Informação

Poeira do Saara chega ao Brasil e eleva níveis de PM2,5 no Norte e Nordeste

Uma vasta nuvem de poeira do Saara atravessa o Oceano Atlântico e deve atingir, nos próximos dias, áreas do Norte e Nordeste do Brasil. O fenômeno também alcança pelo menos outros nove países das Américas, incluindo nações do Caribe, da América Central e do norte da América do Sul.

Transportada pelos ventos alísios sobre o Atlântico tropical, a massa de ar carrega partículas finas que podem impactar a qualidade do ar, segundo mapas de previsão atmosférica.

Aumento de material particulado no ar

As projeções indicam elevação nas concentrações de material particulado, especialmente das frações PM10 e PM2,5 — sendo esta última a que mais preocupa especialistas.

O PM2,5 é composto por partículas com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros, cerca de 30 vezes menores que um fio de cabelo. Por serem extremamente pequenas, conseguem penetrar profundamente nos pulmões e até atingir a corrente sanguínea.

Embora a poeira do deserto contenha partículas de diferentes tamanhos, as mais finas permanecem suspensas na atmosfera por mais tempo e conseguem percorrer grandes distâncias. Mesmo ao chegar mais dispersa ao Brasil, a pluma pode provocar alterações nos índices de poluição atmosférica, o que exige monitoramento constante.

Países afetados pela pluma de poeira

Desde a última segunda-feira (23), países como Suriname, Guiana, Guiana Francesa, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e regiões do Brasil já registram céu mais turvo e maior concentração de poeira em níveis médios da atmosfera.

Os efeitos costumam ser mais perceptíveis em dias de céu claro, quando há redução da visibilidade e mudança na coloração do horizonte, que pode ganhar tons esbranquiçados ou alaranjados. A previsão indica que o pico da concentração ocorreu entre terça (24) e quarta-feira (25), com tendência de استمرار ao menos até sexta-feira (27).

O que é PM2,5 e quais os riscos à saúde

A presença elevada de PM2,5 pode provocar piora temporária da qualidade do ar. Entre os principais riscos estão irritações nas vias respiratórias, agravamento de crises de asma, bronquite e aumento do risco de doenças cardiovasculares.

Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios crônicos estão entre os grupos mais vulneráveis. Em situações de maior concentração, autoridades costumam recomendar a redução de atividades ao ar livre e, se necessário, o uso de proteção respiratória.

Impactos no clima e efeitos visuais

Além das consequências à saúde, a poeira do Saara pode influenciar processos atmosféricos. O excesso de partículas na atmosfera interfere na formação de nuvens e pode reduzir a ocorrência de chuvas em determinadas áreas, ao competir pela umidade disponível no ar.

Em contrapartida, o fenômeno também pode proporcionar efeitos visuais marcantes, como pores do sol mais intensos e variações de cor no céu, resultado da dispersão da luz pelas partículas suspensas.

No Brasil, os impactos tendem a ser menos intensos do que em regiões mais próximas à origem da pluma. Ainda assim, o acompanhamento por satélites e modelos meteorológicos é fundamental para antecipar mudanças na qualidade do ar e orientar a população.

Outro aspecto relevante é que a nuvem de poeira transporta minerais como fósforo e ferro, que contribuem para a fertilização natural de ecossistemas como a Amazônia.

FONTE: Meteored
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Meteored

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Importação

Madeira ilegal da Amazônia chega à União Europeia e aos EUA apesar de leis de importação

Uma investigação internacional revelou que madeira ilegal da Amazônia brasileira continua abastecendo mercados da União Europeia e dos Estados Unidos, mesmo com legislações que proíbem esse tipo de importação em vigor há mais de uma década. O material inclui produtos extraídos ilegalmente de áreas protegidas, como a Terra Indígena Munduruku, no estado do Pará.

O levantamento foi conduzido pela Environmental Investigation Agency (EIA) e aponta falhas estruturais na fiscalização, tanto no Brasil quanto nos países importadores, permitindo que a madeira ingresse em cadeias globais de fornecimento.

Fraudes e falhas facilitam o comércio ilegal

O relatório Bootleggers, Brokers and Buyers, divulgado no fim de janeiro de 2026, detalha como fraudes documentais, invasões de terras indígenas e supervisão governamental insuficiente possibilitaram a exportação de milhares de metros cúbicos de madeira tropical de alto valor, como ipê e cumaru.

