Logística

Gargalos logísticos em Mato Grosso elevam custos e reduzem competitividade da produção

Os gargalos logísticos em Mato Grosso têm pressionado os custos de produção e comprometido a competitividade do agronegócio estadual. No principal eixo de escoamento rumo ao Arco Norte, que conecta a BR-163 ao distrito de Miritituba, no Pará, produtores enfrentam atrasos, aumento do frete e menor previsibilidade nas entregas.

Em 2025, a movimentação de cargas em Miritituba alcançou cerca de 15,3 milhões de toneladas — alta de 24,6% em relação ao ano anterior. O crescimento da demanda, porém, não foi acompanhado por avanços proporcionais na infraestrutura, especialmente no trecho final de acesso aos terminais portuários, onde há restrições de fluxo e intervenções emergenciais.

Frete mais caro reduz margem do produtor

O impacto é direto na rentabilidade. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, o cenário reforça a urgência de investimentos estruturais para ampliar a capacidade e garantir maior previsibilidade logística.

De acordo com o vice-presidente norte da entidade, Ilson José Redivo, o frete entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) está em torno de R$ 20 por saca. Com a soja sendo comercializada a aproximadamente R$ 106 brutos — e menos de R$ 100 líquidos após encargos — o custo logístico compromete significativamente a margem do produtor.

Ele destaca ainda que o crescimento da produção não foi acompanhado por melhorias nas rodovias. Em períodos chuvosos, caminhões enfrentam trechos sem pavimentação e subidas íngremes, formando filas que podem ultrapassar 30 quilômetros.

Armazenagem insuficiente amplia pressão no escoamento

Outro entrave estrutural é a capacidade de armazenagem no estado, estimada em cerca de 52% do volume produzido. Esse déficit obriga os produtores a comercializar e escoar rapidamente a safra, concentrando o transporte no pico da colheita e pressionando ainda mais o sistema.

A produtora Katia Hoepers, de Santa Rita do Trivelato, aponta que o preço do diesel e a estrutura limitada no porto agravam a situação. Segundo ela, a falta de organização nos pontos de recebimento em Miritituba provoca longas filas de caminhões e amplia o tempo de espera durante a colheita.

No extremo norte do estado, em Alta Floresta, o produtor Mateus Berlanda relata dificuldades já nas estradas regionais. Chuvas intensas, solos argilosos e estradas de chão com pontes e bueiros danificados dificultam o tráfego. Mesmo após o transporte, ele afirma que os caminhões enfrentam espera de três a quatro dias nos armazéns.

Novo acesso pavimentado e expectativa do setor

Atualmente, o acesso aos terminais passa por melhorias emergenciais. Um novo trecho pavimentado, em traçado paralelo, está em construção e deve ser concluído em novembro de 2026. Até lá, o sistema permanece sensível ao elevado volume de caminhões.

Para o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, é necessário reavaliar a aplicação de recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação. Segundo ele, os produtores contribuem esperando retorno em infraestrutura, mas ainda não percebem resultados concretos no escoamento da produção.

Ferrogrão surge como alternativa estratégica

No médio e longo prazo, o setor produtivo aponta a Ferrogrão como projeto estratégico para reduzir a dependência do transporte rodoviário. Ainda não leiloada, a ferrovia é vista como solução capaz de transferir parte relevante da carga para o modal ferroviário, diminuindo o fluxo de caminhões na BR-163 e nos acessos a Miritituba.

A migração para o transporte ferroviário tende a aumentar a eficiência logística, melhorar a distribuição do fluxo e aliviar a pressão sobre os corredores de exportação destinados aos portos do Norte.

Enquanto as soluções estruturais não avançam, produtores de Mato Grosso continuam absorvendo os efeitos dos gargalos logísticos, enfrentando custos mais altos e maior insegurança operacional no escoamento da safra destinada ao mercado internacional.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mateus Dias / Aprosoja MT

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Logística

Corredor Norte enfrenta filas de caminhões e gargalos logísticos no escoamento da safra

O avanço da safra de soja já pressiona a infraestrutura do chamado Arco Norte, responsável por mais de 50% das exportações brasileiras de grãos. Entidades do setor alertam que os gargalos logísticos, recorrentes nos últimos anos, tendem a se agravar nesta temporada.

