Economia

Brasil fecha 2025 com maior déficit em conta corrente desde 2014

O déficit em conta corrente do Brasil alcançou US$ 68,8 bilhões em 2025, o maior resultado negativo desde 2014, quando o déficit chegou a US$ 110,5 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O principal fator para a ampliação do déficit foi a redução do superávit comercial, que caiu de US$ 65,8 bilhões em 2024 para US$ 60 bilhões em 2025. Em relação ao PIB, o indicador se manteve praticamente estável, passando de 3,03% para 3,02%.

Investimentos estrangeiros cobrem déficit

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil totalizou US$ 77,6 bilhões em 2025, equivalente a 3,41% do PIB, valor suficiente para financiar integralmente o déficit em conta corrente. No entanto, em dezembro, o IED registrou saldo negativo de quase US$ 5,2 bilhões, o pior resultado mensal da série histórica do Banco Central.

O que são as contas externas

As transações em conta corrente fazem parte do balanço de pagamentos, registrando entradas e saídas do país relacionadas a comércio de bens e serviços, renda (como lucros, dividendos e juros) e transferências unilaterais. Quando as saídas superam as entradas, ocorre déficit. Um déficit elevado pode refletir crescimento econômico, mas também indicar gargalos estruturais, como baixa poupança interna.

O IED representa investimentos produtivos de longo prazo realizados por estrangeiros no país, sendo a principal fonte de financiamento do déficit em conta corrente.

Contexto do IED em dezembro

Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, explicou em coletiva que o resultado negativo de dezembro estava acima das expectativas de mercado. Segundo ele, é comum ocorrer remessas de lucros ao exterior no fim do ano, mas em 2025 o volume foi maior, refletindo lucros mais elevados ao longo do ano e antecipação de remessas.

Rocha reforçou que o balanço de pagamentos em 2025 demonstra contas externas sólidas, com o déficit em conta corrente totalmente financiado por IED.

Perspectiva de instituições financeiras

Em nota, o Bradesco afirmou que, embora o déficit em conta corrente tenha componentes estruturais, os investimentos diretos estrangeiros continuam crescendo e devem permanecer robustos.

O Itaú destacou que o déficit de dezembro foi menor do que o esperado, com resultados mais fortes em renda, especialmente lucros e dividendos. O saldo do mês foi de US$ 3,3 bilhões. Segundo o banco, “o forte fluxo de lucros remetidos ao exterior foi parcialmente compensado por significativos reinvestimentos de lucros, que não geram fluxo cambial, mas impactam o déficit em conta corrente e o IED. Em 2025, o movimento de saídas líquidas no mês foi maior, alinhado ao volume elevado de distribuição de lucros”.

Para 2026, o Itaú revisou a previsão do déficit em conta corrente para US$ 70 bilhões, ante US$ 76,7 bilhões, considerando um superávit comercial mais forte do que o projetado anteriormente.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Beto Nociti/BCB

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Saída de dólares no Brasil em 2025 é a segunda maior da série histórica

O Brasil encerrou 2025 com a segunda maior saída líquida de dólares da história, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central (BC). O fluxo cambial acumulado no ano ficou negativo em US$ 33,316 bilhões, resultado inferior apenas ao observado em 2019, quando a evasão alcançou US$ 44,768 bilhões.

Apesar do volume expressivo de saída de recursos, o real apresentou valorização ao longo do ano, sustentado pelo patamar elevado dos juros no país e pela desvalorização global do dólar.

Canal financeiro lidera a saída de recursos

O principal fator por trás do resultado negativo foi o canal financeiro, que registrou saída líquida de US$ 82,467 bilhões em 2025, o segundo maior número da série histórica, atrás apenas do ano anterior. Esse canal reúne operações como investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros, pagamento de juros e outras transações financeiras.

Já o canal comercial apresentou entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, valor que não foi suficiente para neutralizar a forte evasão observada na conta financeira. O saldo positivo ficou abaixo do recorde de 2007 e também inferior ao resultado de 2024.

Importações reduzem entrada de dólares

De acordo com o Banco Central, o crescimento das importações foi determinante para a menor entrada de divisas pela via comercial. O volume de câmbio contratado para compras externas atingiu US$ 238 bilhões, o segundo maior patamar da série histórica, superado apenas por 2022.

No mesmo período, as exportações somaram US$ 287,5 bilhões. Diferentemente da balança comercial, que considera apenas operações efetivamente realizadas, o fluxo cambial inclui também pagamentos antecipados e adiantamentos de contratos de câmbio.

Real se valoriza mesmo com fluxo negativo

Mesmo diante da saída expressiva de dólares no mercado à vista, o real se apreciou em 2025. O movimento foi favorecido pelos juros elevados no Brasil e pelo enfraquecimento do dólar no cenário internacional, fatores que estimularam posições favoráveis à moeda brasileira no mercado de derivativos, compensando o fluxo cambial negativo.

A atuação do Banco Central no mercado à vista foi limitada. A autoridade monetária realizou apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão, por meio do chamado “casadão”, mecanismo que combina a venda de dólares das reservas internacionais com swaps cambiais reversos. A estratégia permite aliviar a taxa de juros em dólar sem impacto direto sobre o câmbio.

Dezembro concentra remessas ao exterior

Em dezembro, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 13,562 bilhões, abaixo do registrado no mesmo mês de 2024, quando a saída chegou a US$ 27 bilhões. O resultado refletiu uma evasão de US$ 20,982 bilhões pela conta financeira, parcialmente compensada por uma entrada de US$ 7,421 bilhões pela conta comercial.

Tradicionalmente, o último mês do ano concentra remessas internacionais para pagamento de dividendos. Em 2025, esse movimento foi intensificado por empresas e investidores que buscaram se antecipar ao fim da isenção do imposto de renda sobre remessas ao exterior, que passou a valer a partir de janeiro de 2026.

Fluxo cambial antecipa dados do balanço de pagamentos

As relações financeiras entre residentes e não residentes são oficialmente mensuradas pelo balanço de pagamentos, divulgado mensalmente pelo Banco Central. O fluxo cambial, no entanto, funciona como uma prévia desses números, ao registrar operações como adiantamentos e liquidações antecipadas de contratos.

O indicador é dividido entre fluxo comercial, que acompanha exportações e importações, e fluxo financeiro, que engloba investimentos, empréstimos e transações no mercado financeiro. Em 2025, os dados confirmam que a fuga de dólares esteve concentrada principalmente no canal financeiro.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: © Valter Campanato/Agência Brasil

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