Segundo o estudo, cerca de 25 mil metros cúbicos de madeira — o equivalente a aproximadamente 830 contêineres — foram rastreados desde áreas sob exploração ilegal até 11 importadores localizados na França, Portugal, Alemanha e nos Estados Unidos.

Invisibilidade da ilegalidade na cadeia produtiva

De acordo com a EIA, as atividades ilegais de extração se espalharam por ao menos quatro áreas no Pará, incluindo uma dentro da Terra Indígena Munduruku, onde não há autorização para exploração madeireira.

A investigação combinou imagens de satélite, análise de documentos oficiais e entrevistas com especialistas para reconstruir o caminho da madeira, desde serrarias brasileiras até os mercados internacionais. O relatório mostra que o produto passou por 11 serrarias e 8 empresas exportadoras, muitas delas já autuadas por órgãos ambientais, evidenciando a prática recorrente de “lavagem” de madeira ilegal por meio de permissões ou registros fraudados.

Leis existem, mas fiscalização falha

Tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos possuem marcos legais para impedir a entrada de madeira de origem ilegal. O Regulamento da Madeira da UE (EUTR) e o Lacey Act, nos EUA, exigem diligência dos importadores e proíbem esse comércio.

No entanto, a EIA afirma que a aplicação dessas normas é limitada. Estudos da própria Comissão Europeia já alertavam, desde 2019, para o alto risco de importação de madeira amazônica sem comprovação de legalidade, especialmente o ipê, espécie protegida pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna (CITES).

Em 2025, a UE aprovou o Regulamento sobre Desmatamento, mais rigoroso, mas sua implementação foi novamente adiada, agora para o fim de 2026, após pressão de grupos ligados à indústria madeireira. Nos Estados Unidos, cortes orçamentários na fiscalização ambiental também são apontados como fator que enfraquece o combate às importações ilegais.

Avanço da extração ilegal em áreas protegidas

O contexto é de crescimento da exploração ilegal de madeira na Amazônia, com deslocamento das atividades para áreas que deveriam ser protegidas, como Terras Indígenas e Unidades de Conservação.

Dados do Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex) indicam aumento de 44% da extração ilegal em áreas protegidas entre 2023 e 2024. No mesmo período, mais de 30% da madeira retirada da Amazônia apresentava indícios de ilegalidade. Outro estudo aponta que 62% da exploração madeireira no estado do Amazonas ocorre sem autorização ambiental.

Impactos sobre povos indígenas e recomendações

Para povos indígenas como os Munduruku, a presença de madeireiros ilegais representa uma ameaça direta à vida, à cultura e à integridade territorial. Em nota conjunta, organizações indígenas afirmaram que produtos feitos com madeira dessas áreas carregam “sangue indígena” e cobraram ações imediatas de governos e empresas.

A EIA recomenda que o Brasil reforce a fiscalização, implemente sistemas de rastreabilidade em tempo real e amplie recursos para monitoramento. Já a UE e os EUA devem investigar as importações identificadas, aplicar suas próprias leis com rigor e garantir que a nova regulamentação contra o desmatamento entre em vigor sem flexibilizações.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ibama

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Logística

Guiana investe R$ 5 bilhões em superestrada de 500 km para ligar Brasil ao Atlântico em 48 horas

A Guiana colocou em marcha um dos maiores projetos de infraestrutura de sua história: uma superestrada de aproximadamente 500 km, com cerca de 50 pontes e investimento estimado em R$ 5 bilhões, que conectará Georgetown à fronteira com Roraima. A obra deve reduzir de 21 dias para até 48 horas o trajeto entre a Amazônia brasileira e o Oceano Atlântico, oferecendo ao Norte do Brasil uma nova alternativa logística.

Estrada e porto formam corredor estratégico
O megaprojeto avança de forma integrada à construção de um porto de águas profundas em Palmyra, previsto para atender operações industriais, transporte de gás natural e logística de exportação. Avaliado em US$ 285 milhões, o terminal deve gerar cerca de mil empregos na fase de obras.
Juntas, estrada e porto fazem parte de um pacote de investimentos apoiado pelo recente crescimento econômico guianense, impulsionado principalmente pela exploração de petróleo.

