Internacional

Alemanha prende suspeitos por exportação ilegal de mercadorias à Rússia

As autoridades da Alemanha prenderam cinco pessoas acusadas de integrar um esquema de exportação ilegal de mercadorias para a Rússia, em descumprimento às sanções impostas pela União Europeia após a invasão da Ucrânia. A ação foi anunciada nesta segunda-feira (2) por procuradores federais alemães.

Prisões ocorreram no norte do país

De acordo com o Ministério Público Federal, as detenções foram realizadas por agentes alfandegários na cidade portuária de Lübeck, às margens do Mar Báltico, e no distrito vizinho de Lauenburg, ambos no norte da Alemanha.

Os suspeitos, identificados como cidadãos alemães, ucranianos e russos, foram presos com base em mandados expedidos pelo juiz de instrução do Tribunal Federal de Justiça.

Operação incluiu buscas em grandes cidades

Além das prisões, as autoridades realizaram buscas simultâneas em diversos pontos do país, incluindo Frankfurt am Main, principal centro financeiro alemão, e Nuremberg, no estado da Baviera.

Outras cinco pessoas também são investigadas por envolvimento no esquema, mas seguem foragidas, segundo os procuradores.

Empresa em Lübeck seria o centro do esquema

Um dos principais investigados, identificado como Nikita S., cidadão germano-russo, é apontado como o responsável por controlar uma empresa comercial sediada em Lübeck, considerada o núcleo da operação.

Segundo o Ministério Público, o grupo utilizava empresas de fachada, destinatários fictícios dentro e fora da União Europeia e uma entidade russa para mascarar o envio das mercadorias.

Remessas teriam abastecido setor de defesa russo

As investigações indicam que agências estatais russas teriam orientado as operações de compra. Ao menos 24 empresas russas do setor de defesa, listadas em bolsa, são suspeitas de atuar como destinatárias finais das mercadorias.

As autoridades estimam que cerca de 16 mil remessas tenham sido organizadas desde fevereiro de 2022, com valor total de, no mínimo, 30 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente 187 milhões de reais.

Bens são bloqueados durante investigação

Como parte do processo, a Justiça alemã determinou o congelamento de bens em montante equivalente ao valor das transações investigadas.

Procurada, a embaixada da Rússia em Berlim não se manifestou até o momento.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Christian Wiediger/Unsplash

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Internacional

Alemanha defende União Europeia de duas velocidades para acelerar decisões do bloco

A Alemanha pretende defender a criação de uma União Europeia de duas velocidades como forma de destravar a tomada de decisões e impulsionar o desempenho econômico do bloco. A proposta prevê que um grupo central de países avance mais rapidamente em políticas estratégicas, enquanto os demais acompanham o processo em ritmo próprio.

Proposta busca romper paralisia na UE

“Este é o momento de uma Europa de duas velocidades”, afirmou o ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, durante evento promovido pelo jornal Welt, nesta terça-feira (27), em Berlim. Segundo ele, o modelo permitiria tornar o continente mais forte, competitivo e menos dependente de fatores externos.

Grupo central reuniria seis grandes economias

De acordo com uma carta de Klingbeil obtida pela Reuters, Alemanha e França articulam a criação de um novo formato de cooperação entre as seis principais economias da União Europeia. O grupo incluiria ainda Polônia, Espanha, Itália e Holanda.

O ministro alemão convidou seus pares desses países para uma videoconferência marcada para esta quarta-feira, com o objetivo de definir uma agenda concreta voltada ao fortalecimento da soberania, da resiliência econômica e da competitividade europeia.

Redução de dependências externas está no centro do debate

A iniciativa surge em meio aos esforços da UE para diminuir a dependência de matérias-primas estratégicas importadas de países como a China, além de enfrentar riscos associados a tarifas comerciais, fragmentação dos mercados globais e impactos sobre crescimento econômico e investimentos.

“Diante de um cenário geopolítico cada vez mais imprevisível, a Europa precisa se tornar mais forte e mais resiliente. Manter o status quo não é uma opção”, escreveu Klingbeil na carta enviada aos ministros.