O principal entrave está no acesso ao terminal de transbordo de Miritituba, no município de Itaituba, no Pará. O corredor é estratégico para o envio de cargas aos portos de Barcarena e Santarém, que concentram parte relevante das exportações de grãos pelo Norte do país.

Filas na BR-163 e problemas estruturais

Com a colheita avançando em Mato Grosso, filas de caminhões de até 25 quilômetros já foram registradas na BR-163, principal via de ligação ao terminal de Miritituba.

Entre os fatores que agravam o cenário estão a falta de pavimentação e manutenção na chamada Estrada Transportuária. As melhorias previstas — incluindo a abertura de um novo acesso — têm orçamento estimado em R$ 105 milhões, com conclusão prevista entre maio e novembro deste ano.

Além disso, o período chuvoso, a ausência de agendamento eficiente para descarga no terminal e o redirecionamento de cargas que originalmente seguiriam para o terminal da Cargill, em Santarém — alvo recente de protestos indígenas — intensificaram os congestionamentos no trecho entre o Km 30 (entroncamento da BR-163 com a BR-230, a Transamazônica) e os terminais graneleiros de Miritituba.

Produtores avaliam condições do corredor

Cerca de 20 representantes de sindicatos rurais, acompanhados da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), percorreram recentemente o trajeto logístico entre Mato Grosso e os portos do Arco Norte para avaliar as condições de escoamento da produção.

Segundo o presidente da entidade, Vilmondes Tomain, ainda existem aproximadamente 8 quilômetros sem pavimentação nos acessos aos terminais. Em períodos de chuva, o trecho se torna ainda mais crítico, comprometendo a previsibilidade do fluxo de cargas.

“Enquanto não houver pavimentação definitiva e melhorias estruturais, o setor continuará enfrentando limitações logísticas que impactam diretamente o escoamento da produção”, afirmou.

Investimentos e obras em andamento

A Associação dos Portos e Terminais de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (Amport) informou que irá pavimentar 3,8 quilômetros da Estrada Transportuária. O investimento previsto é de R$ 21,6 milhões em obras, além de R$ 3,5 milhões destinados à manutenção. Um dos pontos mais críticos, o Morro Santo Antônio, com 406 metros de extensão, receberá cobertura em concreto armado.

Já a concessionária Via Brasil BR-163, responsável pela BR-163, esclareceu que a Estrada Transportuária não está sob sua gestão. A empresa, no entanto, iniciou a construção de um novo acesso aos terminais de Miritituba, com entrega prevista até novembro.

O projeto contempla uma via de 5,7 quilômetros, totalmente pavimentada e sinalizada, com investimento de R$ 80 milhões. A nova rota desviará o tráfego pesado da área urbana do distrito, com expectativa de reduzir ruídos, emissão de fumaça e riscos de acidentes.

Segundo a concessionária, as obras estão na fase final de drenagem profunda e substituição de solos instáveis. Mesmo durante o período chuvoso, os trabalhos avançam nos dias de clima favorável.

Pico da safra amplia pressão logística

Tradicionalmente, os gargalos se intensificam entre fevereiro e abril, período de pico da colheita. De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Pará (Aprosoja-PA), as chuvas dificultam a subida de caminhões em trechos críticos e aumentam o risco de atolamentos, ampliando as filas.

O presidente da entidade, Vanderlei Ataídes, destacou que a demanda por transporte cresce a cada ano. “No ciclo anterior já enfrentamos problemas, mas não nessa dimensão”, afirmou.

O diretor-executivo da Agência para o Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (Adecon), Edeon Vaz Ferreira, ponderou que o volume de caminhões com destino a Santarém é relativamente pequeno, já que a maior parte da carga segue por via fluvial. Ainda assim, eventuais paralisações no terminal da Cargill geram efeito cascata.

Segundo ele, caso o terminal deixe de receber grãos, forma-se um represamento que acaba direcionado a Miritituba para posterior embarque em barcaças. Se Santarém também não recebe as embarcações, o problema se amplia significativamente.

