Economia

Ibovespa fecha aos 181 mil pontos e registra melhor desempenho em 16 anos

O Ibovespa encerrou a terça-feira, 27, aos 181.919 pontos, com alta de 1,79%, renovando recordes históricos. O índice da B3 retomou a força após um pregão de acomodação na segunda-feira e chegou a tocar, pela primeira vez na história, o patamar dos 183 mil pontos, marcando também um recorde intradiário.

Janeiro de 2026 entre os melhores meses da bolsa

Com o desempenho de hoje, o Ibovespa superou o fechamento de sexta-feira, 23, quando atingiu 178.858 pontos. Apenas no início de 2026, o índice já acumulou dez máximas históricas, praticamente um terço dos 32 recordes registrados ao longo de todo o ano de 2025.

Segundo a consultoria Elos Ayta, desde 2010 apenas 13 meses tiveram altas superiores a dois dígitos, como novembro de 2023 (12,54%), outubro de 2011 (11,49%) e outubro de 2016 (11,23%). Esses dados consolidam janeiro de 2026 como um dos períodos de maior valorização da bolsa brasileira em mais de uma década.

Fatores que impulsionaram o Ibovespa

O avanço do índice foi sustentado pela divulgação do IPCA-15 de janeiro, que registrou alta de 0,20%, abaixo das expectativas do mercado. O dado reforçou a percepção de inflação controlada, estimulando a tomada de risco e o fluxo de capital estrangeiro para a B3.

Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, afirma que o IPCA-15 mostra inflação sob controle no curto prazo, mas destaca pressões nos núcleos, especialmente em serviços e bens industrializados, recomendando cautela em relação à política monetária do Banco Central. Rodrigo Marques, economista-chefe da Nest Asset Management, reforça que a trajetória de desinflação permanece, mantendo a expectativa de início do ciclo de cortes da Selic em março, com redução de 25 pontos-base.

Setor financeiro lidera ganhos do pregão

O rali foi puxado pelo setor financeiro, que contribuiu de forma decisiva para o recorde do índice. Entre os destaques:

  • Itaú (ITUB4): +2,65%
  • Santander (SANB11): +3,18%
  • Bradesco (BBDC4): +2,63%
  • Banco do Brasil (BBAS3): +1,19%
  • BTG Pactual (BPAC11): +2,44%

No âmbito individual, os maiores ganhos vieram de:

  • Raízen (RAIZ4): +8,43%
  • CSN (CSNA3): +7,13%
  • Yduqs (YDUQ3): +6,96%
  • Cyrela (CYRE3): +6,17%
  • Assaí (ASAI3): +5,47%

Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, atribui o movimento à entrada de capital estrangeiro. “Com a saída de notícias negativas nos Estados Unidos, especialmente ligadas ao presidente Donald Trump, investidores têm direcionado recursos para mercados emergentes, incluindo o Brasil”, explicou.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cris Faga/NurPhoto/Getty Images

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Economia

Ibovespa bate recorde histórico e supera 166 mil pontos; dólar sobe a R$ 5,38 com tensões internacionais

O mercado financeiro brasileiro teve um dia de movimentos contrastantes nesta terça-feira (20). Enquanto a bolsa de valores alcançou um marco inédito, encerrando acima dos 166 mil pontos pela primeira vez, o dólar comercial avançou frente ao real, pressionado pelo cenário externo e por novos ruídos geopolíticos envolvendo Estados Unidos e Europa.

Bolsa brasileira ignora cenário externo e renova máxima histórica

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou o pregão aos 166.277 pontos, com valorização de 0,87%. Após oscilar negativamente no início do dia, o indicador passou a subir com a abertura das bolsas norte-americanas, beneficiado pelo fluxo de capital estrangeiro em direção a mercados emergentes.

No fim da tarde, o índice perdeu fôlego durante o discurso que marcou um ano do novo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegando a recuar momentaneamente abaixo dos 166 mil pontos. Ainda assim, a bolsa reagiu nos minutos finais e garantiu o fechamento em nível recorde, impulsionada principalmente por ações de mineradoras, bancos e petroleiras, setores com maior peso na composição do Ibovespa.

Dólar avança com escalada de tensões entre EUA e Europa

Diferentemente do desempenho positivo da bolsa, o mercado de câmbio teve um dia de alta. O dólar comercial encerrou cotado a R$ 5,375, com avanço de 0,3%, equivalente a R$ 0,016. Pela manhã, a moeda norte-americana chegou a alcançar R$ 5,40, mas perdeu força ao longo da tarde.

