governo mantém mistura de biodiesel em 14% para conter alimentos – O Estado CE

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Disparada nos preços leva governo a adiar exigência de maior uso de biocombustível no diesel

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou nesta terça-feira, 18, a manutenção do porcentual mínimo obrigatório de biodiesel ao óleo diesel em 14% até “posterior deliberação”. A decisão foi tomada na primeira reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 2025.

No fim de 2023, o CNPE havia definido para março de 2024 a mistura de 14% de biodiesel ao diesel (B14), com a previsão de chegar a 15% (B15) em 2025. Além da redução da emissão de dióxido de carbono na atmosfera, foi citada a redução da importação do combustível fóssil.

Silveira defendeu um reforço da fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil (ANP) sobre a mistura em 14%. Ele citou deficiências na fiscalização do regulador e declarou que há denúncias de que algumas distribuidoras não estão fazendo a mistura. O ministro reiterou que a manutenção do porcentual não causa insegurança jurídica.

Uma ala do governo defendia a manutenção do porcentual em 14% e a derrubada do cronograma que previa a adoção do B15 (mandato de 15%) a partir de 1º de março. O pedido de manutenção da mistura partiu da Casa Civil, de acordo com pessoas a par das discussões.

O preço do diesel disparou na primeira quinzena de fevereiro, conforme o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que monitora as transações em 21 mil postos de abastecimento do Brasil.

Ante o mesmo período do mês anterior, o preço médio por litro do diesel comum subiu 4,65%, de R$ 6,23 para R$ 6,52; e o do diesel S10 subiu 4,93%, de R$ 6,29 para R$ 6,60 de acordo com levantamento divulgado na sexta-feira, 14.

O motivo alegado nos bastidores para a manutenção da mistura nos níveis atuais é o potencial aumento do preço do óleo diesel ao consumidor. Após o preço do combustível subir mais de R$ 0,28 (R$ 0,22 pelo reajuste da Petrobras e R$ 0,06 pelo aumento do ICMS estadual), o governo quer evitar novas altas, em momento no qual o Palácio do Planalto está preocupado com a inflação resistente e com a queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Outro argumento usado pelo governo é a alta de 29% do preço do óleo de soja em 2024, principal matéria-prima do biocombustível, e o receio de que a maior demanda do produto para produção de biocombustível poderá afetar o preço do óleo envasado, utilizado na alimentação.

O setor do biodiesel prevê impacto limitado, de R$ 0,01, no preço do óleo diesel na bomba a partir do aumento da mistura. Já distribuidoras de combustíveis estimam aumento de até R$ 0,02 no preço do óleo diesel ao consumidor a partir do maior teor de biodiesel.

Os fabricantes consideravam que não havia risco de mudança. Entidades do setor chegaram a intensificar conversas com integrantes do governo a fim de desmobilizar eventual alteração no cronograma.

As entidades do setor argumentam que impedir o aumento da mistura do biodiesel ao óleo diesel pode trazer impactos econômicos superiores ao aumento de R$ 0,01 no preço final do combustível. As usinas avaliam que qualquer mudança no cronograma previsto poderia desestruturar a cadeia produtiva do óleo e do farelo de soja.

Entre os efeitos potenciais avaliados pelo setor estão retração de investimentos já anunciados pelas usinas, consequente queda de geração de emprego e renda pela indústria, aumento da importação de diesel, o que afetaria balança comercial e aumento nos preços das carnes, em virtude de um possível menor esmagamento de soja e produção de farelo de soja — utilizado na alimentação animal.

Outro argumento é que a mudança no cronograma há menos de 15 dias antes da implementação traz perda de previsibilidade ao setor, que já tem contratos fechados com fornecedores considerando a evolução da mistura programada há mais de um ano. O setor de biocombustíveis também cobra do governo colocar em prática o que foi regulamentado na lei do Combustível do Futuro.

Do lado dos aspectos ambientais, o setor argumenta ao governo que a demonstração pública da adoção de uma matriz energética renovável torna-se ainda mais relevante no ano que o País sediará a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP-30).

FONTE: Estadão 150
Disparada nos preços leva governo a adiar exigência de maior uso de biocombustível no diesel – Estadão

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Missão do Mapa na Alemanha amplia mercados e reforça compromisso com a sustentabilidade

Delegação brasileira participa da Fruit Logistica, promove diálogo com autoridades alemãs e apresenta iniciativas para o avanço do agro sustentável

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) concluiu com sucesso sua missão oficial à Alemanha, realizada entre os dias 3 e 5 de fevereiro. A delegação brasileira marcou presença na Fruit Logistica 2025, o maior evento global do setor de frutas e hortaliças frescas, além de cumprir uma intensa agenda de reuniões estratégicas com autoridades alemãs e representantes do setor produtivo. O objetivo foi fortalecer as relações bilaterais, ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado internacional e reforçar a imagem do Brasil como referência em sustentabilidade agropecuária.

A participação brasileira na Fruit Logistica é essencial para a promoção comercial das frutas nacionais. O Brasil, um dos maiores produtores mundiais, se destaca não apenas pela qualidade e diversidade de seus produtos, mas também pelo compromisso com a inovação e as boas práticas agrícolas. Com cerca de 50 empresas do setor presentes no evento, sob coordenação da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o país consolidou sua posição como um parceiro estratégico no fornecimento global de alimentos frescos e saudáveis.

REUNIÕES BILATERAIS E FORTALECIMENTO DE PARCERIAS

Além da feira, a missão incluiu um encontro com a diretora-geral do Ministério da Agricultura da Alemanha, Swantje Nilsson. A reunião abordou temas como a cooperação comercial entre os dois países, o Acordo Mercosul-União Europeia, o recente foco de febre aftosa e as práticas sustentáveis adotadas pelo Brasil.

Outro destaque foi a participação do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, como palestrante na 18ª Conferência Latino-Americana da Economia Alemã. Durante sua apresentação, ele detalhou oportunidades de negócios para investidores alemães e destacou iniciativas brasileiras, como o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD) e a Lei do Biocombustível do Futuro, reforçando o compromisso do Brasil com uma produção agropecuária sustentável.

DIÁLOGO COM SETORES ESTRATÉGICOS E A IMPRENSA

A delegação brasileira também participou de um encontro sobre o Regulamento Europeu de Cadeias Livres de Desmatamento (EUDR), com representantes dos setores de carne bovina, soja e café. A Alemanha, maior compradora do café brasileiro na Europa, tem papel fundamental no comércio do produto, o que reforça a importância do diálogo sobre as regulamentações ambientais e o fortalecimento das exportações nacionais.

Para ampliar a visibilidade das ações do Brasil, a missão incluiu um bate-papo com a imprensa alemã, destacando os avanços na redução do desmatamento, as práticas sustentáveis da agropecuária nacional e o papel do Brasil como fornecedor confiável de alimentos ao mundo.

Com essa missão, o Mapa reafirma o compromisso do Brasil com a sustentabilidade, inovação e abertura de novos mercados, garantindo que os produtos agropecuários brasileiros continuem a ganhar espaço no cenário global.

Informações à imprensa
imprensa@agro.gov.br
FONTE: Missão do Mapa na Alemanha amplia mercados e reforça compromisso com a sustentabilidade — Ministério da Agricultura e Pecuária

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