Arco Norte ganha peso nas exportações brasileiras

O Arco Norte consolidou-se como rota estratégica para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste. No ano passado, os portos da região responderam por 37% das exportações brasileiras de soja, totalizando 39,76 milhões de toneladas — alta de 14% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Dados do governo federal indicam que, das 40,9 milhões de toneladas de milho exportadas pelo Brasil em 2025, 34,4 milhões de toneladas saíram por portos do Arco Norte, reforçando a relevância do corredor logístico para o agronegócio brasileiro.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lucas Nunes/Famato

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Logística

Filas de caminhões em Miritituba chegam a 30 km e expõem gargalo logístico no Arco Norte

O porto de Miritituba, em Itaituba (PA), enfrenta um novo colapso logístico. Filas de caminhões carregados com soja e milho já chegam a cerca de 30 quilômetros, dificultando o descarregamento nos terminais portuários e pressionando o frete em plena safra de Mato Grosso.

Arco Norte sofre com gargalos no escoamento de grãos

Em janeiro, Mato Grosso exportou 487,63 mil toneladas de soja para 11 países, sendo que 34% do volume escoou pelos portos do Arco Norte. Em 2025, das 32,06 milhões de toneladas exportadas pelo estado, 49% passaram pelo mesmo corredor logístico.

Paulo Roberto Almeida Ferreira, coordenador técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), aponta que o problema não está na operação do porto, mas sim na logística terrestre. Segundo ele, cerca de 2,5 mil caminhões chegam diariamente ao porto para descarregar grãos, mas a infraestrutura rodoviária da BR-163 não consegue suportar a demanda.

“Qualquer contratempo na estrada, como acidentes ou trechos ruins, gera filas quilométricas que podem ultrapassar 30 quilômetros por dia”, afirma Ferreira.

Expedição técnica avalia situação in loco

No dia 21 de fevereiro, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) iniciou o Estradeiro da BR-163 — Do Campo ao Porto, uma expedição técnica que percorre os principais trechos da rodovia até os portos de Miritituba e Santarém (PA). A comitiva inclui cerca de 20 presidentes de sindicatos rurais e foi acompanhada pelo Canal Rural Mato Grosso.

Nesta segunda-feira (23), o grupo percorreu os 30 km do KM 30 até o porto e constatou o tamanho do gargalo. “É um movimento intenso, mas insuficiente para atender à demanda. Só Mato Grosso enviou 17 milhões de toneladas para cá no ano passado, e o caos logístico é evidente”, disse Vilmondes Tomain, presidente da Famato.

Mais de 30 horas de espera nas filas

O dirigente enfatizou que, apesar da qualidade do transbordo no porto, o acesso terrestre limita a operação. “Alguns caminhões estão há mais de 30 horas na fila. É inadmissível em um país com nosso potencial econômico”, afirmou.

Tomain anunciou que a situação será levada a governantes estaduais e a deputados federais e estaduais, cobrando compromisso com os trabalhadores e produtores rurais que geram riqueza para o país.

Objetivo do Estradeiro

O Estradeiro da BR-163 visa mapear os pontos críticos da rodovia no eixo norte, como trechos sem pavimentação, buracos, atoleiros e desbarrancamentos, além de avaliar a manutenção das vias. As informações obtidas devem subsidiar propostas de melhoria em infraestrutura e segurança viária, fortalecendo o escoamento da produção de grãos do estado.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lucas Nunes

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Portos

Portos da região Norte lideram crescimento no Brasil em 2025 e fortalecem o Arco Norte

Os portos da região Norte foram os que mais cresceram no país em 2025, consolidando a importância estratégica do Arco Norte para o escoamento da produção nacional. Dados do Painel Estatístico Aquaviário, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), mostram que a movimentação na região avançou 10,33% em relação a 2024, totalizando 163,3 milhões de toneladas.

O desempenho supera com folga a média nacional, que ficou em 6,1%, e reforça a mudança no eixo logístico brasileiro, historicamente concentrado no Sul e Sudeste.