Agenda inclui euro, defesa e mercados de capitais

Segundo o documento, a reunião desta quarta-feira deve funcionar como um “pontapé inicial” para o novo formato de cooperação, com a previsão de um encontro presencial à margem da próxima reunião do Eurogrupo.

A proposta apresentada inclui quatro eixos principais:

  • avanço da união dos mercados de capitais;
  • fortalecimento do euro;
  • maior coordenação dos investimentos em defesa;
  • garantia de acesso a matérias-primas essenciais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Jana Rodenbusch

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE divide Europa e enfrenta resistência da França

Em meio a divergências internas, Alemanha e Espanha intensificaram a pressão para que a União Europeia avance na aprovação do acordo Mercosul-UE. Nesta quinta-feira (18), o chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediram apoio dos líderes europeus para a assinatura do tratado de livre comércio com o bloco sul-americano. A iniciativa, no entanto, encontra forte resistência da França, que afirma que o pacto ainda não reúne condições para ser concluído.

Negociado há aproximadamente 25 anos, o acordo entre Mercosul e União Europeia é considerado o maior da UE em termos de redução de tarifas comerciais, com potencial impacto significativo nas relações econômicas globais do bloco.

Redução da dependência da China e reação às tarifas dos EUA

Países como Alemanha, Espanha e nações nórdicas avaliam que o tratado pode fortalecer as exportações europeias, especialmente diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, além de diminuir a dependência estratégica da China. O acesso facilitado a minerais estratégicos também é visto como um ganho relevante.

Para Sánchez, o acordo é essencial para ampliar a influência da Europa no cenário internacional. Segundo ele, trata-se de um passo necessário para reforçar o peso geoeconômico e geopolítico da UE em um momento de tensão global, tanto com adversários declarados quanto com aliados tradicionais. Merz reforçou o argumento ao afirmar que a credibilidade da política comercial europeia depende de decisões imediatas.

Resistência de agricultores e impasse político

Apesar do apoio de parte dos governos, o pacto enfrenta críticas de setores agrícolas europeus, que temem a entrada de commodities mais baratas, prejudicando produtores locais. A Comissão Europeia, presidida por Ursula von der Leyen, está disposta a viajar ao Brasil para formalizar o acordo fechado no ano passado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

No entanto, a aprovação exige maioria qualificada: o apoio de pelo menos 15 países, que representem 65% da população da UE. Atualmente, Polônia e Hungria se posicionam contra, enquanto França e Itália demonstram preocupação com o impacto do aumento das importações de carne bovina, açúcar, aves e outros produtos agrícolas.

Macron afirma que “a França não está pronta”

Maior produtor de carne bovina da União Europeia, o presidente francês Emmanuel Macron reiterou que o país não considera o acordo viável neste momento. Segundo ele, os números apresentados não justificam a assinatura e há articulações com Polônia, Bélgica, Áustria e Irlanda para adiar a decisão.

Mesmo com um acordo provisório firmado entre parlamentares e governos europeus para criar salvaguardas que limitem a importação de produtos agrícolas sensíveis, Macron insiste na necessidade de reciprocidade. Ele defende que itens produzidos com pesticidas proibidos na UE, por exemplo, não tenham acesso ao mercado europeu.

Protestos tomam as ruas de Bruxelas

Enquanto as discussões avançavam dentro da cúpula, manifestações ganharam as ruas de Bruxelas. Cerca de 150 tratores bloquearam vias próximas ao local do encontro e ao Parlamento Europeu. Agricultores lançaram fogos de artifício e batatas contra a polícia, em protesto contra o acordo.

Faixas exibidas nos tratores questionavam a importação de produtos estrangeiros e pediam o fim das negociações com o Mercosul. Diante da mobilização, a polícia montou barreiras, fechou túneis e deixou tropas de choque e canhões de água em prontidão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

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Exportação

Exportações da China intensificam tensão comercial com a Europa

As exportações da China vêm alimentando um clima de tensão com a Europa, que já fala abertamente em risco de confronto comercial. O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou o desequilíbrio nas trocas com Pequim como “insuportável” e afirmou que a situação representa “vida ou morte para a indústria europeia”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também declarou que os laços econômicos com a China “chegaram a um ponto de inflexão”.