Ligação rodoviária Guiana–Brasil ganha forma
A nova rodovia ligará Georgetown a Lethem, passando por Linden, Mabura Hill e Kurupukari — rota atualmente percorrida em cerca de 15 horas, em grande parte sobre vias não pavimentadas.
No lado brasileiro, a travessia será feita pela ponte sobre o rio Tacutu, que conecta Lethem a Bonfim (RR) e à malha rodoviária de Roraima. Especialistas avaliam que a pavimentação contínua no território guianense trará maior previsibilidade ao fluxo de caminhões entre Boa Vista e Georgetown, reduzindo interrupções durante o período de chuvas.

Porto de Palmyra reduz dependência de rotas longas
Atualmente, cargas do Norte do Brasil dependem de trajetos fluviais ou precisam percorrer longas distâncias até portos do Sul e Sudeste. Com o corredor totalmente pavimentado, autoridades projetam que mercadorias possam alcançar o Atlântico em cerca de dois dias.

Quatro trechos, 50 pontes e obras complexas
O projeto foi dividido em quatro segmentos, que incluem substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto, proteção contra alagamentos e reforços estruturais.
Um dos pontos críticos é a travessia do rio Essequibo, ainda feita por balsa. O governo planeja substituí-la por uma ponte de pista dupla, considerada fundamental para assegurar o fluxo durante todo o ano.

As autoridades trabalhavam com cenários que apontam para conclusão significativa do corredor ao longo da próxima década, dependendo de licenciamento ambiental e avanços de engenharia.

Trecho Linden–Mabura Hill é o mais adiantado
A etapa de 121 km entre Linden e Mabura Hill foi contratada em 2022 com a Construtora Queiroz Galvão por cerca de US$ 190 milhões, com financiamento do Banco de Desenvolvimento do Caribe, Reino Unido e governo guianense.
O prazo mais recente indica conclusão até outubro de 2025. Paralelamente, o Ministério de Obras Públicas segue substituindo pontes entre Kurupukari e Lethem para preparar o terreno para a pavimentação final.

Integração com o Norte do Brasil e impacto comercial
A rodovia facilitará o acesso da Guiana a um mercado estimado em 20 milhões de consumidores no Norte do Brasil. Técnicos projetam que o corredor deverá beneficiar cadeias como agronegócio, alimentos processados, combustíveis e materiais de construção.
Para o Brasil, a nova rota fortalecerá a logística de estados do Arco Norte, oferecendo uma alternativa terrestre rápida ao mar.

Crescimento explosivo impulsiona investimentos
A Guiana vive um dos ciclos econômicos mais acelerados do mundo. Desde 2020, o PIB avança em ritmo recorde graças à exploração petrolífera no bloco Stabroek.
Em 2024, o país registrou crescimento de 43,6%, segundo dados oficiais. Estimativas apontam entre 11 bilhões e 18,7 bilhões de barris equivalentes em reservas na bacia offshore, estimulando investimentos robustos em infraestrutura e qualificação profissional.

Estratégia territorial e segurança no interior
Além dos ganhos logísticos, o corredor tem peso estratégico. A ligação mais rápida com o Essequibo — região administrada pela Guiana, mas reivindicada pela Venezuela — facilitará deslocamentos de equipes governamentais, fiscalização ambiental e presença do Estado em áreas remotas.

Desafios técnicos e gargalos ambientais
Com custo aproximado de US$ 1 bilhão, o projeto depende de estudos ambientais, análises de solo e soluções para áreas sujeitas a enchentes. A ponte que substituirá a balsa de Kurupukari é considerada um dos maiores desafios de engenharia.

Impacto esperado: Amazônia ao Atlântico em 48 horas
Para empresas de Roraima e estados vizinhos, a conclusão do corredor rodoviário e a operação do porto de Palmyra podem redefinir rotas de exportação.
Com estradas pavimentadas, novas pontes e porto de águas profundas, cargas poderão sair de Boa Vista, cruzar a Guiana e chegar ao Atlântico em cerca de 48 horas, abrindo espaço para uma reorganização completa da logística regional.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Click Petróleo e Gás

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Sustentabilidade

COP30: Governo e BNDES lançam projeto para combater o desmatamento na Amazônia

Representantes do governo brasileiro, ministros do Meio Ambiente e autoridades dos oito países que integram a OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) anunciaram a primeira fase do Projeto Regional OTCA Florestas e Mudanças Climáticas. A iniciativa, apresentada na COP30, marca um novo esforço conjunto para fortalecer políticas de proteção ambiental na Amazônia.