O movimento foi influenciado pela intensificação das tensões políticas e comerciais entre Estados Unidos e União Europeia. O presidente francês, Emmanuel Macron, sinalizou a possibilidade de acionar um mecanismo de defesa comercial que permitiria a aplicação de tarifas de até 93 bilhões de euros sobre produtos americanos. A reação ocorre após novas declarações de Trump envolvendo ameaças territoriais e possíveis aumentos tarifários contra produtos europeus.

Impasse comercial e juros elevados no radar dos investidores

O clima de instabilidade ganhou mais força após o Parlamento Europeu suspender a tramitação do acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos, firmado em julho do ano passado, que previa tarifas de 15% sobre produtos europeus exportados ao mercado norte-americano.

Apesar do cenário internacional adverso, o Brasil foi parcialmente protegido pela diferença entre os juros internos e os praticados nos Estados Unidos. Com a Taxa Selic em 15% ao ano, no maior patamar em quase duas décadas, o país segue atraente para investidores em busca de rentabilidade, o que ajudou a conter uma pressão mais forte tanto sobre o dólar quanto sobre a bolsa.

Na próxima semana, o mercado volta suas atenções para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá os próximos passos da política de juros no país.

Fonte: Agência Brasil

TEXTO: REDAÇÃO

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Portos

Leilões de terminais portuários da Antaq estão confirmados para 26 de fevereiro

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) confirmou que os leilões de terminais portuários ocorrerão no dia 26 de fevereiro, na B3, em São Paulo. Os certames envolvem o arrendamento de quatro áreas portuárias e tiveram seus editais publicados no Diário Oficial da União.

Os empreendimentos estão localizados nos portos de Natal (RN), Santana (AP), Porto Alegre (RS) e Recife (PE).

Terminais atendem diferentes tipos de cargas

No Porto Organizado de Natal, o leilão contempla uma área destinada à movimentação e armazenagem de granéis sólidos minerais. Já no Porto de Santana, no Amapá, o terminal será voltado para granéis sólidos vegetais, ampliando a capacidade logística da região Norte.

Em Porto Alegre, o arrendamento prevê um espaço para armazenagem e movimentação de granel sólido, reforçando a infraestrutura do porto gaúcho.

Terminal de passageiros do Recife terá edital próprio

Além dos três terminais de cargas, a Antaq informou que será lançado um edital específico para a cessão do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Organizado do Recife. O leilão também está programado para fevereiro e integra o mesmo pacote de investimentos portuários anunciado pela Agência.

Investimentos somam R$ 229 milhões

Segundo a Antaq, os investimentos previstos nos quatro projetos totalizam R$ 229 milhões. O maior volume está concentrado no Porto de Santana, com R$ 150,20 milhões previstos para um contrato de 25 anos.

O Terminal de Passageiros do Recife deverá receber R$ 2,3 milhões, também com prazo contratual de 25 anos. Em Natal, os investimentos estimados chegam a R$ 55,17 milhões, com contrato de 15 anos, enquanto o terminal de Porto Alegre prevê aportes de R$ 21,13 milhões ao longo de 10 anos.

Editais estão disponíveis ao público

A Agência destacou que todas as informações sobre os leilões portuários, incluindo critérios de participação, obrigações contratuais e modelos de concessão, estão disponíveis no Diário Oficial da União e no site oficial da Antaq. Os documentos também podem ser consultados presencialmente na sede da Agência, em Brasília.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Portos

Leilão da ANTAQ atualiza cronograma e confirma projetos do primeiro bloco portuário de 2026

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) publicou no Diário Oficial da União desta quarta-feira (7) a atualização do cronograma e dos procedimentos do leilão da ANTAQ previsto para 26 de fevereiro de 2026. A sessão ocorrerá na B3, em São Paulo (SP), e integra o primeiro bloco de leilões portuários do próximo ano.

Editais inéditos e republicação confirmada

De acordo com o aviso oficial, a ANTAQ lançou dois editais inéditos de arrendamento portuário. O primeiro é o NAT01, voltado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos minerais no Porto Organizado de Natal (RN). O segundo é o MCP01, destinado a um terminal para granéis sólidos vegetais no Porto de Santana, no Amapá (AP).

Além disso, houve a republicação do edital do POA26, um arrendamento simplificado no Porto Organizado de Porto Alegre (RS), com foco na movimentação e armazenagem de granel sólido pelo prazo de 10 anos.

Os critérios de participação, exigências técnicas e demais condições estão detalhados no Edital do Leilão, disponível no site oficial da Agência e também na sede da ANTAQ, em Brasília.