O alerta ganhou força após o anúncio de que o superávit chinês com a União Europeia (UE) atingiu o nível recorde de quase 300 bilhões em 2025. As exportações chinesas para o bloco já superam em mais do dobro o volume importado, impulsionadas pelo redirecionamento de produtos que enfrentam novas tarifas nos Estados Unidos.

Pressão por mudanças na política europeia

Para analistas, o impacto do chamado “choque chinês” está se tornando visível. Andrew Small, diretor do programa Ásia do Conselho Europeu de Relações Exteriores, afirma que a UE vive um momento de urgência e que reuniões internas de crise já são frequentes. Segundo ele, o cenário pode levar à maior revisão da política europeia para a China em mais de uma década.

Nos últimos anos, a atenção da Europa esteve voltada à guerra na Ucrânia e às tensões comerciais com os EUA, mas Pequim voltou ao centro das preocupações. Um pacote de medidas considerado “represado”, segundo Small, está em preparação.

Estratégia europeia para proteger suas indústrias

Em resposta ao avanço das exportações chinesas, a Comissão Europeia apresentou um plano para impedir que indústrias do bloco sejam ultrapassadas por concorrentes globais. Entre as propostas estão a criação de um centro de segurança econômica, novos critérios para investimentos estrangeiros e políticas para evitar que produtos baratos inundem o mercado único.

O movimento ocorre no momento em que outras grandes economias também erguem barreiras comerciais. No México, legisladores aprovaram novas tarifas sobre importações asiáticas.

Impacto econômico direto na Europa

Economistas do Goldman Sachs estimam que a pressão das exportações chinesas deve reduzir o crescimento do PIB de países como Alemanha, Espanha e Itália em pelo menos 0,2 ponto percentual ao ano entre 2026 e 2029. Estudo do Banco Central Europeu aponta que quase um terço dos empregos da zona do euro pode ser afetado — mais de 50 milhões de trabalhadores.

Segundo Stephen Jen, CEO da Eurizon SLJ Capital, a combinação de comércio acelerado e moeda desvalorizada torna o cenário “insustentável”. Para ele, a desvalorização do yuan funciona como um “subsídio” às exportações chinesas, ao mesmo tempo em que reduz o poder de compra interno.

Dependência europeia e riscos estratégicos

A UE continua sendo um dos poucos mercados grandes o suficiente para absorver produtos chineses antes destinados aos EUA. Em Bruxelas, preocupações aumentaram após Pequim usar sua dominância sobre terras raras para pressionar setores estratégicos, provocando paralisações em indústrias europeias.

Apesar de ter reservado ao menos 3 bilhões de euros para diminuir a dependência de insumos chineses, especialistas afirmam que os efeitos dessas medidas levarão anos para aparecer.

Superávit em expansão e concorrência crescente

A disparada das exportações chinesas durante a pandemia ampliou a diferença comercial. Com consumidores comprando mais produtos ligados ao home office e à vida doméstica, e com empresas chinesas avançando em setores de alta tecnologia, como carros elétricos e dispositivos médicos, o desequilíbrio aumentou.

Hoje, a China responde por 7% das exportações europeias, mas fornece quase um quarto de todas as importações externas do bloco. Seu superávit com UE e Reino Unido já representa um terço do total comercial chinês, que ultrapassou 1 trilhão.

Alemanha: o epicentro da crise comercial

A Alemanha, maior economia europeia, sentiu o impacto de forma mais intensa. Em 2019, a China tinha um déficit de 25 bilhões com o país; agora, registrou superávit de 23 bilhões nos primeiros 11 meses do ano, reflexo da queda drástica nas importações alemãs.