Arco Norte ganha protagonismo logístico

O crescimento confirma o papel do Arco Norte como alternativa eficiente para o escoamento da produção, especialmente do agronegócio. A rota reduz distâncias até mercados internacionais, diminui custos operacionais e contribui para aliviar gargalos em portos tradicionais.

A soja liderou a movimentação nos terminais nortistas, com 48,6 milhões de toneladas embarcadas — alta de 19,24% no ano. O volume corresponde a quase 30% de toda a carga processada na região.

O milho também apresentou expansão, somando 34,4 milhões de toneladas (+6,26%). Juntos, os dois grãos representaram 50,8% da movimentação total.

Além dos grãos, a bauxita foi destaque entre os minérios, com 24,8 milhões de toneladas transportadas.

Economia regional aquecida

O avanço não se restringiu às exportações de commodities. A movimentação de contêineres cresceu 15,28%, alcançando 12,1 milhões de toneladas. Como esse tipo de transporte envolve produtos de maior valor agregado — como eletroeletrônicos, bens de consumo e insumos industriais — o dado sinaliza dinamismo da economia regional.

Outro indicador relevante foi o aumento de 15,49% na movimentação de petróleo e derivados, que atingiu 13 milhões de toneladas. O crescimento reflete maior atividade industrial e demanda por combustíveis para transporte e produção.

Portos públicos e privados ampliam operações

Entre os complexos portuários, o Porto de Santarém registrou alta de 13,24%, movimentando 18,5 milhões de toneladas. Já o Porto de Vila do Conde cresceu 5,71%, alcançando 21,3 milhões de toneladas.

Na iniciativa privada, o Terminal Graneleiro Hermasa se destacou nacionalmente ao ampliar suas operações em 29,9%, totalizando 12,2 milhões de toneladas.

O Ministério de Portos e Aeroportos avalia que o resultado reflete a consolidação de um ambiente favorável a investimentos e a integração entre poder público e setor privado.

Nova fronteira de eficiência

Para o governo federal, o desempenho superior a 10% demonstra que o Norte deixou de ser apenas rota alternativa e passou a ocupar posição estratégica na logística nacional. A combinação de infraestrutura modernizada, investimentos privados e expansão do agronegócio fortalece a integração da região amazônica às cadeias globais de comércio.

Com a consolidação do Arco Norte, o Brasil amplia sua competitividade internacional e reduz custos logísticos, impulsionando exportações e promovendo desenvolvimento regional.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Agronegócio

Tegram movimenta 13,5 milhões de toneladas de grãos em 2025 no Porto do Itaqui

O Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram) encerrou 2025 com a movimentação de 13,5 milhões de toneladas de grãos pelo Porto do Itaqui, em São Luís. O volume foi exportado em 202 navios, conforme dados do Consórcio Tegram-Itaqui, consolidando o terminal como um dos principais corredores do Arco Norte.

Soja lidera embarques para Ásia e Europa

Do total movimentado, 11,7 milhões de toneladas corresponderam à soja, enquanto o milho respondeu por 1,8 milhão de toneladas. As cargas tiveram como principais destinos os mercados da Ásia e da Europa, reforçando a relevância do Itaqui na logística de exportação do agronegócio brasileiro.

Expansão prevê aumento de capacidade e novo berço

A administração do terminal projeta uma ampliação significativa da capacidade operacional nos próximos anos. Atualmente, o Tegram está apto a movimentar até 15 milhões de toneladas por ano, mas o plano de expansão prevê um acréscimo de 8,5 milhões de toneladas anuais com a implantação da terceira fase do projeto.

A iniciativa inclui a construção de um terceiro berço de atracação, com investimento estimado em R$ 1,161 bilhão, ampliando a eficiência e a capacidade de atendimento à demanda crescente por escoamento de grãos.

Demanda acompanha crescimento da safra nacional

A ampliação está alinhada ao avanço da produção agrícola no país. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma safra de 354,8 milhões de toneladas em 2025/2026, o que deve intensificar a necessidade de infraestrutura logística robusta, especialmente nos portos do Norte e Nordeste.