Projeto terá R$ 55 milhões do Fundo Amazônia

A proposta, aprovada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e pelo BNDES, contará com R$ 55 milhões do Fundo Amazônia. O objetivo é aprimorar os sistemas nacionais de monitoramento da cobertura florestal, além de reforçar capacidades técnicas voltadas à prevenção e controle do desmatamento na região.

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) será responsável por apoiar o projeto e transferir tecnologia aos demais países membros da OTCA: Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

Agenda inclui biodiversidade, proteção e infraestrutura verde

Após o anúncio, a ministra Marina Silva afirmou que o projeto deve avançar não apenas no monitoramento ambiental, mas também em uma agenda mais ampla de desenvolvimento sustentável, incluindo infraestrutura verde, combate a crimes ambientais e proteção da biodiversidade.

Segundo ela, a expectativa é criar áreas protegidas conectadas, promovendo sinergias entre os países amazônicos.

Responsabilidade compartilhada na proteção da Amazônia

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, reforçou que a iniciativa representa “uma visão estratégica” comum entre os países da região. Para ele, a proteção da Amazônia exige responsabilidade compartilhada e integração institucional, com base em ciência, tecnologia e planejamento ambiental.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Sustentabilidade

Brasil lança Aliança pelo Transporte Sustentável na Amazônia durante a COP30

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou, durante a COP30, a criação da Aliança pelo Transporte Sustentável, Resiliente e Integrado na Amazônia. A iniciativa inédita reúne países amazônicos, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial em uma ação conjunta voltada a descarbonizar o transporte, fortalecer a integração regional e alinhar a infraestrutura amazônica à agenda climática global.

Além do Brasil, participam da Aliança Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. O país será representado pelos ministérios de Portos e Aeroportos e dos Transportes, reafirmando o compromisso brasileiro com o desenvolvimento sustentável e a integração da região amazônica.

“A iniciativa coloca o bioma amazônico no centro da ação climática global, unindo eficiência, sustentabilidade e resiliência”, afirmou o ministro Silvio Costa Filho.

Transporte fluvial como eixo de integração

O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier da Silveira Filho, destacou o papel estratégico da nova Aliança. Segundo ele, o projeto fortalece o transporte fluvial como principal eixo de integração regional e instrumento de inclusão social.

“Ao lado do BID, do Banco Mundial e dos países amazônicos, o Brasil reafirma seu compromisso com um modelo de transporte mais eficiente e alinhado aos compromissos climáticos”, ressaltou.

A proposta responde a desafios históricos da Amazônia, como baixa conectividade, infraestrutura precária, eventos climáticos extremos e altos custos logísticos. A meta é transformar o transporte regional em vetor de desenvolvimento sustentável, combinando inovação tecnológica, eficiência logística e preservação ambiental.

Quatro eixos estratégicos para o futuro da Amazônia

A atuação da Aliança será orientada por quatro eixos estratégicos. O primeiro visa ampliar a conectividade e o acesso a serviços básicos em comunidades isoladas, promovendo inclusão e mobilidade para populações que dependem do transporte fluvial.

O segundo eixo trata da logística multimodal sustentável, fortalecendo corredores e cadeias logísticas e estimulando a bioeconomia e o transporte hidroviário.

O terceiro prevê a implementação de infraestrutura verde, baseada em soluções inspiradas na natureza para reduzir impactos socioambientais e aumentar a resiliência às mudanças climáticas.

Por fim, o quarto eixo foca na modernização do transporte fluvial, com ações voltadas à melhoria dos serviços de passageiros e cargas em áreas urbanas e ribeirinhas, garantindo segurança, eficiência e inclusão social.

Plano de Ação Regional 2026–2030

Como desdobramento do acordo, os países e instituições parceiras irão elaborar o Plano de Ação Regional 2026–2030, que definirá metas e investimentos para transformar o transporte na Amazônia em um modelo sustentável e multimodal. O plano será articulado com programas internacionais já existentes, como o Amazônia Sempre e o Conexión Sur, do BID, e o Amazônia Viva, do Banco Mundial.

Também está prevista a criação de um Comitê Regional para a Transformação da Infraestrutura de Transporte Amazônica, responsável por coordenar e acompanhar a execução das ações, garantindo o alinhamento com os compromissos climáticos globais e a agenda de descarbonização do setor.

Amazônia como referência global em transporte sustentável

O lançamento da Aliança durante a COP30 reforça o protagonismo da Amazônia na agenda climática internacional, posicionando a região como referência em soluções logísticas de baixo carbono e integração regional. A iniciativa destaca o papel do Brasil como articulador de políticas públicas que unem desenvolvimento econômico, preservação ambiental e inclusão social.