Novo edital deve completar o bloco de leilões

A expectativa da Agência é que, nos próximos dias, seja publicado o edital do quarto projeto que completará o primeiro bloco de leilões portuários de 2026. Trata-se do terminal de passageiros do Porto do Recife (TMP-Recife), em Pernambuco (PE).

Investimentos somam R$ 229 milhões

Ao todo, os quatro projetos do bloco preveem investimentos de R$ 229 milhões. Os terminais estão localizados em Macapá (AP), Natal (RN), Porto Alegre (RS) e Recife (PE), atendendo à movimentação de cereais, granéis minerais, granéis vegetais e passageiros.

O conjunto de projetos já foi encaminhado pela Secretaria Nacional de Portos à ANTAQ, com detalhamento técnico e econômico.

Segundo o diretor-geral da Agência, Frederico Dias, o bloco reflete uma estratégia de longo prazo para o setor. Ele destaca que a regulação portuária busca garantir segurança jurídica, atrair investimentos e ampliar a capacidade logística nacional, promovendo integração regional e desenvolvimento econômico.

TMP Recife aposta no turismo de cruzeiros

O TMP Recife prevê R$ 2,3 milhões em investimentos e concessão de 25 anos. O terminal deve integrar um circuito de cruzeiros no Nordeste, ao lado de portos como Fortaleza (CE), Maceió (AL) e Salvador (BA), fortalecendo o turismo marítimo na região.

MCP01 amplia escoamento no Norte do país

Localizado no Porto de Santana, o MCP01 tem papel estratégico para o Amapá e para a região Norte, especialmente no escoamento de grãos e cavaco de madeira. O projeto prevê R$ 150,20 milhões em investimentos e concessão de 25 anos.

POA26 foca modernização no Sul

O POA26, no Porto Organizado de Porto Alegre (RS), contará com R$ 21,13 milhões para movimentação e armazenagem de granel sólido, com prazo de 10 anos. O arrendamento integra o processo de modernização portuária no Sul do Brasil.

NAT01 reforça logística mineral no Nordeste

Já o NAT01, em Natal (RN), será voltado principalmente ao escoamento de granéis minerais, com destaque para o minério de ferro. O terminal prevê R$ 55,17 milhões em investimentos e concessão de 15 anos, reforçando a logística portuária nordestina.

Confira o Comunicado na íntegra.

FONTE: ANTAQ
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ANTAQ

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Comércio Exterior

Regras mais rígidas devem reduzir entrada de carne estrangeira

O governo da China comunicou, em uma reunião emergencial realizada nesta sexta-feira (14) em Xangai, que adotará um pacote de medidas para restringir a importação de carne bovina. As normas passam a valer após o anúncio oficial da salvaguarda, previsto para 26 de novembro, e reforçam a estratégia de Pequim de proteger a produção doméstica e conter a crescente entrada do produto estrangeiro.

Segundo autoridades chinesas, o aumento das compras externas estaria causando um impacto grave na pecuária nacional. Informações divulgadas pela Tardáguila apontam que o governo foi direto ao afirmar que a carne importada tem pressionado os produtores locais, justificando uma política de controle mais rígida: o objetivo é “proteger o gado nacional e evitar um impacto destrutivo”.

Novas exigências para o comércio internacional

Durante a reunião, quatro mudanças principais foram delineadas, todas com efeito direto sobre o fluxo global de exportações:

1. Fiscalização alfandegária reforçada

A inspeção das cargas de carne bovina importada será ampliada e mais frequente. A tendência é de aumento da burocracia, do prazo de desembaraço e dos custos logísticos para importadores.

2. Criação de quotas para compras externas

A China pretende estabelecer quotas de importação, limitando formalmente o volume de carne bovina que pode entrar no país e favorecendo o produto doméstico.

3. Suspensão de novas habilitações de plantas exportadoras

Mais frigoríficos — especialmente aqueles que operam com grande número de armazéns — devem perder a autorização para embarcar carne para o mercado chinês, reduzindo o total de instalações habilitadas.

4. Restrição severa ao crédito

O acesso a financiamentos para importadores será reduzido, diminuindo a capacidade de compra e desacelerando o ritmo das importações.

Impactos para o Brasil e para o mercado global

As regras valem para o Brasil e demais fornecedores internacionais e podem reduzir o volume de importações ao longo de 2026. Analistas alertam que o cenário tende a pressionar preços internacionais, aumentar a volatilidade e exigir diversificação de destinos por parte dos exportadores.