Estrutura logística reforça papel estratégico

Atualmente, o Tegram opera com quatro armazéns, que totalizam 500 mil toneladas de capacidade estática, além de moegas rodoviárias capazes de receber mais de 900 caminhões por dia. O terminal também conta com duas moegas ferroviárias, com capacidade para descarregar quatro vagões simultaneamente.

Importância para o Arco Norte

O presidente do Consórcio Tegram-Itaqui, Marcos Pepe Bertoni, destacou que a infraestrutura foi planejada para acompanhar o crescimento do fluxo de grãos pelo Arco Norte, especialmente das regiões Centro-Oeste e Nordeste. Para ele, os números de 2025 confirmam o papel estratégico do terminal.

“O grande volume exportado neste ano demonstra que o Tegram ocupa uma posição estratégica na cadeia do agronegócio brasileiro”, afirmou.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/TEGRAM

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Transporte

Terminais portuários privados impulsionam transporte hidroviário após mudança na lei

A expansão do transporte hidroviário no Brasil e o fortalecimento dos corredores logísticos do Arco Norte estão diretamente associados ao avanço dos terminais de uso privado (TUPs). A virada ocorreu a partir da Lei dos Portos, sancionada no fim de 2013, que permitiu aos terminais privados movimentarem cargas de terceiros, ampliando a concorrência e garantindo maior segurança jurídica ao setor.

Abertura do mercado atrai investimentos privados

Antes da nova legislação, os terminais operavam de forma restrita. Com a mudança, o ambiente regulatório tornou-se mais atrativo para investidores. O resultado foi imediato: cerca de 50 pedidos de instalação de novos TUPs, muitos deles concentrados na Região Norte, além do aumento na encomenda de barcaças e rebocadores.

Esse movimento estimulou a economia regional e reduziu o custo do frete em comparação às rotas tradicionais do Sudeste. Segundo especialistas, o investimento foi integralmente privado, impulsionado pela percepção de que o escoamento pelo Arco Norte é mais eficiente e competitivo.

Norte lidera crescimento de instalações portuárias

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, em dezembro de 2024, o Brasil contava com 277 instalações portuárias autorizadas, das quais 229 eram terminais de uso privado. Desse total, 106 estavam localizadas na Região Norte, consolidando o corredor como o de maior crescimento no país.

Empresas do setor avaliam que a expansão dos TUPs reforça o papel estratégico das hidrovias na matriz logística nacional, especialmente para o agronegócio e o transporte de granéis.

Ampliação da frota fortalece competitividade

Companhias que atuam na região seguem ampliando sua capacidade operacional. A Amaggi, por exemplo, está expandindo em 10% sua frota, que atualmente conta com 223 balsas e 21 empurradores. A empresa opera terminais em Rondônia, Amazonas e Pará e mantém, em parceria com a Bunge, a joint venture Unitapajós, voltada ao escoamento de grãos pelas hidrovias dos rios Tapajós e Amazonas.

A avaliação do setor é que investimentos desse porte são fundamentais para manter a competitividade logística do Arco Norte, especialmente para o transporte de grãos, fibras e outros produtos agrícolas.

Falta de previsibilidade ainda é desafio

Apesar dos avanços, a previsibilidade da navegação continua sendo um dos principais entraves ao uso pleno das hidrovias. Durante a estiagem de 2024, empresas relataram dificuldades operacionais, com a necessidade de ações emergenciais para abastecer regiões isoladas.

Em alguns casos, foi preciso recorrer ao transporte rodoviário por longas distâncias para suprir áreas que ficaram inacessíveis pelos rios, evidenciando a vulnerabilidade do sistema em períodos críticos.

Dragagem e concessões entram no radar

Para operadores e especialistas, a adoção de um programa contínuo de dragagem dos rios é vista como essencial para ampliar a segurança da navegação e garantir regularidade ao transporte fluvial. A avaliação é que esses investimentos beneficiariam não apenas o setor produtivo, mas toda a sociedade, ao manter ativo um dos principais eixos de integração da Amazônia.