FONTE: Agência Gov
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jonilton Lima

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Sustentabilidade

COP30 em Belém discute financiamento climático, transição energética e adaptação às mudanças do clima

A partir desta segunda-feira (10), Belém assume o papel de capital mundial das discussões sobre mudanças climáticas. A cidade sedia a COP30, a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que segue até 21 de novembro.

Pela primeira vez, o evento acontece na Amazônia, bioma com a maior biodiversidade do planeta e essencial para o equilíbrio climático global. O desafio é recolocar o tema da crise climática no centro das prioridades internacionais.

Delegações de 194 países e da União Europeia participam das negociações. A expectativa é que Belém receba mais de 50 mil visitantes, entre diplomatas, cientistas, representantes de governos, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Lula cobra ações práticas e financiamento para transição

Durante a Cúpula do Clima, também realizada em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que esta deve ser “a COP da verdade”. Ele reforçou a urgência de garantir financiamento internacional para acelerar a transição energética e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

Segundo Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, a fala de Lula foi essencial para recolocar o debate sobre o fim dos combustíveis fósseis. “O presidente quer um roteiro concreto para essa transição — quais países começam, em quanto tempo e com quanto financiamento. Esse recado foi fundamental”, afirmou.

Dados da plataforma Climate Watch apontam que o uso de petróleo e carvão representa 75% das emissões globais de gases do efeito estufa, seguido pela agricultura (11,7%), processos industriais (4%) e desmatamento (2,7%).

Conjuntura global desafia avanços climáticos

Apesar dos alertas, o cenário internacional continua desafiador. Guerras, tensões políticas e o retorno de posturas negacionistas — como a saída temporária dos Estados Unidos do Acordo de Paris — atrasam o progresso.

Apenas 80 países atualizaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), compromissos criados há dez anos para reduzir emissões. Juntas, essas metas cobrem 64% das emissões globais. No entanto, grandes emissores como a Índia ainda não apresentaram novas metas.

Para Astrini, a falta de novas promessas representa “um dos pontos mais negativos da conferência”.

Adaptação, transição e balanço global: os eixos da COP30

Três grandes temas guiam as negociações da COP30: adaptação climática, transição justa e o Balanço Global do Acordo de Paris (GST).

A adaptação busca definir indicadores que ajudem países a se preparar para eventos climáticos extremos, como tempestades e secas prolongadas. Já a transição justa deve ganhar um programa oficial com diretrizes para proteger trabalhadores e comunidades afetados pela descarbonização da economia.

O Balanço Global, iniciado na COP28 em Dubai, tem o objetivo de medir o progresso e orientar ações concretas contra o aquecimento global.

Financiamento climático é o maior impasse

O financiamento climático continua sendo o ponto mais sensível das negociações. Segundo Astrini, os países ricos ainda não cumpriram as promessas de investir em soluções sustentáveis para as nações em desenvolvimento. “O dinheiro nunca apareceu, e isso gerou uma crise de confiança”, criticou.

Para tentar destravar o impasse, foi apresentado o plano “Mapa do Caminho de Baku a Belém”, que prevê US$ 1,3 trilhão por ano em investimentos climáticos.

O Brasil lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), com mais de US$ 5,5 bilhões prometidos para a preservação de florestas em 70 países. Ao menos 20% dos recursos devem ir para comunidades tradicionais e povos indígenas.

Sociedade civil marca presença histórica

Com forte mobilização, a sociedade civil promete protagonismo inédito na COP30. Além da Zona Azul, restrita a negociadores, a Zona Verde, no Parque da Cidade, será aberta ao público e reunirá projetos de tecnologia, inovação e sustentabilidade.

A conferência deve registrar a maior participação indígena da história, com mais de 3 mil representantes. Para Dinamam Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), é essencial que os acordos sejam cumpridos e que os povos tradicionais participem “de igual para igual” nas decisões.

Na Cúpula dos Povos, marcada para quarta-feira (12) na UFPA, movimentos sociais, quilombolas e ribeirinhos de mais de 60 países discutirão uma transição climática justa. Uma barqueata no Rio Guamá e uma grande marcha no sábado (15) devem marcar os atos públicos.