A preocupação ganha peso porque a China permanece como o principal comprador da proteína brasileira. Um recuo no apetite do gigante asiático pode alterar o equilíbrio global de oferta e demanda, gerando efeitos diretos sobre frigoríficos e pecuaristas.

Reação imediata da B3

Diante das sinalizações vindas de Pequim, o mercado futuro abriu esta segunda-feira (17) em queda na B3. Às 10h19 (horário de Brasília), os contratos registravam desvalorização:

  • Novembro/25: queda de 0,45%, negociado a R$ 317,55/@;
  • Dezembro/25: recuo de 0,75%, cotado a R$ 317,70/@;
  • Janeiro/26: baixa de 0,37%, a R$ 323,75/@;
  • Fevereiro/26: queda de 0,43%, valendo R$ 325,30/@.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Portos

Leilões portuários de 2025: MPor, Antaq e B3 promovem segundo bloco com investimentos de R$ 1,22 bilhão

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a B3, realiza nesta terça-feira (22) o segundo bloco de leilões portuários de 2025. A rodada deve movimentar mais de R$ 1,22 bilhão em investimentos e inclui projetos estratégicos para o setor portuário brasileiro.

A cerimônia ocorrerá na sede da B3, em São Paulo, com duas etapas principais: o leilão de arrendamento das áreas portuárias de Maceió (TMP) e do Rio de Janeiro (RDJ07), marcado para as 10h, e a concessão do acesso aquaviário do Porto de Paranaguá (PR), programada para as 14h.

Leilão de Maceió e Rio de Janeiro prioriza passageiros e apoio offshore

O Terminal Marítimo de Passageiros (TMP), localizado no Porto Organizado de Maceió (AL), será destinado à movimentação de passageiros e deve receber R$ 3,75 milhões em investimentos. Já o terminal RDJ07, no Porto do Rio de Janeiro, será voltado ao apoio logístico offshore, atendendo às operações de exploração e produção de petróleo e gás natural. O projeto prevê R$ 99,4 milhões em aportes privados.
Ambos os contratos terão vigência inicial de 25 anos, com possibilidade de renovação conforme as metas de desempenho.

Paranaguá terá primeiro canal de acesso leiloado no Brasil

A concessão do acesso aquaviário do Porto de Paranaguá, no Paraná, representa um marco inédito para o setor portuário nacional. Trata-se do primeiro canal de acesso brasileiro a ser leiloado, com investimentos estimados em R$ 1,2 bilhão ao longo de 25 anos e possibilidade de prorrogação contratual por até 70 anos.
O projeto deve modernizar a infraestrutura portuária, aumentar a eficiência logística e ampliar a competitividade das exportações brasileiras.

Credenciamento e atendimento à imprensa

Os jornalistas interessados poderão acompanhar o evento presencialmente ou de forma online. Para presença física, é necessário o credenciamento prévio pelo e-mail imprensa@b3.com.br.
Ao término da cerimônia, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, concederá entrevista coletiva à imprensa presente.

Serviço:
O que: Leilão de áreas portuárias em Maceió (AL) e no Rio de Janeiro (RJ)
Data: quarta-feira, 22 de outubro de 2025
Horário: 10h
Local: R. Quinze de Novembro, 275, São Paulo – SP
Transmissão:* https://www.tvb3.com.br

O que: Concessão do acesso Aquaviário ao Porto de Paranaguá
Data: quarta-feira, 22 de outubro de 2025
Horário:14h
Local: R. Quinze de Novembro, 275, São Paulo – SP
Transmissão: https://www.tvb3.com.br

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério de Portos e Aeroportos

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Economia, Finanças, Gestão, Informação, Investimento, Negócios, Notícias, Tributação

Bolsa brasileira e câmbio caminham para melhor 1º trimestre desde 2022

Maior entrada de dinheiro estrangeiro e percepção de ativos baratos impulsionam mercado local

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro caminham para encerrar o primeiro trimestre deste ano com o melhor desempenho para o período desde 2022, sustentados pela maior entrada de dinheiro estrangeiro e a percepção de que os ativos brasileiros estão com preços bastante descontados.

Analistas ouvidos pela CNN também citam expectativas de alívio nos juros e projeções de alternância no governo como fatores que entusiasmaram os investidores neste início de ano.

O Ibovespa encerrou a última semana com ganho acumulado de 9,6%, devolvendo a maior parte das perdas somadas em 2024, quando recuou 10,3%, mostram dados da Elos Ayta Consultoria.

Na direção oposta, o dólar Ptax — calculado pelo Banco Central (BC) — desvalorizou quase 6,9% entre janeiro e março, a R$ 5,766 na venda.

Maior fluxo internacional

O dinheiro de investidores internacionais na bolsa brasileira é citado como um dos principais pontos para a melhora dos indicativos.

Dados da B3 comprovam esse cenário: entre janeiro e março deste ano, o mercado de ações do Brasil registrou a entrada de R$ 12 bilhões, até a última sexta-feira (28).

No mesmo período do ano passado, o resultado era o oposto, com a saída de quase R$ 23 bilhões.

Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos, explica que esse movimento é reflexo da rotação do dinheiro global, principalmente com a saída de capital dos Estados Unidos em meio às incertezas geradas pela política tarifária de Donald Trump.

O temor de recessão na maior economia do mundo ganhou musculatura nas últimas semanas, principalmente após recentes declarações do republicano sobre os efeitos das novas diretrizes tarifárias.

Em complemento ao cenário dos EUA, investidores buscam oportunidades em países emergentes, sobretudo em meio ao impulso fiscal, como no Brasil e na China.

“Combina uma provável recessão americana, que aumentou bem a probabilidade, com todos esses estímulos, tanto fiscais quanto a alta de taxa de juros. Isso acaba fazendo com que esse dinheiro vá para os emergentes e, por exemplo, o Brasil é um destino”, explica.

Ações descontadas

O desempenho nos primeiros meses de 2025 vai na direção oposta ao observado em 2024, sobretudo na parte final do ano, com a bolsa encerrando abaixo dos 120 mil pontos, enquanto o dólar era negociado ao redor da máxima histórica, próximo de R$ 6,20.

Rodrigo Simões, economista e professor da Faculdade do Comércio da Associação Comercial de São Paulo (FAC-SP), aponta para esse período de forte depreciação dos ativos domésticos como uma das bases para a recuperação.

Ele ressalta a atratividade dos ativos da bolsa brasileira, mesmo em meio uma de política monetária mais restritiva, com a Selic se mantendo em dois dígitos desde fevereiro de 2022.

“Apesar de todo esse tempo que nós tivemos de juros altos até hoje aqui no Brasil, tem muitos ativos com bons preços na bolsa de valores”, afirma.

Saadia indica o mesmo caminho, reforçando que o valor medido pelo preço sobre lucro (P/L) estava em patamares historicamente baixos, sustentando o movimento de reajuste visto nos últimos meses.

Juros e eleições no radar

Os economistas também apontam o movimento de antecipação por parte do mercado de uma possível queda dos juros e alternância no comando do país.

Na seara da política monetária, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) já sinalizou a desaceleração da alta dos juros a partir do próximo encontro, em maio, após três altas seguidas de um ponto, trazendo a Selic ao patamar de 14,25% ao ano.

Apesar de ainda prever ajustes que levarão a taxa básica ao pico e 15% ainda neste ano, o mercado já antevê a reversão do ciclo de alta a partir de 2026, com os juros recuando ao patamar de 12,5%, segundo dados do Boletim Focus.

Segundo Simões, esse quadro de alívio dos juros é justificado por sinais — mesmo que pequenos — de esfriamento da inflação.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) desacelerou a 0,64% em março, ante salto de 1,23% em fevereiro — o maior patamar para o mês desde 2016.

O mercado também enxerga que o indicador vá perder força ao longo deste ano, encerrando em 5,65% — apesar de ainda estourar o teto da meta perseguida pelo BC —, e continuará a trajetória de queda em 2026.

“Faz com que os investidores não olhem somente para ativos de renda fixa, mas comecem também a olhar para os ativos de renda variável, com um pouco mais de risco”, explica o professor da FAC-SP.

A expectativa de mudanças na condução do país também dá base para a melhora dos ativos, afirma Saadia, da Nomos.

Segundo ele, este movimento é observado desde o início do ano, como declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não garantir que irá concorrer à reeleição em 2026 e que só entrará novamente na corrida se estiver “100% de saúde”.

Além da incerteza sobre a posição do petista no próximo ano, Saadia também aponta para a queda da popularidade de Lula nas pesquisas como fator que mexeu com os ânimos do mercado nos últimos meses.

“Essa popularidade muito baixa faz com que o mercado enxergue a questão fiscal um pouco melhor para pós-2026 com essa alternância de governo, e, obviamente, as pessoas acabam se antecipando a uma provável alta que pode acontecer na bolsa”, explica.

FONTE: CNN Brasil
Bolsa brasileira e câmbio caminham para melhor 1º trimestre desde 2022 | CNN Brasil

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