Nesse contexto, o governo federal estuda conceder hidrovias a partir de 2026, medida que pode ampliar a participação privada e impulsionar novos investimentos em infraestrutura logística.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Yan Boechat/Valor

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Transporte

Transporte hidroviário no Norte movimenta 107 milhões de toneladas e reduz emissões de CO₂

Os rios do Norte do Brasil seguem como eixo estratégico da logística nacional. Dados recentes mostram que as hidrovias das regiões Amazônica e Tocantins-Araguaia movimentaram 107,4 milhões de toneladas de cargas no último ano, volume que corresponde a 89% de todo o transporte fluvial do país. Além da escala, o modal se destaca pelo desempenho ambiental, com emissões de CO₂ significativamente menores em comparação a outros meios de transporte.

Hidrovias amazônicas ganham força com o agronegócio

O uso dos rios sempre foi essencial para a mobilidade e o abastecimento das cidades ribeirinhas da Amazônia, muitas delas totalmente dependentes do transporte fluvial. No entanto, a intensificação da logística de cargas ganhou força a partir da expansão do agronegócio, que passou a utilizar os portos do Arco Norte para escoar a produção à medida que as fronteiras agrícolas avançaram para o norte do Centro-Oeste.

Segundo especialistas, esse movimento alterou de forma estrutural o papel das hidrovias na economia regional e nacional, consolidando o transporte fluvial como alternativa estratégica para grandes volumes.

Amazônia concentra mais de 80% das vias navegáveis do país

A geografia brasileira favorece o modal. O país possui cerca de 20,1 mil quilômetros de vias economicamente navegáveis, sendo que aproximadamente 16 mil quilômetros estão na Amazônia. Isso significa que a região concentra 80,79% da malha hidroviária brasileira.

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), as bacias Amazônica e Tocantins-Araguaia respondem pela quase totalidade da carga transportada por rios no Brasil.

“O transporte fluvial de cargas teve um crescimento expressivo a partir de 2014, com a entrada das empresas especializadas no escoamento de granéis agrícolas”, explica Hito Braga de Moraes, diretor do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Soja e milho lideram cargas transportadas pelos rios

Produtos como soja e milho representam cerca de 50% do volume transportado pelas hidrovias do Norte. A partir dos portos fluviais e marítimos da região, navios de maior porte assumem a etapa seguinte da logística, por meio da cabotagem, distribuindo cargas para outras regiões do Brasil e para países do Mercosul.

“O sistema hidroviário permite integrar longas distâncias com eficiência, conectando o interior do país aos principais mercados”, destaca Paulo Resende, diretor do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral.

Comboios de barcaças ampliam eficiência logística

O grande diferencial do transporte hidroviário amazônico está nos comboios de barcaças. Essas composições, formadas por diversas barcaças empurradas por um rebocador, podem transportar até 75 mil toneladas em uma única viagem.

Um exemplo é a operação da Transportes Bertolini, que já realizou o envio de um comboio a partir de Porto Velho, pelo rio Madeira, com carga equivalente a mil caminhões rodoviários de uma só vez.

“Trata-se do modal mais eficiente para longas distâncias e grandes volumes, com menor impacto ambiental por tonelada transportada”, afirma Décio Amaral, CEO da Hidrovias do Brasil.

Menor emissão de CO₂ reforça vantagem ambiental

Além da capacidade logística, o transporte hidroviário se destaca pelos ganhos ambientais. Um estudo da Future Climate Group aponta que comboios de barcaças emitem até 73% menos CO₂ do que o transporte rodoviário e 36% menos do que o modal ferroviário.

Esse desempenho reforça o papel das hidrovias como solução estratégica para reduzir custos, aumentar a eficiência logística e contribuir para metas de descarbonização do transporte no Brasil.

FONTE: ABTRA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor Econômico

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Logística

Hidrovias do Arco Norte impulsionam logística do agronegócio brasileiro

As hidrovias do Arco Norte consolidaram-se como uma das principais rotas logísticas do país, deixando para trás o papel de corredor complementar. Dados da Conab mostram que, entre janeiro e outubro de 2025, foram movimentadas 49,7 milhões de toneladas de soja e milho pelos rios da região.

Conectando o Centro-Oeste aos portos da Amazônia, essa infraestrutura redesenhou o mapa logístico nacional. Segundo o Boletim Logístico (nov/2025), os terminais do Norte foram responsáveis por 37,2% das exportações de soja e 41,3% das exportações de milho realizadas no período.