“Clima não é assunto só de ambientalista. Ele está no preço do café, na conta de luz e no prato de comida”, resume Márcio Astrini.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Logística

Brasil inaugura rota fluvial que conecta a Amazônia ao Oceano Pacífico

O governo brasileiro finalizou a rota fluvial que liga a Amazônia ao Oceano Pacífico, um marco histórico anunciado durante a COP30, em Belém (PA). A nova via integra hidrovias e rodovias em um corredor logístico que promete fortalecer a integração regional, a bioeconomia amazônica e o desenvolvimento sustentável da região.

Conclusão estratégica durante a COP30

De acordo com informações da CNN Brasil, as obras foram concluídas em novembro após acordos com Peru, Equador e Colômbia. A etapa final consistiu na dragagem do Alto Solimões, o que assegurou a navegabilidade entre Manaus e os portos do Pacífico.

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), afirmou que a rota já está em operação, mesmo antes da inauguração oficial. “Mesmo ainda não inaugurada, ela já funciona — e de forma muito mais eficiente. É a rota mais sustentável, pois é toda fluvial, atravessando os rios Solimões, Madeira e Amazonas”, destacou.

Impulso à bioeconomia e à sustentabilidade

O governo vê a finalização do projeto como um passo decisivo para ampliar o escoamento de produtos da bioeconomia amazônica para países da América do Sul e da Ásia, utilizando os portos do Pacífico. “Para manter a floresta em pé, é preciso garantir meios de subsistência à população local. A rota fortalece cooperativas que produzem desde pescado, coco e açaí até borracha, tornando-as mais competitivas. Essa rota tem um único objetivo: encurtar caminhos”, disse Tebet.

Além de reduzir custos e emissões, o projeto deve impulsionar a exportação de produtos da Zona Franca de Manaus e facilitar importações. O governo aposta ainda no turismo ecológico e de baixo carbono, com embarcações movidas a energia limpa para transporte de passageiros e cargas.

Comércio cresce na fronteira amazônica

Os efeitos da nova rota já são perceptíveis. No primeiro semestre de 2025, as exportações de Tabatinga (na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru) registraram crescimento recorde, mesmo antes da conclusão total das obras, como a instalação de aduanas e a dragagem completa do Solimões.

“Em 2024, o fluxo comercial superou o registrado nos sete anos anteriores somados. Embora o volume ainda seja modesto, o avanço é expressivo. Essa rota traz potencial extraordinário para uma região historicamente empobrecida”, ressaltou Tebet.

Rota Amazônica fortalece integração e desenvolvimento

Conhecida como Rota Amazônica, a via é considerada a mais sustentável entre as cinco rotas do plano de integração sul-americana coordenado pelo Ministério do Planejamento. No Brasil, o trajeto é 100% hidroviário, partindo de Manaus, seguindo pelo Rio Solimões até Santo Antônio do Içá (AM) e dividindo-se em dois ramais.

O primeiro segue rumo à Colômbia, pelo Rio Putumayo até Puerto Asis, com acesso rodoviário ao Porto de Tumaco. O segundo chega a Iquitos, no Peru, e dali se divide em três alternativas: pelo Rio Napo até Francisco de Orellana (Equador), conectando-se ao Porto de Manta; pelo Rio Marañón até Yurimaguas, rumo ao Porto de Paita; e pelo Rio Ucayali até Pucallpa, com ligação ao Porto de Chancay.

Com essa infraestrutura, o Brasil assume posição estratégica na integração comercial e ambiental da América do Sul, reforçando o compromisso nacional com a preservação da Amazônia e o crescimento sustentável da região.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Giorgio Venturieri/Embrapa

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Sustentabilidade

COP30 em Belém: tudo sobre a conferência do clima da ONU no Brasil

A cidade de Belém (PA) será palco da COP30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, entre os dias 10 e 21 de novembro. O evento reunirá líderes mundiais, especialistas e movimentos sociais para discutir ações de combate à crise climática e estratégias para redução de gases de efeito estufa.

Desde 1995, a COP (Conferência das Partes) ocorre anualmente, com cada edição sediada em um país diferente. Em 2025, o Brasil será o anfitrião do encontro, que retorna à Amazônia 30 anos após a criação do fórum climático.

O objetivo da COP30

O principal propósito da conferência é limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C até o fim do século, conforme acordado no Acordo de Paris de 2015. Além disso, a COP30 busca acelerar políticas sustentáveis, incentivar o financiamento climático e fortalecer o compromisso dos países com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, firmada em 1992.