A indústria alemã enfrenta estagnação, perda de competitividade e cortes superiores a 10 mil empregos por mês, segundo a Destatis. Combinados a preços altos de energia e ao envelhecimento populacional, esses fatores levaram o governo a revisar para baixo a previsão de crescimento, que deve ficar abaixo de 1%.

Avanço chinês em todas as frentes

A competitividade chinesa não se restringe a produtos de ponta. A China segue dominando o mercado de bens de consumo baratos, roupas, calçados e itens vendidos por plataformas de comércio eletrônico. O volume de produtos enviados por essas plataformas subiu 56% nos primeiros dez meses do ano em comparação a 2024.

Para a Câmara de Comércio da UE, esse ritmo pode criar uma falsa sensação de segurança para Pequim, que aposta na autossuficiência enquanto aproveita sua posição dominante no comércio global.

Caminho para novas barreiras comerciais

Diante da pressão crescente, especialistas afirmam que governos podem adotar tanto tarifas antidumping quanto novas ferramentas comerciais para conter o fluxo de produtos chineses. Wendy Cutler, ex-negociadora dos EUA, prevê que a UE e outros países adotem medidas adicionais para limitar as importações da China ao longo do próximo ano.

FONTE: Valor
TEXTO: Redação
IMAGEM: glaborde7/Pixabay

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Sustentabilidade

Alemanha aprova nova lei de biocombustíveis e mantém uso de alimentos e gorduras animais

A Alemanha deu um passo importante na política energética ao aprovar, no gabinete federal, uma nova lei de biocombustíveis. O texto garante a continuidade do uso de alimentos e gorduras animais como matérias-primas para a produção de biocombustíveis, segundo comunicado divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente. A decisão reverte planos da antiga coalizão de governo, que previa eliminar esse tipo de insumo.

A política alemã de redução de gases de efeito estufa inclui a mistura de biocombustíveis — como biodiesel e etanol — aos combustíveis fósseis, estratégia usada para diminuir as emissões no transporte rodoviário.

Pressão por metas ambientais e papel da indústria
As empresas petrolíferas precisam cumprir metas de redução de emissões e podem atender parte dessas exigências utilizando biodiesel, geralmente produzido a partir de óleo de canola ou óleos vegetais residuais, e etanol, derivado de grãos ou cana-de-açúcar.

Com a nova proposta, o governo confirma que esses insumos continuarão permitidos nos níveis atuais. A exceção fica por conta do óleo de palma, que deixará de ser contabilizado para redução de emissões a partir de 2027 devido às preocupações ambientais associadas à sua produção.

Alinhamento às regras europeias
O projeto também incorpora à legislação alemã a Diretiva de Energia Renovável da União Europeia, abrangendo os setores de transporte, eletricidade e aquecimento. O texto, que sofreu sucessivos adiamentos, foi finalmente publicado e agora seguirá para votação no Parlamento.

A nova lei também endurece regras sobre a chamada contagem dupla, mecanismo que permite creditar duas vezes determinados biocombustíveis avançados ou produzidos a partir de resíduos.

Impactos no mercado de oleaginosas
Para o setor, as mudanças devem trazer estabilidade. Comerciantes alemães de sementes oleaginosas afirmam que o projeto tende a sustentar os preços.

“Há um alívio geral pelo fato de que os ingredientes baseados em alimentos e rações continuarão a ser usados, enquanto o fim da dupla contagem também será positivo”, avaliou um operador do mercado de canola.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Scharfsinn86/Getty Images

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Importação

Brasil encerra importação de mercúrio e envia resíduos tóxicos para a Alemanha

O Brasil decidiu zerar a importação de mercúrio em 2025 e vai desativar as últimas fábricas que ainda utilizam o metal no país. Como parte do processo, uma operação conjunta com a Alemanha foi montada para garantir que os resíduos tóxicos sejam enviados e armazenados em segurança no território europeu — medida que impede o desvio do material para o garimpo ilegal de ouro. A iniciativa é uma das ações apresentadas pelo governo brasileiro durante a Convenção de Minamata, realizada na Suíça, evento que trata dos impactos do mercúrio na saúde humana e no meio ambiente.

O mercúrio já teve diversas aplicações, como em lâmpadas, termômetros, cosméticos, amálgamas dentárias e na produção de cloro e soda cáustica. Com a modernização das indústrias, o uso do metal tem diminuído progressivamente. No Brasil, apenas as fábricas de cloro ainda utilizam o elemento em estado puro, e o governo Lula planeja eliminar completamente o uso até 2030. Desde 2025, o país não autoriza mais importações formais de mercúrio — as empresas de produtos odontológicos, por exemplo, já adquirem o material pronto. A partir de 2026, começa o descomissionamento das três últimas fábricas de cloro, em cumprimento aos compromissos internacionais firmados na Convenção de Minamata.

O mercúrio é um insumo essencial para o garimpo ilegal, usado na separação do ouro. Com o fim das importações e o fechamento das fábricas, o governo reduz as chances de desvios e contrabando. “Ao encerrar o uso industrial e restringir as entradas formais do produto, o Brasil fortalece o controle sobre o comércio e o uso do mercúrio, dificultando o abastecimento do mercado ilegal e reduzindo a contaminação ambiental”, explicou Adalberto Maluf, secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Durante o governo anterior, a atividade criminosa se expandiu, agravando o desmatamento em terras indígenas e a poluição dos rios. O caso mais grave ocorreu na Terra Indígena Yanomami, onde desde 2023 o governo realiza operações de desintrusão de invasores.

O contato com o mercúrio contamina rios e peixes, principais fontes de alimento de comunidades indígenas. Por ser um metal pesado, ele não é eliminado pelo organismo e pode causar danos permanentes. Pesquisas da Fiocruz mostram que a exposição ao mercúrio provoca deficiências cognitivas em bebês e fetos, além de problemas neurológicos e cardiovasculares em adultos, como perda de visão, dificuldade motora e risco aumentado de infarto.

Desde 2023, o Ibama realizou mais de 7 mil operações contra o garimpo ilegal apenas na Terra Yanomami, aplicando R$ 12 milhões em multas. O cálculo dos danos ambientais considera o desmatamento, a degradação dos rios e os efeitos do mercúrio sobre as populações locais. Relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontam que o contrabando de mercúrio tem origem em países como México, China, Rússia e Tajiquistão, chegando ao Brasil principalmente pelas fronteiras com Bolívia e Guiana. O preço do quilo de mercúrio nas zonas próximas aos garimpos varia entre R$ 3.600 e R$ 6.000, sendo transportado de forma clandestina em garrafas PET e botijões de gás.

No processo de desativação das fábricas brasileiras, os resíduos com mercúrio serão enviados à Alemanha, onde passarão por armazenamento seguro e tratamento especializado. O objetivo é impedir que o material seja reaproveitado por redes criminosas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o procedimento envolve remoção e estabilização do metal, descontaminação das instalações, tratamento de efluentes e monitoramento ambiental e médico-ocupacional das áreas afetadas.

Nos últimos anos, as importações de mercúrio caíram drasticamente: de 27,5 toneladas em 2017 para 12 mil toneladas em 2024, chegando a zero em 2025. Entre os principais fornecedores estavam Japão, Suíça, Estados Unidos, Índia, México e Reino Unido. A redução marca um avanço nas políticas ambientais do Brasil e reforça o compromisso do país com os acordos internacionais de controle de poluentes.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de São Paulo

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Exportação

Exportações alemãs caem inesperadamente, mas produção industrial aumenta

As exportações alemãs caíram inesperadamente em julho, devido a um declínio acentuado na demanda dos Estados Unidos devido às tarifas, enquanto a produção industrial aumentou, mostraram dados na segunda-feira.

As exportações da maior economia da Europa caíram 0,6% em julho em relação ao mês anterior, mostraram dados do escritório federal de estatísticas. Uma pesquisa da Reuters previa um aumento de 0,1%.As exportações para os EUA caíram 7,9% em relação a junho. A economia alemã, orientada para a exportação, deverá ser gravemente afetada pelas tarifas de importação. Os EUA foram o maior parceiro comercial da Alemanha em 2024, com o comércio bilateral de mercadorias totalizando 253 bilhões de euros.

Os EUA impuseram uma tarifa de importação de 15% sobre a maioria dos produtos da UE num acordo alcançado com o bloco em julho para evitar uma guerra comercial maior entre os dois aliados, que representam quase um terço do comércio global.

Outra superpotência comercial, a China, viu o crescimento das suas exportações desacelerar para um mínimo de seis meses em agosto, à medida que o breve impulso de uma trégua tarifária com os EUA se desvaneceu, e as exportações da China para os EUA caíram 33% em termos anuais em agosto.

As exportações alemãs para os países da UE aumentaram 2,5% no mês, enquanto as mercadorias para outros países fora da UE diminuíram 4,5%.

As importações caíram 0,1% em relação a junho.

A balança de comércio exterior mostrou um superávit de 14,7 bilhões de euros em julho, abaixo dos 15,4 bilhões de euros em junho e 17.7 bilhões de euros em julho de 2024.

Fonte: Terra

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Economia, Internacional, Negócios

Acordo com UE, inovação e economia de baixo carbono são prioridades na relação com Alemanha

Presidente da FIESC acompanha evento que discute também cooperação em saúde, energia e minerais críticos na Bahia

Com o objetivo de fomentar parcerias e a cooperação entre Brasil e Alemanha, empresários brasileiros e alemães e representantes dos governos dos dois países estão reunidos nesta segunda (16) e terça-feira (17), em Salvador (BA). O 41º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA) está sendo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs (BDI) e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).

Do lado brasileiro, a indústria propõe a discussão de uma agenda com onze pontos prioritários, entre eles a ratificação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Para o presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Mario Cezar de Aguiar, o acordo é muito importante para o Brasil. “Eventos como esse são importantes para estreitar os laços históricos com a Alemanha. O Brasil e Santa Catarina têm muito a ganhar com a ratificação do acordo com a União Europeia, que também trará benefícios à Europa. As relações comerciais têm potencial de avançar exponencialmente, assim como a cooperação para a inovação”, avaliou.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento da geopolítica é singular para concretizar o acordo. “O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo 20% da economia global e mais de 720 milhões de consumidores. O acordo garante ao Brasil e aos demais países do Mercosul acesso preferencial a importantes mercados, facilitando a inserção internacional e ampliando as oportunidades de comércio e investimentos entre os dois blocos”, enfatizou Alban.

Michael Heinz, representante da Comissão da Indústria Alemã e membro do Conselho de Administração da Basf, destacou a importância de parcerias estratégicas diante do novo cenário global. “Brasil e Alemanha têm as melhores condições para desenvolver produtos inovadores e de alta tecnologia. Além disso, o Brasil é um ator global da transformação energética e da economia verde, e o Mercosul tem um peso relevante para estabelecer parcerias com importantes mercados”, concluiu.

Também estão na pauta brasileira a cooperação sobre regras ambientais da União Europeia. Como foco em energia, o empresariado brasileiro debate ainda a possibilidade de mobilizar recursos do Global Gateway, do Banco Europeu de Investimento e de outras fontes, para financiar projetos de interconexão elétrica entre o Brasil e países da América Latina, além da criação de uma plataforma de cooperação bilateral para projetos de energia renovável e hidrogênio verde.

A agenda do Brasil inclui também acordos de cooperação em saúde e insumos farmacêuticos e para a agregação de valor nos minerais críticos, além de uma nova proposta para evitar a dupla tributação.  

A abertura do evento contou com a presença dos presidentes da CNI, Ricardo Alban, e de diversas federações industriais, entre as quais a FIESC, além de autoridades como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Fonte: FIESC

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Industria

Indústria brasileira leva propostas para diálogo com a Alemanha

Pautas serão discutidas no Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), nos dias 16 e 17 de junho, na Bahia. Exportações para o mercado alemão caíram e indústria brasileira quer retomar vendas externas

Reposicionar o Brasil no ranking de principais fornecedores da Alemanha é estratégico para o desenvolvimento econômico nacional e está no centro das discussões do Encontro Empresarial Brasil-Alemanha, que acontece nos dias 16 e 17 de junho, no SENAI Cimatec, em Salvador. Para orientar esse esforço, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) elaborou um pacote de propostas prioritárias do setor produtivo brasileiro, com foco em inovação, sustentabilidade e investimentos.

O encontro é promovido em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs (BDI) e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), como parte da agenda bilateral entre os países, que são parceiros históricos no comércio e na indústria. As propostas foram construídas com diferentes setores para transformar desafios em oportunidades para ambos os lados.

“Este momento é estratégico. Retomar o crescimento das exportações para a Alemanha não é somente uma questão comercial, é uma decisão essencial para o desenvolvimento do Brasil. As oportunidades nesse mercado representam emprego, renda e estímulo à inovação no nosso setor produtivo”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

1. Ratificação do Acordo Mercosul – União Europeia

A indústria entende que o Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia marca um avanço estratégico na integração entre os blocos, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 20% da economia global e um mercado de mais de 720 milhões de pessoas. Em um cenário de crescente protecionismo e tensões comerciais internacionais, o acordo garante ao Brasil e aos países do Mercosul acesso preferencial a importantes mercados, fortalecendo sua inserção no comércio internacional e ampliando oportunidades de comércio, investimentos e geração de empregos.

2. Novo acordo para evitar a dupla tributação

A ausência de um acordo vigente desde 2005 causa insegurança jurídica e desestimula investimentos bilaterais. Para a indústria, a retomada das negociações para um novo Acordo para Evitar a Dupla Tributação (ADT), adaptado aos padrões atuais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), vai estimular o ambiente de negócios e a cooperação tecnológica entre os dois países.

3. Cooperação sobre regras ambientais da União Europeia (EUDR e CBAM)

Empresários brasileiros querem debater com a Alemanha o Regulamento Antidesmatamento (EUDR) e o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) – que fazem parte do Pacto Ecológico Europeu (Green Deal). A preocupação é que a aplicação unilateral desses pacotes de regras crie barreiras comerciais e prejudique exportadores brasileiros.

4. Integração energética regional com apoio europeu

A proposta é mobilizar recursos do Global Gateway, do Banco Europeu de Investimento e de outras fontes para financiar projetos de interconexão elétrica entre o Brasil e países da América Latina. A medida transformaria o Brasil em uma referência de energia renovável, com benefícios também para empresas alemãs interessadas em infraestrutura verde.

5. Parceria em energia

A indústria defende uma plataforma de cooperação bilateral para projetos de energia renovável e hidrogênio verde. O objetivo é tornar o Brasil fornecedor confiável desses insumos à Alemanha, em um modelo baseado em inovação, certificação ambiental e promoção de valor local.

6. Cooperação em saúde e insumos farmacêuticos

A pandemia expôs a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimento na área da saúde, por isso o setor industrial propõe a criação de uma plataforma de inovação para ampliar a produção nacional de vacinas, medicamentos e dispositivos médicos, com transferência de tecnologia e harmonização regulatória com a União Europeia.

7. Digitalização e rastreabilidade de cadeias produtivas

Para garantir acesso aos mercados europeus, a indústria também propõe uma parceria para promover a digitalização, rastreabilidade e sustentabilidade das cadeias produtivas brasileiras, com apoio técnico e financeiro da Alemanha.

8. Cooperação em hidrogênio verde

Outra proposta é a criação de uma plataforma bilateral para desenvolver tecnologias, certificações e rotas de exportação de hidrogênio verde, com projetos-piloto e marcos regulatórios comuns. A CNI considera a medida essencial para a transição energética brasileira e para o cumprimento das metas climáticas alemãs.

9. Agregação de valor nos minerais críticos

O Brasil quer deixar de ser apenas fornecedor de matérias-primas e passar a industrializar seus minerais estratégicos com apoio da tecnologia alemã. A proposta inclui um roteiro de cooperação para agregar valor local, atrair investimentos e garantir certificação ambiental dos processos.

10. Fomento aos biocombustíveis e bioprodutos

A indústria brasileira aposta no uso da biomassa para produzir combustíveis sustentáveis, como o SAF (usado na aviação), e defende a ampliação da cooperação com centros de pesquisa alemães. A meta é tornar o país líder na produção de biocombustíveis de baixo carbono.

11. Capacitação para a indústria verde

Para viabilizar a transição energética e aumentar a produtividade industrial, a CNI propõe criar programas conjuntos de qualificação técnica voltados à economia verde. A iniciativa pretende ampliar a cooperação entre instituições como o SENAI e organizações alemãs, com foco em pequenas e médias empresas.

Parceria para o Encontro Empresarial Brasil-Alemanha

O encontro tem o apoio da Volkswagen Caminhões-Ônibus, Basf, Deutsch-Brasilianische Industrie – und Hendelskammer (Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha), Banco do Nordeste, Governo Federal do Brasil, Governo do Estado da Bahia, BDI – The voice of German Industry, FIEB e CNI.

Evento terá rodada de negócios com compradores internacionais

Em uma parceria dos realizadores do EEBA com a ApexBrasil, acontecerá também nos dias 16 e 17 a Rodada Internacional de Negócios – evento híbrido que já conta com 60 empresas brasileiras inscritas. Os empresários, que participarão presencialmente e virtualmente, integram setores como alimentos e bebidas, cosméticos, energia, farmacêutico, moda e acessórios, construção civil e mineração. Além disso, potenciais compradores internacionais da Alemanha estarão nas agendas de negócios, ampliando as oportunidades de parcerias estratégicas e investimentos bilaterais.

Fonte: Portal da Indústria

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Importação

Brasil abre investigação de dumping em importação de aço de Alemanha e Japão

A Secretaria de Comércio Exterior abriu investigação para averiguar a existência de dumping nas importações de folhas metálicas de aço carbono vindas da Alemanha, do Japão e dos Países Baixos. A informação foi divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) no Diário Oficial desta segunda-feira.

O dumping é uma prática considerada predatória, que consiste em vender produtos em outros países por um preço inferior ao praticado no próprio mercado, podendo até mesmo ser comercializado abaixo do custo de produção. A prática tende a prejudicar a competitividade da indústria local.

O documento informou que o objetivo é analisar provas colhidas entre julho de 2023 e junho de 2024, com o chamado “período de análise de dano” de cinco anos, entre julho de 2019 e junho de 2024.

Aumento de tarifas americanas e impacto nas exportações brasileiras

Ao mesmo tempo, o Brasil deve enfrentar mais uma barreira para entrar no mercado americano: o aumento de preços do metal. Isso porque, na última sexta-feira, o presidente Donald Trump anunciou que aumentará as tarifas sobre importação de aço nos EUA de 25% para 50%, afirmando que a medida ajudará a proteger os trabalhadores da indústria siderúrgica americana.

O aumento, que deve entrar em vigor ainda esta semana, foi informado durante evento na siderúrgica U. S. Steel, onde Trump promoveu um acordo entre a icônica empresa americana e a japonesa Nippon Steel.

O anúncio acontece no momento em que representantes da metalurgia brasileira tentam avaliar o impacto da sobretaxa de 25% que entrou em vigor em março. Executivos dos setores de aço e alumínio admitem que o clima é de incerteza e apreensão, buscando, via governo brasileiro, flexibilização da medida junto ao governo americano.

Os Estados Unidos são o principal destino internacional do aço brasileiro e o segundo do alumínio. Em 2024, o Brasil exportou 4,08 milhões de toneladas de aço para os EUA, o que representou 42,6% do volume exportado pelo país, gerando US$ 2,99 bilhões, 39,2% da receita das exportações siderúrgicas. O Brasil foi o segundo maior exportador para os EUA, atrás apenas do Canadá.

Fonte: Exame 

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