Região deixa de ser apoio e vira rota estratégica

Os números confirmam a mudança de escala: o Norte se tornou a alternativa mais eficiente para o escoamento da safra, reduzindo distância e custos logísticos em comparação às rotas tradicionais do Sul e Sudeste.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, essa virada representa um avanço estrutural. Ele afirmou que o Arco Norte “deixou de ser promessa para se tornar realidade”, destacando que mais de 40% do milho e mais de um terço da soja do país já deixam o Brasil por esses corredores — resultado direto de maior competitividade, eficiência logística e acesso mais ágil aos mercados internacionais.

Integração multimodal fortalece o sistema de navegação

O Arco Norte opera a partir de uma estrutura multimodal, combinando transporte rodoviário e fluvial. As cargas chegam a polos como Miritituba/Itaituba (PA), Porto Velho (RO) e Caracaraí (RR), onde são transferidas para comboios de barcaças que seguem pelos rios Tapajós, Madeira e Amazonas até portos em Itacoatiara (AM), Santarém (PA) e Barcarena (PA).

Esse arranjo reduz trechos rodoviários longos, encurta o acesso a mercados da Europa e Ásia e eleva a eficiência operacional — o transporte por barcaças pode ser até 50% mais econômico do que o modal rodoviário em percursos extensos.

O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, ressaltou que a previsibilidade dos rios é essencial para manter o sistema funcionando. Segundo ele, contratos de manutenção contínua e de longo prazo substituem a lógica emergencial, garantindo segurança, regularidade e sustentabilidade ao transporte.

Governo investe em infraestrutura, manutenção e modernização da frota

A Secretaria Nacional de Hidrovias concentra esforços em três linhas: manutenção da navegabilidade, expansão da infraestrutura e renovação da frota fluvial.

Contratos plurianuais de dragagem e sinalização nos rios Amazonas e Solimões, já em execução, somam mais de R$ 370 milhões ao longo de cinco anos. Paralelamente, o Fundo da Marinha Mercante tem financiado a construção de centenas de barcaças e dezenas de empurradores. Muitos desses equipamentos estão sendo fabricados em estaleiros do Amazonas, impulsionando empregos e reforçando a indústria naval regional.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Agronegócio, Comércio Exterior, Exportação, Informação, Investimento, Sustentabilidade

Portos do Arco Norte lideram exportação de soja e milho

Os portos privados do Arco Norte movimentaram 52,3 milhões de toneladas de soja e milho para exportação em 2024, segundo o Anuário Estatístico da ANTAQ.

O volume representou 47,4% das exportações nacionais de milho, com 18,4 milhões de toneladas, e 35,3% das exportações de soja, totalizando 34,4 milhões de toneladas. O desempenho superou corredores tradicionais como Santos, que escoou 16,7 milhões de toneladas de milho (42% do total) e 27,9 milhões de toneladas de soja (28,3%).

Mesmo com os desafios da seca extrema em 2024, os portos da região mantiveram operações eficientes, impulsionadas por investimentos contínuos em infraestrutura e medidas para garantir a competitividade. A modernização e a ampliação da capacidade de escoamento foram fatores determinantes para a superação das dificuldades climáticas.

A necessidade de investimentos em infraestrutura segue como prioridade para minimizar os impactos das secas prolongadas. A dragagem de pontos críticos do Rio Tapajós, planejada pelo DNIT, é uma das ações consideradas essenciais para garantir a navegabilidade e evitar interrupções no transporte de cargas. Medidas como essa são vistas como fundamentais para o desenvolvimento sustentável do setor e da economia regional.

Com uma capacidade atual de 52 milhões de toneladas, o setor já projeta um crescimento significativo. Investimentos em andamento devem dobrar essa capacidade nos próximos cinco anos, permitindo o embarque de até 100 milhões de toneladas de grãos. O cenário indica um futuro promissor para os portos do Arco Norte, que seguem se consolidando como peça-chave na logística de exportação brasileira.

Fonte: Agrolink
Portos do Arco Norte lideram exportação de soja e milho

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