O embaixador André Lago, atual presidente da COP30 e secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, destaca a importância da conferência:
“É um processo contínuo de aperfeiçoamento, orientado pela ciência e pela cooperação entre os países. As COPs evoluem conforme cresce o entendimento científico e econômico sobre o impacto das mudanças climáticas.”

Quem participa da COP30

A conferência deve reunir cerca de 50 mil participantes, incluindo delegados de 198 países, negociadores, jornalistas e 15 mil representantes da sociedade civil. Antes da abertura oficial, entre 6 e 7 de novembro, ocorre a Cúpula de Chefes de Estado, onde os líderes mundiais alinham compromissos políticos e o tom das negociações.

Estrutura do evento: zona azul e zona verde

A programação da COP30 será dividida em dois espaços.
A zona azul concentrará as negociações oficiais, com presença de delegações, chefes de Estado e imprensa credenciada.
Já a zona verde receberá organizações civis, instituições públicas e privadas e debates abertos sobre soluções climáticas.

Desde 2021, as conferências adotam a Agenda de Ação, que amplia a participação de setores privados, governos locais e comunidades científicas, promovendo discussões sobre inovação e sustentabilidade. Segundo André Lago, essa dinâmica “traz um novo fôlego às COPs, mostrando que já existem respostas concretas e soluções tecnológicas para diversos desafios”.

Mobilização social e propostas ambientais

Durante os dias de evento, movimentos sociais e ONGs apresentarão propostas de enfrentamento à emergência climática, cobrando o cumprimento de metas ambientais.
Entre as organizações envolvidas está o Observatório do Clima, cuja especialista Stela Herschmann ressalta que o processo avança, mas de forma mais lenta que o necessário.
“As COPs têm um papel importante, mas a velocidade das decisões ainda não acompanha a urgência da crise climática. A ciência já mostrou o caminho; agora é preciso agir com a rapidez e o corte que ela exige”, afirma.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Importação

Brasil encerra importação de mercúrio e envia resíduos tóxicos para a Alemanha

O Brasil decidiu zerar a importação de mercúrio em 2025 e vai desativar as últimas fábricas que ainda utilizam o metal no país. Como parte do processo, uma operação conjunta com a Alemanha foi montada para garantir que os resíduos tóxicos sejam enviados e armazenados em segurança no território europeu — medida que impede o desvio do material para o garimpo ilegal de ouro. A iniciativa é uma das ações apresentadas pelo governo brasileiro durante a Convenção de Minamata, realizada na Suíça, evento que trata dos impactos do mercúrio na saúde humana e no meio ambiente.

O mercúrio já teve diversas aplicações, como em lâmpadas, termômetros, cosméticos, amálgamas dentárias e na produção de cloro e soda cáustica. Com a modernização das indústrias, o uso do metal tem diminuído progressivamente. No Brasil, apenas as fábricas de cloro ainda utilizam o elemento em estado puro, e o governo Lula planeja eliminar completamente o uso até 2030. Desde 2025, o país não autoriza mais importações formais de mercúrio — as empresas de produtos odontológicos, por exemplo, já adquirem o material pronto. A partir de 2026, começa o descomissionamento das três últimas fábricas de cloro, em cumprimento aos compromissos internacionais firmados na Convenção de Minamata.

O mercúrio é um insumo essencial para o garimpo ilegal, usado na separação do ouro. Com o fim das importações e o fechamento das fábricas, o governo reduz as chances de desvios e contrabando. “Ao encerrar o uso industrial e restringir as entradas formais do produto, o Brasil fortalece o controle sobre o comércio e o uso do mercúrio, dificultando o abastecimento do mercado ilegal e reduzindo a contaminação ambiental”, explicou Adalberto Maluf, secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Durante o governo anterior, a atividade criminosa se expandiu, agravando o desmatamento em terras indígenas e a poluição dos rios. O caso mais grave ocorreu na Terra Indígena Yanomami, onde desde 2023 o governo realiza operações de desintrusão de invasores.

O contato com o mercúrio contamina rios e peixes, principais fontes de alimento de comunidades indígenas. Por ser um metal pesado, ele não é eliminado pelo organismo e pode causar danos permanentes. Pesquisas da Fiocruz mostram que a exposição ao mercúrio provoca deficiências cognitivas em bebês e fetos, além de problemas neurológicos e cardiovasculares em adultos, como perda de visão, dificuldade motora e risco aumentado de infarto.

Desde 2023, o Ibama realizou mais de 7 mil operações contra o garimpo ilegal apenas na Terra Yanomami, aplicando R$ 12 milhões em multas. O cálculo dos danos ambientais considera o desmatamento, a degradação dos rios e os efeitos do mercúrio sobre as populações locais. Relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontam que o contrabando de mercúrio tem origem em países como México, China, Rússia e Tajiquistão, chegando ao Brasil principalmente pelas fronteiras com Bolívia e Guiana. O preço do quilo de mercúrio nas zonas próximas aos garimpos varia entre R$ 3.600 e R$ 6.000, sendo transportado de forma clandestina em garrafas PET e botijões de gás.

No processo de desativação das fábricas brasileiras, os resíduos com mercúrio serão enviados à Alemanha, onde passarão por armazenamento seguro e tratamento especializado. O objetivo é impedir que o material seja reaproveitado por redes criminosas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o procedimento envolve remoção e estabilização do metal, descontaminação das instalações, tratamento de efluentes e monitoramento ambiental e médico-ocupacional das áreas afetadas.

Nos últimos anos, as importações de mercúrio caíram drasticamente: de 27,5 toneladas em 2017 para 12 mil toneladas em 2024, chegando a zero em 2025. Entre os principais fornecedores estavam Japão, Suíça, Estados Unidos, Índia, México e Reino Unido. A redução marca um avanço nas políticas ambientais do Brasil e reforça o compromisso do país com os acordos internacionais de controle de poluentes.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de São Paulo

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Comércio, Exportação, Logística

RO TERÁ UMA: Amazônia deve receber 13 corredores de ferrovias para encurtar as exportações

O Brasil abriu novos mercados para os produtos nacionais e o desafio urgente é chegar nos destinos com maior competitividade

Para ganhar agilidade na logística e reduzir o custo final, os investimentos em estradas de ferro devem aumentar para garantir que os produtos cheguem nos destinos em menor tempo e com preços mais competitivos.  

A expansão ferroviária avança rapidamente na Amazônia com quatro rotas ferroviárias em processo ou estudo de concessão; outras duas rotas ferroviárias em construção; e mais 13 ferrovias autorizadas, instrumento criado para ferrovias que permite a construção delas com orçamento privado sem necessidade de concessão.
 
Rondônia será beneficiada com a grande ferrovia transoceânica que ligará o Atlântico ao Pacífico com base logística em Porto Velho, antes de seguir para o Acre e Peru. O vizinho estado do Mato Grosso está mais avançado, pois além dos investimentos em rodovias, o governo daquele estado vem construindo ferrovias estaduais para integrar às grandes linhas férreas. 
 
Esse planejamento mato-grossense seria um ótimo modelo para Rondônia que tem grande produção agropecuária e o transporte é totalmente feito pelo modal rodoviário, considerado o mais caro e que afeta a competitividade dos produtos nas exportações.
 
 
As principais rotas ferroviárias da Amazônia
 
No PPI, as concessões previstas incluem: Corredor Leste-Oeste (Fico/Fiol), ligação de Mato Grosso à Bahia, passando por Goiás; Ferrogrão (Sinop/Miritituba), eixo logístico no Mato Grosso até o Pará; Extensão da Ferrovia Norte-Sul (Açailândia/Barcarena), entre Maranhão e Pará. As concessões do Corredor Leste-Oeste e a Ferrogrão também aparecem no PAC (Plano de aceleração do crescimento).
 
No PPA, está prevista a construção de duas grandes rotas ferroviárias: Corredor Leste-Oeste (Fico/Fiol); Transnordestina, interligando a Ferrovia Norte-Sul, Pernambuco, Ceará e Piauí. O orçamento público, nesses casos, está aquém do valor total dessas obras, indicando que é usado principalmente para ações complementares como planejamento, estudos, supervisão e desapropriações. Os trechos Salgueiro-Pecém (PE) e Eliseu Martins (PI)-Porto Franco (MA) da Transnordestina também aparecem como estudo para concessão no PAC.
 
O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) realizou um levantamento inédito a partir de dados do Mapa Interativo das Infraestruturas de Transporte, que reúne informações sobre obras em andamento (em construção) no Brasil e projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e Plano Plurianual 2024–2027 (PPA), com foco na Amazônia Legal. Os dados evidenciam a dimensão da expansão de rodovias, hidrovias e ferrovias na região.

Fonte: Rondônia Ao Vivo

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