Notícias

Naufrágio do século XIV expõe tesouro de porcelana da Dinastia Yuan em rota comercial asiática

Um naufrágio do século XIV localizado nas proximidades do estreito de Singapura trouxe à tona um vasto conjunto de porcelanas raras produzidas durante a Dinastia Yuan (1271–1368), período em que a China esteve sob domínio mongol. O achado foi divulgado nesta quarta-feira (04) por arqueólogos responsáveis pela escavação subaquática.

Segundo os pesquisadores, a carga preservada no fundo do mar oferece novas evidências sobre as rotas comerciais marítimas que conectavam a China ao Sudeste Asiático há cerca de 650 anos.

Escavação subaquática revela toneladas de cerâmica

Os destroços foram inicialmente identificados por equipes de arqueologia marinha. Após o mapeamento da área, mergulhadores iniciaram uma operação controlada de escavação, que permitiu a retirada segura de milhares de peças.

Ao todo, foram recuperadas aproximadamente 3,5 toneladas de fragmentos e artefatos cerâmicos. Entre os materiais, destaca-se um expressivo lote de porcelana azul e branca da Dinastia Yuan, item frequentemente presente em acervos museológicos, mas raramente encontrado em volume tão significativo em um único sítio arqueológico.

Estudos preliminares indicam que a embarcação partiu da China com destino a Temasek — antigo porto que mais tarde daria origem à atual Singapura. A descoberta reforça a importância estratégica da região no comércio asiático medieval.

Centros ceramistas e peças de alto valor

Entre os objetos resgatados estão tigelas, pratos e recipientes ornamentados com desenhos sofisticados. Muitas peças exibem representações de patos-mandarins em lagoas com flores de lótus, um motivo artístico recorrente na época.

Os especialistas identificaram ainda produtos oriundos de tradicionais polos ceramistas do sul da China, como Jingdezhen, reconhecida historicamente pela porcelana refinada, e Longquan, célebre pelos celadons — cerâmicas de tonalidade esverdeada bastante valorizadas.

Mais do que utensílios domésticos, essas porcelanas eram consideradas bens de prestígio. Por isso, comerciantes as transportavam em larga escala para abastecer mercados distantes, consolidando redes comerciais internacionais.

Comércio marítimo asiático antes da era moderna

A descoberta também impacta a interpretação histórica sobre o desenvolvimento de Singapura. Durante anos, prevaleceu a ideia de que a área teria sido apenas um modesto assentamento pesqueiro antes da chegada dos europeus.

O volume e a diversidade da carga, no entanto, indicam que Temasek já atuava como um polo relevante no comércio marítimo asiático no século XIV. O naufrágio evidencia uma rede ativa de trocas que conectava portos do oceano Índico e do Sudeste Asiático muito antes da globalização contemporânea.

Ao emergirem das profundezas, fragmentos de madeira e porcelana não apenas revelam um carregamento valioso, mas ajudam a reconstituir um período em que mercadores, culturas e economias já estavam interligados por extensas rotas marítimas.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Michael Flecker/Science Direct

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook