Exportação

Açúcar orgânico brasileiro enfrenta tarifas elevadas e perde competitividade no mercado internacional

Tarifa dos EUA impacta exportações do açúcar orgânico
Seis meses após o início do chamado tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, os exportadores de açúcar orgânico do Brasil seguem enfrentando obstáculos para escoar a produção. Antes livre de tarifas para entrar no mercado americano, o produto passou a arcar, na prática, com uma carga tributária próxima de 100%, o que compromete a competitividade do setor.

Fim de isenção e perda da cota especial
O endurecimento das regras foi impulsionado por decisões do governo do presidente Donald Trump. Além da manutenção da sobretaxa de 40%, em vigor desde agosto de 2025, o açúcar orgânico brasileiro passou a pagar mais 10%, tarifa aplicada pelos EUA a exportações globais. O impacto foi agravado pelo fim da chamada “Specialty-Quota”, que garantia isenção da tarifa de US$ 327 por tonelada para uma cota anual de 240 mil toneladas de açúcar orgânico.

Os Estados Unidos concentram uma parcela relevante do consumo mundial de produtos orgânicos. No país, o uso de açúcar orgânico é obrigatório na fabricação de alimentos industrializados certificados, como granolas, barras de cereais e iogurtes, o que torna o insumo essencial para a indústria local.

México também fecha portas ao produto brasileiro
Diante das restrições no mercado americano, a Native, do Grupo Balbo, buscou diversificar destinos e iniciou exportações para o México. No entanto, a estratégia foi interrompida no fim de 2025, quando o governo mexicano anunciou o fim da isenção tarifária para diversos produtos, incluindo o açúcar.

Segundo Leontino Balbo Júnior, vice-presidente da Native Produtos Orgânicos, chegaram a ser enviados dez contêineres ao país, com perspectiva de novos embarques. Com a mudança, o México passou a aplicar uma tarifa de 200% sobre o açúcar orgânico, inviabilizando novas vendas.

A entrada no mercado mexicano começou ainda em 2025, com apoio de um distribuidor americano que estruturou operações locais. A expectativa da Native era exportar até 3 mil toneladas até junho de 2026, enquanto o consumo anual dos EUA gira em torno de 300 mil toneladas.

Canadá absorve parte da demanda, mas volumes são limitados
Atualmente, o Canadá tem sido a principal alternativa para a empresa, impulsionado pela demanda indireta de clientes americanos. Mesmo assim, os volumes permanecem modestos. As exportações da Native ao país devem crescer de 6 mil para 9 mil toneladas anuais.

Sem novos mercados relevantes, a empresa acumula cerca de 30 mil toneladas em estoque, um patamar elevado diante da expectativa inicial de exportar 40 mil toneladas aos EUA nesta safra e zerar os armazéns até abril. De acordo com Balbo, a limitação de capital de giro dos distribuidores também dificulta novos negócios.

Outras exportadoras ainda mantêm vendas aos EUA
A Jalles Machado, outra exportadora brasileira de açúcar orgânico, ainda consegue atender o mercado americano. De acordo com Rodrigo Penna, diretor financeiro da companhia, as vendas continuam porque os EUA dependem do produto, mas o custo adicional tem sido repassado ao varejo.

Penna afirma que a empresa busca ampliar a presença em outros mercados, embora sem avanços expressivos. Para ele, as tarifas elevam o preço final ao consumidor e não beneficiam produtores americanos, que não atuam na produção de açúcar orgânico.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Benicchio Divulgação/Native

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